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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Urubuzísticamente falando

29 de setembro de 2011.
Calma, caríssimo leitor, calma!...
É verdade: a Perereca ainda não voltou ao normal. Na verdade, só deve retornar depois do Círio.
Não vou mentir.
Recebi vários comentários anônimos, alguns até impublicáveis, debitando o silêncio deste blog a uma série de fatores: esta blogueira estaria recebendo dinheiro do Jatene, do Helder, do Pioneiro... Ou até teria se calado devido à querela que manteve com o desembargador Milton Nobre.
Cinicamente, adoraria estar recebendo dinheiro de alguém... (Não se avexem, que não pego em dinheiro... Pra isso, tenho este bolso aqui, ó!...)
De igual forma, gostaria que o desembargador Milton Nobre tivesse algo a ver com o meu silêncio.
Afinal, ser afastada da blogosfera porque escalaram contra mim o mais poderoso desembargador paraense do nosso tempo me daria um quê de heroísmo, quando revolvesse retornar ao batente...
Infelizmente, a Perereca não está com essa bola toda e a verdade é bem mais prosaica.
A verdade é que a tranqüilidade, a paz de espírito, nos torna profundamente egoístas...
Tendemos a tentar “cristalizar” o tempo, para que se repita infinitamente em torno dos passarinhos que cantam em nosso quintal; dos afagos que distribuímos ao bichinho de estimação; das árvores que plantamos; e até dos quitutes que experimentamos cozinhar...
É como se nos deixássemos enredar por um sonho, ou por uma espécie de eterno retorno, em que todo o resto do Universo se transforma em mero adendo.
É como se a poeira cósmica que todos somos ganhasse sentido por si mesma - e prevalecesse a tudo...
Deixando a filosofia de lado, é viver o viver de toda a gente; é deixar-se escorrer com os dias, como se deixar-se escorrer com os dias fosse o significado mesmo de viver...
Infelizmente, esta minha inquietude tem-me atrapalhado à beça...
Dá bicudas nos passarinhos, espanca o cachorro, envenena as raízes das árvores e berra: por quê? Por quê?
Como se considerasse que viver é bem mais do que acordar e dormir.
Nunca quis transformar este blog em uma espécie de refúgio da informação.
Todos sabem que a Perereca nasceu como uma brincadeira – e já cansei de falar nisso.
Pra falar a verdade, até me incomoda o quanto me tornei conhecida por causa deste blog.
Até a minha família, pra lá de conservadora, sabe que sou a autora de um blog chamado A Perereca da Vizinha...
Na época de minha querela com o desembargador Milton Nobre, aliás, havia gente da minha família que até temia que acabasse presa – como se, ao mandar-me prender, o nobre desembargador não acabasse por me transformar em espécie de Edmond Dantés ao tucupi...
O problema é que sei da importância deste blog para a veiculação de notícias – quase sempre nunca bem vindas pelos poderosos desta nossa terra.
Muitos me dizem que faço falta. Não eu, Ana Célia Pinheiro, mas a Perereca, este meu avatar.
Nem que fosse para escrever o óbvio:
1-Não sei o porquê de tanto escândalo em relação à “privatização do lixo”, se a coleta do lixo já está, de há muito, terceirizada, privatizada, com os resultados escandalosos que todos conhecemos – desde as deficiências, apesar dos milhões e milhões que custa ao contribuinte, até a desfaçatez das “licitações” montadas...
2- Não sei o porquê de gente envolvida no desvio e superfaturamento de medicamentos – coisa que me parece muito mais grave – “escandalizar-se” com a chamada “privatização” do lixo.
3- Não sei o porquê de o Ministério Público não entrar de sola na investigação da máfia do lixo, que, à semelhança da máfia da merenda escolar, surrupia milhões em recursos públicos, de Norte a Sul deste nosso Brasil.
4-Não sei o porquê de o nosso sistema penal permanecer a mesmíssima porcaria, seja em que governo for. No caso da menina de Abaetetuba, culpou-se, sobretudo, o Judiciário. E agora, no caso dessa garota estuprada na Heleno Fragoso? Não seria o caso de se dizer: todos somos culpados. Desde o funcionário público que silencia diante de uma irregularidade, ou de uma ordem absurda, ao juiz indolente ou ao promotor que não faz o seu trabalho, à entidade de direitos humanos corrompida por uma verbinha, à sociedade que considera tudo isso quase que “normal”... Sim, por que se não fosse pela “liberdade excessiva” daqueles presos, quantos estariam, de fato, a reclamar?
5- Não sei o porquê de se estar a dizer que Jatene  “instituiu” a censura no estado do Pará. Ainda não investiguei isso; pretendo investigar. Mas isso não me parece compatível com o perfil de Jatene, que adora um debate e acaba até admirando – e a gente percebe isso – quem se lhe opõe. Se me dissessem que o Orly resolveu censurar a imprensa, eu até diria: é compatível com o perfil do Orly, essa coisa de tentar restringir à realidade a sua fantasiosa estratégia de marketing... Mas, o Jatene, um intelectual que adora exibir a sua capacidade de persuasão, até pela necessidade de impressionar?   
6- Não sei o porquê de o PSDB e o PMDB estarem a gastar balas com Ana Júlia e o PT. Ora, diz-se que o PT morreu, pelo menos no Pará, onde tudo virou um “Admirável Mundo Novo”, após a reascensão tucana... Quer dizer: quais as percepções, os números, de que dispõe o Governo, a torná-lo tão inquieto em relação a tais cadáveres?
7- Não sei o porquê de o Ministério Público, este nosso, apesar dos pesares, tão combativo Ministério Público, estar a patinar na investigação dos escândalos da Assembléia Legislativa. Só agora se está a chegar à Era Mário Couto. E mesmo o nosso ilustríssimo Tapiocouto é firula, frente aos escândalos que envolvem boa parte dos nossos deputados, desta e de anteriores legislaturas. Basta vasculhar o Portal da Transparência da AL e ouvir os servidores, para se perceber que o que foi descoberto até agora é fichinha. Então, por que o nosso brioso MP tem se permitido andar às voltas com fofoquinhas acerca deste ou daquele servidor fantasma? Até por que, quantos e quem os servidores fantasmas e será que eles, simplesmente, caíram do céu? Por que o MP não investiga os contratos e a destinação das cestas básicas e dos tíquetes-alimentação? Quem, entre as Vossas Excelências, permanecerá incólume?
8- Que fim levaram as denúncias acerca das Assessorias Especiais de Jatene, inclusive com a nomeação de parentes de desembargadores?
9- Como anda o mais que escandaloso Hangar, Centro de Convenções? Quanto já recebeu do Governo? Quem são as pessoas que estão a administrá-lo?  
De resto, antes de voltar a atualizar este blog, preciso voltar a ler jornais.
Em meados de julho, simplesmente parei de ler jornais e blogs.
Só hoje recomecei a ler, na base da empreitada, os jornais e os blogs locais – daí as percepções acima.
Penso que até o final da semana devo ter me atualizado em relação a esse conteúdo, desde julho até agora.
Já a leitura atenta do Diário Oficial deve consumir mais uma semana.
Daí a previsão de retorno da Perereca apenas depois do Círio.
Espero ter saco para isso, em vez de apenas cuidar do cantar dos passarinhos, da minha cachorrinha e das “minhas” árvores que ainda nem nasceram.
Mas o fato de hoje ter voltado a consumir noticiário e a escrever um romance bacana são excelentes sinais.
FUUUUUUUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!!!!!!!!
PS: até o final da semana libero os comentários e começo a mexer no layout do blog.
Pra vocês:


