Ban

terça-feira, 29 de junho de 2010

Peruando o jogo II


Continuo de molho, enquanto vou resolvendo problemas financeiros e de saúde.


Daí que a Perereca da Vizinha só deve voltar à atualização normal agora em julho.


No entanto, gostaria de deixar aqui algumas considerações sobre as últimas mexidas no tabuleiro político.


I


Se não estou enganada, Jatene já tem mais de 60 anos.


Além disso, é pra lá de escolado: passou boa parte da vida nos bastidores políticos, onde é preciso aprender a ler a alma alheia, até para sobreviver.


E mesmo quem não gosta dele, admite que sempre foi um excelente articulador político.


Assim, Jatene não tem direito à ingenuidade.


Mas, sabe-se lá por que, parece ter passado por espécie de himenoplastia mental, para se deixar embalar canto de sereia de El Barbalhon.


Quer dizer: Jatene corre o risco de reeditar aquele herói mitológico (não me lembro se é Gilgamesh), cuja jornada é interrompida por um sono profundo, durante vários anos, no interior de uma caverna.


Mas Jatene não é Gilgamesh.


Se dormir agora, acabará com a sua luminosa carreira política.


II


É duro admitir, mas Vic está coberto de razão ao insistir na candidatura de Valéria ao Senado.


Essa é, certamente, a melhor jogada para os Pires Franco: no mínimo, tende a assegurar a reeleição de Vic. E também pode virar prêmio de loteria, caso Valéria seja eleita.


Acho pouco provável que isso aconteça.


Vic pode ser um bocó, mas deve saber que Valéria disputará não a cadeira de Paulo Rocha, mas, a pretendida por Jader.


E se Valéria ameaçar, ainda que remotamente, a eleição de Jader, receberá, certamente, um bombardeio cerrado das Organizações Barbalho.


Mas em política tudo é possível.


Daí que Vic está jogando certinho: é o tipo de cartada que, mesmo na hipótese de candidatura avulsa, representa baixo risco para ele e outros integrantes do DEM.


Embora, é claro, não se possa descartar que a artilharia dos Barbalho passe a mirar não apenas Valéria, mas, boa parte do partido


De qualquer forma, essa é a melhor cartada de Vic.


E, na verdade, quem está jogando inexplicavelmente mal é Simão Jatene, até aqui um brilhante estrategista.


Se eu estivesse no lugar de Jatene, já teria entregado o que Vic quer: a vaga do Senado para Valéria.


E até peço desculpas aos leitores da Perereca e à boa parte da blogosfera, que tem sido covardemente atacada por Vic, naquela “coisa” que ele chama de blog.


Mas ressentimentos são péssimos companheiros da análise política, que tem de ser realizada com frieza tumular.


E o fato é que Jatene precisa de Valéria e do DEM, para, ao menos, tentar forçar o segundo turno neste pleito – o que já será uma proeza e tanto, tendo em vista o poderoso exército arregimentado pela governadora: dez grandes partidos armados até os dentes com as máquinas federal e estadual, além de cerca de 100 prefeituras, inclusive a de Belém, o maior colégio eleitoral do Pará.


Só quem nunca participou de uma campanha política é que não fica todo arrepiado diante de uma imagem assim...


Poeticamente, lembra a resistência de 300 bravos espartanos contra o poderoso exército persa, cujas setas chegavam a encobrir a luz solar...


(E eu devo confessar aos leitores que é extremamente tentador participar de uma batalha assim...)


Mas o fato é que mesmo que seja para perder com dignidade – como aqueles 300 bravos espartanos – Jatene precisa de Valéria.


Flexa nem de longe tem a capacidade de puxar votos que Valéria tem.


E muitos tucanos que se insurgem contra uma aliança com o DEM não valem nem a metade de um Lira Maia.


Se estivesse no lugar de Jatene, portanto, não apenas entregaria a vaga do Senado à Valéria, mas, também, faria uma campanha casadinha com a dela, até porque, do ponto de vista tucano, ela é a melhor opção para o Senado.


Apesar do carma que carrega (e por carma leia-se Vic Pires Franco), o fato é que Valéria já deu inúmeras provas de lealdade ao PSDB.


E o PSDB precisa de aliados assim.


III


O que Jatene precisa entender é que, ao se deixar embalar pela cantilena de Jader, está, na verdade, contando com o ovo no fiofó da galinha – e é bem provável que não haja ovo algum.


