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sábado, 28 de maio de 2016

Um discurso sensacional e histórico de José Eduardo Cardozo contra o golpe. Pra ver e rever.

#EstuproNuncaMais






Uma das coisas mais nojentas no estupro de uma garotinha de 16 anos por mais de 30 homens, no Rio de Janeiro, é a tentativa de certas pessoas de culpar a vítima.

Até o órgão sexual daquela menina, exibido na internet, estava sangrando. E, mesmo assim, ainda há quem diga que ela teve culpa.

Eis aí uma coisa que dói no fundo da alma de qualquer pessoa com um mínimo de fé na espécie humana.

Como é possível que ainda haja gente querendo culpar aquela garotinha, por tamanha brutalidade?

Trinta homens.

Trinta homens contra uma menininha...

Mesmo assim, ainda há quem a culpe...

E diz que estamos em um país cristão, onde as pessoas se arrastam em enormes procissões, ou enchem templos evangélicos, com as suas “Aleluias”.

Pra que “Aleluias”, pra que procissões, quando não se tem misericórdia nem de uma garotinha estuprada por 30 marmanjos?

Quando o preconceito é tão forte, tão brutal, que se sobrepõe a um mínimo de solidariedade?

Quando a mentalidade é tão cruel que mais parece a de um psicopata?

Houve gente, nas redes sociais, que disse até que, se essa garotinha estivesse em casa “lavando louça”, isso não teria ocorrido...

Chega a dar um nó na garganta. Uma vontade danada de chorar...

Quer dizer que nós, mulheres, pra não sermos “culpadas” de algo tão selvagem, temos de nos esconder do resto do mundo, é?

Quer dizer que não podemos estudar, trabalhar, andar pela rua, porque, se o fizermos, teremos contribuído para o nosso estupro?

Quer dizer que não podemos ter os parceiros que quisermos, quando quisermos, porque isso “autoriza” alguém a nos estuprar?

Quer dizer que não podemos usar shorts, saias curtas, maquiagem; ir a uma festa, a um bar, porque seremos “putas”?

E ainda que fôssemos putas, quem foi o anormal que disse que isso permitiria a alguém nos estuprar?

Basta!

Basta dessa moral imunda, que tenta nos reduzir a meros úteros e vaginas; que tenta abstrair de nós a condição Humana.

Não existimos apenas para parir ou para “dar prazer”.

Não somos “belas, recatadas e do lar”.

Não somos depósito de esperma pra qualquer tarado.

Não somos pertences de nenhum patriarca.

Somos gente, pessoas, seres humanos, cidadãs!

Temos direito aos nossos corpos!

Eles nos pertencem por inteiro – e apenas a nós!

Temos todo o direito à vida, à liberdade, à dignidade, como todo e qualquer cidadão, como toda e qualquer pessoa!

E o que exigimos não é nem mais, nem menos do que isto: que nos respeitem! Que parem de nos coisificar!

Nossas vidas não se resumem a um pênis; não giram em torno de um pênis. E nem precisamos de um pênis para Ser.

E se há homens que se permitem reduzir a um pênis, eu só tenho é a lamentar.

Não temos qualquer papel exclusivo, específico, inelutável que tenhamos de cumprir.

A escolha da vida que queremos é nossa! – e apenas nossa!

E a vida que levamos – qualquer que seja! – não é desculpa para nos estuprar, espancar ou matar.

Fico pensando na dor daquela menininha e dos pais dela. Fico pensando o que eu faria se isso acontecesse com a minha filhinha.

E fico imaginando quão bom seria se esses 30 marmanjos fossem apenas uns “monstros”.

Ou se tivessem agido assim apenas porque em grupos, em multidão, o ser humano é capaz de comportamentos inomináveis.

Mas aí eu procuro as estatísticas e vejo que 70% das vítimas de estupro, no Brasil, são crianças e adolescentes.

E que em mais da metade desses 70%, o estuprador é o pai, o padrasto, um amigo, um conhecido.

Aí também vejo que entre esses 30 marmanjos, há meninos, de 18, 19 anos. Possivelmente, bons filhos, bons irmãos, bons amigos...

E de repente, o “monstro”, tão confortável nessas horas, desaparece.

E o que vejo surgir diante de mim, pra minha tremenda angústia, é a sociedade, é a moral brasileira.