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Na carreira!...

15 de setembro de 2011.
Faz tempo, né, queridinhos?
Faz tempo que tudo acontece e este blog... necas de pitibiribas!
E quem entrar aqui pela primeira vez certamente dirá: égua, que “velocidade” desinternetiana!
Que impressionante incapacidade de acompanhar a instantaneidade da vida!
Leio a minha última postagem: 2 de junho!
E, é claro, as minhas promessas de retorno, no mês subseqüente.
Ouço o “Tô Voltando” e penso: quero, sim, voltar...
Mas voltar para o quê?
Estes três meses foram um “Deus nos acuda” na minha vida.
Mudei-me para fora de Belém.
E, de repente, descobri em Ananindeua um certo ideal campestre.
A casa – e que me parece magnífica – está cercada de verde.
E, pela manhã, vêm os passarinhos a cantar no meu quintal!...
(e não há nada mais magnífico do que o cantar de passarinhos bem no nosso  quintal...)
Pra completar, a minha filha adotou uma cadela – uma vira-latas estranhamente curiosa, inquieta e inteligente.
(Pronto! Encontrei o meu Eu cachórrico!)
Aqui, a bem da verdade, só falta o mar...
Um marzão azul, extremo, profundo – impossível em todos os sentidos...
Um marzão feito o mar de Algodoal!...
Mas já “sube” – já me disseram – que lá nos fundos tem um igarapé.
(tem água cristalina e indômita, a varrer a vida e os meus amores...)
E eu sigo encantada por esta vida campestre...
E, se pudesse, nunca mais a deixaria.
Tomaria esta vida em meus braços e diria: vem!
Vem, com toda a tua impossibilidade! Com  toda a tua grandeza, magnificência! Com tudo o que desconheço e que sempre pensei: não pode ser!
Vem, como um estupor... Como a palavra que procuro e não encontro! Como o sentimento que me rasga as estranhas e que  não consigo expressar!...
Vem, como a Natureza!... Como a força que nos chama!...
Quero voltar com a Perereca?
Não sei.
Este blog para mim sempre foi uma obrigação.
Quer dizer: no início, era uma brincadeira, para publicar meus “poemas” e as minhas “peças teatrais”.
Depois, a vida o empurrou para que se tornasse cada vez mais uma fonte de jornalismo investigativo.
(e eu fico me perguntando o que vem a ser jornalismo investigativo... Afinal de contas, se é jornalismo, deveria, a priori, ser investigativo – ou não?)
Tenho perfeita consciência da importância da Perereca em termos sociais.
Não tenho compromisso com ninguém. Não tenho nenhuma dívida com nenhum desses “picões” que comandam a nossa política. Não tenho necessidades além de um teto e de um pedaço de pão.
Não tenho necessidade de “aparecer” – e até me sinto constrangida ao perceber o quanto me tornei conhecida nestes cinco anos...
(pra falar a verdade, sou tão tímida e tão necessitada de me enturmar que, se pudesse, não permitiria que ninguém, nem mesmo a minha família, soubesse quem é que escreve este blog...)
Sei que tenho de voltar...
Apesar dos passarinhos, dessa cadelinha estupenda e das receitas que preparo (para quem não sabe, sou uma excelente cozinheira!) tenho de largar tudo isso e voltar.
Meu talento não é meu. Na verdade, foi construído por todos os que vieram antes de nós.
FUUUUUIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!