Há sinais claríssimos de que El Barbalhon está com o PT, até porque lhe interessa um segundo mandato de Ana, com o cansaço eleitoral que daí resultará - e as disputas intestinas do PT que devem se agudizar até 2014. Além, é claro, da falta de um “candidato natural” do PSDB também em 2014, o que representaria um obstáculo à ascensão do “Sobrancelhudinho”...


E quais são essas sinalizações?


A primeira é, inegavelmente, o fato de Jader ter optado por um candidato “laranja” para o Governo – e tão laranja que precisa repetir todos os dias, dia e noite, que não é laranja...


Se Jader quisesse garantir, de fato, o segundo turno, teria lançado um candidato de peso, como é o caso de Priante, cuja participação foi fundamental para a derrota tucana, em 2006.


Em vez disso, optou por Domingos Juvenil, em chapa pura – vejam só – com Hildegardo Nunes. E, ao que se diz, a campanha da dupla ainda será regida por pessoas sem experiência nesse tipo de empreitada, ou com derrota acachapante no currículo.


Quer dizer: por qualquer ângulo que se olhe, a candidatura peemedebista não foi feita para prosperar.


Não bastasse isso, Jader ainda mantém sob suas asas o ex-governador Almir Gabriel, hoje uma espada apontada contra o pescoço de Jatene.


E no entanto – sabe-se lá à força de que encantamento – Jatene permanece adormecido nos braços de Jader, sem perceber que o apoio dele não virá, até porque é bem possível que Jader esteja a apostar na reeleição de Ana Júlia ainda no primeiro turno – daí que nem poderá ser acusado de trair eventuais compromissos para o segundo...


Infelizmente, Jatene, que é dono de uma inteligência extraordinária, não consegue perceber que está a ser, simplesmente, engabelado por Jader.


Vivíssimo e igualmente brilhante, Jader faz um gesto aqui e ali, para manter adormecida a sua presa, enquanto o tempo se esvai para uma aliança entre o PSDB e o DEM, a melhor opção tucana para tentar garantir o segundo turno e transformar esta eleição numa disputa pra valer.


Talvez seja o desespero: a necessidade de acreditar na chegada da cavalaria, em vez de encarar o fato de que não haverá cavalaria e que a “jornada heróica” que se avizinha exigirá até o tutano do pouco que se tem...


Se Jatene não compreender isso – que a realidade, por pior que seja, é sempre melhor que a mais doce ilusão – nem deve se candidatar ao governo.


Porque terá o final melancólico que o seu ex-amigo e hoje arquiinimigo, Almir Gabriel, tanto deseja.


Jatene precisa recusar a banha de cobra que Jader insiste em lhe vender.


Até para que a gente tenha uma eleição de verdade. E não essa porcaria arranjada que vem por aí.


FUUUIIIIIII!!!!!!!



(PS: acho que o que está me angustiando não é apenas a coluna – é a hora da decisão. Porque, como diria El Barbalhon, o trem já vai partir...)

domingo, 20 de junho de 2010

Enquanto o tempo passa...

Já recebi muitos ataques ao longo da vida.

Mas nunca temi ataques e sempre os respondi à altura.

Simplesmente não sei o que é o medo.

Afinal, se não temo a morte, o que temeria?

No entanto, não tenho ânimo para responder aos ataques que tenho, agora, sofrido.

Sei lá... Estou, talvez, numa fase introspectiva.

Daí que os ataques que recebo se assemelham a moscas, que me fazem abanar as mãos – e só!...

Não sei se quero participar desta campanha, não sei se quero continuar com este blog, não sei nem mesmo se quero continuar a fazer reportagens ou se é preferível voltar a fazer assessoria de imprensa. Não sei se vou embora ou se continuo aqui.

Olho o horizonte e não adivinho nada – (logo eu, que consigo enxergar toda a imensidão do tabuleiro!...)

É como se o horizonte se quedasse silente, a permitir-me todas as possibilidades.

É como se dissesse, neste silêncio profundo: Tens aí as portas e os caminhos. Abre uma; escolhe algum...

E eu me vejo qual criança, a “imagitransformar” em barco, avião, chapéu, ou nalguma coisa a que chamamos “novo”, uma simples folha de papel...

Sei que me encasulei, como muitas vezes ao longo da vida.

E que só me resta esperar o mar...

Pra vocês!






