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terça-feira, 14 de julho de 2009

Juvêncio



Em memória de Juvêncio Arruda
(13 de julho de 2009)



Confesso que nem sei o que dizer...


Afinal, o que pode haver para dizer numa hora assim?


Desde a notícia, no Espaço Aberto, acerca da doença do Juvêncio que já sabia da gravidade de sua situação.


Sabia que era, apenas, uma questão de dias.


Por isso, nem me atrevi a escrever coisa alguma.


Apenas, pedi a Deus, no fundo do meu coração, para que não sofresse...


Hoje, ao saber que a “indesejada das gentes” foi, finalmente, bater-lhe à porta, fiquei a meditar acerca da fragilidade dessa coisa a que chamamos vida.


E pensei, cá com meus botões, que Deus deve estar é querendo inaugurar uma blogosfera do lado de lá.


Eis que levou-nos, de forma igualmente abrupta, há pouco tempo, o Lauande.


E agora nos leva o blogueiro-mor do coração de todos nós...


E eu quase posso ler a edição celeste do Quinta Emenda, com o Juvêncio a reclamar das inundações provocadas por São Pedro e da quantidade de anjos empregados no Paraíso.


A baixar o sarrafo nas benesses da “corte” divina, eis que bem poucos sabem baixar o sarrafo tão bem, nas benesses de todas as “cortes”...


Tenho pra mim que o Quinta Emenda vai ser tão lido lá em cima como foi aqui embaixo.


Vai ser leitura obrigatória de todos os arcanjos e querubins, como foi leitura obrigatória de todos nós.


Mas Juvêncio não era, simplesmente, as informações do Quinta Emenda.


No Quinta, que era a minha primeira leitura diária assim como de todos vocês, havia alma - e uma alma belíssima.


Uma alma gentil, cortês.


Incisiva, sim, quando necessário. Mas, sempre, belíssima.


Havia uma alma boa, fraterna.


Porque, no Quinta, para além de trabalho, Juvêncio derramou o próprio coração.


E eu penso que há, de fato, alguns dentre nós que parecem destinados a peitar essa “indesejada das gentes”...


Essa “indesejada” que chega de repente e se abanca em nossas casas como se fosse a “dona do pedaço”.


Há alguns que dizem, corajosamente, a essa “indesejada”: podes levar-me este corpo feito de pó...


Esta casca, este farrapo que tão facilmente se desfaz...


Mas não podes levar-me a vida imensa que semeei!...


O amor, a amizade, a solidariedade, as enormes florestas que plantei!...
Não podes levar a esperança que fiz brotar em tantos corações!


Não podes levar os caminhos que abri e que estarão, sempre, muito além de ti!...


E eu penso que, afinal, não perdemos o Juvêncio – muito, mas muito pelo contrário!...


Juvêncio apenas atravessou esse portal mágico que todos atravessaremos um dia.


Mas deixou conosco o melhor dele.


Juvêncio nos deixou o coração.


Deixou-nos esse carinho, essa lembrança, essa memória, essa história imensa que estará conosco todos os dias.


Até que nos tornemos, também, assíduos leitores do Quinta Emenda celeste...
E dessa blogosfera extraordinária que ele foi preparar, no lado de lá, para todos nós...


Obrigada, Juvêncio!
Obrigada, queridinho!...
Muito, muito obrigada.


FUUUIIIIIII!!!!!!

Redescobrir

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Lúcio

CARTA DO JORNALISTA LÚCIO FLÁVIO
PINTO À POPULAÇÃO PARAENSE








Recebi e publico a carta que me foi enviada pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto, acerca de sua mais recente condenação pela Justiça paraense.



Não posso deixar de manifestar a minha solidariedade ao Lúcio, por todas as perseguições que tem sofrido nessa luta incessante por um bem tão precioso a todos nós – a liberdade de informação.

Lamento a condenação que lhe foi imposta pelo meritíssimo juiz Raimundo das Chagas, o qual, com o devido respeito, parece-me rigorosamente despreparado para o exercício da Magistratura.


Não pode um juiz pisotear a Constituição e impor a censura prévia, como fez o senhor Raimundo das Chagas em relação ao jornalista Lúcio Flávio Pinto.


Não pode um juiz, no Estado Democrático de Direito, condenar alguém a um silêncio obsequioso, típico das ordens sacerdotais.


