Ban

domingo, 29 de novembro de 2009

Resposta final a um estuprador imundo

Um sujeito que abandona a própria mãe e, depois, tenta usá-la para se fazer de coitadinho, é o cúmulo da bestialidade.



É tão frouxo, tão covarde, tão indigno, que se esconde atrás da saia de alguém que passou a vida a maltratar.



Esse imundo sabe muito bem que as pessoas normais – o que não é o caso dele – tendem a sentir pena de gente doente.



Por isso, tenta usar o “marketing da piedade” para manipular os outros e inverter os papéis dessa peça sórdida.



Quer se fazer de vítima, quando, na verdade, os ataques canalhas partiram é dele.



Quer satanizar quem apenas se defende – mas, se defende usando a única linguagem que ele entende: a linguagem da imundície, da pocilga imunda em que ele cresceu.



Nunca teve amor a ninguém.



Porque quem tem amor a alguém não abandona os pais doentes; quem tem amor a alguém não estupra menininhas indefesas.



É o monstro a tentar iludir a platéia; é o psicopata a tentar se fingir de anjo.



É o porco tentando vender a imagem de uma dignidade que não possui.



Não sente nada, não – não se iludam! Quer, apenas, é bancar o mocinho aos olhos de vocês; enganar vocês.



Não teve nenhum pudor em insinuar as coisas mais porcas, mais canalhas acerca dos outros – e de forma absolutamente gratuita, porque nunca foi atacado por ninguém.



É como o bandido, o assassino frio que estupra e mata mulheres e depois, quando lhe perguntam por que fez isso, ainda tenta convencer os outros de que foram elas que o provocaram.



No meu caso, tudo isso começou porque, simplesmente, não quis trabalhar com esse patife.



NÃO QUERO! NÃO VOU!



Simplesmente, não tô a fim. E daí? Vais fazer o quê?



Trabalho pra todo mundo, mas, não pra ti.



PREFIRO VENDER PUPUNHA NO VER A PESO, A TRABALHAR PRA TI, SEU MERDA!



E não tô mais disposta a engolir “aru” por causa dessa tua DOENÇA.



Agora, presta a atenção no que eu vou te dizer, seu javardo: meu blog não é a tua lixeira; não é o teu covil de puxa-sacos; o teu aglomerado de bestas-feras, que parecem gozar diante dos teus ataques porcos e covardes.



Em respeito aos meus leitores, não vou mais ficar a usá-lo para te responder com a lama da tua imundície.



Mas, fiques certo de uma coisa: não vais continuar impune; vais pagar por todos os crimes que cometeste ao longo dessa tua vida imunda.



Vou prestar um serviço à comunidade, ao te banir, seu corrupto, seu ladrão de dinheiro público, seu estuprador, do horizonte da sociedade paraense – e não só a ti, mas, à tua quadrilha inteira.



Vou prestar um serviço à humanidade, ao PROVAR para todo mundo, inclusive para os teus filhos, quem, de fato, és.



E podes ter certeza de que isso não vai ser feito com ódio, não.



Porque, no meu trabalho, eu sei ser fria como a morte, seu canalha.



E tu sabes bem que não vai faltar quem se disponha a me ajudar, né mermo?



Ah, e já ia me esquecendo: meu melhor trunfo não vai cair na mesa de qualquer jeito, não! Podes ter certeza de que ele virá. Mas, no tempo certo.



Será, a bem dizer, o gran finale dessa peça sórdida que começaste a escrever.




FUUUIIIIIII!!!!!!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Atualização de sexta

Tô cozinhando matéria. Volto mais logo.


FUUUUIIIIII!!!!!!!

Um filme extraordinário!

Fui ao blog do finado e saudoso Juvêncio Arruda e vejam só a preciosidade que desencavei:


“Dancing Days



Um ex senador guarda cuidadosamente uma gravação feita por um celular. A cena se passa num quarto de hotel em Miami, cidade preferida por nove entre dez patetas da política paroara. Animado por um coro musical improvisado, um deputado federal sobe na cama e começa a rebolar furiosamente. Excitado, começa a tirar a calça, exibindo os glúteos fofinhos.Num átimo de consciência, interrompe o strip e recompõem-se, suado, suspirando e ajeitando os cabelos revoltos.Fez de tudo para recuperar as imagens gravadas. Não conseguiu.Nada fala contra o cinegrafista, embora odeie-o.O arquivo do ex senador, que se diverte contando a história, calou o stripper para sempre”.

Comentário da Perereca: manos, há preciosidades nesta vida que a gente tem mais é de dividir com o mundo!... Mas, é claro, tudo no momento certo, né mermo?


Resposta a um gigolô imundo





Tem gente por aí que, apesar de possuir dinheiro e imunidade, é tão frouxo e tão covarde que só sabe atacar os outros de maneira velada, com essa FRESCURA de não citar o nome.


Há tempos, até avisei, neste blog, para que esse canalha me deixasse em paz.


Mas, de nada adiantou a minha civilidade.


E eu compreendi, afinal, que com um sujeito tão porco só dá é pra lidar na base da imundície.


Mas, não vou dar a esse vagabundo o prazer de citar-lhe o nome.


Vamos jogar, seu pilantra, no embalo do teu modus operandi.


Já que gostas tanto de fuxico, por que é que não contas pra gente a história da tua mãe?


Aquela mulher seriíssima, quase uma vestal, né mermo?


Conta aí dos telhados que ela escalava, nas suas aventuras amorosas...


Conta aí do escândalo que foi quando dois sujeitos quase se mataram por causa dela.


Não és o sujeito que faz e acontece?Abre aí o teu coração pra galera!...


Ou preferes que eu conte?


Aproveita e fala também do teu pai, né mermo?


Não do teu pai biológico, mas, daquele que te criou.


É verdade que ele até ficou impotente de tanto beber, é?


Égua do casal impressionante!...


Só podia dar, mermo, num parasita nojento da tua marca!...


Não gostas tanto de aparecer?


Tens aí, na história da tua família, um material de primeira!...


Tem adultério, alcoolismo, estupro e até INCESTO, né mermo?


Em suma, tudo que é tititi que a galera adora.


Força, cara!


Porque é esse chiqueiro imundo do qual vieste, que vai, certamente, te transformar num campeão de audiência.



FUUUIIIII!!!!!!!!



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Pesquisa


Tem pesquisa nova no pedaço. E deve estar fechada no final de semana.


Pelos números já disponíveis, reproduziria um quadro muito parecido ao da pesquisa Ibope de setembro, encomendada pelo DEM.


Jader, Jatene e Ana estariam tecnicamente empatados, com, respectivamente, 23.8%, 22% e 21%, já que a margem de erro é de três pontos percentuais. O desempenho de Almir é igualzinho ao de Jatene.


Teria sido realizada em todo o estado e teria, também, caráter qualitativo.


A rejeição da governadora estaria em 59%, no geral, alcançando 63% na RMB.
“A tendência, pela quali, é que ela (Ana) nem passe para o segundo turno”, diz-me a fonte, com evidente exagero, para, diante dos protestos do blog, aquiescer: “Mas, quando começar a campanha, isso pode ser revertido. Afinal, governo é governo”.


Segundo a fonte, chamou a atenção, também, o bom desempenho do tucano José Serra, que estaria com 70% das intenções de voto, contra apenas 10% da petista Dilma Rousseff.


Vou ver se consigo mais alguma coisa, hoje e amanhã.

2010

O PMDB em xeque


Há duas hipóteses muito improváveis na próxima corrida ao Palácio dos Despachos.

A primeira que é Jader Barbalho arrisque o pescoço nesse páreo.

A segunda é que o bloco PTB/PR entre pra valer em tal disputa.

Quer se goste ou não, Ana Júlia Carepa estará no segundo turno. E a questão, na verdade, é quem a enfrentará nesse embate.

Jader até que possui condições objetivas para encarar a parada.

Comanda o maior partido do estado e um poderoso grupo de comunicação.

Tem carisma, fontes de financiamento e trânsito fácil em Brasília, onde é considerado uma das principais peças, no apoio do PMDB à Dilma Rousseff.

O xis do problema são os inúmeros rolos judiciais que possui, a desautorizar aventuras.

Porque a falta da proteção de um mandato o deixaria exposto às traquinagens de seus inúmeros inimigos.

Tudo isso é tão verdadeiro, que Jader hesita em concorrer até ao Senado, onde as suas chances de se eleger são bem maiores.

Só o faria se fosse o único candidato de um dos lados em disputa – porque, mesmo aqui, a bola dividida reduziria as chances de vitória.

Daí a impossibilidade de disputar o Senado ao lado de Paulo Rocha. Ou, ainda, ao lado de Simão Jatene ou Almir Gabriel.

Mesmo para o Senado, o terreno tem de estar limpo para que arrisque o salto.

O que dizer, então, do Governo do Estado?

Aí, o risco seria de uma frente anti-Jader, como bem notou o ex-governador Hélio Gueiros.

Tudo isso se tornou ainda mais complicado com a entrada em cena do bloco PTB/PR.

Porque o “blocão” ombreia com o PMDB, em termos de força política.