FUUUUIIIIIII!!!!!!

domingo, 13 de junho de 2010

O monstro e a menininha



I


Qualquer acusado de abuso sexual contra crianças e adolescentes já estará, a priori, moralmente morto.


Tal se deve não apenas à espetacularização midiática desse tema, a gerar espécie de histeria mundial.


Mas, também, a uma extraordinária característica humana: a identificação com a vítima. E, mais ainda, quando a vítima é um menininho ou menininha indefesa.


A tendência, em tais casos, é colar no rosto do suposto agressor a “máscara do monstro”, a privá-lo de qualquer traço de Humanidade e, por conseguinte, de qualquer direito.


Ao mesmo tempo, transforma-se o relato daquele garotinho ou garotinha em “verdade absoluta”, tornando inadmissível até mesmo a simples dúvida acerca dele.


É natural, é assim mesmo que dividimos o mundo: a quintessência da bondade e a quintessência da maldade; anjos e demônios; o monstro e menininha.


Arquétipos que, afinal, comandam o nosso comportamento bem mais do que imaginamos.


E cuja manipulação é extremamente perigosa, especialmente, nesta Era da Informação e do Espetáculo.


II


Se você não sabe, caro leitor, fique sabendo: especialistas brasileiros acreditam que cerca de 30% das denúncias de abusos sexuais contra crianças, em casos de separações litigiosas, são inverídicas.


Não encontrei números conclusivos em relação a denúncias como a que envolve o ex-deputado Luiz Afonso Seffer:alguns falam em 8% de falsas denúncias; outros, em até 80%.


É um problema mundial: em Portugal, em 2007, 60% das denúncias de pedofilia recebidas pela polícia não tinham qualquer fundamento.


De qualquer modo, a acentuação desse fenômeno pode ser percebida numa rápida busca na internet, onde já há até sites para a defesa de pessoas falsamente acusadas do abuso sexual de crianças, assim como livros e estudos sobre o problema.


Um problema gravíssimo que, no entanto, ainda não foi devidamente abordado pela mídia, talvez, porque não rende manchete.


Mas que causa enormes prejuízos a essas crianças, que acabam desenvolvendo transtornos semelhantes aqueles de crianças realmente abusadas.


E que, é claro, destrói por completo a vida de quem teve o azar de ser falsamente acusado de uma monstruosidade assim.


III


Quero aqui fazer um parêntese explicativo aos leitores da Perereca da Vizinha.


Sou mulher, orgulhosamente mulher. E mãe, orgulhosamente mãe.


Por isso, sinto-me profundamente incomodada ao produzir uma postagem que pode ser interpretada como simples “defesa” do ex-deputado Luiz Afonso Seffer, acusado de um crime selvagem, pútrido, contra uma garotinha que poderia ser minha filha.


No entanto, os comentários que recebi em minha postagem anterior sobre Seffer, praticamente me forçaram a escrever o que estou escrevendo.


Fiquei chocada com a intolerância dos comentaristas.


Em nenhum momento afirmei que Seffer é inocente: disse, apenas, que não estou convencida da culpa dele, porque enxergo lacunas complicadas nesse caso.


No entanto, isso bastou para que algumas pessoas passassem a me atacar, como se fosse “crime” reclamar mais elementos probatórios, antes de condenar alguém.


Na verdade, desde o ano passado que queria escrever sobre o caso Seffer, mas estava temerosa da reação da “galera do polegar pra baixo”.


Tal reação acabou se revelando até pior e mais perigosa do que imaginei, uma vez que as pessoas parecem se sentir “ofendidas” até com uma simples manifestação de dúvida acerca da culpabilidade do ex-deputado.


E isso, me desculpem todos, não é Justiça: é puro e simples justiçamento.


Portanto, “vumbora” gastar cuspe.


IV


A memória, ao contrário do que imagina muita gente, não é um filme de altíssima fidelidade acerca das experiências que vivemos ao longo da vida.


Muito pelo contrário: a memória é uma coleção de fragmentos, de “caquinhos” das coisas que nos aconteceram, que vão sendo amalgamados, e até “enfeitados”, por “cenas” posteriormente introduzidas.


Isso decorre, entre outros fatores, da extraordinária imaginação humana, que é ainda mais fértil em crianças e adolescentes.


E é essa plasticidade que permite até mesmo a criação de falsas memórias, muitas vezes induzidas por terceiros.


Há um experimento interessantíssimo, porque abrangeu uma família inteira.