Não pode um juiz simplesmente ignorar as provas trazidas aos autos, no afã de transformar a vítima em algoz.


Não pode um juiz esquecer a importância do serviço que presta à coletividade – e não, simplesmente, a alguns.


Não pode um juiz agir como agiu Raimundo das Chagas, quando, por exemplo, condenou o Jornal Pessoal a pagar uma indenização de R$ 30 mil aos irmãos Maiorana.


Porque o fez apenas por “intuir” a “boa lucratividade” do Jornal Pessoal, apesar de não possuir mísera prova a sustentar essa imaginada capacidade financeira do veículo em questão.


Em outras palavras: o senhor Raimundo das Chagas, ao estabelecer tal penalidade, baseou-se tão somente no mais deslavado “achismo”, que até a um rábula pareceria constrangedor.

Estivesse no lugar do Lúcio, não hesitaria em levar esse caso escabroso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), uma vez que o senhor Raimundo das Chagas parece não fazer jus à confiança que lhe foi depositada pela coletividade.


Com todo o respeito ao douto magistrado, a sentença que exarou me parece, no mínimo, cínica e abusiva.


E, por isso mesmo, passível de análise pelo órgão de controle do Judiciário, para que sejam revelados, enfim, os interesses que, eventualmente, esteja a ocultar.


Foi-se o tempo que nós, os “cidadãos comuns”, tínhamos de simplesmente abaixar a cabeça às decisões, por vezes insanas, dos ilustres magistrados.


Hoje, com o crescente controle da sociedade sobre o Judiciário, os doutos magistrados têm de internalizar a condição precípua de cidadãos; têm de se lembrar a quem servem, afinal.


E, exatamente como qualquer de nós, os “cidadãos comuns”, têm, sim, de prestar contas de seus atos.


A quem tudo lhes deu e fez deles o que são.


Abaixo, a carta de Lúcio Flávio Pinto.


AO CARO LEITOR



Li com estupefação, perplexidade e indignação a sentença que ontem me impôs o juiz Raimundo das Chagas, titular da 4ª vara cível de Belém do Pará. Ao fim da leitura da peça, perguntei-me se o magistrado tem realmente consciência do significado do poder que a sociedade lhe delegou para fazer justiça, arbitrando os conflitos, apurando a verdade e decidindo com base na lei, nas evidências e provas contidas nos autos judiciais, assim como no que é público e notório na vida social. Ou, abusando das prerrogativas que lhe foram conferidas para o exercício da tutela judicial, utiliza esse poder em benefício de uma das partes e em detrimento dos direitos da outra parte.


O juiz deliberou sobre uma ação cível de indenização por dano moral que contra mim foi proposta, em 2005, pelos irmãos Romulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana, donos da maior corporação de comunicação do norte do país, o Grupo Liberal, afiliado à Rede Globo de Televisão. O pretexto da ação foi um artigo que escrevi para um livro publicado na Itália e que reproduzi no meu Jornal Pessoal, em setembro daquele ano.


O magistrado acolheu integralmente a inicial dos autores. Disse que, no artigo, ofendi a memória do fundador do grupo de comunicação, Romulo Maiorana, já falecido, ao dizer que ele atuou como contrabandista em Belém na década de 50. Condenou-me a pagar aos dois irmãos indenização no valor de 30 mil reais, acrescida de juros e correção monetária, além de me impor o pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, arbitrados pelo máximo permitido na lei, de 20% sobre o valor da causa.


O juiz também me proibiu de utilizar em meu jornal “qualquer expressão agressiva, injuriosa, difamatória e caluniosa contra a memória do extinto pai dos requerentes e contra a pessoa destes”. Também terei que publicar a carta que os irmãos Maiorana me enviarem, no exercício do direito de resposta. Se não cumprir a determinação, pagarei multa de R$ 30 mil e incorrerei em crime de desobediência.
As penas aplicadas e as considerações feitas pelo juiz para justificá-las me atribuem delitos que não têm qualquer correspondência com os fatos, como demonstrarei.


O juiz alega na sua sentença que escrevi o artigo movido por um “sentimento de revanche” contra os irmãos Maiorana. Isto porque, “meses antes de tamanha inspiração”, me envolvi “em grave desentendimento” com eles.