Não creio que tenha chances reais de chegar ao Palácio dos Despachos.

Para começo de conversa, nem se sabe se resistirá à semeadura da cizânia.

Além do mais, como não é um partido, ou um partido sob uma liderança forte, não há como garantir a coesão de seus prefeitos na hora do pega pra capar.

Ou, ainda, que PR e PTB estejam dispostos a ir ao limite, “manter-se a reboque”, na defesa do interesse alheio.

Daí que as negociações com o “blocão” não passarão, apenas, pelo topo. Mas, por debaixo dos panos, acontecerão, também, caso a caso.

No entanto, o maior problema do “blocão” é a falta de uma liderança capaz de representar, a seus correligionários e à sociedade em geral, uma expectativa real de poder.

Tanto assim, que o candidato que lançou para a disputa ao Governo é o ex-deputado federal Anivaldo Valle.

Que é, sim, um brilhante articulador político.

Mas, simplesmente, não possui o carisma de qualquer das lideranças que ambicionam o cargo.

A opção por Anivaldo, aliás, é sintomática: o que se busca, possivelmente, é a Vice para o PR e, o Senado, para o prefeito de Belém, Duciomar Costa.

Porque a Vice é, sim, estratégica. Um vice, se bem usado, é uma faca apontada ao pescoço do titular, para que se comporte direito. Isso sem falar na possibilidade de ascensão.

A simples existência do “blocão” representa uma pedra no caminho do PMDB, no sentido de vir a ser, mais uma vez, o fiel da balança das eleições paraoaras.

Com a força que possui, esse “blocão” tem condições de exigir o mesmo quinhão que caberia ao PMDB – e é isso, que, muito provavelmente, querem, de fato, o PR e o PTB.

Afinal, se o PMDB torce o nariz para 30% do Governo, mais a Presidência da Assembléia Legislativa, mais o controle de 85% das verbas do PAC e mais uma das vagas ao Senado, isso, para qualquer partido emergente, significaria o Paraíso na Terra.


Com tamanha fatia do bolo – ou, ainda, com apenas uma parte dela, na forma de secretarias estratégicas e interiorizadas – PR e PTB teriam condições, em 2012, de crescer ainda mais do que já cresceram, nas eleições do ano passado. E, quem sabe, até poderiam conquistar o lugar hoje ocupado pelo PMDB, na política paraense.


Tudo isso acontece num quadro complicado para o PMDB, em que, apesar de Belém, PR e PTB parecem possuir maior facilidade de entendimento com o PT local.


E em que o seu plano B, que seria o PSDB, é sacudido por uma disputa interna sem precedentes, até a ressuscitar um velho inimigo dos peemedebistas: Almir Gabriel.

E mais: sem que haja garantias de que tal disputa não resultará em danos irreparáveis, para a imediata reconquista tucana do poder.

Junte-se a isso o fato de o PT ter a máquina na mão, a certeza da ajuda federal e, ainda por cima, estar mais coeso do que nunca (os 93% dos votos válidos do presidente regional, João Batista, não saíram de uma cartola mágica...).

Pronto: tem-se aí a medida da complicação.

O fato de o PMDB e o bloco PR/PTB ambicionarem a mesma mordida no bolo, também autoriza a imaginar que, dificilmente, estarão do mesmo lado, nas próximas eleições.

É certo que o líder do Governo, Aírton Faleiro, tem batido na tecla de um frentão, para resolver a parada ainda no primeiro turno – o que seria possível, sim, com uma coalizão desse tamanho.

Custa a crer, no entanto, que o PT consiga realizar tal costura, não apenas por esse conflito de interesses, que tem a ver com o próprio crescimento das legendas em disputa, mas, pela impossibilidade que se prevê de os petistas abrirem mão de um espaço tão amplo do governo, no qual já têm de acomodar as próprias tendências.

E o segundo turno, com o PMDB de um lado e o blocão do outro; o PT de um lado e tucanos ou pefelistas do outro; Diário de um lado e O Liberal do outro, tem tudo para repetir a dramaticidade do pleito de 2006.

Bem, por hoje chega.

Depois eu volto.


FUUUUUIIIIIIII!!!!!!!!!!

Sobrancelhudinho


Do blog “Na Ilharga”, malino, malino com o sobrancelhudinho:


Mais um freguês.


Frequentemente, o Diário do Pará estampa em suas páginas matérias explosivas a respeito da situação da saúde em nosso estado e, invariavelmente, desce a lenha na SESPA e na SESMA.


Se a intenção é fazer jornalismo de verdade, então, aumentou o número dos Judas candidatos à malhação do jornal.

É que o Ministério da Saúde acaba de publicar portaria suspendendo a transferência de recursos dos programas Saúde da Família, Saúde Bucal e Agentes de Saúde para 18 municípios do estado, dentre os quais, Ananindeua, por cometimento de irregularidades no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, ou seja, podem ter cadastrado quem não estava habilitado, incorrendo na velha prática do favorecimento a áulicos.

Para que a justiça seja eficaz, espera-se que o jornal comece fazendo o dever de casa, descendo o malho no alcaide ananin".


http://nailharga.blogspot.com/2009/11/mais-um-fregues.html

Imagem em Recuperação



“O Governo, nas nossas pesquisas, passou por um momento muito difícil. Com esse inverno, com a crise financeira e está em amplo processo de recuperação. À medida que as obras são mais vistas, à medida que a comunicação melhora, que nós falamos mais – essa entrevista é um exemplo disso – eu acho que à medida que a animosidade da imprensa, que você sabe muitas das vezes o que a motiva, diminui; e, à medida em que nós criamos um palanque estável para a governadora Ana Júlia, a tendência é de franca recuperação. Nós temos muita coisa pra mostrar, temos que falar o que nós estamos fazendo, porque durante dois anos e meio a governadora foi alvo de ataques incessantes, de desconstrução da sua imagem, da tentativa de caricaturalizá-la, por parte dos opositores. Então, é contra isso que todos os militantes de esquerda, toda a sociedade civil organizada, democrática, têm que se insurgir, porque o problema aqui não é só a continuidade do governo da Ana Júlia: é a possibilidade de afirmação - com a governadora Ana Júlia ou não - de um projeto democrático para o futuro. Que o estado não seja entregue a contraventores, inimigos do meio ambiente, a inimigos dos direitos humanos ou àqueles que pregam uma volta ao passado, no campo do meio ambiente”.



A afirmação é do chefe da Casa Civil, Cláudio Puty, em mais um bloco da entrevista que concedeu á jornalista Vera Paoloni, do blog da Articulação Bancária.


Aqui
http://www.artebancaria.blogspot.com/


fuso

Oeste do Pará poderá opinar
sobre mudança de horário


Os senadores Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) devem apresentar, esta semana, após recolher o número mínimo de 27 assinaturas, um projeto que estabelece a realização de um referendo no Oeste do Pará e parte do Amazonas, para que a população decida sobre a alteração de horário que atingiu também essas duas regiões.

A mudança vale desde junho de 2008, quando o estado do Acre e parte do Pará e Amazonas tiveram seu fuso horário alterado, em função da Lei nº 11.662, sancionada pelo presidente da República.

Na terça-feira (24), foi aprovado no Senado o PDL 867/09, que define a realização de um referendo no mesmo sentido, mas apenas no Estado do Acre. O projeto é de autoria do deputado federal Flaviano Melo (PMDB-AC) e já havia tramitado na Câmara dos Deputados, faltando apenas a aprovação no Senado para ir à promulgação.

Por conta de um acordo em plenário, os senadores Flexa Ribeiro e Arthur Virgílio optaram por apresentar um novo projeto em conjunto.

“Se tivéssemos apresentado uma emenda de plenário, o projeto seria alterado e por isso voltaria para a Câmara. Lá, levaria muito tempo até que pudesse ser novamente aprovado. Por isso, optamos por aprovar esse referendo para o Acre e iniciar a tramitação – que será acelerada – de um projeto que contemple também a população do Pará e do Amazonas”, explicou o senador Arthur Virgílio durante sessão em plenário.

“Vamos unir forças para que esse projeto tramite rapidamente e dê a oportunidade dos paraenses e amazonenses decidirem sobre uma questão que lhe diz respeito. O projeto não altera horário. Apenas dá à população a chance de escolher. Esse é um processo democrático e deve ser observado”, destacou Flexa Ribeiro.

O referendo, se aprovado a tempo, pode ser realizado em conjunto com a eleição do próximo ano. Cada eleitor responderá "sim" ou "não" à pergunta: "Você é a favor da recente alteração do horário legal promovida no seu estado?".

(Fonte: Ascom/Flexa Ribeiro)


www.senadorflexaribeiro.com.br

banpará





Ana não descarta incorporação
do Banpará por banco público






Pela primeira vez a governadora Ana Júlia Carepa admitiu publicamente a possibilidade de incorporação do Banpará por outro banco público, informa a Associação dos Funcionários do Banpará (Afbepa).





Foi durante reunião no Sindicato dos Bancários, na noite da última terça-feira.