Os pesquisadores pegaram e saíram “lembrando” à essa família um incidente que teria acontecido muitos anos antes.


Ao final de algum tempo, a família se “lembrava” do incidente – que, na verdade, nunca tinha acontecido...


Como não poderia deixar de ser, é possível detectar falsas memórias também em supostos abusos sexuais infantis.


Há alguns anos, li, já não me lembro onde, acerca de um caso interessantíssimo que aconteceu nos EUA.


Dois irmãos, de seis e oito anos, se bem me recordo, começaram a freqüentar terapeutas, devido a problemas comportamentais.


Ao fim de algum tempo, começaram a relatar, com riqueza de detalhes, abusos físicos e sexuais que teriam sido praticados por seus pais.


Os pais foram presos e execrados.


E no entanto, com o aprofundamento das investigações, descobriu-se que tais denúncias não eram verdadeiras: as crianças haviam sido induzidas a toda aquela fantasia por uma abordagem complicada dos terapeutas encarregados de tratá-las.


Tal problema é bem mais comum do que se imagina: nas falsas denúncias de abuso sexual infantil que envolvem a disputa pela guarda dos filhos, as crianças, muitas vezes, acabam incorporando tais “histórias” ao seu imaginário – daí a semelhança entre os transtornos que sofrem e aqueles experimentados por crianças verdadeiramente abusadas.


A própria entrevista que se faz com uma criança dessas, se não for adequadamente conduzida pela polícia e pelos psicólogos, pode induzir a uma falsa denúncia de abuso sexual: a criança pode simplesmente começar a responder o que o seu entrevistador quer ouvir, caso perceba a “aprovação” de tais respostas, digamos assim.


Necessidade de atenção, sentimentos como ciúme e frustração, carência afetiva, manipulação mental ou simplesmente mitomania também podem levar crianças e adolescentes a falsos relatos de abusos físicos e sexuais.


E o problema é que mesmo os técnicos que lidam com isso, partem, muitas vezes, da crença na impossibilidade de que a criança esteja a mentir.


É humano que seja assim: pra nós, criança nunca mente – e talvez fosse melhor chamar a isso “fantasiar”.


Além disso, associamos riqueza de detalhes à “verdade”, esquecendo-nos do quanto é fértil a nossa imaginação.


E até mesmo dessa terrível estimulação sexual precoce a que estão expostas as nossas crianças, todos os dias, pelos veículos de comunicação.


V


Não estou dizendo que esse seja o caso do ex-deputado Luiz Afonso Seffer e da garotinha da qual ele é acusado de abusar.


Mas a existência de tais possibilidades obriga, sim, a uma profunda investigação desse caso, antes de condená-lo – mesmo sendo ele rico e poderoso e, portanto, um excelente “exemplo” para o nosso grande circo romano...


Penso que o combate à pedofilia e ao abuso das nossas crianças, seja ele físico, psicológico ou sexual, é uma luta importantíssima das sociedades de todo o Planeta.


Mas em nada ajudará a essa luta irmos deixando pelo caminho um amontoado de cadáveres morais de inocentes.


É preciso fazer Justiça de verdade – e não se faz Justiça de verdade a partir do simples clamor popular.


É preciso, sim, pressionar o Judiciário para que aja com rigor – mas é preciso, também, dar possibilidade real de defesa ao acusado, apesar de tratar-se de um crime tão abominável, tão nojento, que toca fundo no coração da gente.


Especialmente, esse nosso coração de mulher e mãe.


VI


Há exemplos terríveis de vidas inocentes destroçadas, devido a erros processuais em crimes que ensejam forte exploração midiática e clamor popular.


Na década de 80, nos EUA, uma denúncia do abuso sexual de uma criança (formulada pela mãe dela que, por sinal, era esquizofrênica) gerou histeria coletiva, investigação da escola McMartin, onde o fato teria ocorrido, prisão e condenação de vários professores, devassa em escolas e igrejas que também praticariam toda sorte de abusos. E até – vejam só – rituais satânicos...


No entanto, dez anos depois, todos os acusados acabaram inocentados.


Em 1994, aconteceu um caso muito parecido em São Paulo: proprietários, funcionários e pais de alunos da Escola Base tiveram suas vidas devastadas, devido a falsas denúncias de abusos sexuais contra crianças.


Também nesse caso, foi preciso uma batalha judicial de dez longos anos para que, enfim, eles fossem absolvidos.