O “grave desentendimento” foi a agressão que sofri, praticada por um dos irmãos, Ronaldo Maiorana. A agressão foi cometida por trás, dentro de um restaurante, onde eu almoçava com amigos, sem a menor possibilidade de defesa da minha parte, atacado de surpresa que fui. Ronaldo Maiorana teve ainda a cobertura de dois policiais militares, atuando como seus seguranças particulares. Agrediu-me e saiu, impune, como planejara. Minha única reação foi comunicar o fato em uma delegacia de polícia, sem a possibilidade de flagrante, porque o agressor se evadiu. Mas a deliberada agressão foi documentada pelas imagens de um celular, exibidas por emissora de televisão de Belém.


O artigo que escrevi me foi encomendado pelo jornalista Maurizio Chierici, para um livro publicado na Itália. Quando o livro saiu, reproduzi o texto no Jornal Pessoal, oito meses depois da agressão.


Diz o juiz que o texto possui “afirmações agressivas sobre a honra” de Romulo Maiorana pai, tendo o “intuito malévolo de achincalhar a honra alheia”, sendo uma “notícia injuriosa, difamatória e mentirosa”.


A leitura isenta da matéria, que, obviamente, o magistrado não fez, revela que se trata de um pequeno trecho inserido em um texto mais amplo, sobre as origens do império de comunicação formado por Romulo Maiorana. Antes de comprar uma empresa jornalística, desenvolvendo-a a partir de 1966, ele estivera envolvido em contrabando, prática comum no Pará até 1964. Esse fato é de conhecimento público, porque o contrabando fazia parte dos hábitos e costumes de uma região isolada por terra do restante do país. O jornal A Província do Pará, um dos mais antigos do Brasil, fundado em 1876, se referiu várias vezes a esse passado em meio a uma polêmica com o empresário, travada em 1976.


Três anos antes, quando se habilitou à concessão de um canal de televisão em Belém, que viria a ser a TV Liberal, integrada à Rede Globo, Romulo Maiorana teve que usar quatro funcionários, assinando com eles um “contrato de gaveta” para que aparecessem como sendo os donos da empresa habilitada e se comprometendo a repassar-lhe de volta as suas ações quando fosse possível. O estratagema foi montado porque os órgãos de segurança do governo federal mantinham em seus arquivos restrições ao empresário, por sua vinculação ao contrabando, não permitindo que a concessão do canal de televisão lhe fosse destinado. Quando as restrições foram abolidas, a empresa foi registrada em nome de Romulo.


Os documentos comprobatórios dessa afirmação já foram juntados em juízo, nos processos onde os fatos foram usados pelos irmãos Maiorana como pretexto para algumas das 14 ações que propuseram contra mim depois da agressão, na evidente tentativa de inverter os pólos da situação: eu, de vítima, transmutado à condição de réu.


Todos os fatos que citei no artigo são verdadeiros e foram provados, inclusive com a juntada da ficha do SNI (Serviço Nacional de Informações), que, na época do regime militar, orientava as ações do governo. Logo, não há calúnia alguma, delito que diz respeito a atribuir falsamente a prática de crime a alguém.


Quanto ao ânimo do texto, é evidente também que se trata de mero relato jornalístico, uma informação lateral numa reconstituição histórica mais ampla. Não fiz nenhuma denúncia, por não se tratar de fato novo, nem esse era o aspecto central do artigo. Dele fez parte apenas para explicar por que a TV Liberal não esteve desde o início no nome de Romulo Maiorana pai, um fato inusitado e importante, a merecer registro.


O juiz justificou os 30 mil reais de indenização, com acréscimos outros, que podem elevar o valor para próximo de R$ 40 mil, dizendo que a “capacidade de pagamento” do meu jornal “é notória, porquanto se trata de periódico de grande aceitação pelo público, principalmente pela classe estudantil, o que lhe garante um bom lucro”.


Não há nos autos do processo nada, absolutamente nada para fundamentar as considerações do juiz, nem da parte dos autores da ação. O magistrado não buscou informações sobre a capacidade econômica do Jornal Pessoal, através do meio que fosse: quebra do meu sigilo bancário, informações da Receita Federal ou outra forma de apuração.