Segundo o relato da entidade em seu site, Ana afirmou, que enquanto for governadora, o Banpará não será entregue a um banco privado, mas já a um banco público, "é um caso a pensar".





E acrescentou que o fato de o Banpará ser um banco local, torna "muito difícil de competir com o Brasil".





Segundo o blog da Articulação Bancária, que também cobriu o evento, Ana falou sobre a incorporação ao responder a uma pergunta sobre a possibilidade de o Banpará ser privatizado ou encampado pelo Banco do Brasil.





Nesse caso, quis saber um ouvinte, como ficaria o banco diante da portabilidade em 2011 e, também, se será garantida a implantação do PCS (Plano de Cargos e Salários).





A resposta da governadora, segundo o blog da Articulação: “Não haverá privatização do Banpará neste governo. A portabilidade em 2011 é um enorme desafio e possibilidade de encampação pode haver, mas, com banco público, nunca para a iniciativa privada”.




Manifesto





Durante o encontro, a presidente da Afbepa, Kátia Furtado, entregou um manifesto à governadora, no qual consta uma série de queixas, que vão do assédio moral aos salários do Banpará, que seriam, hoje, “os mais rebaixados entre os bancos públicos”.


O blog vai reproduzir o documento na íntegra. Depois, também reproduz a síntese do encontro, feita pelo blog da Articulação Bancária.




Eis o manifesto:





"Exma. Sra. Governadora Ana Júlia Carepa,




Nós, bancários e bancárias do Banco do Estado do Pará, nos manifestamos em defesa da democracia, da dignidade, da liberdade de organização e de mobilização por nossos direitos. Temos sido os maiores colaboradores e defensores do Banpará, porque acreditamos em nosso banco como ferramenta fundamental da inclusão social. Nestes últimos anos fomos às ruas colher assinaturas da população contra a privatização do banco e chegamos a doar 20% dos nossos salários no processo de capitalização em 1998.




No entanto, somamos mais de 15 anos de salários congelados, trabalhamos sob denúncias de assédio moral, pressão por metas, insegurança e outros graves problemas que nos causam adoecimentos.




Fomos obrigados a entrar com uma Ação de Cumprimento na Justiça do Trabalho para fazer cumprir a cláusula 12ª do ACT 2008/2009, assinado entre o Banpará e o Sindicato dos Bancários, porque a direção do Banpará não cumpriu o ACT, não implantou o PCS, quebrou a relação de confiança necessária a um pacto firmado, uma vez que nem se dispunha a apresentar ao funcionalismo uma proposta razoável que considerasse as profundas perdas passadas e presentes. Os salários da maioria dos bancários e bancárias do Banpará, hoje, são os mais rebaixados entre os bancos públicos.




Além do PCS, outras cláusulas importantes do ACT 2008/2009, como plano de saúde e ponto eletrônico, não foram cumpridas, e na campanha salarial 2009/2010, a direção do Banpará se recusou a negociar nossa minuta específica até que, por pressão da maior greve já registrada na história do Banpará, quando todas as agências da capital paralisaram e se tornava crescente a cada dia a paralisação no interior, a direção do banco se viu forçada a negociar.




Não esperávamos tais condutas a partir de um governo democrático e popular, fruto de décadas de organização e luta das classes trabalhadoras. Nos anos 80 e 90, após o fim da tenebrosa ditadura militar, enquanto as elites brasileiras e paraenses fortaleciam seus partidos políticos e organizações de classes, nós, trabalhadores e trabalhadoras gestávamos e construíamos nossas alternativas, nossos partidos e centrais, nossas oposições sindicais e nossos sindicatos de luta. Quantas barreiras tivemos de vencer para termos direitos, para avançarmos na consciência de classe.




Houve um tempo em que éramos tão poucos e tão poucas a carregar bandeiras em passeatas pelas ruas. Houve um tempo em que vários de nossos irmãos de luta morreram sob tortura por se manterem fiéis às mais legítimas aspirações humanas de liberdade. Hoje, sabemos que eleger nossos representantes no legislativo e no executivo é parte desse processo, mas não é o fim em si. O poder ainda é de uma minoria. Para a maioria, a exclusão e a violência ainda são a regra.




V. Excia., trabalhadora bancária, quando sindicalista e parlamentar de esquerda, foi uma projetada liderança de nossa luta. Ao nosso lado, sempre defendeu o Banpará, a mesa local de negociação e os direitos e liberdades de organização e mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras. Vosso governo não poderia reproduzir velhos métodos ancorados no medo, na pressão por metas e no assédio moral. Haveria de se avançar na defesa dos direitos humanos em geral e nos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras.




Assim nos manifestamos e pedimos vosso compromisso com:


A MANUTENÇÃO E O FORTALECIMENTO DO BANPARÁ COMO BANCO PÚBLICO ESTADUAL;


A VALORIZAÇÃO DO FUNCIONALISMO DO BANPARÁ, A PARTIR DE POLÍTICAS EFETIVAS DE CAPACITAÇÃO E COMBATE AO ASSÉDIO MORAL E À PRESSÃO POR METAS;


DEMOCRACIA INTERNA NO BANPARÁ COM ELEIÇÃO PARA OS REPRESENTANTES DOS FUNCIONÁRIOS NO COMITÊ TRABALHISTA, COMITÊ DISCIPLINAR MEMBRO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO; E


O RESPEITO AO FUNCIONALISMO, COM O CUMPRIMENTO DA TUTELA ANTECIPADA QUE DEFINE PELA IMPLANTAÇÃO DO PCS ELABORADO PELA COMISSÃO PARITÁRIA EM JANEIRO DE 2010, COM EFEITO RETROATIVO A 18 DE MAIO DE 2009;


A DIRETORIA DA AFBEPA.
GESTÃO RESGATE E AÇÃO.


Belém, Pará, 24 de novembro de 2009".


http://afbepacoragem.blogspot.com





E eis aqui o relato do blog da Articulação Bancária:





Ana Júlia fala nos bancários,
ouve as queixas e responde.





A governadora Ana Júlia esteve ontem à noite (terça) na sede do Sindicato dos Bancários, fazendo um balanço do governo, no dia dos 76 anos do Sindicato.




Chegou ao Sindicato acompanhada do secretariado do governo. E a categoria lá, batendo ponto no evento.



Ana Júlia foi pra falar e pra ouvir as perguntas, queixas, deixar rolar o contraditório. E respondeu.



Veja aqui um resumo dos pontos principais questionados e o que foi respondido.




Banpará - se vai ser privatizado, encampado pelo BB, como fica o banco diante da portabilidade em 2011 e também se será garantida a implantação do PCS (Plano de Cargos e Salários).
Resposta da governadora - "Não haverá privatização do Banpará neste governo. A portabilidade em 2011 é um enorme desafio e possibilidade de encampação pode haver, mas com banco público, nunca pra iniciativa privada.


PCS. O governo vai cumprir o acordo, como cumpriu todos os acordos em relação ao Banpará: fortalecimento do banco, investimento e modernização do parque tecnológico, valorização do funcionalismo,reformas e inaugurações de novas agências. São 5 agências inauguradas neste governo".



Segurança - "Colegas e companheiros bancários e bancárias, não é fácil reconstruir um Estado. Encontramos a segurança pública em petição de miséria. Não tinha concurso há 10 anos e nem treinamento.O marketing do governo anterior era muito bom, mas não era verdadeiro, falava de um Pará maravilhoso que só existia na tevê. Por exemplo, na seccional do Comércio, em Belém, aqui, na capital, tinha um colete para 4 policiais. É brincadeira dizer que isso é respeito à segurança do povo! Quem me conhece sabe que eu não sou de reclamar, de ficar chorando quando as coisas não dão certo. Então, vimos a situação caótica e começamos a trabalhar. Fizemos concurso pra Polícia Militar, Polícia Civil e até dezembro de 2010 estarão trabalhando pela segurança do povo 3.700 policiais. Tá longe do ideal, porque eu não posso catar PM na rua, é preciso concurso e treinamento e isso demora um ano. mas nós fizemos em menos de 3 anos o que os tucanos não fizeram em 12. E isso a categoria bancária e o povo do Pará precisam saber".




Educação - "Outro ponto de honra para o nosso governo é investir em educação. Porque do jeito que noticiam, parece que as mais de 1.200 escolas estavam todas bonitas e funcionando bem até 31 de dezembro de 2006. Aí, quando assumimos em 1o de janeiro de 2007, as escolas caíram. Peraí, gente, isso é desrepeito à nossa capacidade de raciocínio! Igual à segurança, a educação também estava um caos. Hoje, nós já reformamos mais de 600 escolas e uma reforma que inclui internet, quadra coberta, auditório e salas climatizadas, qualidade para servidores da educação e alunos. Não podemos fazer tudo de uma vez, mas estamos avançando na educação."



O blog ficou de publicar mais tarde o restante do resumo.


http://artebancaria.blogspot.com/


pecuária

MPF e pecuaristas assinam TAC
para legalizar comércio da carne


O Ministério Público Federal assina hoje (26/11), às 9h30m, acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) garantindo a adesão de fazendeiros de todo o Estado ao ajuste de conduta da pecuária que prevê maior controle sobre os impactos da atividade.