Aqui mesmo, no Pará, há um exemplo terrível dessa Justiça à base de “clamor popular”.


Em Altamira, vários cidadãos foram acusados de pertencer a uma “seita satânica”, que emasculava crianças.


Vários deles foram condenados a longas penas de prisão – e, se não estou enganada, alguns ainda permanecem presos.


No entanto, um psicopata, Francisco das Chagas, confessou a autoria desses crimes, todos semelhantes às atrocidades que cometeu, também, no Maranhão.


VII


Quanto mais abominável o crime, maior tem de ser o cuidado ao investigá-lo e noticiá-lo.


Afinal, quem pagará a dor, o sofrimento, daqueles que foram injustamente condenados, especialmente, em casos que envolvem o abuso de criancinhas?


Repito: não digo e nem afirmo que o ex-deputado Luiz Afonso Seffer é inocente.


Apenas, não estou convencida de sua culpa, devido às lacunas que vejo nesse caso. Lacunas sobre as quais falei, na postagem anterior.


Penso que é preciso investigar mais a fundo tudo isso.


E buscar bem mais que o testemunho dessa garotinha, por mais dilacerante que nos pareça.


E penso que até a sua condenação em definitivo, a não ser que cometa algum crime, Seffer deve, sim, ser mantido em liberdade – até porque todos sabemos o que o aguarda na prisão.


Lamento se desagrado ou decepciono a alguns.


Mas prefiro mil vezes ver em liberdade um culpado do que contribuir, de alguma forma, para a prisão de um possível inocente.


Esse peso, definitivamente, não quero em minha consciência.


FUUUUIIIIIIII!!!!!!!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sobre Luiz Afonso Seffer

Olhem, não gosto do ex-deputado Luiz Afonso Seffer.


Para mim, é um canalha, que sempre se elegeu através de cirurgias “castradoras”, digamos assim, em mulheres pobres.


Também não gosto das opções políticas dele.


Pra falar a verdade, Seffer sempre me provocou uma ojeriza instintiva.


Mas não ficaria em paz comigo mesma se não deixasse registrada uma coisa, mesmo que queiram me linchar junto com ele: não estou convencida da culpa de Seffer, nesse caso de pedofilia.


Não defendo pedófilos, e até já recusei trabalho, muito bem pago por sinal, de pedófilo confesso - justamente por eu ser mulher e ter uma filha. Mas, não consegui me convencer, pelo menos ainda, da culpa de Seffer.


Não manuseei o processo, não conversei nem com a menina, nem com testemunhas: tudo o que sei é o que li nos jornais.


E tal leitura me deixou algumas lacunas preocupantes.


Não consegui entender, por exemplo, como é que a menina em questão seria “cativa” dele, se possuía, como se noticiou nos jornais, plena liberdade de ir e vir.


Não consegui entender o comportamento de uma criança abusada que, ao se ver sob a proteção do Juizado, por ter sido apreendida nas ruas, não desatou a relatar os abusos que sofreu.


Também não consegui entender o fato de esse caso de pedofilia ser exceção na vida de Seffer.


Não sei.


Tenho muito medo quando a defesa de questões extremamente justas, como é o caso do combate á pedofilia, se apóia num caso exemplar.


Aliás, tenho muito medo de todo e qualquer caso exemplar.


Porque, muitas vezes, os condenados assim sofrem cerceamento de defesa ou não passam de simples “bois de piranha”.


Não me disponho a defender Seffer; não quero.


Mas havia algum tempo que estava com essas considerações entaladas na garganta.


E quem não gostar, que gostasse!...


Mas, definitivamente, não estou convencida da culpa dele, nesse caso específico.


E temo, sobretudo, a Justiça à moda circense.


FUUUUUIIIIIIIII!!!!!!!!

Tempos necrófagos



Continuo no estaleiro, como diria o CJK. Não quero forçar a minha coluna, que exigirá um tratamento longo – seis meses, no mínimo, conforme previsão médica.


Pelo que entendi – e eu não entendo patavina de Medicina – trata-se de uma espécie de deslocamento de disco, aliada à artrose.


Daí que ainda estou tentando digerir essa informação, enquanto poupo forças para trabalhos que me rendam algum dinheiro. Também aproveito o tempo para ler (Gogol é fantástico!) e até para fazer um curso de HTML, que permitirá iniciar uma série de mudanças neste blog, a partir do começo do mês que vem.


No entanto, continuo a acompanhar as movimentações políticas pelos jornais e blogs.


Simplesmente porque, apesar de tantas preocupações, não consigo largar esse vício que é a política.


Daí que gostaria de dividir com vocês algumas considerações.


I


Na postagem anterior, de 28 de maio, logo após o anúncio da candidatura do deputado Domingos Juvenil (PMDB) ao Governo do Estado, este blog fez algumas previsões, cujo acerto vem se robustecendo nos últimos dias.


Uma delas é a possibilidade de reeleição da governadora Ana Júlia Carepa ainda no primeiro turno, ao capitanear um amplo leque de alianças com alguns dos maiores partidos paraenses, ao mesmo tempo em que mantém a porta entreaberta a uma fatia considerável do PMDB.


Anteontem, onze dias após o anúncio da opção do PMDB por um candidato “laranja”, o PR anunciou a decisão de integrar a chapa de reeleição da governadora – o que confirma a previsão de que a não-participação do PMDB na chapa de Ana Júlia Carepa poderia facilitar as negociações com o PR, que acabou levando a Vice, que caberia ao PMDB.


E a informação que se tem é a de que também o PDT já estaria fechado com a governadora, faltando, talvez, uns poucos milímetros para que também o PTB siga o mesmo caminho.


Outro peso-pesado, o PP, está de há muito com Ana Júlia Carepa.


E, se tudo isso se configurar, o quadro que surgirá à frente dos tucanos paraenses será, simplesmente, assustador: além de deter a máquina estadual e o apoio da máquina federal, a governadora contará com quase 100 prefeituras para essa disputa – se não forem mais, já que boa parte dos prefeitos do PMDB deverá, sim, apoiar a reeleição.


Bem vistas as coisas, Ana reedita a poderosa União pelo Pará, que fez de Almir Gabriel duas vezes governador e conseguiu até eleger a mala pesadíssima, que era, então, o economista Simão Jatene.


Mas ao que parece, essa poderosa coligação não enfrentará, agora, grandes barreiras para que possa chegar à vitória, talvez, ainda no primeiro turno.


Em 1998, Almir teve como adversário a liderança sagaz e carismática de Jader Barbalho.


Em 2002, mesmo sendo Jatene uma grande mala, seu maior adversário foi, de fato, a “onda vermelha” que varreu o país.


Em 2006, a União pelo Pará perdeu para si mesma, por um erro na escolha do cabeça de chapa.


Naquela ocasião, se fosse o outrora mala Simão Jatene a comandar a poderosa máquina de votos da União pelo Pará, e ainda com o apoio formal ou informal do PMDB, os tucanos teriam vencido a eleição no primeiro turno.


Hoje, no entanto, inexistem, no horizonte de Ana Júlia Carepa e dessa “neo” União pelo Pará, pelo menos até o momento, barreiras como uma liderança do quilate de Jader Barbalho ou uma eventual “onda amarela” – muito pelo contrário.


E o caminho está aberto para que essa poderosa máquina de votos denominada “União pelo Pará” realize a proeza que poderia ter realizado, afinal, em 2006.


II


As recentes mexidas no tabuleiro, por raposas como Jader Barbalho e Anivaldo Vale, o morubixaba do PR paraense, desmentem categoricamente o rosário de bobagens que tem sido desfiado pelos tucanos, nos jornais e na internet.


Os tucanos tocaram a espalhar por todo canto que Ana Júlia estava “morta politicamente”; que não tinha a mínima chance de se reeleger e até – vejam só! – que ela nem sequer estaria no segundo turno.


Hoje, no entanto, é o caso de se perguntar: desde quando raposas políticas como Jader, Anivaldo e Gérson Peres se aliam a “defunto”?


Por acaso o Barbalhão, o Anivaldo e o Gérson Peres pretendem realizar um “suicídio coletivo”?


O pior é que os tucanos, contra todas as evidências, insistem nessa bobagem do “já ganhou”; insistem em criar factóides, para “vender” a imagem de uma Ana Júlia “semimorta”.


É como se estivessem acometidos de esquizofrenia política e ou de mania de grandeza: ou, de tanto mentir, passaram a acreditar nas próprias fantasias marqueteiras; ou imaginam que somos todos burros.


Na verdade, a situação dramática dos tucanos paraenses exigiria uma virada de 180 graus na estratégia de campanha. Mas isso só seria possível se conseguissem, de fato, encarar a realidade. O que, aparentemente, é uma possibilidade pra lá de remota.


