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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Com o “coração a sangrar”, Jatene defende o filho e faz até a Perereca chorar.






Devo admitir, caro leitor, que têm razão aqueles que dizem que sou meio doida.

Pois não é que ao assistir ao vídeo do Jatene, em defesa do filhinho dele, desatei a chorar?

Afinal, pensei comigo: coitadinho do Jatene, com o seu “coraçãozinho a sangrar!”...

Coitadinho desse homem público honestíssimo e tão trabalhador, que não tem nem mesmo uma tapera lá no Tucunduba, porque tudo o que fez na vida foi servir à coletividade...

Sou ou não sou meio doida, caro leitor?

Sim, porque se eu fosse normal, pensaria: coitadinho é o povo do Pará, que está vendo os nossos jovens matando e morrendo, todo santo dia, por causa dessa violência impressionante que tomou conta deste estado.

Coitadinhos são os nossos idosos, as crianças, as mulheres, que são tratados pior do que bicho nos nossos hospitais públicos, onde faltam médicos, remédios, equipamentos e sobram morte e dor.

Coitadinhas são as milhares de famílias paraenses que não têm nem o que comer neste Natal, porque o dinheiro que serviria para melhorar a condição de vida delas está sendo é surrupiado pela quadrilha desse governador.

Na verdade, caro leitor, o Jatene pensa que somos todos uns otários.

Ele acha que é fácil nos manipular, apelar ao nosso coração, só porque estamos às vésperas do Natal.

Beto Jatene, o filhinho do governador, não passou nem 48 horas “engaiolado”: ele foi preso no final da tarde de sexta-feira, e solto no começo da tarde de domingo.

E, segundo a reportagem do Diário do Pará, os aposentos que ocupou mais pareciam um quarto de hotel, já que tinham ar condicionado, televisão e visita a qualquer hora (Leia aqui: http://www.diarioonline.com.br/noticias/para/noticia-388702-filho-de-jatene-teve-regalias-em-prisao.html).

Então, “profunda dor” quem sente não é o governador e seu filhinho.

Profunda dor é a do povo deste estado, submetido à miséria e a toda sorte de violência, enquanto o patrimônio da família de Jatene só faz é aumentar.

Para enganar a população, o governador leu, nesse vídeo, o trecho de um documento em que a Polícia Federal diz que não há indícios, neste momento, de que Beto Jatene participou de fraudes em Parauapebas, embora seja inegável que duas das empresas dele receberam recursos “de origem ilícita”.

Sobre esse trecho, o governador chegou a ironizar: "Como se um comerciante pudesse saber a origem dos recursos de todas as pessoas com quem transaciona”. 

Ora, Jatene sabe que a maioria das pessoas não leu todo o noticiário sobre a Operação Timóteo.

Assim, muitos desconhecem que essa suposta organização criminosa, que teria desviado R$ 66 milhões em royalties da mineração e da qual Beto Jatene teria recebido R$ 750 mil, estaria dividida em quatro núcleos.

O primeiro, de captação das prefeituras para o esquema. O segundo, integrado por dois escritórios de advocacia, que cuidava da obtenção desses royalties, pelas prefeituras, e recebia 20% do dinheiro liberado. O terceiro, dos agentes públicos que contratavam esses escritórios de maneira fraudulenta. O quarto, o das pessoas que ajudavam a “lavar” esse dinheiro.

Isso significa que Beto Jatene pode, de fato, não ter participado da fraude em Parauapebas, mas pode, sim, ter operado com essa suposta quadrilha na lavagem de dinheiro.

É claro que a PF terá que provar que Beto Jatene lavava dinheiro para essa suposta quadrilha, ou até fornecia informações privilegiadas a ela.

Mas tentar dizer, como fez Jatene, que o fato de Beto não ter participado de fraude em prefeitura o isenta de culpa, é distorcer os fatos, para enganar a população.