Essa moral hipócrita, que vive a falar em Deus, mas incentiva o ódio, o preconceito, o machismo, a misoginia.

Foi essa sociedade, tão orgulhosa de seus “costumes”, que fez desses 30 marmanjos aquilo que eles são.

Foi essa sociedade que também estuprou aquela garotinha.

É essa sociedade que mata gays, negros e índios, que também estupra menininhos e menininhas.

É ela que não sabe respeitar o outro. É ela que não sabe conviver com o diferente. É ela que abomina os mais frágeis. É ela que transforma o corpo da mulher em uma “coisa”, pra ser usada e abusada por quem quer que seja.

Algum desses 30 marmanjos é inocente? Parece-me que não. E todos terão de pagar, sim, pela brutalidade que cometeram.

Mas seria muito cômodo nos esquecermos de que são pessoas; de que também são produtos de um tempo.

Um tempo em que até deputado sobe na tribuna, em pleno Congresso, pra dizer que estupro é “merecimento”.

Um tempo em que um ator, que fez apologia ao estupro em plena TV, sob os aplausos da plateia, é recebido pelo ministro da Educação.

A cada 11 minutos ocorre um estupro neste país.

E olhe que a subnotificação é alta: apenas 35% dos casos são denunciados.

E não é preciso ser nenhum especialista pra perceber que boa parte dessa subnotificação decorre do medo da vítima de ser culpabilizada.

Exatamente como vários internautas tentaram fazer com essa garotinha do Rio de Janeiro.

Em 2013, uma pesquisa do Ipea mostrou que 26% dos entrevistados concordaram com a afirmação de que "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas",diz matéria no site da BBC.

Outros 58,5% concordaram com a afirmação de que "Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros".

O problema, portanto, não são apenas esses 30 marmanjos.

Mas essa cultura machista, e até desumana, da sociedade em que vivemos.

Felizmente, também houve forte reação nas redes contra essa selvageria, essa brutalidade contra aquela garotinha.

Foi lançada a campanha nacional #EstuproNuncaMais (veja aqui: https://ninja.oximity.com/article/Em-menos-de-uma-hora-campanha-EstuproN-1) e estão previstas manifestações em várias cidades, inclusive, em Belém (na quarta-feira, 01/06, às 10 horas, com saída do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, no Campus do Guamá).

Temos de dar um basta a essa violência.

Como diz o slogan da campanha, não foram 30 cointra uma. Foram 30 contra todas.

#EstuproNuncaMais

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Vazamento de Aúdios: a quem beneficia?






É preciso muito cuidado com esses áudios que estão sendo publicados pela Folha de São Paulo. Do contrário, acabaremos é como massa de manobra. 

A primeira coisa a fazer é aquela pergunta clássica: a quem beneficia? 

E a resposta, parece-me, é que isso beneficia, sobretudo, a Lava-Jato, embora não se possa descartar alguns tucanos como co-beneficiários (leia-se Zé Serra). 

Desde a “condução coercitiva” do ex-presidente Lula, a Lava-Jato encolheu. 

Todos os desmandos que praticou se tornaram claríssimos a uma enorme parcela da população. 

E tudo piorou com as trapalhadas daqueles procuradores de Justiça de São Paulo, que pediram a prisão do Lula. 

Mas agora, com esses áudios, a Lava-Jato volta a fulgurar como a “salvação” deste país. 

(Como se alguma coisa pudesse justificar as práticas medievais de que se utiliza, para a obtenção de delações...). 

Ora, o que essas gravações revelam é um amplo complô, com a participação ou a anuência de todas as instituições, para deter essa operação, mesmo que seja preciso até afastar a presidenta. 

É a Lava-Jato o ator principal; o golpe, um mero coadjuvante. 

Todas as instituições que poderiam barrar os desmandos dessa operação, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF), estão, neste momento, emparedadas. 

A República desmorona diante de nós. 

E quem é que permanece de pé, o “Messias” em todo esse caos? Ele mesmo, o juiz Sérgio Moro. 

Até a proposta de Renan Calheiros para acabar com essa violência, essa ilegalidade de prender gente para obter delações, está sendo explorada, pela grande imprensa, como um “atentado” a essa operação. 

Toda a Política e até a maioria das instituições vão se transformando em enormes chiqueiros; em coisas imundas, caras e desnecessárias. 