O público e notório é exatamente o oposto. Meu jornal nunca aceitou publicidade, que constitui, em média, 80% da fonte de faturamento de uma empresa jornalística. Sua receita é oriunda exclusivamente da sua venda avulsa. A tiragem do jornal sempre foi de 2 mil exemplares e seu preço de capa, há mais de 12 anos, é de 3 reais. Descontando-se as comissões do distribuidor e do vendedor (sobretudo bancas de revista), mais as perdas, cortesias e encalhes, que absorvem 60% do preço de capa, o retorno líquido é de R$ 1,20 por exemplar, ou receita bruta de R$ 2,4 mil por quinzena (que é a periodicidade do jornal). É com essa fortuna que enfrento as despesas operacionais do jornal, como o pagamento da gráfica, do ilustrador/diagramador, expedição, etc. O que sobra para mim, quando sobra, é quantia mais do que modesta.


Assim, o valor da indenização imposta pelo juiz equivale a um ano e meio de receita bruta do jornal. Aplicá-la significaria acabar com a publicação, o principal objetivo por trás dessas demandas judiciais a que sou submetido desde 1992.
Além de conceder a indenização requerida pelos autores para os supostos danos morais que teriam sofrido por causa da matéria, o juiz me proibiu de voltar a me referir não só ao pai dos irmãos Maiorana, mas a eles próprios, extrapolando dessa forma os parâmetros da própria ação. Aqui, a violação é nada menos do que à constituição do Brasil e ao estado democrático de direito vigente no país, que vedam a censura prévia. A ofensa se torna ainda mais grave e passa a ter amplitude nacional e internacional.


Finalmente, o magistrado me impõe acatar o direito de resposta dos irmãos Maiorana, direito que eles jamais exerceram. É do conhecimento público que o Jornal Pessoal publica – todas e por todo – as cartas que lhe são enviadas, mesmo quando ofensivas. Em outras ações, ofereci aos irmãos a publicação de qualquer carta que decidissem escrever sobre as causas, na íntegra. Desde que outra irmã iniciou essa perseguição judicial, em 1992, jamais esse oferecimento foi aceito pelos Maiorana. Por um motivo simples: eles sabem que não têm razão no que dizem, que a verdade está do meu lado. Não querem o debate público. Seu método consiste em circunscrever-me a autos judiciais e aplicar-me punição em circuito fechado.


Ao contrário do que diz o juiz Raimundo das Chagas, contrariando algo que é de pleno domínio público, o Jornal Pessoal não tem “bom lucro”. Infelizmente, se mantém com grandes dificuldades, por seus princípios e pelo que é. Mas dispõe de um grande capital, que o mantém vivo e prestigiado há quase 22 anos: é a sua credibilidade. Mesmo os que discordam do jornal ou o antagonizam, reconhecem que o JP só diz o que pode provar. Por assim se comportar desde o início, incomoda os poderosos e os que gostariam de manipular a opinião pública, conforme seus interesses pessoais e comerciais, provocando sua ira e sua represália. A nova condenação é mais uma dessas vinganças. Mas com o apoio da sociedade, o Jornal Pessoal sobreviverá a mais esta provação.


Belém, 7 de julho de 2009


Lúcio Flávio Pinto

segunda-feira, 6 de julho de 2009

IMPERDÍVEL: A QUEDA DO BIGODÃO!

Sarah e Billy

Couto









Por que não voto em Mário Couto?









Essa coisa da possibilidade de candidatura do cidadão Mário Couto ao Governo do Pará é um dos maiores acintes já vistos aqui e em toda a Nação.






É como se o Fernandinho Beira-Mar resolvesse se candidatar à Presidência da República.






É preciso por os pingos nos is. E já que não há macho nesta terra que se habilite a fazê-lo, eu vou me habilitar.






Colocar o cidadão Mário Couto no comando do Governo do Pará significa colocar o Estado e as nossas polícias sob o comando do crime organizado.






É, em suma, entregar a nossa PM, a nossa Polícia Civil e até a nossa Justiça e o nosso Ministério Público a um “Comendador Arcanjo” mal disfarçado.





Não há pedra no estado do Pará que ignore as ligações do cidadão Mário Couto ao jogo do bicho.






A mansão que ele tem lá no Parque Verde, os terrenos, os veículos e tudo o mais que obteve ao longo da vida – tudo! – veio do jogo do bicho.






E ao jogo do bicho, se a gente duvidar, deve o cidadão Mário Couto até mesmo o mandato de senador.






Mas, nem culpo apenas ao cidadão Mário Couto pela ousadia de tentar comandar o Pará.





Culpo, em primeiro lugar, a todos nós, sociedade, com essa nossa permissividade, com essa nossa complacência em relação ao jogo do bicho.





À nossa complacência em relação a uma contravenção penal ligada a crimes pesadíssimos como o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro.






O jogo do bicho é a grande fortaleza visível das drogas e da lavagem de dinheiro, que tantos males ocasionam a este estado e a este país.






Assim, o jogo do bicho é um dos grandes responsáveis por essa violência que vemos, todo santo dia, nas nossas ruas.






Eis que uma parte significativa dos roubos e furtos que presenciamos, e que formam o grosso das ocorrências policiais, não deriva, apenas, da pobreza.






Deriva, na verdade, da luta pela venda e pelo acesso às drogas.






E, sem querer parecer tatibitati, isso quer dizer que colocar o cidadão Mário Couto no comando do Pará agravará ainda mais essa situação.







Quer dizer: se hoje já saímos com medo às ruas, sequer poderemos colocar o pé fora de casa, caso o Pará caia nas mãos desse senhor.






É preciso acabar com essa coisa de ficar apenas cochichando tudo isso pelos corredores da corte.






A gente tem é de escancarar essa discussão.






Porque diz respeito a todos nós, aos nossos filhos, aos nossos netos.






O Pará é um ponto privilegiado à passagem das drogas e armas traficadas pela bandidagem.






É daqui para o mundo!...






E é claro que essa bandidagem vai tentar, sempre, colocar a cara pra fora do esgoto, para colocar o Estado a serviço dela.







Cumpre a nós, sociedade, mandar essa bandidagem de volta ao esgoto, de onde nunca deveria ter saído, aliás.








Cumpre a nós, sociedade, dar um basta nisso, dizendo-lhes: aqui, vocês não passam!






A meu ver, o ex-governador Almir Gabriel, em sua velhice espiritual – que é muito pior que a física, diga-se de passagem – não odeia apenas Simão Jatene: Almir odeia é ao povo do Pará, uma vez que pretende nos entregar a todos nas mãos de um cidadão ligado ao crime organizado.






É como se Almir dissesse: “Tirei vocês da mão do Jader e vocês me rejeitaram. Por isso, vou entregar vocês nas mãos de um sujeito muito pior!...”






Só que, ao contrário do que pensa o cidadão Almir Gabriel, aqui há cidadãos, sim, capazes de resistir ao império dessa bandidagem.







Lembro de um promotor que me comentava essa história da candidatura do Mário Couto a governador.







“E quem é que vai ser o vice dele? – perguntava o promotor – Vai ser o Bosco Moisés, é? E o senador vai ser o Luizinho Drumond, é?”.







Todos os que lidam com o combate ao crime organizado sabem muitíssimo bem a ameaça que Mário Couto representa para este estado e para este país.







E eu só espero é que o pessoal lá de São Paulo e até lá dos Estados Unidos não demore a perceber o perigo que representa um ponto de passagem ao tráfico de drogas e de armas, como é o Pará, nas mãos de um cidadão com o prontuário de um Mário Couto.







E pode me processar, senador!... Me processe à vontade!...







Mas, eu lhe garanto: a mim o senhor não cala!







E, se depender de mim, aqui o senhor não passa!







Nem o senhor, nem os seus comparsas do crime organizado.







FUUUIIIIII!!!!!!


Sarney







Até onde podemos ir?









O apoio do PT a Sarney não deveria surpreender as esquerdas brasileiras.







Afinal, não é de hoje que rifamos nossos sonhos. E que, até certo ponto, nos igualamos a tudo o que pretendíamos combater...






A luta pelo Poder, para conquistar e manter o Poder, tem nos levado a escolhas de que jamais suspeitaríamos, há uns 30 anos.






O tempo, impiedoso como ele só, nos mostrou que por mais que vendêssemos camisetas e brochinhos jamais conseguiríamos bancar as milionárias campanhas eleitorais.






Ensinou-nos, em suma, a intransponível necessidade de uma “acumulação primitiva não-contabilizada de capital”...






Nada assim tão diferente do que se poderia imaginar num país dominado por oligarquias; num país escravagista como é o caso do Brasil.






Tal processo, é claro, teve, também, bons momentos.






Pois, que também nos mostrou a necessidade – essa sim democrática – de negociarmos com os diversos partidos e o empresariado.






Afinal, todos eles democraticamente representativos de parcelas da nossa população.






O que me preocupa, no entanto, são os limites dessa caminhada, se é que os conseguimos enxergar.






Ora, lutar pela Democracia numa ditadura é infinitamente mais simples.






Numa ditadura, um amplo leque social tem o mesmíssimo objetivo imediato e a própria conjuntura restringe as alternativas de negociação.






Em outras palavras: além de termos uma convergência de ideais, o leque de passos que teremos de dar para trás, para avançarmos dois ou três mais adiante, é bem mais restrito.






Numa Democracia, no entanto, os ideais imediatos se pulverizam e o leque de movimentações, tendo em vista o futuro, o objetivo maior, é quase infinito.






E o meu medo é justamente este: que neste “meião”, em que lutamos por um “objetivo maior” acabemos por perder toda noção de ética, de honestidade; os parâmetros comportamentais que, afinal, fazem a diferença entre “nós” e “eles”...






É certo que temos de negociar com essas oligarquias, como os Sarney e os Barbalho.







Pragmaticamente, temos de negociar...







E não me venham dizer que elas resistem, apenas, pela pobreza e ignorância do nosso povo.







Pera lá!... Há bem mais aí do que pobreza e ignorância.







Na base de sustentação dessas oligarquias há, sim, pobreza e ignorância.







Mas, há, também – e, talvez, principalmente – um elemento não perfeitamente definido que parece ter a ver com carências da própria espécie humana.







Afinal, se o problema fosse apenas pobreza e ignorância não teríamos o sucesso dessa fórmula do “paizinho” do “chefe-durão- mas- que- cuida- de- nós” mesmo nas nações com muito maior experiência democrática que a nossa.







E tal sucesso não teria a universalidade que, de fato, tem. Nem a constância histórica que, de fato, tem.







Então, há alguma coisa aí, sim, de simbólica, de “arquetípica”.







Quer dizer: os Sarney e os Barbalho não encarnam, apenas, um papel contemporâneo de dominação. Na verdade, resgatam necessidades ancestrais por um “guia”, um “Messias”, um “Protetor”...







(Égua, eu tô voando alto, né?... É a cachaça, maninhos!...)







É certo que já conseguimos lidar com esses arquétipos; que já conseguimos, através do marketing, adentrar no imaginário coletivo, para realizar a mesmíssima manipulação das massas que as oligarquias realizam.







E isso nunca deixou de ser problemático, uma vez que nos pretendíamos “pedagógicos”, né mermo?






Ou seja: essa já foi uma concessão e tanto; transformar o “companheiro” Lula em mais um “paizinho” já foi uma concessão e tanto das esquerdas brasileiras.






Assim como foi uma concessão e tanto administrarmos, tucanos e petistas, o “apetite” dessas oligarquias, eis que jamais conseguimos prescindir delas, para a conquista e manutenção do Poder.






E o que me preocupa é até onde poderemos ir.






Deixando de lado a hipocrisia e essa briga infantil do PSDB com o PT pelo troféu do “mais-mais da Ética”, a verdade é que, se estivessem no governo, os tucanos estariam fazendo a mesmíssima coisa que os petistas, nessa coisa (que dá até uma dor no peito!) de apoiar o Sarney.






Fosse o Fernando Henrique, o Serra, o Aécio, no lugar do Lula ou da Dilma, o resultado seria o mesmíssimo: o oligarca José Sarney, que representa o que de pior existe neste país, estaria recebendo todo tipo de afagos e de solidariedade.






Louve-se, portanto, a clareza desses cinco companheiros petistas do Senado que têm batido o pé contra esse “pragmatismo” – ou seria entrega? – de todos nós.






Louve-se a firmeza com que esses cinco companheiros têm tentado encontrar esses limites de que falei.






Se irão até o fim é uma incógnita – afinal, os interesses partidários sempre se sobrepõem às convicções individuais...






Mas é de extrema importância que pelo menos alguns de nós comecem a perguntar, em alto e bom som: até onde podemos ir?






O que, afinal, podemos negociar, sem que isso implique negociar tudo o que sonhamos para este Pará e este Brasil.








FUUUUUIIIIIII!!!!!