Entre os compromissos de cada parte, os criadores concordaram em zerar o desmatamento causado pela pecuária e o MPF deverá buscar caminhos para converter embargos ambientais em multa.

O Governo do Pará, a Secretaria Estadual de Meio (Sema) Ambiente e o Ibama assinarão o Termo de Ajuste de Conduta como intervenientes.

A partir da assinatura do TAC, cada pecuarista deverá procurar o MPF para assinar acordo individual. O acordo com os pecuaristas representa a última etapa das negociações para a legalização da atividade pecuária no Pará e garante a continuidade das vendas de carne e outros subprodutos a partir de janeiro de 2010, quando os frigoríficos passarão a exigir das fazendas o cadastramento ambiental.

As negociações para legalização da pecuária começaram em junho passado, depois que o MPF ajuizou um pacote de ações que buscava reparação financeira para os danos ambientais causados pelas 21 maiores fazendas de gado e por 13 frigoríficos do estado.

As ações provocaram reação do mercado consumidor e, no dia 08 de junho, os maiores supermercados do país acataram recomendação para deixar de comprar carne e outros subprodutos bovinos de fornecedores paraenses que tinham passivo ambiental.

Como alternativa à paralisação total da pecuária estadual, o MPF propôs, inicialmente aos frigoríficos, que promovessem as mudanças necessárias, para garantir a legalidade de suas operações.

O primeiro acordo com os frigoríficos foi assinado em julho deste ano, depois de 40 dias de embargo à carne paraense.

Agora, depois de negociações bem mais complexas, o acordo poderá ser assinado, também, com os criadores de gado bovino.


(Fonte: Ascom/MPF)

tucuruí






Eletronorte repassará R$ 24 milhões
a expropriados da região de Tucuruí





O deputado Gualberto Neto (DEM), acompanhado do deputado João Salame (PPS) e do representante do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), Roquevan Alves Silva, se reuniu, em Brasília, com o diretor da Eletronorte, Adhemar Palocci. O objetivo da reunião foi saber o que está sendo feito pela estatal de energia elétrica, ao longo dos anos, no estado do Pará, em especial nos municípios atingidos pela construção da hidrelétrica de Tucuruí.



Ficaram acertados vários pontos que estavam pendentes entre a estatal, prefeituras municipais e movimentos sociais, entre os quais a destinação de R$ 24 milhões a seis cooperativas de expropriados pela hidrelétrica de Tucuruí. Ficou acertado, também, que acontecerão audiências públicas com esses cooperados, para discutir como vão ser aplicados esses recursos.



A Eletronorte se comprometeu a começar a distribuir, a partir de janeiro de 2010, patrulhas mecanizadas e óleo diesel para as prefeituras que foram atingidas pela construção da hidrelétrica. A estatal também vai retomar os projetos do parque aquícola e da estação de alevinos, que envolvem os municípios de Breu Branco, Novo Repartimento e Tucuruí.



TUCURUÍ – O município vai ganhar um centro de oncologia e um centro de hemodiálise, que serão construídos no hospital regional, pela Eletronorte. A estatal garantiu, ainda, que a Estação de Tratamento de Água, uma reivindicação antiga, vai ser construída. Na área da educação, os bairros da Nova Matinha e do Getat ganharão escolas de ensino fundamental e médio.




(Fonte: Ascom/deputado Gualberto Neto)



quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Dantas



Incra vai vistoriar fazendas
da Agropecuária Santa Bárbara





O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) recebeu autorização da Justiça para vistoriar o complexo agropecuário Santa Bárbara-Xinguara, ligado ao grupo do ex-banqueiro Daniel Dantas. O pedido foi formulado pela procuradora-chefe do Incra, Gilda Diniz dos Santos. “Precisamos verificar o cumprimento da função social dessas fazendas, que ocupam uma grande extensão de terras em uma região historicamente conflituosa”, justifica Gilda.






A vistoria foi autorizada pelo juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Federal em São Paulo, nesta quarta-feira (25/11), "em razão da existência de legítimo interesse social". O Ministério Público Federal deu parecer favorável à inspeção. Todo o complexo está sob sequestro judicial desde julho, em função das investigações sobre crime financeiro e lavagem de dinheiro de pessoas vinculadas ao banqueiro e ao grupo Opportunity.




Agora, técnicos do Incra em Marabá poderão entrar em mais de 20 áreas na região Sul do Estado e avaliar se os imóveis cumprem as metas estabelecidas pela legislação: produtividade, bem-estar social e proteção ambiental. Caso um ou mais requisitos não sejam atendidos, o Incra abrirá processo de desapropriação.




Segundo informações preliminares colhidas pela procuradora-chefe do Incra, o mesmo grupo controla cerca de 50 imóveis na região, e estima-se que a extensão ultrapasse o 500 mil hectares. Se a vistoria indicar que as fazendas têm vocação para reforma agrária, a capacidade de assentamento pode atingir cinco mil famílias de trabalhadores rurais sem terra. “O avanço da reforma agrária é o melhor instrumento que o Poder Público tem para de pacificar o campo”, conclui Gilda Diniz.



http://www.mst.org.br/node/8669





Um acréscimo: no site do JC online, em notícia oriunda da Agência Estado, consta que todo o complexo agropecuário de Dantas engloba 27 fazendas e 453 mil cabeças de gado. “A Santa Bárbara controla, por meio da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, todas as propriedades. As fazendas que caíram na malha judicial estão espalhadas por quatro Estados: 23 no Pará, duas em Mato Grosso, uma em Minas e uma em São Paulo”, diz a matéria.


Tocantins em chamas


No portal do Cleber Toledo, a reportagem da revista Carta Capital com a impressionante história de um pequeno agricultor expulso de suas terras, das quais teria se apropriado, irregularmente, a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu (DEM), do estado do Tocantins.


A senadora ameaça processar a revista, mas a matéria, aparentemente, foi baseada em informações do MPF.

Confira a íntegra da reportagem e, em seguida, o desmentido da senadora:


Golpe contra camponeses

Conflito – Uma reforma agrária às avessas tirou terras de pequenos agricultores e as entregou a figurões como a senadora Kátia Abreu


POR LEANDRO FORTES, DE CAMPOS LINDOS (TO)


Em dezembro passado, a senadora Kátia Abreu, do DEM Tocantins, assumiu a presidência da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) com um discurso pretensamente modernizador. Previa uma nova inserção social dos produtores rurais por meio de “rupturas” no modo de se relacionar com o mercado, o consumidor, o governo e a economia global. Pretendia, segundo ela mesma, “remover os preconceitos” que teriam isolado os ruralistas do resto da sociedade brasileira e cravado neles a pecha de “protótipos do atraso”. Diante de uma audência orgulhosa da primeira mulher a assumir o comando da CNA, Kátia concluiu: “Somos o que somos e não quem nos imaginam (sic)”. Foi efusivamente aplaudida. E tornou-se musa dos ruralistas.

Talvez, em transe corporativo, a plateia não tenha percebido, mas a senadora parecia falar de si mesma. Aos 46 anos, Kátia Abreu é uma jovem liderança ruralista afeita à velha tradição dos antigos coronéis de terras, embora, justiça seja feita, não lhe pese nos ombros acusações de assassinatos e violências outras no trato das questões agrárias que lhe são tão caras. A principal arma da parlamentar é o discurso da legalidade normalmente válido apenas para justificar atos contra pequenos agricultores.

Com a espada da lei nas mãos, e com a aquiescência de eminências do Poder Judiciário, ela tem se dedicado a investir sobre os trabalhadores sem-terra. Acusa-os de serem financiados ilegalmente para invadir terras Brasil afora. Ao mesmo tempo, pede uma intervenção federal no estado do Pará e acusa a governadora Ana Júlia Carepa de não cumprir os mandados de reintegração de posse expedidos pelo Judiciário local. O foco no Pará tem um objetivo que vai além da política. A senadora, ao partir para o ataque, advoga em causa própria.

Foram ações do poder público que lhe garantiram praticamente de graça extensas e férteis terras do Cerrado de Tocantins. E mais: Kátia Abreu, beneficiária de um esquema investigado pelo Ministério Público Federal, conseguiu transformar terras produtivas em áreas onde nada se planta ou se cria. Tradução: na prática, a musa do agronegócio age com os acumuladores tradicionais de terras que atentam contra a modernização capitalista do setor rural brasileiro.

De longe, no município tocantinense de Campos Lindos, a mais de 1,3 mil quilômetros dos carpetes azulados do Senado Federal, ao saber das intenções de Kátia Abreu, o agricultor Juarez Vieira Reis tentou materializar com palavras um conceito que, por falta de formação, não lhe veio à boca: contrassenso.

Expulso em 2003 da terra onde vivia, graças a uma intervenção política e judicial capitaneada pela senadora do DEM, Reis rumina o nome da ruralista como quem masca capim danado. Ao falar de si mesmo, e quando pronuncia o nome Kátia Abreu, o camponês de 61 anos segue à risca o conselho literal da própria. Não é, nem de longe, quem ela imagina.

Em 2002, Reis foi expulso das terras onde havia nascido em 1948. Foi despejado por conta de uma reforma agrária invertida, cuja beneficiária final foi, exatamente, a senadora. Classificada de "grilagem pública" pelo Ministério Público Federal do Tocantins, a tomada das terras de Reis ocorreu numa tarde de abril daquele ano, debaixo da mira das armas de quinze policiais militares sob as quais desfilaram, como num quadro de Portinari, o agricultor, a mulher Maria da Conceição, e dez filhos menores. Em um caminhão arranjado pela Justiça de Tocantins, o grupo foi despejado, juntamente com parte da mobília e sob um temporal amazônico, nas ruas de Campos Lindos. "Kátia Abreu tem um coração de serpente", resmunga, voz embargada, o agricultor, ao relembrar o próprio desterro.

Em junho de 2005, Reis reuniu dinheiro doado por vizinhos e amigos e foi de carona a Brasília a fim de fazer, pessoalmente, uma reclamação na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Na capital federal, alojou-se na casa de amigos, no miserável município goiano de Águas Lindas, e se alimentou de restos de almoço servido numa pensão da cidade. Aos técnicos da comissão apresentou documentos para provar que detinha a posse da terra em questão de 545 hectares, desde 1955, parte da fazenda Coqueiros, de propriedade da família, numa região conhecida como Serra do Centro. De acordo com a documentação apresentada pelo agricultor, uma ação de usucapião da fazenda havia sido ajuizada em agosto de 2000.

Após esse ajuizamento, um vizinho de Reis, o também agricultor Antônio dos Santos, ofereceu-lhe para venda de uma área contígua de 62 hectares, sob sua posse havia onze anos, cuja propriedade ele alegava ser reconhecida pelo governo de Tocantins. O negócio foi realizado verbalmente por 25 mil reais como é costume na região até a preparação dos papéis. Ao estender a propriedade, Reis pretendia aumentar a produção de alimentos (arroz, feijão, milho, mandioca, melancia e abacaxi) de tal maneira a sair do regime de subsistência e poder vender o excedente.

Ele não sabia, mas as engrenagens da máquina de triturar sua família haviam sido acionadas uns poucos anos antes, em 1996, por um decreto do então governador do Tocantins Siqueira Campos (PSDB). O ato do tucano, mítico criador do estado que governou por três mandatos, declarou de “utilidade pública”, por suposta improdutividade, um área de 105 mil hectares em Campos Lindos para fins de desapropriação. Protocolada pela comarca de Goiatins, município ao qual Campos Lindos foi ligado até 1989, a desapropriação das terras foi tão apressada que o juiz responsável pela decisão, Edimar de Paula, chegou à região em um avião fretado apenas para decretar o processo. O magistrado acolheu um valor de indenização irrisório (10 mil reais por hectare), a ser pago somente a 27 produtores da região.

Do outro lado da cerca ficaram 80 famílias de pequenos agricultores. A maioria ocupava as terras há pelo menos 40 anos de forma “mansa e pacífica”, como classifica a legislação agrária, cujas posses foram convertidas em área de reserva legal, em regime de condomínio , sob o controle de grandes produtores de soja. Na prática, os posseiros de Campos Lindos passaram a viver como refugiados ilegais nessas reservas, torrões perdidos na paisagem de fauna e flora devastados de um Cerrado em franca extinção. Sobre as ruínas dessas famílias, o governador Siqueira Campos montou uma confraria de latifundiários alegremente formada por amigos e aliados. A esse movimento foi dado um nome: Projeto Agrícola de Campos Lindos.

Em 1999, 4 felizardos foram contemplados com terras do projeto ao custo de pouco menos de 8 reais o hectare (10 mil metros quadrados), numa lista preparada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (Faet). A federação teve o apoio da Companhia de Promoção Agrícola (Campo), entidade fundada em 1978, fruto do acordo entre consórcios que implantaram o Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer) em parceria com o Banco do Brasil e com cooperativas de produtores.

Escrúpulos às favas, os dirigentes de ambas as instituições se esbaldaram nas posses de Campos Lindos. À época, a presidente da Faet era ninguém menos que Kátia Abreu, então deputada federal pelo ex-PFL. No topo da lista, a parlamentar ficou com um lote de 1,2 mil hectares. O irmão dela, Luiz Alfredo Abreu, abocanhou uma àrea do mesmo tamanho. O presidente da Campo, Emiliano Botelho, também não foi esquecido: ficou com 1,7 mil hectares.

Dessa forma, um ambiente de agricultura familiar mantido ao longo de quase meio século por um esquema de produção de alimentos de forma ecologicamente sustentável foi remarcado em glebas de latifúndio e entregue a dezenas de indivíduos ligados ao governador Siqueira Campos. Entre elas também figuraram Dejandir Dalpasquale, ex-ministro da Agricultura do governo Itamar Franco, Casildo Maldaner, ex-governador de Santa Catarina, e o brigadeiro Adyr da Silva, ex-presidente da Infraero. Sem falar numa trupe de políticos locais, entre os quais brilhou, acima de todos, a atual presidente da CNA.

O resultado dessa política pode ser medido em números. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de soja em Campos Lindos cresceu de 9,3 mil toneladas , em 1999, para 127,4 mil toneladas em 2007. Um crescimento de 1.307% em apenas oito anos. O mesmo IBGE, contudo revela a face desastrosa desse modelo de desenvolvimento. No Mapa da Pobreza e Desigualdade, divulgado também em 2007, o município apareceu como o mais pobre do País. Segundo o IBGE, 84% da população vivia na pobreza, dos quais 62,4% em estado de indigência.

No meio das terras presenteadas por Siqueira Campos a Kátia Abreu estava justamente o torrão de Reis, a fazenda Coqueiro. Mas, ao contrário dos demais posseiros empurrados para as reservas do Cerrado, o agricultor não se deu por vencido. Tinha a favor dele documentos de propriedade, um deles datado de 6 de setembro de 1958 e originário da Secretaria da Fazenda de Goiás, antes da divisão do estado. O documento reconhece as terras da família em nome do pai, Mateus Reis, a partir dos recibos dos impostos territoriais de então. De posse dos papéis, o pequeno agricultor tentou barrar a desapropriação na Justiça. A hoje senadora partiu para a ofensiva.

Em 11 de dezembro de 2002, Kátia Abreu entrou com uma ação de reintegração de posse em toda a área, inclusive dos 545 hectares onde Reis vivia havia cinco décadas. Ela ignorou a ação de usucapião em andamento, que dava respaldo legal à permanência dos Reis na terra.

Para fundamentar o pedido de reintegração de posse, a então deputada alegou em juízo que Reis, nascido e criado no local, tinha a posse da fazenda Coqueiro por menos de um ano e um dia, providencial adequação ao critério usado na desapropriação. Para comprovar o fato, convocou testemunhas que moravam a mais de 800 quilômetros da área de litígio.

Incrivelmente, a Justiça de Tocantins acatou os termos da ação e determinou a expulsão da família de Reis da fazenda Coqueiro e dos 62 hectares recém-comprados. Ignorou, assim, que a maior parte das terras era utilizada há 50 anos ou, no mínimo, há mais de dois anos, como ajuizava o documento referente ao processo de usucapião. Reis foi expulso sem direito à indenização por qualquer das benfeitorias construídas ao longo das cinco décadas de ocupação da terra, aí incluídos a casa onde vivia a família, cisternas plantações (mandioca, arroz e milho), árvores frutíferas, pastagens, galinhas, jumentos e porcos.

A exemplo de Kátia Abreu, os demais agraciados com as terras tomadas dos agricultores assumiram o compromisso de transformar as terras produtivas em dois anos. O prazo serviu de álibi para uma ação predatória dos novos produtores sobre o Cerrado e a instalação desordenada de empresas e grupos ligados ao mercado da soja. Até hoje a questão do licenciamento ambiental da área abrangida pelo Projeto Agrícola Campos Lindos não foi resolvida por órgãos ambientais locais. Mas nem isso a senadora fez.

Signatário, com outros três colegas, de um pedido de intervenção federal no Tocantins em 2003, justamente por causa da distribuição de terras de Campos Lindos feita por Siqueira Campos a amigos e aliados, o procurador federal Alvaro Manzano ainda espera uma providência. “Houve uma inversão total do processo de reforma agrária. A desapropriação foi feita para agradar amigos do rei.”

Há cinco meses, o agricultor Reis voltou à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Ele luta pra forçar o Tribunal de Justiça de Tocantins a julgar tanto a ação de usucapião de 2000 como o pedido de liminar impetrado há seis anos para garantir a volta da família, hoje acrescida de 23 netos, à fazenda Coqueiro. “Não tem força no mundo, moço, que faça essa Justiça andar”, reclama o agricultor. Ele atribuiu a lentidão à influência da senadora no Judiciário local. Procurada por Carta Capital, Kátia Abreu não respondeu ao pedido de entrevista.

Quatro anos atrás, a família Reis conseguiu se alojar numa chácara de 42 hectares ocupada por um dos filhos há dez anos. Lá, quase vinte pessoas vivem amontoadas em uma casa de dois cômodos, feita de sapê e coberta de palha de babaçu em meio a porcos, galinhas e cachorros. No terreiro coberto da residência, infestado de moscas, as refeições são irregulares, assim como os ingredientes dos pratos, uma mistura aleatória de arroz, mandioca, pequi, abacaxi, feijão e farinha. Toda vez que um motor de carro é ouvido nas redondezas, todos se reúnem instintivamente nos fundos da casa, apavorados com a possibilidade de um novo despejo. Cercado de filhos e netos, Reis não consegue esconder os olhos marejados quando fala do próprio drama. “Fizeram carniça da gente. Mas não vou desistir até recuperar tudo de novo.”

Em 19 de junho, um dia após a última visita de Reis à Câmara dos Deputados, o presidente da Comissão de Direitos Humanos, Luiz Couto (PT-PB), encaminhou um ofício endereçado ao Conselho Nacional de Justiça para denunciar a influência de Kátia Abreu na Justiça do Tocantins e pedir celeridade nos processos de Reis. O pedido somente agora entrou na pauta do CNJ, mas ainda não foi tomada nenhuma medida a respeito. Nos próximos dias, corregedor do conselho, Gilson Dipp, vai tornar público o relatório de uma inspeção realizada no Tribunal de Justiça do Tocantins, no qual será denunciada, entre outros males, a morosidade deliberada em casos cujos réus são figuras políticas proeminentes no estado.

Há três meses, ao lado de um irmão e um filho, Reis voltou à fazenda Coqueiro, para averiguar o estado das terras depois da ocupação supostamente produtiva da senadora. Descobriu que nem um pé de soja - nem nada – havia sido plantado no lugar. “Desgraçaram minha vida e da minha família para deixar o mato tomar conta de tudo”, conta Reis. Com o auxílio de outros filhos, recolheu tijolos velhos da casa destruída pelos tratores da parlamentar do DEM e montou um barraco sem paredes, coberto de lona plástica e palha. Decidiu por uma retomada simbólica da terra, onde reiniciou um roçado de mandioca. Na chácara do filho, onde se mantém como chefe da família, ainda tem tempo para rir das pirraças de uma neta de apenas 4 anos. Quando zangada, a menina não hesita em disparar, sem dó nem piedade, na presença do avó: “Meu nome é Kátia Abreu”.


http://www.clebertoledo.com.br/n/e698a5e862c26b5cd38f7eaf7f91d3bc/confira-a-integra-da-reportagem-da-revista-carta-c/



Leia, agora, o desmentido de Kátia Abreu, no mesmo portal:


Kátia diz que é "vítima de acusações caluniosas
e difamatórias" e que vai à Justiça contra revista


Da redação - A senadora Kátia Abreu (DEM) respondeu em nota às acusações da revista Carta Capital, que, em reportagem na edição desta semana, afirmou que a parlamentar teria sido beneficiada num suposto esquema de apropriação irregular de terras em Campos Lindos (TO). Kátia, na nota, afirmou que a reportagem é parte de uma campanha contra ela por causa "de sua defesa em favor da propriedade privada, das garantias constitucionais e contra a invasão de terras produtivas".
Segundo a nota, por essa postura, a senadora "tem sido vítima de acusações caluniosas e difamatórias, como é o caso do conteúdo do artigo constante na referida revista".


Sobre a denúncia da revista, Kátia afirmou que é proprietária de terras no município de Campos Lindos, "devidamente escriturada, registrada e quitada, tendo a posse mansa e pacífica da mesma desde a sua aquisição".

"No que diz respeito ao senhor Juarez Reis deve ser destacado que o mesmo é invasor contumaz de terras alheias naquele município e municípios vizinhos, fato esse atestado por todos que lá residem bem como pela delegacia de polícia do município", disse Kátia na nota.

Segundo ela, o agricultor "é réu em ação de reintegração de posse que tramita na justiça de Goiatins, tendo o juiz daquela cidade já determinado, por duas vezes, a reintegração de posse da área esbulhada pelo senhor Juarez Reis".

"Quanto ao conteúdo das acusações feitas pelo subscritor da revista Carta Capital, o mesmo será demandado no foro competente, que é o Poder Judiciário", avisou a senadora.

Kátia disse que "matéria dessa natureza" não a intimidará e que continuará defendendo a instalação da CPMI para apurar doações de recursos públicos "para movimentos que têm como objetivo a invasão de terras privadas, bem como não a impedirá de continuar defendendo todos aqueles que produzem alimentos e geram emprego e renda no Brasil".


Confira a íntegra da nota:


"NOTA RELEVANTE


A Senadora KÁTIA ABREU vem a público esclarecer matéria veiculada na revista CARTA CAPITAL, na qual é acusada de ações que efetivamente nunca praticou.
Em razão de sua defesa em favor da propriedade privada, das garantias constitucionais e contra a invasão de terras produtivas, tem sido vítima de acusações caluniosas e difamatórias, como é o caso do conteúdo do artigo constante na referida revista.

Quanto aos fatos deve ser destacado que a Senadora KÁTIA ABREU é proprietária de terras no município de Campos Lindos, devidamente escriturada, registrada e quitada, tendo a posse mansa e pacífica da mesma desde a sua aquisição.

No que diz respeito ao senhor Juarez Reis deve ser destacado que o mesmo é invasor contumaz de terras alheias naquele município e municípios vizinhos, fato esse atestado por todos que lá residem bem como pela delegacia de polícia do município. Tanto é assim que o mesmo é réu em ação de reintegração de posse que tramita na justiça de Goiatins, tendo o juiz daquela cidade já determinado, por duas vezes, a reintegração de posse da área esbulhada pelo senhor Juarez Reis.

Quanto ao conteúdo das acusações feitas pelo subscritor da revista Carta Capital, o mesmo será demandado no foro competente, que é o Poder Judiciário.

Por fim, resta a declarar que matéria dessa natureza não intimidará a Senadora KÁTIA ABREU que continuará defendendo a instalação da CPMI para apurar doações de recursos públicos para movimentos que têm como objetivo a invasão de terras privadas, bem como não a impedirá de continuar defendendo todos aqueles que produzem alimentos e geram emprego e renda no Brasil".


http://www.clebertoledo.com.br/n/932538efe697dd2385c404f7eec037ee/katia-diz-que-e-vitima-de-acusacoes-caluniosas-e-d/

Na revista alemã Der Spiegel



“Pai dos Pobres" provocou
milagre econômico no Brasil






Jens Glüsing






O Brasil é visto como uma história de sucesso econômico e sua população reverencia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um astro. Ele está na missão de transformar o país em uma das cinco maiores economias do mundo por meio de reformas, projetos gigantes de infraestrutura e explorando vastas reservas de petróleo. Mas ele enfrenta obstáculos.


Elizete Piauí aguarda pacientemente por horas à sombra de uma mangueira. Ela calça sandálias de plástico e veste um short largo sobre suas pernas finas. A 40ºC, o ar tremula neste dia incomumente quente na Barra, uma pequena cidade no sertão, o coração do Nordeste brasileiro. Mas Elizete não se queixa, porque hoje é seu grande dia, o dia em que se encontrará com o presidente, que está trabalhando para fornecer água encanada para sua casa.

O barulho de um helicóptero sinaliza sua chegada. A aeronave branca sobrevoa a multidão antes de pousar. Uma escolta de batedores acompanha o presidente até a cerimônia.

Lula sai da limusine vestindo uma camisa branca de linho e um chapéu militar verde. Ignorando os dignitários locais em seus ternos pretos, Lula segue direto para a multidão atrás de uma barreira de segurança. "Lula, Papai!", chama Elizete. Ele a puxa até seu peito e aperta a mão de outros na multidão, permitindo que as pessoas o toquem, façam carinho e o abracem. Gotas de suor correm pelo seu rosto corado enquanto pessoas o puxam pela camisa, mas Lula se deixa embeber na atenção. Ele se sente em casa aqui, em uma das regiões mais pobres do Brasil.

O presidente passa três dias viajando pelo sertão. Ele conhece a rota. Ele veio à região pela primeira vez há 15 anos, em campanha, viajando de ônibus e ficando hospedado em locais baratos. Ele fazia paradas em todas as praças, sete ou oito vezes por dia, geralmente realizando seus discursos na traseira de um caminhão. Sua voz geralmente ficava rouca e fraca à noite e ele tinha que trocar sua camisa suada até 10 vezes por dia.


'Ele ainda é um de nós'



Agora ele viaja de helicóptero e carros blindados, com os carros da polícia, com suas luzes piscando, abrindo o caminho ao longo das estradas. Voluntários montam aparelhos de ar condicionado e bufês nos aposentos de Lula, às vezes até mesmo estendem um tapete vermelho. A imprensa critica as despesas, mas isso não incomoda a maioria dos brasileiros, porque eles têm orgulho de seu presidente. Ele chegou ao topo, eles argumentam, então por que não desfrutar de seu sucesso? "Ele ainda é um de nós", diz Elizete, "porque ele é o pai dos pobres".

Lula está familiarizado com o destino dos nordestinos pobres do Brasil. Ele nasceu no sertão, mas sua mãe colocou seus filhos na traseira de um caminhão e os levou para São Paulo, 2 mil quilômetros ao sul. A posterior ascensão de Lula ao poder começou nos subúrbios industriais de São Paulo. Sua mãe foi uma das centenas de milhares de pessoas carentes que deixaram o sertão atormentado pela seca, com seus campos ressecados e animais morrendo de sede, e migraram para o sul mais rico, para trabalhar como porteiros, garçons, operários de construção ou empregados domésticos.

Em um plano para tornar verde esta região árida, Lula está explorando as águas dos 2.700 quilômetros do Rio São Francisco, um rio vital para grandes partes do Brasil. O rio fornece água para cinco Estados, mas ele passa em torno do Sertão. Segundo o plano de Lula, dois canais desviarão água do rio por 600 quilômetros até as áreas atingidas pela seca. "É o mínimo que posso fazer por vocês", Lula diz às pessoas na Barra.


Projeto controverso


O megaprojeto, que exige a superação de uma diferença de altitude de 200 metros, tem um custo estimado de R$ 6,6 bilhões. Lula posicionou soldados na região para escavar os canais. Oito mil trabalhadores labutam nos canteiros de obras enquanto tratores e escavadeiras movem a terra pela estepe. Se tudo correr bem, 12 milhões de brasileiros se beneficiarão com o projeto de transposição de águas, que deverá ser concluído em 2025. É o maior e mais caro projeto de Lula, assim como provavelmente seu mais controverso.


Aqueles que o apoiam comparam Lula ao presidente americano Franklin D. Roosevelt, que represou o Rio Tennessee nos anos 30, para fornecer eletricidade à região, e que lançou o New Deal, um imenso programa de investimento para superar a Grande Depressão. Mas os críticos veem a obra como um imenso desperdício de dinheiro. O projeto também atraiu a ira dos ambientalistas e até mesmo o bispo da Barra já fez duas greves de fome contra ele. Ele teme que o projeto de transposição das águas secará ainda mais o rio, alegando que a irrigação beneficiaria principalmente o setor agrícola.

O bispo não está presente. Dizem que ele está participando de reuniões fora da cidade. Na verdade, o religioso está mantendo discrição. As críticas ao presidente são desaprovadas por sua congregação. Lula fala a linguagem das pessoas comuns, contando histórias de sua juventude aos seus simpatizantes, histórias dos tempos em que sua mãe o enviava para buscar água e ele voltava para casa equilibrando um balde pesado sobre sua cabeça. Ele tinha cinco anos na época.

O Brasil já foi chamado de "Belíndia", um termo cunhado por um empresário que via o vasto país como uma mistura entre a Bélgica e a Índia, um lugar com riqueza europeia e pobreza asiática, onde o abismo entre ricos e pobres parecia intransponível. Lula foi o primeiro a construir uma ponte entre os dois Brasis.

Agora ele é tanto o queridinho dos banqueiros quanto ídolo dos pobres. Com o chamado presidente operário no comando, o Brasil está atraindo investidores de todas as partes do mundo. Jim O'Neill, o economista chefe do Goldman Sachs, inventou a sigla Bric para as economias emergentes do Brasil, Rússia, Índia e China, prevendo um futuro brilhante para o gigante sul-americano. Mas seus colegas zombaram dele. A China e a Índia certamente tinham perspectivas, mas o Brasil? Por décadas o país era visto como um gigante acorrentado, atormentado por crises infindáveis e inflação.


Potência econômica ascendente

Mas hoje o "B" é a estrela entre os países Bric, com os especialistas prevendo um crescimento de até 5% para a economia brasileira em 2010. O Brasil está atualmente crescendo mais rápido do que a Rússia e, diferente da Índia, não sofre de conflitos étnicos ou disputas de fronteira. O país de 192 milhões de habitantes possui um mercado doméstico estável, com as exportações - carros e aeronaves, soja e minério de ferro, petróleo e celulose, açúcar, café e carne bovina - correspondendo a apenas 13% do produto interno bruto.


E como a China substituiu os Estados Unidos como maior parceira comercial do Brasil no início deste ano, o país não foi severamente afetado pela recessão no mercado americano como poderia ter sido. Os bancos do Brasil são fortes, estáveis e não encontraram grandes dificuldades durante a crise. Mais importante, entretanto, é o fato do Brasil ser uma democracia estável, ao estilo ocidental.

O país pagou sua dívida externa e até mesmo passou a emprestar ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo acumulou mais de US$ 200 bilhões em reservas e o real é considerado uma das moedas mais fortes do mundo. Especialistas internacionais preveem uma década de prosperidade e crescimento para o país. Lula prevê que o Brasil será uma das cinco maiores economias do planeta em 2016, o ano em que o Rio de Janeiro será sede dos Jogos Olímpicos. O país será sede da Copa do Mundo de 2014.

E ainda há os recursos naturais aparentemente ilimitados do Brasil, vastas reservas de água doce e petróleo. O Brasil exporta mais carne do que os Estados Unidos. E a China estaria em dificuldades sem a soja brasileira. Nos hangares da fabricante de aviões, a Embraer, perto de São Paulo, engenheiros brasileiros constroem aviões para companhias aéreas de todo o mundo, incluindo aviões para trajetos menores para a Lufthansa.


Um patriarca extremamente popular


Em outras palavras, o presidente Lula tem bons motivos para estar repleto de autoconfiança. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, o estão cortejando, enquanto Wall Street praticamente o venera. Ele é até mesmo tema de um novo filme, "Lula, o Filho do Brasil", que descreve a saga de sua ascensão de engraxate a presidente.


Todo o Brasil desfruta da fama de seu presidente que, há menos de sete anos no poder, atualmente conta com um índice de aprovação acima de 80%. A oposição praticamente desapareceu e o Congresso se tornou submisso. Lula dirige o país como um patriarca, tanto que seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, o está acusando de "autoritarismo" e alertando que o Brasil está no caminho de um capitalismo estatal.

Há um quê de verdade nas alegações de Fernando Henrique. Lula nunca teve confiança na capacidade do mercado de curar a si mesmo e considera que o Estado deve moldar uma nova ordem social. Ele adora projetos impressionantes e gestos nacionalistas. Ele é pragmático, mas despreza especuladores. "Brancos com olhos azuis" levaram o mundo à beira da ruína financeira, ele disse recentemente. Ele falava dos banqueiros.

A crise financeira apenas confirmou o ceticismo de Lula em relação ao capitalismo. Lula acredita que o Brasil lidou melhor com a crise do que outros países porque o governo adotou medidas corretivas desde cedo. Segundo Lula, o combate à pobreza e a distribuição justa de renda não podem ficar aos cuidados do mercado.


Classe média crescente


Sob sua liderança, milhões de brasileiros ingressaram na classe média. A evidência dessa transformação social está por toda a parte: nos shopping centers do Rio e São Paulo, lotados de famílias barulhentas da periferia, ou nos aeroportos, onde mães jovens ficam na fila do balcão de check-in, aguardando para embarcar em um avião pela primeira vez em suas vidas. "A desigualdade entre ricos e pobres está começando a diminuir", diz o economista e especialista em estudos sobre a pobreza, Ricardo Paes de Barros.


A chave para aquela que provavelmente é a maior redistribuição de riqueza na história brasileira é o programa social Bolsa Família, sob o qual uma mãe carente que possa comprovar que seus filhos estão frequentando a escola recebe até R$ 200 por mês do governo. A primeira vista pode não parecer muito, mas este subsídio do governo ajuda milhões de pessoas a sobreviverem no Nordeste brasileiro.

Especialistas inicialmente criticaram o programa como sendo apenas uma esmola, mas agora ele é visto como um modelo mundial. Mais de 12 milhões de lares recebem os subsídios, com grande parte do dinheiro indo para o Nordeste. Graças ao programa Bolsa Família, a região antes atingida pela pobreza começou a prosperar. Muitos nordestinos abriram pequenas empresas ou lojas e a indústria descobriu o Nordeste como mercado. "Agora a região está crescendo por conta própria", diz Paes de Barros.

Lula foi abençoado pela sorte. Seu antecessor, Fernando Henrique, já tinha estabilizado a economia, que sofria com a hiperinflação, quando foi ministro da Fazenda em 1994. Ele impôs uma reforma da moeda ao país e implantou leis que forçaram o governo a adotar políticas com responsabilidade fiscal. Lula não mudou nada disso.

Não havia necessidade de Lula reinventar a política econômica e social do Brasil. O país tem uma tradição de controle total da economia pelo governo que remonta aos anos 30.

O plano Marshall próprio do Brasil

Os centros nervosos da política econômica do país ficam abrigados em dois imponentes arranha-céus no centro do Rio. O Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), que conta com seus escritórios em uma torre de aço e vidro, foi criado com a ajuda americana e usando o KFW Banking Group da Alemanha como modelo. Ele financiou uma versão brasileira do Plano Marshall.


Nos anos 90, o BNDES administrou com sucesso a privatização de muitas estatais brasileiras. Hoje, ele fornece assistência a fusões e aquisições corporativas, ajuda empresas em dificuldades e financia os investimentos estratégicos do governo.

O BNDES é altamente respeitado. Acredita-se que seja em grande parte livre de corrupção e ele paga os mais altos salários do país. "Há um ano, os bancos estrangeiros batiam à minha porta perguntando se o Brasil estava preparado para a crise financeira", diz Ernani Teixeira, um dos diretores financeiros do banco.

Teixeira conseguiu tranquilizá-los, notando que o BNDES tinha separado R$ 100 bilhões em reservas adicionais. No ano passado, o banco emitiu mais empréstimos e garantias de empréstimos do que o Banco Mundial - e até apresentou um lucro respeitável.

O segundo pilar do milagre econômico brasileiro fica diagonalmente no outro lado da rua: um bloco de concreto, iluminado à noite com as cores nacionais, verde e amarelo, é a sede do grupo de energia semiestatal Petrobras. A empresa planeja investir US$ 174 bilhões nos próximos quatro anos em plataformas de perfuração, navios e outros equipamentos para explorar as grandes reservas de petróleo além da costa do Brasil.

Há um ano e meio, a Petrobras descobriu novas reservas de petróleo sob o leito do oceano. Mas o petróleo será difícil de extrair, por estar situado abaixo de uma camada de sal em profundidades de pelo menos 6 mil metros. A expectativa é de que os poços comecem a produzir daqui pelo menos seis anos. A receita desse petróleo será depositada em um fundo que o governo usará principalmente para financiar novas escolas e universidades.

Lula apresentou recentemente uma legislação que regulamentaria a exploração das reservas de petróleo submarinas, fortalecendo assim o monopólio da Petrobras. Especialistas temem que Lula esteja criando um monstro corporativo poderoso e corruptível.


Obstáculos burocráticos


O imenso apagão que ocorreu simultaneamente em grandes partes do país, há duas semanas, teria sido um sinal de alerta de que o governo está indo além de sua capacidade? A modernização da infraestrutura decrépita do Brasil está avançando, mas lentamente. Bilhões de dólares em investimentos em portos, construção de estradas e no setor de energia existem apenas no papel, com a implantação atrapalhada por uma burocracia kafkaniana e um Judiciário moroso.

Além disso, o país também não teve muito sucesso no combate à criminalidade.
Lula tem mais um ano no poder, após ter resistido à tentação de manipular a Constituição para garantir sua reeleição para um terceiro mandato. Ávido em preservar seu legado, ele tem buscado a indicação de sua ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como sua sucessora, apesar da resistência dentro do próprio Partido dos Trabalhadores.

Rousseff, que foi integrante dos grupos guerrilheiros de esquerda após o golpe militar de 1964 e que posteriormente passou anos presa, tem uma reputação de tecnocrata competente, mas é vista como inacessível e autoritária. Ela está acompanhando o presidente em suas viagens pelo país, inaugurando novas estradas e usinas elétricas. Lula a apoia de modo tão determinado que até parece estar fazendo campanha para si mesmo.

Ela também está com ele em seu giro pelo Nordeste, apesar dos médicos terem removido um tumor de sua axila há poucos meses. Acredita-se que ela esteja curada e ela atualmente usa uma peruca após a quimioterapia. Seu rosto é pálido e seu sorriso parece congelado. O presidente a puxa para o seu lado quando ele caminha até o microfone, e ele menciona o nome dela repetidas vezes.

Elizete Piauí, ainda completamente embriagada pelo seu encontro com Lula, a viu pela televisão. Ela sabe que Dilma é a candidata de Lula e ela fará campanha pela ministra, apesar de que preferiria que Lula permanecesse no poder. "Eu votarei em qualquer pessoa que ele indicar", ela diz.

Lula também prometeu retornar. Antes do fim de sua presidência, ele planeja fazer outra viagem ao Nordeste para ver o quanto progrediram as obras no Rio São Francisco. Talvez, espera Elizete, ele terá atendido seu maior desejo até lá e ela poderá servir a ele um copo de água - de sua própria torneira, em sua própria casa.


Tradução: George El Khouri Andolfato

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2009/11/25/ult2682u1397.jhtm


P.S Leiam a postagem que escrevi sobre Lula. Ainda vou voltar a esse assunto.

Sob o olhar do mundo



O Brasil também é capa da Economist, a principal revista de economia do mundo. O título é “O Brasil decola!”. A informação está no blog do Paulo Henrique Amorim.
http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=22286

aliança

Aliança PT/PMDB está em construção,
diz líder do Governo, Airton Faleiro


“Creio que, neste momento, há um certo distanciamento entre o PT e o PMDB. Veja, por exemplo, o deputado Parsifal Ponte, marido da deputada Anne Pontes, ex-presidente da Paratur, que entregou recentemente o cargo. Ele vinha sendo um crítico permanente do governo, em seus pronunciamentos na Assembléia, e era até esperado que houvesse a entrega do cargo. Mas, em declarações recentes, sinalizou que há uma porta aberta a um entendimento para 2010”.



A afirmação foi feita pelo deputado estadual Airton Faleiro, líder do Governo na Assembléia Legislativa, durante a entrevista que concedeu, nesta semana, à rádio CBN/Liberal.



Faleiro lembrou que o PMDB continua a integrar o governo e que o presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, tem feito “um grande esforço” para manter a aliança entre os dois partidos, no Pará. “O que eu tenho a dizer é que a aliança com o PMDB para 2010 está em construção, mas, não depende só do PT e do governo: depende, também, dos interesses do PMDB”, observou.A informação me foi enviada pela Assessoria de Comunicação do deputado.



Publico os principais trechos, embora já tenham sido publicados em outros blogs, porque espero voltar a esse assunto.



Espaços no Governo: “Há críticas, eu sei, de que o PMDB reclama do pouco espaço que tem no governo e isso serve de argumento para as relações entre os partido. Mas, não é isso que vai pautar 2010 - e sim a análise de conjuntura. O PMDB diz que o governo libera poucos recursos para suas áreas de atuação. Do nosso lado, tem quem reclame que o PMDB não faz uma defesa apaixonada do governo”.


Reeleição de Ana Júlia: “O PT tem que se preparar para dois cenários. Um deles é macro, com a formação de uma grande frente formada pelo PT, PMDB, PTB, PR PDT, PSB, PC do B, PV, PRB e outros. Assim, nos tornamos favoritos para ganhar no primeiro turno. Outro cenário é que PMDB e PTB tenham candidaturas próprias. Aí o debate de alianças vai para o segundo turno. Mas, a estratégia do PT passa pelo primeiro cenário”.


Assembléia Legislativa: “Houve uma reunião entre a governadora Ana Júlia Carepa e o presidente da Casa, Domingos Juvenil e chegaram a um entendimento de que é importante votar projetos de interesses do Executivo, que são de interesse do estado. Mas, a pauta da AL não está condicionada à agenda de 2010. Eu aposto na maturidade do parlamento. Apesar das críticas da oposição, os pedidos de empréstimo feitos pelo governo estão sendo aprovados. É claro que não dá para deixar de votar os empréstimos, porque eles beneficiam diretamente a população. É nesse espírito que esperamos votar a LOA (Lei Orçamentária Anual), cujo prazo de votação vai até 20 de dezembro. As emendas apresentadas (mais de 1.300) são importantes, mas, para ajudar, e não para estrangular o orçamento”.

belomonte

Desenvolvimento da Transamazônica e
do Xingu será debatido em fórum regional


Começa nesta sexta-feira ( 27), no município de Altamira, o I Fórum Regional de Desenvolvimento Econômico e Socioambiental da Transamazônica e Xingu. O evento é organizado pelo FORT Xingu, Governo do Estado e Consórcio Belo Monte. O objetivo é debater a construção da hidrelétrica de Belo Monte dentro de um projeto de desenvolvimento sustentável para a área de influência da usina, que abrange 11 municípios paraenses.

Estarão presentes na abertura do evento a governadora Ana Júlia Carepa, secretários de Estado, deputados, senadores, prefeitos, entre outras lideranças políticas e empresariais. O evento termina no dia 28.

Haverá conferências sobre o ordenamento fundiário, o Cadastro Ambiental Rural do Pará (CAR-PA) e o asfaltamento e licenciamento ambiental da Transamazônica. O Fórum também deve consolidar diversas oportunidades de negócios para o desenvolvimento regional. “Nesse contexto, faremos a consolidação de um plano de desenvolvimento sustentável da Transamazônica e do Xingu”, antecipa Vilmar Soares, coordenador do FORT Xingu,

Além do plano, a meta é construir parcerias para a execução do georreferenciamento das propriedades envolvidas no aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte, contribuindo para o ordenamento fundiário e a regularização ambiental das propriedades rurais da região de abrangência do projeto. “Formularemos ações que deverão constar como condicionantes para o licenciamento ambiental do projeto”, acentua Soares.

Os participantes do Fórum reconhecerão e garantirão os direitos das populações envolvidas - povos indígenas, comunidades quilombolas, moradores das zonas urbanas e rurais.


(Fonte: Ascom/deputado federal Zé Geraldo)