E, novamente, temos de perguntar: a quem beneficia? 

Não esqueça: a maioria dessa massa que apoiou o golpe não tem compromisso com a Democracia. 

Você pode colocar diante dela qualquer objetivo – “combate à corrupção”, “combate à violência”, “moralização dos costumes” – que ela caminhará atrás do mesmo jeito, ainda que pisoteando a Democracia, à qual sempre julgará “menos importante”. 

Se amanhã o Moro entregar esses presos para serem linchados, a maioria vai é gritar: “bandido bom é bandido morto!”. 

Alguns, talvez, até digam: “ah, não era bem isso que eu defendia”. 

Mas depois de uma linda justificativa, para resguardar a imagem pública, voltarão pra casa contentes, porque, bem lá no fundo, sempre acharam “exagerado esse monte de direitos”. Pros outros, é claro. 

Mas aí você pode argumentar: “não, mas esses áudios também beneficiam a Dilma, porque confirmam que o impeachment foi um golpe”. 

Ok, mas vamos raciocinar um pouquinho – e não do nosso ponto de vista, mas do ponto de quem vazou. 

Em primeiro lugar, qual o efeito prático deles contra o “impeachment”, neste momento? 

Ou seja, já depois do afastamento de Dilma, da ascensão de Temer e quando PT e PMDB se digladiam. 

Ora, do lado de cá, esses áudios só comprovam o que todos já estavam carecas de saber, e que ficou claríssimo nas votações da Câmara e do Senado: o “impeachment” é um golpe de Estado. 

E, do lado de lá, qual o efeito desses áudios sobre quem sempre esteve disposto a apoiar esse golpe, seja em nome do “combate à corrupção”, seja em nome da crise, seja em nome de interesses econômicos ou partidários, ou até mesmo porque tem um ódio visceral às esquerdas? 

Um ou outro pode até se arrepender, sentir-se massa de manobra, mas a maioria não tá nem aí. 

E isso, como já dito, porque todas essas pessoas não têm clareza sobre o valor da Democracia e só a apreciam quando estão em jogo os direitos delas mesmas. 

Olhe o cenário todo, caro leitor – mas da forma como deve ter olhado o “vazador”. 

A Câmara e o Senado são controlados pela dupla Temer/Cunha; os grandes grupos de comunicação estão ao lado dele (o “vazador”); o STF, há anos, mostra-se acovardado e não aguenta nem peteleco da mídia; há uma parcela expressiva da sociedade que apoia o golpe, mesmo sabendo que é golpe. Então, como é que isso poderia ter algum efeito prático para a reversão do “impeachment”? 

Tudo bem: isso ajuda a desmoralizar o “impeachment” perante o mundo. 

Mas aquela sessão da Câmara, de 17 de abril, já havia feito isso de forma contundente, da mesma forma que a honradez da Dilma e a extensa folha corrida de seus opositores. 

É  “o custo do benefício”, digamos assim. 

Então, é preciso que a gente não se iluda, achando que tudo isso poderá alterar alguma coisa, fazendo com que a Dilma reassuma o cargo – e o autor desses vazamentos, por sinal, ilegais, sabe disso muito bem. 

O que pode realmente virar esse jogo é o povão, mas a partir de questões econômicas. 

E, como até já disse aqui, isso nem deve demorar, especialmente depois dessas medidas anunciadas pelo Temer Golpista. 

São os cortes de benefícios sociais e de direitos trabalhistas, o sufoco que vem por aí, que poderão gerar mobilizações de massa como este país nunca viu, levando até mesmo a um novo período do Brasil republicano (o sexto, salvo engano). 

E é essa vigorosa reação das ruas que o “vazador” e a sua patota talvez não tenham considerado em seus planos, já que a visão autoritária costuma imaginar que basta apenas se apoderar do Estado, para controlar tudo e todos. 

Portanto, temos de ter muito cuidado para não acabarmos é contribuindo para o fortalecimento do juiz Sérgio Moro e de outros fascistas. 

O combate à corrupção é uma luta importantíssima de toda e qualquer sociedade. Uma luta que é de cada cidadão e que precisa ser travada todos os dias. 

Mas esse combate tem de ser feito dentro da Legalidade – e não rifando o Estado Democrático de Direito; e não mirando apenas este ou aquele partido, este ou aquele político. 