Ainda segundo o governador, a PF diz que foram realizados dois depósitos financeiros, para os postos de gasolina de Beto Jatene, em decorrência de contratos que eles mantinham com a "pessoa investigada”.

E essa é outra coisa que deixa indignada qualquer pessoa que conheça a história do Jatene, que, durante 48 anos (como ele mesmo diz no vídeo), foi apenas e tão somente “servidor público”.

O governador fala nos postos de gasolina do filho dele como se isso fosse a coisa mais natural do mundo.

Em nenhum momento, ele se preocupa em explicar de onde saiu o dinheiro para a aquisição desses postos, que, aliás, até venderam mais de R$ 5 milhões em combustíveis ao Governo do Estado, o que levou o Ministério Público a ajuizar um processo de improbidade, contra essa tenebrosa transação. 


De igual forma, o governador não explica de onde saiu o dinheiro para os três apartamentos milionários, no edifício Neon, onde moram os dois filhos dele, Beto e Izabela, e a sua ex-mulher, Heliana.

Não está nem aí, também, para explicar ao distinto público de onde veio a impressionante fortuna do sobrinho dele, o empresário Eduardo Salles, que possui fazendas com milhares de hectares, é sócio de loteamentos milionários e estaria envolvido até em fraude fundiária, em Castanhal.


Jatene não explica, também, as duas aposentadorias que recebe e que somam R$ 67 mil por mês, apesar de uma delas ter sido até suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF).


Não explica, ainda, os 17 parentes que tem empregados em órgãos públicos, apesar da lei antinepotismo. 


Nesse vídeo do Facebook, tudo o que Jatene faz, além de defender o filho com meias verdades e tentar bancar o coitadinho, às vésperas do Natal, é xingar os Barbalho e afirmar que tem uma vida pública irretocável.

Então, se é assim, por que é que ele não explica a origem dessa fortuna de mais de R$ 40 milhões de seus familiares? 


De onde veio tanto dinheiro, se os pais do Jatene não eram ricos e ele foi apenas músico de bar, professor universitário, secretário de Estado e governador?

Veio do couvert artístico que ele recebia nos bares? Das aulas de Economia que dava na UFPa? Dos salários que ganhou como secretário e governador?

E olhe que a ex-mulher dele, a Heliana, também é apenas funcionária pública, assim como a Izabela e o Beto e os seus respectivos cônjuges.

Então, bem que o Jatene poderia fazer um vídeo, no Facebook, para explicar de onde é que saiu tamanha fortuna.

Isso sim é que seria “abrir o coração” ao distinto público. E não mais essa fraude que ele nos tenta fazer engolir, às vésperas do Natal.

FUUUUIIIIII!!!!!

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O vídeo de Jatene poder ser visto aqui, mas providencie antes umas 666 caixas de Kleenex: https://www.facebook.com/sjatene/?nr

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Justiça decreta prisão de Beto Jatene. Filho do governador Simão Jatene estaria envolvido em esquema nacional de corrupção.









Atualizado às 17h40: 
Beto Jatene se entregou à PF há pouco: http://www.diarioonline.com.br/noticias/para/noticia-388477-filho-de-jatene-se-entrega-a-policia-federal.html


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Atualizado às 14h20: no G1, mais detalhes sobre o mandado de prisão de Beto Jatene, filho do governador Simão Jatene: http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2016/12/justica-pede-prisao-de-beto-jatene-filho-do-governador-do-para.html 


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Na Folha de São Paulo:

BELA MEGALE (DE BRASÍLIA) - A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (16) a operação Timóteo, que mira uma suposta organização criminosa investigada por corrupção em cobranças de royalties da exploração mineral.

Membros da PF afirmam que entre os investigados está o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

A PF apura se ele teria participado da lavagem de dinheiro por supostamente ter recebido valores do principal escritório de advocacia responsável pelo esquema. Ele é suspeito de emprestar contas da instituição dele para ajudar a ocultar dinheiro.

Malafaia, que mora no Rio de Janeiro, foi alvo de condução coercitiva, mas a PF ainda não confirmou o cumprimento do mandado. 

O filho do governador do Pará Simão Jatene (PSDB) Alberto Lima Silva Jatene foi alvo de um mandado de prisão temporária. 

Segundo o advogado dele, Jatene estava em uma viagem a trabalho e por isso não foi detido, mas tem a disposição de se apresentar à Justiça.

Também foram presos em Brasília Marco Antônio Valadares Moreira, diretor de procedimentos arrecadatórios do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia, e a mulher dele Lilian Amâncio Valadares Moreira.

Segundo investigadores, o casal apresentou o aumento de seu patrimônio em R$ 7 milhões em um curto espaço de tempo.

O Ministério de Minas e Energia vai encaminhar à Casa Civil o pedido de exoneração do sr. Marco Antônio Valadares Moreira. A exoneração vale a partir desta sexta.

INVESTIGAÇÃO

De acordo com informações da PF, a suposta organização criminosa agia com algumas prefeituras para obter parte dos 65% da chamada CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) que é repassada aos municípios. Em 2015, o CFEM acumulou quase R$ 1,6 bilhão.

Com informações privilegiadas sobre dívidas de royalties, o diretor do DNPM Marco Antônio Valadares Moreira procurava a prefeituras que tinham créditos do CFEM junto a empresas de exploração mineral indicava dois escritórios e uma consultoria, esta última em nome da mulher dele, que poderiam ajudar os municípios a resgatar esses créditos.

Segundo a PF, os escritórios ofereciam soluções que iam de ações da justiça e negociações privadas com as mineradoras.

A investigação ainda não tem detalhes de quais negociações foram ou não bem sucedidas.

Os escritórios e a consultoria cobravam um taxa de êxito de 20% e, se tivessem sucesso no serviço, repartiam o montante com o diretor do DNPM e a prefeitura.

Ao todo estão sendo realizadas buscas e apreensões em 52 endereços diferentes ligados a suposta organização criminosa na Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins.

Também foram decretadas pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal do DF, 29 conduções coercitivas, quatro mandados de prisão preventiva e 12 mandados de prisão temporária.

As investigações tiveram início no ano passado, no momento em que a Controladoria-Geral da União (CGU) enviou à PF uma sindicância que apontava incompatibilidade na evolução patrimonial de um dos diretores do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

A ação é batizada de "Operação Timóteo", em referência a esta passagem do livro Timóteo, da Bíblia: " Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos". 

Outro alvo é o filho do governador do Pará Simão Jatene (PSDB). Ainda segundo a PF, com essas informações, os suspeitos entravam em contato com municípios que tinham créditos do CFEM junto a empresas de exploração mineral para oferecer seus serviços.

Até o momento, os investigadores apuraram que a suposta organização criminosa se dividia em ao menos quatro núcleos: o captador, formado por um diretor do DNPM e sua esposa, que realizava a captação de prefeitos interessados em ingressar no esquema; o operacional, formado por escritórios de advocacia e uma empresa de consultoria em nome da esposa do diretor do DNPM, que repassava valores indevidos a agentes públicos; o político, composto por agentes políticos e servidores públicos responsáveis pela contratação dos escritórios de advocacia do esquema; e o núcleo colaborar, que auxiliava na ocultação e dissimulação do dinheiro.

A PF também comunicou que o sequestro de três imóveis e bloqueio de valores que podem alcançar R$ 70 milhões. O juiz do caso determinou ainda que os municípios se abstenham de contratar ou de realizar pagamento aos escritórios de advocacia e consultoria que estão sendo investigados.

A Operação Timóteo começou em 2015, quando a então Controladoria-Geral da União enviou à PF uma sindicância que apontava incompatibilidade na evolução patrimonial de um dos diretores do DNPM. Apenas esta autoridade pública pode ter recebido valores que ultrapassam os R$ 7 milhões, segundo o órgão. 




Pra quem não sabe, Beto Jatene, que é advogado, possui um escritório de advocacia.
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