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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Zenaldo joga na rua 4 mil miseráveis, para abrigar famílias de baixa renda. Sucupira é aqui!




Parece piada de mau gosto, mas é verdade: o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, mandou jogar na rua mais de quatro mil pessoas que ocupavam um terreno da Prefeitura. Tudo para construir um conjunto habitacional para famílias de baixa renda.

É ou não é uma história digna de Sucupira, esse “causo” protagonizado pelo ilustre prefeito Zenaldo Paraguaçu?

Como é que alguém pode jogar na rua quatro mil seres humanos – idosos, mulheres, crianças – para beneficiar pessoas igualzinhas a essas que foram despejadas?

O fato é tão impressionante, que levanta até a suspeita de que essa história de “conjunto habitacional”, naquele terreno, não passe de mais um lári-lári da Griffo. Ou, quem sabe, um conjunto para beneficiar só a quem votar no PSDB.

E quando é que será construído esse tal conjunto, se o prefeito Zenaldo Paraguaçu até pra tapar buraco diz que não tem dinheiro?

E como é que ficam esses quatro mil seres humanos, esses idosos, essas mulheres, essas crianças, que agora não têm nem mesmo um quartinho pra se abrigar?

Se eu fosse eles, acampava na porta do prédio do ZP, aquele prédio de bacana onde ele mora. Botava lá um monte de lona, um monte de cartazes e dizia: “olha o que o bacana do vizinho de vocês fez com a gente!”

Não pense que estou exagerando, não, leitor.

O fato aconteceu na última quarta-feira, 02, em um terreno de 50 mil metros quadrados, da Prefeitura de Belém, na avenida Quintino Bocaiúva com a Bernardo Sayão, no bairro do Jurunas.

A Prefeitura obteve, na Justiça, a reintegração de posse daquela área, que estava ocupada por 650 famílias de miseráveis.

A desocupação foi um horror: teve gente ferida, presa; gente chorando, clamando no meio da rua pela misericórdia Divina, enquanto a Polícia Militar e a Guarda Municipal destruíam aquelas casinhas de madeira, sem quase nada dentro, mas que aqueles seres humanos chamavam de Lar.

Está tudo no Diário do Pará do dia 03/08/2017, página A3, na bela reportagem das jornalistas Roberta Paraense e Emily Beckman.

De acordo com a matéria, a Prefeitura jura que vai cadastrar no Minha Casa, Minha Vida quem comprovar que não tem pra onde ir.

Quer dizer: depois de jogar essas pessoas na rua da amargura; de submetê-las a tamanha violência, humilhação e desespero, a Prefeitura vai cadastrá-las em um programa habitacional...

É ou não é coisa de quem acha que pode fazer todo mundo de otário?

Por que é que a Prefeitura não fez esse cadastramento antes de despejar essas pessoas?

Por que é que o Zenaldo não mandou os mais de 100 assessores dele levantarem a situação dessas pessoas, para que elas pudessem permanecer ali e receber uma casinha desse tal de conjunto habitacional?

Por que é que o Zenaldo não foi lá (tá com medo de povo é, Zenaldo?) e disse: olha, eu preciso desse terreno, pra fazer um conjunto, pra pessoas tão fumadas quanto vocês. Mas como eu sei da situação de vocês, vou separar um pedacinho desse terreno, arranjar madeira, e vocês vão se mudar pra esse pedacinho e fazer umas casinhas provisórias. Aí, a gente vai passar o pente-fino nos cadastros de vocês. E quem realmente não tiver pra onde ir, vai receber uma casinha nesse conjunto. E vocês vão até me ajudar, denunciando e impedindo que outras pessoas entrem aqui, depois desse cadastramento.

Isso não teria sido bem menos traumático, muito mais inteligente, e até muitíssimo mais humano?

Mas pra isso, caro leitor, o Zenaldo precisaria ter uma vivência que ele nunca teve: a vivência das pessoas que trabalham duro e honestamente, para conquistar cada pedacinho daquilo que possuem.

Quem trabalha, sabe o que é já ter estado sob a ameaça de não ter onde morar, ou até de não conseguir colocar comida na mesa.

Mas quem nunca trabalhou, quem sempre teve tudo de mãos beijadas, jamais saberá o que é a luta pela sobrevivência.

E tão chocante quanto a desumanidade cometida contra essas quatro mil pessoas é o fato de Zenaldo ter sido eleito, durante décadas, por diz-que possuir “preocupações sociais”.

Mas como diz a Bíblia, não há nada oculto que não venha a ser revelado; nenhuma máscara se mantém para sempre.

E bastou apenas um caso dramático como esse, para revelar quem é, de fato, o prefeito de Belém.


FUUUIIII!!!!!