Preocupa-me muitíssimo não saber, concretamente, o “quem” e o “por que” desses vazamentos, amplamente repercutidos em toda a grande imprensa, desde sempre golpista (ela esconde as manifestações, mas divulga os áudios, né?). 

É pra ficar, sim senhor, com trezentas pulgas atrás da orelha. 

Vamos aguardar o que vem mais por aí 

FUUUIIIIII!!!!! 

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Ouça com atenção o áudio de Renan. Lá se procura mostrar até que os patrões da Globo e da Folha não tem interferência no noticiário, porque a Lava-Jato gerou um efeito manada – como se esse fenômeno tivesse origem extraterrestre...


terça-feira, 24 de maio de 2016

PF detém dono da BR7, que chegou a ganhar contrato de R$ 200 milhões de Jatene. Contrato acabou anulado depois das denúncias do Diário do Pará. Empresário foi detido por suspeita de fraudes em várias prefeituras paraenses. Em 2008, chegou a ser preso por suspeita de fraudes em seguros DPVAT. É ou não é de tirar o chapéu para o nosso honestíssimo governador?



Jatene: recuo, após denúncias, em contrato de R$ 200 milhões
 

Tem que tirar o chapéu pra cara de pau dos tucanos paraenses.

Em agosto do ano passado, o jornal Diário do Pará escancarou um negócio milionário que vinha sendo arquitetado, quase que em surdina, pelo Governo Jatene: um contrato de R$ 200 milhões com a BR7 Editora, para que ela ministrasse aulas de inglês a 110 mil alunos da rede estadual de ensino.

Na época, o Diário mostrou que a empresa pertencia a um cidadão, Alberto Pereira de Souza Junior, que chegou a ser preso, em março de 2008, sob a acusação de integrar uma quadrilha de fraudadores de seguros de acidentes de trânsito, o DPVAT.

Também mostrou as acusações de fraude no Pregão que a empresa vencera na Secretaria de Educação (Seduc), para esses cursos de inglês. As denúncias envolviam documentação irregular, direcionamento e, é claro, superfaturamento, a cereja do bolo das transações tucanas.

O jornal descobriu, ainda, que a BR7 possuía contratos milionários com prefeituras paraenses, algumas de municípios paupérrimos, para esse tal  curso móvel de inglês. Na maioria sem licitação, os contratos somavam quase R$ 10 milhões.

A primeira reportagem do Diário foi publicada em 8 de agosto.

Mas Jatene só desistiu do negócio no final daquele mês, depois que o escândalo tomara grandes proporções, inclusive com o ajuizamento de uma Ação Civil Pública (ACP), para sustar a transação. Em 23 de setembro, o então secretário de Educação, Helenilson Pontes, deixou o cargo.

Hoje, 24 de maio de 2016, tudo o que foi denunciado pelo Diário mais uma vez se confirma: Alberto foi detido pela Polícia Federal, durante a Operação Lessons, que investiga o desvio de recursos do FUNDEB, por prefeituras paraenses, para a BR7 Editora.

Além da PF, a operação envolve o Ministério Público Federal, a Receita Federal e a Controladoria Geral da União (CGU).

Segundo o DOL, foram cumpridos “15 mandados de busca e apreensão, 3 de prisão preventiva, 3 de prisão temporária e 8 conduções coercitivas no Pará. As cidades de Belém, Marituba, Tomé-Açu, Acará, Inhangapi e Vitória do Xingu são os alvos da operação”.

Além de Alberto, foram detidos Angélica Lima (mulher e sócia dele na BR7), Henron Melo de Souza, Mario Wilson Ribeiro Jr. e Washington Luis Lima.

O radialista Nonato Pereira, também investigado, está foragido. Na casa dele, informa o DOL, “a Polícia apreendeu cerca de R$100 mil, US$ 1050 e maconha”.

Ainda segundo o DOL, “as investigações originaram um relatório que apontou fortes indícios de fraude em processos de licitação, por uma empresa recém-constituída que prestava serviços como curso de inglês em salas de aulas móveis e para o fornecimento dos livros didáticos que seriam utilizados nas aulas. As prefeituras envolvidas realizavam pagamentos à empresa contratada, mas os serviços eram prestados de forma precária e os livros didáticos eram vendidos às prefeituras a preços exorbitantes”.