III


É à luz dos fatos, da dinâmica política, que deve ser lida a recente pesquisa encomendada pelo DEM, no Pará.


É sintomático, por exemplo, que, na mesma semana da divulgação dela, o DEM paraense tenha sentado para conversar com o PT.


É certo que o DEM se encontra numa situação complicadíssima: devido ao comportamento tresloucado, absolutamente inconfiável, do deputado federal Vic Pires Franco, a maioria das lideranças políticas quer é distância do DEM paraense, apesar de seus preciosos minutos de televisão.


Tanto que a corte que lhe faz o PT parece ter um quê de malinagem – e até de autoritarismo - em relação a Simão Jatene, que, sem o DEM, terá um tempo de televisão ainda mais escasso, para levar à população as suas propostas administrativas.


Mas, apesar dessa situação aflitiva do DEM, não deixa de soar esquisito que Vic, além de negociar com o PT, tenha considerado tanto a possibilidade de aderir à reeleição de Ana - ao ponto de até obter um passe-livre da direção nacional partidária, que havia proibido alianças com os petistas.


Ora, a pesquisa encomendada por Vic mostra Jatene como vencedor em qualquer hipótese, em qualquer cenário, em qualquer circunstância – quer dizer, só falta, mesmo, é vestir a faixa...


E, no entanto, lá se foi o Vic conseguir até um passe-livre para, se for o caso, apoiar a “semimorta” Ana Júlia Carepa.


A acreditar no lári-lári tucano, também os Pires Franco foram atingidos pela mesmíssima compulsão de Jader, Anivaldo e Gerson Peres: viraram necrófagos...


IV


O fato mesmo, caríssimo e fiel leitor da Perereca da Vizinha, é que os tucanos erraram todos os prognósticos destas eleições e ainda induziram ao erro todos aqueles que acreditaram neles.


Erraram em dar como certa a vitória de José Serra, a ignorar tanto o caráter mítico da liderança do presidente Luís Inácio Lula da Silva, quanto a perseverança e disciplina de Dilma Rousseff.


Erraram, no Pará, ao imaginar que os petistas seriam incapazes de aprender com os erros e que Ana Júlia Carepa assistiria impassível ao próprio fim.


Em suma: erraram ao imaginar que jogam sozinhos e que inexiste, na Política, a lei da ação e reação.


Tal se deve à arrogância; a essa Ilha da Fantasia em que sempre viveram os tucanos, a imaginar que o distinto público, encantado por truques de mágica barata, estará sempre disposto a estender-lhes o tapete vermelho.


Por isso, em vez de investirem na construção partidária e em um discurso massivo, preferem apostar em fofocas e factóides – um tipo de marketing e de estratégia política que o avanço da sociedade brasileira vai deixando para trás.


Exemplo claríssimo dessa fantasia tucana – e creio que até já escrevi sobre isso neste blog – foi a campanha anti-Lula, dos últimos oito anos.


Em vez de traduzir programa de governo em linguagem popular; buscar o fortalecimento partidário; mostrar à sociedade a diferença entre cidadão e pedinte; mostrar à sociedade os perigos de um Estado gigantesco, os tucanos se puseram, apenas, a futricar sobre a vida pessoal do operário-presidente.


Lula foi tachado de tudo: ignorante, burro, bêbado, nessa coisa tucana de imaginar a sociedade brasileira como um espelho do próprio umbigo, pedante e preconceituoso.


O resultado foi a empatia, cada vez mais profunda, entre a população e o operário- presidente. E a criação do mito Luís Inácio, do qual o PSDB é, sim, um dos pais, ainda que involuntário.


Porque a maioria esmagadora da sociedade brasileira é a cara do cidadão Luís Inácio Lula da Silva: tem parca instrução, fala errado à beça, luta heroicamente para sobreviver, tem moral lassa e adora uma cervejinha...


Daí que esse tipo de oposição, à base de simples ofensas pessoais, tenha até acabado por vitimizá-lo, transformando-o em “herói” do imaginário popular. Afinal, ele é “o pobre que chegou lá” e que foi atacado exclusivamente por isso...


No Pará, a oposição tucana seguiu pelo mesmo caminho: perdeu-se na futricagem de manicures e esteticistas e até na sordidez do patrulhamento da vida sexual da governadora.


E é bem possível que se a comunicação do governo tivesse funcionado, desde o começo, com a mesma eficácia que hoje funciona, Ana Júlia Carepa estivesse tão vitimizada quando Luís Inácio...


Porque ao cidadão, ao eleitor, tanto se lhe dá os erros de português de Lula ou os muitos namorados de Ana Júlia Carepa (e a Perereca registra a enorme inveja em relação à xará...)


O que o cidadão quer saber é se a vida dele melhorou: se tem água, luz, saúde, casa, educação e, sobretudo, dinheiro no bolso.


E é essa situação bem objetiva, bem concreta, que o PSDB nunca soube explorar, já que toda a sua energia foi canalizada para a produção de fuxicos e factóides.


Quer dizer: o PSDB classifica o governo de Ana Júlia como “DSalão”.


Mas é o PSDB que, afinal, se transformou num grande salão de beleza. Ou, pior ainda, numa reles revistinha de fuxicada.


V


Muitos tucanos sentem medo do atual momento do PSDB.


Eu, no entanto, vejo tal momento com grande otimismo.


Penso que uma vez varridos do partido determinados grupos e práticas; uma vez “higienizado” o partido de muitos quadros meramente fisiológicos, será a hora de amadurecer e encorpar, possivelmente, sob a liderança desse grande político que é Aécio Neves.


E se há muita gente que desde agora aposta que 2014 será o retorno de Lula, eu prefiro guardar as minhas fichas, porque imagino que a onda de renovação de Aécio poderá, sim, varrer o país de Norte a Sul, em 2014, à semelhança da onda vermelha dos petistas, em 2002.


E isso, certamente, terá conseqüências no Pará – e a única questão não muito clara é quem terá potencial para encarnar essa grande onda de renovação, no plano local.


Em suma: quando as urnas se fecharem no próximo outubro, começará a corrida para juntar os cacos da oposição e para transformar o PSDB naquilo que deveria ter sido desde o começo - um verdadeiro partido político, coisa que acabou frustrada pelo fato de ter nascido e, imediatamente, galgado o poder.


Pelo encadeamento dos fatos mais recentes, não tenho grandes esperanças em 2010, a nível local – a nível nacional, talvez, um pouquinho mais.


E há uma preocupação que está me deixando de cabelo em pé, até porque a maioria dos jogadores parece estar passando batida: qual o motivo, o porquê, dessa enorme investida petista sobre os mandatos tucanos na Câmara dos Deputados e, especialmente, no Senado?


É apenas para consolidar a base de sustentação de Dilma Rousseff, ou existe alguma grande mexida na legislação, prevista para os próximos quatro anos, para a qual será necessária uma ampla maioria no Congresso?


É só isso que me perturba muitíssimo, porque enxergo as mexidas no tabuleiro nacional, mas, não consigo visualizar o porquê.


Se os companheiros petistas pretenderem mexer no monopólio da informação, acho ótimo – porque é preciso, mesmo, desprivatizar esta coisa que é de fato pública: a informação.


Se os companheiros petistas pretenderem fazer a reforma política, também acho ótimo: sem reforma, não conseguiremos moralizar a política e acabar com essa patifaria do caixa dois.


Mas tenho medo da arrogância petista, que consegue ser, por incrível que pareça, um pouquinho pior que a arrogância tucana...


E só espero é que os companheiros petistas tenham a clareza de perceber que o Brasil não é, afinal, uma “sucursal” do PT.


Reforma, avanço legislativo, não se impõe: apenas, sacramenta um momento cultural.


Sob pena de acabar em insurreição.


FUUUIIIIIIII!!!!!!!!


PS: Peço paciência a vocês, leitores, mas o blog só deve retornar normalmente no final deste mês ou no começo do mês que vem.


Não quero me arriscar a uma nova crise de coluna e preciso realizar alguns trabalhos, porque esse tratamento será meio caro.


Mas a boa notícia é que estou a pensar várias mudanças, para a cobertura eleitoral.


E como este é um espaço antigo e acreditado – e eu, sobretudo, me assumo – penso que este blog pode ajudar muitíssimo no acompanhamento pari passu do quadro eleitoral.


Também preciso quitar algumas dívidas até o final do mês: tenho de responder a alguns e-mails e comentários bacanas e até linkar o blog da Rita Soares, uma grande repórter que, finalmente, resolveu retornar à blogosfera.


E eu só espero – do fundo do coração – é conseguir articular uma cobertura eleitoral que esteja, de fato, à altura de vocês.


Agora, FUUUIIIIIII!!!