Segundo o MPF, o kit de material didático, de autoria do próprio Alberto e composto por 3 livros de inglês e 3 dvd’s, era vendido às prefeituras ao custo unitário de R$ 1.800,00.

As acusações envolvem associação criminosa, fraude licitatória, peculato, corrupção passiva e tráfico de influência.

No portal das ORM consta que as fraudes chegariam a R$ 17 milhões e que, além da BR7, participaria do esquema a IHOL Idiomas – empresa que o Diário também investigou e que estava em nome da mulher de Alberto.

Quer dizer: se o Diário não tivesse “pegado no pulo” aquela transação, essa “tchurma” agora estaria nadando em R$ 200 milhões – ou até mais, já que os contratos tucanos geralmente recebem robustos aditamentos.

Mas é bem possível que, na época, como sempre acontece, a galera da Griffo tenha espalhado, nas redes sociais, que tudo não passava de invenção contra o nosso honestíssimo governador...

É ou não é pra tirar o chapéu? 

Leia as reportagens que escrevi para o Diário do Pará sobre a BR7 Editora. 

A primeira, publicada em 8 de agosto:



A segunda, de 23 de agosto:



A terceira, de 26 de agosto: 

domingo, 22 de maio de 2016

Defesa da Democracia não é só pra “mortadela”: também tem muito “jámon”. E daí?





Grande coisa o fato de não ser pobre a mulher que viajou 10 horas de barco, de Oriximiná a Santarém, para homenagear a Dilma.

Aliás, em qual parte do vídeo se diz que aquela mulher é pobre?

E quem, em sã consciência, acharia que ela é pobre, com aquele cabelo bem tratado e falar correto?

É claríssimo que se trata de uma mulher de classe média. Mas e daí?

Quem foi que disse que desse lado só tem “mortadela”? Aqui também tem muito “jámon”, mermão!

Aliás, se duvidar, aqui tem muito mais apreciador de “jámon” do que do lado do “Fora, Dilma”, que gosta mesmo é de um sardinhão, mas arrota bacalhau...

Sejamos honestos: essa porrada ainda é, praticamente, das “zelites”.

O povão só aos poucos começa a ir pras ruas, com os movimentos sociais, especialmente, do Povo Sem Medo.

E quando o povão estiver maciçamente nas ruas, aí acaba rapidinho com essa “brincadeirinha” de golpe de Estado.

E não pensem que vai demorar: logo, logo o povão vai perceber que esse golpe quer é acabar com as conquistas sociais, para devolvê-lo ao tempo em que tinha de comer até calango, pra não morrer de fome.

Todas as pesquisas realizadas nas passeatas, contra e a favor do golpe, mostraram que a maioria esmagadora dos manifestantes possui curso superior.

Só esse dado já diz tudo, em um país onde apenas 3% do eleitorado possui curso superior, e 6% cursam uma universidade.

A verdade é que as “zelites” brasileiras racharam ao meio – e não é de hoje.

De um lado, os que defendem a modernização do Brasil, o que passa, necessariamente, pela inclusão social.

É o pessoal que defende a Legalidade e a Democracia, até porque sabe que fora da via democrática não há saída para país algum.

Não, não é um pessoal majoritariamente “comunista” ou “socialista”.

E o que o PT vinha fazendo não era nenhuma “revolução vermelha”, mas apenas reformas  - e reformas, pra quem não sabe, até vitaminam o capitalismo, na medida em que amenizam as tensões sociais.

O problema, parafraseando um antropólogo, é que, no Brasil, até o capitalismo é revolucionário.

A Casa Grande é tão enraizada na sociedade brasileira, que, quando você fala em capitalismo, acaba por jogar o País à beira de uma revolução como a de 1789.

Não por acaso, há gente na imprensa internacional que até já comparou a Marcela Temer à Maria Antonieta – quer alguma coisa mais significativa?

No fundo, os “apreciadores de jámon” e os “mortadelas”, e vocês, os “arrotadores de bacalhau”, nem inimigos somos.

Todos rebolamos pra pagar as contas no final do mês e pra juntar um dinheirinho pra uma comida melhor, ou pra uma tão sonhada viagem à Europa.

Todos queremos um Brasil desenvolvido, moderno, honesto, sem tanta miséria e economicamente estável.

A diferença é que nós não temos vergonha de ser classe média, até porque compreendemos a importância da classe média, para o desenvolvimento de um país.

A diferença é que nos recusamos a marchar ao lado de misóginos, homofóbicos, racistas, torturadores e de pastores evangélicos que querem é detonar o Estado laico.

A diferença é que jamais seremos massa de manobra do 1% mais rico do Brasil, que quer é manter este país como um grande senzalão, no qual não apenas os pobres, mas também eu e você, não passamos de meros capachos.

E é você, que apoia esses aristocratas perdidos no tempo, a dizer por aí que é a favor do capitalismo e do liberalismo...(pausa para gargalhar).

Veja que não estou a falar de todos os ricos e empresários, porque o Brasil tem, sim, verdadeiros espíritos empreendedores; ricos e empresários que dão duro no batente e que merecem, sim, a riqueza que acumularam.

Estou a falar é daquela parcela imunda que sobrevive apenas da corrupção, da especulação financeira e de bilionária sonegação de impostos.

Aqueles parasitas que não produzem um alfinete, mas que se apropriam da maior parte da riqueza da Nação.

É essa gente que é o nosso inimigo, o inimigo que temos em comum, embora você ainda não tenha percebido.

Você, que fica por aí criticando as políticas sociais, que impediram que este país explodisse.

Você, que quer acabar com o Bolsa Família que, como lembrou o Ciro Gomes, custa apenas R$ 15 bilhões por ano, para alimentar 60 milhões de seres humanos.

Mas que fica aí, caladinho, diante dos R$ 570 bilhões de juros que o Brasil paga por ano, e que beneficiam apenas 10 mil famílias.

E mais: o pessoal do Bolsa Família, quando recebe o dinheiro, compra comida, gerando empregos e impostos em cada cidade deste país.

Já esses 10 mil vão é derramar dinheiro no exterior.

Acorda, cara! O que você tá defendendo não é o “capitalismo contra o comunismo”.

O que você tá defendendo são os privilégios de meia dúzia de predadores sociais.

Então, pare com essa fixação em mortadela: do lado de cá também tem muita “zelite”que aprecia um belo de um conforto, o que não é vergonha alguma.

Não tem só petista e comunista, não: tem é muito democrata, legalista e reformista.

Gente que até critica os petistas, ou que até faz oposição aos petistas, mas que vê Democracia e inclusão social como questões inegociáveis.

Nós, “mortadelas” e “jámons”, não estamos preocupados com a inflação e com a estabilidade econômica? É claro que estamos.

Até porque, da mesma forma que você, vivemos do nosso trabalho. A gente também sente o aperto no bolso, quando vai ao supermercado, ok?

Mas é por causa disso que vamos apoiar um golpe de Estado?

Mas nem a pau! Nem debaixo de bala!

E vamos é continuar nas ruas, até derrubarmos esse governo golpista; até resgatarmos a Democracia, que foi sequestrada por esse bando de reacionários.

E sabe por que insistimos nisso, meu irmão brasileiro?

Porque sem liberdade de expressar o que quiser, de vestir o que quiser, de fazer o que quiser, de ir para onde quiser o ser humano não vive: vegeta.

E isso vale tanto para o Brasil sob o domínio desses aristocratas, quanto  para uma Venezuela, outra das suas obsessões.

Por isso, tenha certeza de uma coisa: se esse golpe se consolidar, logo, logo você também estará nas ruas, com a sua camisa amarela, marchando ao nosso lado.

E eu lamento é não ter tido a ideia dessa mulher que foi lá agradecer à Dilma.

E não porque goste da Dilma: tenho é muitas críticas ao governo dela e, se ela pudesse se candidatar novamente à Presidência, em 2018, não teria o meu voto de jeito nenhum.

Mas assim como aquela mulher agradeceu à Dilma por tudo o que ela fez por Oriximiná, eu gostaria de agradecer pela firmeza que ela tem tido em defender o maior bem da sociedade brasileira: a Democracia.

Um bem que nos custou muito sangue e suor. E que nos permite, inclusive, estarmos aqui a debater, livremente, o futuro que queremos para este país.

Ainda.

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Clique no link para ver o vídeo da mulher de Oriximiná homenageando a Dilma: https://www.facebook.com/DilmaRousseff/videos/1116225958430994/?pnref=story

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Atualizada às 20h30:
Só agora consegui localizar no YouTube esse sambão bacana. É mais um contra o golpe de Estado. Não deixe de ouvir: