Ban

segunda-feira, 30 de março de 2009

As Almas I



A tua alma
É o sangue em minhas veias.
A lua que no céu murmura:
_Para sempre, sempre tua!...
É o vento que me traz
O cheiro das terras
Que jamais terei.
É o Verbo a recriar o mundo!...
E se nas ruas passam as gentes
Por meus olhos, mares, estrelas,
Vendavais, torrentes...
E os abismos... Os silêncios...
Que nos perderam de nós!...
E o dia só é dia
Porque à vida
É preciso suceder...
Como todo hoje,
Todo ontem,
Todo amanhã
Como coisa que tem de ser!...
Como raiz que se agarra
Nas profundezas de um deserto
A todo sopro de florescer...
Mas... A cada esquina, a cada rua,
A minha alma
- que é a mesma alma tua! –
É sombra a vagar pelo mundo!...
Sempre de volta ao mesmo verso,
Sempre de volta à mesma lua:
_Para sempre, sempre tua!...


Belém, 29 de março de 2009

domingo, 29 de março de 2009

O Pastor


Um Dia Madredeus!



O Pastor




Ai que ninguém volta
Ao que já deixou
Ninguém larga a grande roda
Ninguém sabe onde é que andou



Ai que ninguém lembra
Nem o que sonhou
(e) aquele menino canta
A cantiga do pastor



Ao largo
Ainda arde
A barca
Da fantasia
E o meu sonho acaba tarde
Deixa a alma de vigia
Ao largo
Ainda arde
A barca
Da fantasia
E o meu sonho acaba tarde
Acordar é que eu não queria.



Ao largo
Ainda arde
A barca
Da fantasia
E o meu sonho acaba tarde
Deixa a alma de vigia
Ao largo
Ainda arde
A barca
Da fantasia
E o meu sonho acaba tarde
Acordar é que eu não queria.



(Pedro Ayres Magalhães / Rodrigo Leão /
Gabriel Gomes / Francisco Ribeiro)




Vem (Além de toda a solidão)




Vem
Além de toda a solidão
Perdi a luz do teu viver
Perdi o horizonte



Está bem
Prossegue lá até quereres
Mas vem depois iluminar
Um coração que sofre



Pertenço-te
Até ao fim do mar
Sou como tu
Da mesma luz
Do mesmo amar



Por isso vem
Porque te quero
Consolar
Se não está bem
Deixa-te andar a navegar



Pertenço-te
Até ao fim do mar
Sou como tu
Da mesma luz
Do mesmo amar



Por isso vem
Porque te quero
Consolar
Se não está bem
Deixa-te andar a navegar


(Pedro Ayres Magalhães/
Rodrigo Leão/Gabriel Gomes)




Alfama



Agora,
Que lembro
As horas ao longo do tempo



Desejo
Voltar
Voltar a ti
Desejo-te encontrar



Esquecida
Em cada dia que passa
Nunca mais revi a graça
Dos teus olhos
Que eu amei.



Má sorte
Foi amor que não retive
E se calhar distraí-me
Qualquer coisa que encontrei.



Esquecida
Em cada dia que passa
Nunca mais revi a graça
Dos teus olhos
Que eu amei.



Má sorte
Foi amor que não retive
E se calhar distraí-me
Qualquer coisa que encontrei.


(Pedro Ayres Magalhães/Rodrigo Leão)

quarta-feira, 25 de março de 2009

excluída

Sobre a exclusão de postagem







Não foi a primeira vez – e, provavelmente, não será a última – que excluí uma postagem deste blog.

Faço isso quando julgo que o nível de álcool no meu sangue me fez deixar para trás qualquer resquício de sanidade.


É verdade, admito-o: por vez, bebo tanto que este rasgo de lucidez que ainda possuo vai pras cucuias.


E aí, sinceramente, acho que não é bacana deixar postados tais delírios...


É verdade que já escrevi, muitas vezes, bebericando. Mas, em geral, mantenho o equilíbrio e quando digo o “FUUUIIII”, quando encerro a postagem, ainda sei o que estou a escrever; quer dizer, as idéias ainda estão minimamente concatenadas.


Mas, em relação a essa postagem excluída, que vem causando tanta polêmica, isso não aconteceu.


Como era sábado, enchi a cara – pra variar, e como, aliás, deveria fazer todo bom cristão...


Mas, lá pelas tantas, acho que extrapolei.


Daí a decisão de retirar a postagem, que, a meu ver, estava demasiadamente amarga, raivosa; grosseira, até.


É possível que contivesse muitas verdades, como alguns de vocês dizem.


Mas, creio que tais verdades poderiam ser ditas de outra forma...


Não quero me deixar dominar pelo ódio.


Em primeiro lugar, porque isso só resulta em amargura pra gente mesmo; deixa a “aura” repleta de maus fluídos, que acabam por fazer mal a nós mesmos, física e espiritualmente.


Em segundo lugar, não penso que o ódio seja um bom fio condutor: ele embaça a visão e até nos leva a errar na hora de um contra-ataque.


Além disso, não vejo motivo concreto, lúcido, racional para odiar a Joana Pessoa.


É certo que ela agiu de forma covarde e acanalhada; de uma forma covarde e acanalhada poucas vezes vista, aliás...


Mas, se eu fosse odiar todos os covardes e canalhas do mundo, certamente que não me sobraria tempo para mais nada, né mermo?...


Pra mais, não quero que isso se transforme em uma questão meramente pessoal – e isso, talvez, fosse o que a Joana Pessoa gostaria.


Quero que isso seja, tão somente, uma questão que envolve, de um lado, uma jornalista e cidadã que denunciou o que é, sim, uma irregularidade, um assombroso crime contra o erário; e, de outro, uma cidadã que comanda essa “tenebrosa transação”, na certeza de que será beneficiária da impunidade que assola este país.


Por isso, bem vistas as coisas, nem tenho motivo para odiar a Joana Pessoa: ela, apenas, tão somente jogou.


De forma acanalhada e covarde, é verdade, pois que, talvez, sejam as únicas maneiras de jogar que conhece, nessa arrogância patológica que, aliás, a precede...


Mas, bem vistas as coisas, apenas e tão somente jogou.


Penso que esse meu pragmatismo em relação ao jogo e aos jogadores, e aos interesses postos de cada qual, me ajudou nisto: a não ter praticamente inimigos, apesar destas três décadas de jornalismo e de militância política.


Trocando em miúdos, não quero transformar isso numa questão pessoal.
Mais não fosse, porque acabaria se voltando contra mim, na forma de amargura.


Mas, principalmente, porque essa é uma questão importante demais, com nuances importantes demais, para virar uma mera questão pessoal.


Essa batalha envolve o direito de o cidadão questionar o uso de seus impostos; a liberdade de opinião e expressão; a possibilidade de punir aqueles que fazem mau uso do dinheiro público; o questionamento em torno dos esquemas de arrecadação financeira dos partidos de esquerda, por melhores que sejam as suas intenções; o papel dos jornalões, da grande imprensa na sociedade democrática; e até essa “sabedoria” daqueles que acham que a Lei só existe para ser burlada - como demonstra a criação dessas Organizações Sociais cujo objetivo único, em última análise, é burlar a Legislação.


Então, por mais irada que esteja; por mais que me sinta tentada a agir movida tão somente pelo ódio, não posso me esquecer de tais questões, que dizem respeito, afinal, à coletividade.



Não retiro nada do que escrevi em relação ao Hangar; não vou recuar e vou, sim, entregar a cidadã Joana Pessoa, por meio de toda a documentação que já coletei, ao Ministério Público Federal.


Vou, sim, como disse naquele post excluído, até ressuscitar os resultados da CPI da Biopirataria, que não “inocentaram” propriamente a cidadã Joana Pessoa, como ela propala por aí.


E também não vou poupar o Ministério Público Estadual, se, de fato, houver parente de procurador ou de promotor a trabalhar no Hangar...


Vou fazer, apenas e tão somente, aquilo que a Lei obriga qualquer cidadão a fazer, quando toma conhecimento de robustos indícios de crime contra os cofres públicos...


E até – por que não? – quando toma conhecimento de indícios da montagem de uma rede de corrupção, a envolver as autoridades constituídas.


No entanto, preocupa-me o fato de não saber, nem por sombra, aonde isso nos levará...


Tenho plena consciência de que a forma como a Joana Pessoa agiu, como que me autoriza, socialmente, a fazer tudo e mais alguma coisa.


Quer dizer: mesmo se eu resolvesse dar-lhe uns trezentos tapas na cara, todo mundo acharia isso muitíssimo bem feito...


Pois, que na sua arrogância doentia, nessa coisa de achar que pode comprar ou aterrorizar todo mundo, toda a sociedade, todos os cidadãos, Joana Pessoa acabou me colocando numa condição pra lá de confortável.


Mas, esse é um defeito que tenho, talvez, derivado dos muitos anos de luta política: para mim, nada é tão simples; tudo traz conseqüências, por vezes, imprevisíveis...


Nas últimas semanas, tenho travado uma luta titânica comigo mesma.


O problema é que já percebi que não posso perder; não tenho, rigorosamente, como perder...


Mas a Joana Pessoa, na sua irresponsabilidade de mera operadora; de uma cidadã que participa da política, apenas, para “se dar bem” não percebeu, não anteviu, que não tem, simplesmente, como ganhar...


Assim, eu fico tentando pensar por nós duas; fico a tentar realizar uma intervenção cirúrgica que, afinal, não mate o conjunto dos pacientes...


Explodi com a bebedeira de sábado; creio que é humano isso...


Afinal, há semanas ando aflita entre a consciência, a clareza do que tenho de fazer e a angústia da conseqüência dos meus atos...


E isso, doutora Joana, tenha certeza, não é qualquer tentativa de acordo – até porque, simplesmente, não faço acordo.


É, tão somente, uma profunda meditação acerca do papel que, por vezes, me cabe nesta mesa...


Por isso, anônimos, retirei aquela postagem.


E não, Charles Alcântara, o álcool não traz essa lucidez: na verdade, só retirei a postagem na noite de domingo, quando a ressaca monumental que estava a sentir me permitiu, enfim, levantar do fundo da rede e fazer isso...


Por fim, agradeço a todos vocês que acompanham tão atentamente este blog.


É uma honra saber-me lida por vocês.


Ao longo desta semana, ou mais provavelmente na próxima, vocês terão, infelizmente, novidades do Caso Hangar...


Mas, antes, no final de semana, espero postar uma matéria trabalhosa, mas, muito, muito bacana. Pra todos ficarmos a pensar um bocado sobre o que se anda a fazer do nosso suado dinheirinho...


Novamente, muito obrigada pela atenção.

domingo, 22 de março de 2009

quinta-feira, 19 de março de 2009

greves



Linha de montagem!



Linha linha de montagem
A cor a coragem
Cora coração
Abecê abecedário
Opera operário
Pé no pé no chão

Eu não sei bem o que seja
Mas sei que seja o que será
O que será que será que se veja
Vai passar por lá

Pensa pensa pensamento
Tem sustém sustento
Fé café com pão
Com pão com pão companheiro
Pára paradeiro
Mão irmão irmão

Na mão, o ferro e ferragem
O elo, a montagem do motor
E a gente dessa engrenagente
Dessa engrenagente
Dessa engrenagente
Dessa engrenagente sai maior

As cabeças levantadas
Máquinas paradas
Dia de pescar
Pois quem toca o trem pra frente
Também de repente
Pode o trem parar

Eu não sei bem o que seja
Mas sei que seja o que será
O que será que será que se veja
Vai passar por lá

Gente que conhece a prensa
A brasa da fornalha
O guincho do esmeril
Gente que carrega a tralha
Ai, essa tralha imensa
Chamada Brasil

Samba samba são Bernardo
Sanca são Caetano
Santa santo André
Dia-a-dia diadema
Quando for, me chame
Pra tomar um mé

(Novelli - Chico Buarque/1980)

terça-feira, 17 de março de 2009

orçamento

O novo orçamento da propaganda: R$ 62,7 milhões



Recebi, ontem, as informações acerca do novo orçamento do Governo do Estado, para a propaganda e publicidade, em 2009.



Total da conta ao contribuinte: R$ 62.785.973,00 - só para a Secretaria de Comunicação (Secom), fora o que teria sido pulverizado entre as várias secretarias estaduais e que será preciso escavacar.



Esse novo orçamento, que está para aprovação na Assembléia Legislativa, já tem por base o novo PPA – Plano Plurianual, cuja revisão, já aprovada e publicada no Diário Oficial, prevê um gasto superior a R$ 207 milhões, em propaganda e publicidade, entre 2009 e 2011.



O orçamento anterior de 2009 previa pouco mais de R$ 40 milhões para a Secretaria de Comunicação (leia as matérias abaixo).



Desses R$ 62,7 milhões que serão gastos agora uns R$ 3 milhões são custos operacionais da Secom – pessoal, encargos sociais e despesas correntes.



Todo o restante – mais de R$ 59,2 milhões - irá para ações de propaganda e publicidade, com destaque para a rubrica “implementação de ações de publicidade”, que consumirá, sozinha, mais de R$ 55 milhões.



O novo orçamento da propaganda é o maior do Governo do Pará, nos últimos 14 anos – pelo menos.

segunda-feira, 16 de março de 2009

DS

Uma questão de classe



Ao responder aos anônimos que colocaram em dúvida a informação que divulguei acerca dos extraordinários gastos de propaganda e publicidade, previstos pelo Governo do Estado, para o período 2009-2011 (mais de R$ 207 milhões, o equivalente à construção e equipamento de quatro hospitais como o Metropolitano) dizia eu que não entendo e nem jamais gostaria de entender como é possível torrar tanto dinheiro em propaganda num estado miserável como o Pará.





De lá pra cá, porém, pus-me a refletir acerca disso. E acabei chegando à conclusão de que tais gastos são absolutamente compatíveis com o atual Governo.





Não, caro leitor; não pretendo “aliviar a barra” da minha xará, a governadora. Não pretendo, de forma alguma, encontrar justificativa para um desperdício tão escabroso de dinheiro público.





Mas, apenas, tentar entender como é que algo assim pode acontecer em uma sociedade democrática. Até para evitar, talvez, que a gente incorra em erros semelhantes no futuro.





Creio que para entendermos esse escândalo da propaganda, que me parece conectado a todos os demais escândalos recentes (o Caso Hangar e os kits escolares) é preciso remeter não apenas às eleições de 2006, mas, principalmente, à própria origem da governadora do Pará.





Ana Júlia Carepa e sua troupe vêm da classe média alta paraense.





São, todos, uns filhinhos de papai que não sabem sequer onde é que fica a Vila da Barca.





Nada de mais, uma simples questão de origem, se, ao longo da vida, não tivessem incorporado alguns dos piores vícios dessa classe que os pariu.





Como o deslumbramento pelos salões da high society.





Como a utilização dos bens e serviços públicos como mera extensão de um quintal particular.





Como a arrogância e a intolerância diante da crítica – aquela coisa nojenta do “você sabe com quem está falando?”.





Como a participação nos movimentos sociais apenas como uma “excentricidade”; uma ação “pitoresca”, para comentar em algum chazinho beneficente ou num círculo de intelectuais entediados...





Sim, porque tirando Ana Júlia e mais um ou dois, quem é, nessa troupe; quem é, na Democracia Socialista (DS) que sabe, ao menos, o que é distribuir UM panfleto?





Quem é, na DS, que conhece, de fato, a miséria, ali, ao vivo e em cores – e não, apenas, de romances ou tratados filosóficos?





Quem é, na DS, que já ralou para organizar uma greve, uma manifestação?





Quem é, na DS, que já pegou porrada; que já foi preso, detido, demitido ou até ameaçado de morte por sua atuação política?





Não, na maioria, a atuação política dessas pessoas, dessa “esquerda do Iguatemi”, se resumiu, se tanto, às teses universitárias – e a maioria delas absolutamente imprestáveis, pois, que atropeladas pelo avanço da sociedade democrática.





Daí que a DS não tenha base popular – e nem mesmo sustentação na “Academia”.





Daí que a DS nunca tenha conseguido ser além de um “quisto” dentro do PT.





No entanto, no Pará, essa corrente, minúscula e autoritária, conseguiu chegar ao poder.





Porque possuía essa liderança carismática, que é a Ana Júlia Carepa.





É claro que o fato de o PT ter no Governo, não uma corrente majoritária, como a Unidade na Luta ou o PT pra Valer, mas, um grupelho sem qualquer representatividade, só poderia dar nisso.





E esses gastos absurdos em propaganda são um caso emblemático.





Como está habituada ao compadrio, aos salões da high society, a DS não conhece outra forma de fazer propaganda que não seja essa, de privilegiar os grandes veículos de comunicação e de derramar dinheiro em publicações caríssimas, para meia dúzia de intelectuais.





E, é claro, não sejamos ingênuos, não conhece outra forma de amealhar recursos eleitorais.





Não quero “passar a mão” no PT – afinal, tem muito “companheiro” mamando nas tetas desse governo; tem muito “companheiro” que não está mais nem aí para a necessidade de buscar alternativas menos problemáticas ao financiamento de campanha.





Mas, o fato é que, muito provavelmente, não teríamos esse derrame de verbas públicas, em uma coisa como a propaganda, se quem estivesse no poder fosse uma corrente com representatividade partidária e social.





Tenho pra mim que o motorista ou a costureira; o agricultor ou a líder comunitária que fosse chamado a participar das discussões da Unidade na Luta, por exemplo, jamais admitiria uma coisa assim.





Porque é evidente o descalabro de uma coisa dessas para a inteligência luminosa, sem rodeios, do nosso povo...





Sem sustentação partidária; sem sustentação no movimento popular; sem sustentação, por idéia que preste, na intelectualidade; sem experiência em gestão pública; sem capacidade de diálogo, sem experiência política e sem humildade para admitir os próprios erros só resta ao Governo da DS isto mesmo: torrar dinheiro público em propaganda.





E propaganda, especialmente, nos grandes veículos de comunicação.





Para tentar tapar o sol com a peneira.





Mas, também, para garantir o champagne e o caviar entre os “barões” da terrinha.





Porque, para além de Marx, bacana é “scotchear” à pérgula....






Porque, afinal, ninguém é de ferro...






FUUUIIIIIII!!!!!!

sábado, 14 de março de 2009

propaganda2

A explosão da propaganda
Um aumento de quase R$ 40 milhões


O Governo do Estado planeja, sim, gastar mais de R$ 207 milhões, em publicidade e propaganda, entre 2009 e 2011.


O fato fica claríssimo, sem margem à contestação, quando se verifica que a retificação do PPA, o Plano Plurianual, publicada no Diário Oficial do último 10 de março (leia a matéria abaixo) agregou mais de R$ 37 milhões aos gastos anteriormente previstos do Programa “Gestão da Comunicação Governamental”.


Com isso, essa previsão de gastos, que era de R$ 170.748.911,00 (para quatro anos, entre 2008 e 2011) saltou para mais de R$ 207 milhões (para três anos, entre 2009 e 2011).


Com a retificação do PPA já aprovada pela Assembléia Legislativa e publicada no Diário Oficial, o Governo do Estado poderá, agora, mexer no seu orçamento deste ano – leia-se aumentar os gastos com publicidade e propaganda – conforme prevê a Lei.


Antes dessa retificação, o orçamento da propaganda e publicidade, para este ano, alcançava pouco mais de R$ 40 milhões, aí incluídos os custos operacionais da Secretaria de Comunicação.


Mas, com a retificação do PPA, esses gastos ficarão, em média, em quase R$ 70 milhões por ano, até 2011 (o orçamento é, apenas, um desdobramento, ano a ano, do PPA).


A turbinagem se deu pelo aumento da verba destinada à “implementação de ações de publicidade”, que saltou de R$ 153,8 milhões, no PPA anterior, para mais de R$ 192 milhões, no PPA revisado.


Outro detalhe importante: dos R$ 40 milhões que estavam previstos no orçamento de 2009, quase R$ 2,6 milhões iriam para o pagamento de pessoal e encargos sociais e cerca de R$ 37,5 milhões para outras despesas correntes, nas quais estavam incluídos R$ 36 milhões para ações de propaganda e publicidade propriamente ditas.


No entanto, de acordo com o balancete de dezembro último, só no ano passado o Governo gastou pelo menos R$ 43 milhões com serviços de publicidade institucional e legal – sem contar, portanto, outros itens da Comunicação.


Além disso, foram gastos quase R$ 17 milhões em serviços gráficos – um item que inclui, certamente, gastos da Imprensa Oficial, mas, que pode abranger, também, materiais de Comunicação.


O PPA (o antigo e o retificado) pode ser acessado no site da Sepof. O balancete de dezembro do ano passado está disponível no site da Sefa (mas, se apressem, antes que desapareçam, como costumam desaparecer diários oficiais e o link Transparência Pará, em períodos de crise).


Com essas novas informações espero ter acabado com as dúvidas de alguns anônimos em relação à informação que divulguei.


E espero ter acabado, também, com o lári-lári de que esses R$ 207 milhões incluiriam “dinheiro contingenciado” – leiam os comentários da matéria anterior.


Até porque o orçamento deste ano estava perfeitamente compatível com os R$ 170 milhões anteriormente previstos para o PPA, no período 2008-2011.


Resumindo: os gastos de propaganda e publicidade do Governo do Pará deverão atingir, sim, em média, R$ 70 milhões por ano, entre 2009 e 2011.


Isso se não chegarem a mais – muito, muito mais – pois, como se vê no balancete de dezembro, a previsão orçamentária é, tão somente, um ponto de partida.

quarta-feira, 11 de março de 2009

propaganda

Extra!Extra!

Gastos de publicidade e propaganda
do Governo do Pará explodem em 2009

Per capita do Governo paraense é maior que a de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná e supera até o custo por habitante da Presidência da República.


É incrível, mas, verdadeiro: o Governo do Estado planeja torrar mais de R$ 207 milhões em propaganda e publicidade, entre 2009 e 2011, o que dá, em média, quase R$ 70 milhões anuais.


É o maior volume de gastos de um governo paraense, em publicidade e propaganda, nos últimos 14 anos – pelo menos.


E também representa um incremento superior a 100% em relação a 2007, quando tais despesas rondaram os R$ 30 milhões.


Pior: por conta desse aumento, a per capita dos gastos de propaganda e publicidade do Governo do Pará vai superar, em 2009, até a per capita da Presidência da República e dos ministérios, além de deixar para trás estados bem maiores como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.


Em outras palavras: o Pará vai gastar em propaganda e publicidade, agora em 2009, mais do que estados brasileiros de economia muito mais pujante e sem a metade das mazelas sociais paraenses.


A previsão de gastos consta do suplemento que circulou, ontem, 10 de março, no Diário Oficial do Estado.


O Suplemento traz a revisão do Plano Plurianual de 2008 a 2011.


Nele, o Governo do Estado prevê gastar R$ 207.115.718,00 no programa “Gestão da Comunicação Governamental”, com o objetivo de “publicizar as políticas públicas, os programas e atos governamentais”.


A estratégia de implementação, consta ainda no documento, será a de “estabelecer parcerias intra-secretarias, estabelecer política de comunicação social democrática e apoiar a democratização dos meios de comunicação”.


A maior fatia desses mais de R$ 207 milhões irá para a “implementação de ações de publicidade”. Serão nada menos que R$ 192.225.687,00, para “publicizar as ações do governo”. A maioria (R$ 192.183.737,00), na Região Metropolitana de Belém.


Veja, a seguir, as demais ações em que serão gastos esses mais de R$ 207 milhões:


1-Democratização do acesso à informação, para “melhorar o acesso da população paraense aos meios de informação e comunicação, objetivando consolidar a democracia, formar agentes comunitários de comunicação e melhorar os índices de inclusão social do estado”. Valor da conta para o contribuinte: R$ 645.573,00.


2- Publicação de editais: R$ 3.231.869,00.


3 – Implantação do Observatório de Comunicação e Mídia, para “constituir um programa de pesquisa no campo da comunicação e dos estudos midiáticos: R$ 645.573,00.


4 – Implementação de ações de comunicação institucional, para “apoiar a efetivação da imagem pública do governo”: R$ 1.291.147,00


5 – Implementação de ações jornalísticas, para “divulgar os eventos governamentais”: R$ 1.129.753,00.


6 – Implementação do Parque Gráfico, Editorial e Tecnológico, para “oferecer produtos gráficos e editoriais”: R$ 7.946.116,00.



Sem controle


Dos mais de R$ 192 milhões que serão usados para “publicizar” as ações do governo, R$ 61.427.644,00 serão gastos agora em 2009 e R$ 63.903.340,00 no ano eleitoral de 2010.


O enquadramento de toda essa dinheirama como “publicidade” – e não como propaganda – ajuda a aliviar o choque do contribuinte, diante de gastos tão extraordinários.


Afinal, como “publicidade” podem ser enquadradas campanhas de amplo interesse social, como é o caso da vacinação infantil ou da redução dos acidentes de trânsito.


Mas, como separar o joio do trigo? Em outras palavras: como garantir que boa parte desse dinheiro não será carreada, em verdade, para a pura e simples propaganda?


No Balanço de 2007, consta que a despesa realizada pela totalidade do Governo (Executivo, Legislativo e Judiciário) atingiu pouco mais de R$ 24,9 milhões, havendo, ainda, R$ 8,5 milhões em créditos autorizados, para propaganda e publicidade.


A quase totalidade desse dinheiro foi gasta pelo Executivo: R$ 23.775.480,31 de despesas realizadas e R$ 7,569 milhões de créditos autorizados.


Isso leva a crer que a maior parte desses R$ 207 milhões também será torrada pelo Executivo.


Além disso, o descompasso entre os gastos de 2007 e aqueles previstos para os próximos anos leva a perguntar: o que pode justificar um aumento tão espetacular, diante de uma inflação de 10% ao ano?


Outro problema é que a quase totalidade desses R$ 207 milhões será aplicada na Região Metropolitana de Belém; apenas uns R$ 40 mil irão para o interior do estado.


Ou seja, esse aumento extraordinário não pode nem ser justificado pela eventual “interiorização” das ações de comunicação.



Per capita supera a de Lula


De acordo com as informações que recolhi na internet, os gastos da Presidência da República e ministérios, com publicidade, sofreram um incremento de 35% em relação a 2008 e devem atingir, agora, R$ 547.400.000,00.


O problema é quando se divide essa montanha de dinheiro pela população brasileira (estimada em uns 190 milhões de habitantes): o custo per capita dessa gastança fica em R$ 2,88.


No caso do Pará, no entanto, quando se dividem esses R$ 70 milhões anuais pelos sete milhões de paraenses, a per capita fica em R$ 10,00 – ou três vezes a da Presidência da República e ministérios.


O mesmo resultado espantoso acontece quando se calcula a per capita de gigantes como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais, com base na estimativa de gastos em publicidade e propaganda para este ano. Veja você mesmo:



São Paulo – há duas estimativas de gastos, uma divulgada pela Valor Econômico, outra pelo blog do Favre. Na primeira, tais gastos atingirão R$ 227 milhões; na segunda, R$ 313 milhões. Mas, mesmo dividindo a mais alta pela população daquele estado (39.827.570 habitantes), a per capita fica em R$ 7,85, ainda abaixo do Pará.


Rio de Janeiro – estimativa de gastos de R$ 100 milhões, para 15.420.375 habitantes. Per capita: R$ 6,48.



Minas Gerais – estimativa de R$ 70 milhões, para 19.273.506 habitantes. Per capita: R$ 3,63.



Paraná – estimativa de gastos de R$ 53 milhões, para 10.284.503 habitantes. Per capita: R$ 5,15.


Dinheiro que não acaba mais



Para se ter idéia do que significam esses mais de R$ 207 milhões que o Governo do Pará pretende torrar em propaganda e publicidade, nos próximos três anos, é preciso ter em mente o seguinte: em 2008, as transferências de ICMS para Belém, cidade de 1,4 milhão de habitantes, atingiram R$ 175.271.007,25, conforme o site da Sefa.


Isso quer dizer que o Governo vai gastar, em publicidade e propaganda, entre 2009 e 2011, mais do que o ICMS de um ano inteirinho de uma cidade do tamanho de Belém – e o ICMS é uma das principais receitas orçamentárias do município.


Esses R$ 207 milhões também equivalem a quatro anos de ICMS de uma cidade como Marabá (196 mil habitantes).


E equivalem, ainda, a quatro anos de orçamento total de uma cidade como Capanema, com 61 mil habitantes.


O pior, no entanto, é quando se comparam esses gastos em publicidade e propaganda com outros de maior alcance social, previstos no mesmíssimo Plano Plurianual.


Esses R$ 207 milhões superam, por exemplo, os R$ 177,6 milhões que o Governo do Estado pretende gastar com a distribuição de 266 mil bolsas-trabalho, no mesmo período; o que será investido na “perenização” de estradas vicinais (R$ 191.092,255,00); ou no Programa “Pará Viver”, que pretende reduzir a mortalidade por câncer e aumentar a sobrevida dos pacientes (R$ 67.066.484,00).


Esse dinheiro também supera o que será aplicado na geração de trabalho e renda à população rural que vive abaixo da linha da pobreza: a previsão de investimentos no “Pará Rural” é de R$ 153.385.666,00, para os próximos três anos.


Os R$ 207 milhões da propaganda e publicidade deixam para trás, ainda, o programa de promoção e proteção de direitos humanos, que investirá R$ 42.874.893,00, em três anos, para atender mulheres vítimas de violência, através dos centros “Maria do Pará”.


Também representa quase três vezes os R$ 74,5 milhões que serão investidos em “proteção social básica”, para atender, entre outros, idosos e portadores de deficiência.


Representam o triplo dos R$ 68,8 milhões que serão investidos em “proteção social especial”, para atender adolescentes que cometeram atos infracionais.


Na verdade, esses R$ 207 milhões representam quase três vezes os R$ 70 milhões previstos para o novo prédio do Hospital da Santa Casa.


Ou, ainda, quatro vezes os R$ 53,5 milhões que serão investidos para a implantação de “postos de serviço” que objetivam prevenir e reduzir os índices de criminalidade na grande Belém.


Ou, ainda, os R$ 69,4 milhões que serão aplicados no programa “Sentinela Saúde”, para diminuir, entre outros problemas, a taxa de infestação predial por aedes aegipty, no estado do Pará.

Quer dizer: esses gastos de R$ 207 milhões em propaganda podem até estar dentro dos limites legais.

Mas, do ponto de vista moral, serão aceitáveis?

domingo, 8 de março de 2009

Dia da Mulher

Para Isa Cunha, Ulysses Guimarães,
Maria da Metade e Almir Gabriel



Se há uma mulher que um dia admirei, profundamente, foi Isa Cunha.



Com a sua fala mansa, baixinha, dulcíssima, parece que buscava encobrir toda aquela força gigantesca, aquela grandeza de seu interior.



Égua da mulher imensa!...



Égua da pessoa, absolutamente incapaz de transigir naquilo que julgava o certo...



Não fui ao enterro de Isa.



Na verdade, só soube que morrera semanas depois, através de alguém.



Lembro que me entristeci profundamente.



E que recordei a última vez em que a vi, durante uma homenagem que lhe prestava a Câmara Municipal de Belém.



Lembro que me sentei rapidamente junto dela, porque ela me convidou – queria saber de mim, e eu, é claro, senti-me profundamente honrada, orgulhosa, com o interesse dela...



Depois, ela foi receber sua homenagem e eu levantei-me, fui-me embora, eis que estava a trabalhar.



Desde aí, lembro-me de Isa, a cada Dia Internacional da Mulher.



Nunca conheci Mulher, assim mesmo, com M maiúsculo, que merecesse tanto a reverência da gente.



Por isso, neste Oito de Março, quero homenagear aquela Mulher extraordinária.



Cuja imagem me socorre, nas horas mais aflitivas da vida.



Sou uma pessoa de poucos heróis.



Mas, esses poucos são gigantescos: Ulysses Guimarães, Isa Cunha.



E até a pouco conhecida, mas, igualmente grandiosa, Maria da Metade, que levou consigo boa parte da História deste nosso Pará.



E, é claro, o maior governador que este nosso Pará já teve: Almir Gabriel!



(Que o Barbalhão não me ouça: ele pode até ser o maior político que o Pará já teve; um político que seria imenso em qualquer época e lugar do mundo. Mas, o melhor governador deste Pará foi, sim, Almir Gabriel).



Almir inaugurou uma Era.



Não, não inaugurou, simplesmente, estradas, escolas, hospitais, que isso todo mundo faz.



Almir, em verdade, inaugurou um novo tempo.



Um tempo em que a gente, todos nós, aprendemos a discutir uma forma melhor de fazer política.



Em que discutimos ética, honra, emancipação dos cidadãos mais pobres.



E até - e apesar de todo o autoritarismo dele - aprendemos a NECESSIDADE democrática.



Quisemos mais.



Quisemos as instituições funcionando de forma autônoma, independente.



Quisemos o Poder da sociedade civil.



Quisemos, ousamos, até muito além dele, Almir...



Mas, Almir coincidiu com as mais importantes mudanças da sociedade brasileira, em sua história recente.



E teve a capacidade de não as contrariar, apesar do seu estilo turrão, intransigente.



Que o levou, afinal, à derrota, nas últimas eleições.



Mas, pensando bem, também foram intransigentes estes outros gigantes: Ulysses Guimarães, Isa Cunha, Maria da Metade...



E talvez daí resulte, em verdade, o gigantismo de todos eles...



Por isso, neste Oito de Março, não vou homenagear, apenas, a Isa Cunha e a Maria da Metade. Mas, também, o Ulysses Guimarães e o Almir Gabriel.



Ao Jader não homenageio.



Porque, como já disse aqui, muitas vezes, ele é um enorme desperdício de talento social.



Alguém com a inteligência extraordinária dele, o brilho intelectual dele poderia ter feito muito - muito mesmo!... - pela sociedade...



Se compreendesse, enfim, que o invejável talento que possui não lhe pertence de fato; porque é, de fato, uma construção coletiva...



Minha homenagem vai, portanto, para esses gigantes, tão brilhantes quanto.



Mas, que jamais se permitiram transigir...



Neste Oito de Março, para Isa Cunha, Maria da Metade, Ulysses Guimarães e Almir Gabriel.



Porque a luta de todas as mulheres do mundo é feita disto mesmo: intransigência!...







Bola de Meia, Bola de Gude


Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que uma bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade, alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que uma bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade, alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão!

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão!


(Milton Nascimento)

quinta-feira, 5 de março de 2009

opinião


Vamos jogar o foda-se!


Carta Aberta à Joana Pessoa II





Na tarde de hoje, caro leitor, fui surpreendida por uma intimação judicial, derivada de um processo por “danos morais”, movido contra mim pela doutora Joana Pessoa, presidente da Organização Social Via Amazônia.


Ao ler tal peça acusatória, eivada de mentiras, dela só pude extrair uma conclusão.




A de que, mais uma vez, a doutora Joana Pessoa recorre ao seu expediente favorito, o único que talvez conheça em sua tristíssima trajetória: o ataque acanalhado e covarde, através do uso de dinheiro público, para tentar intimidar os cidadãos que “ousam” lhe fazer frente.



Ao ler tal peça acusatória, também me pareceu que a doutora Joana Pessoa padece de uma arrogância patológica: crê, piamente, que pode comprar tudo e todos, para escapar impune aos crimes que comete contra o meu, o seu, o nosso dinheirinho.



É certo, doutora Joana, que não possuo dinheiro; aliás, nem palmo de terra num cemitério qualquer...



Não controlo, como a senhora controla, tubos e mais tubos de dinheiro público.



Não posso comprar grandes veículos de comunicação, nem grandes bancas de advogados... Ou que se pretendem, hoje, no Governo do PT, grandes bancas de advogados...



No entanto, doutora Joana Pessoa, possuo uns tantos atributos que Deus, em sua infinita misericórdia, teve a Bondade de me conceder: coragem, dignidade, honra, caráter. E, sobretudo, capacidade investigativa.



É certo, doutora Joana Pessoa, que essa será uma luta de Davi contra Golias; do tostão contra o milhão; de um mero cidadão contra as “falanges do mal”, que empestam este estado e este país.



Mas, para a sua infelicidade, doutora Joana, devo lhe dizer que nada temo: afinal, tenho comprovação de tudo o que escrevi.



E, ao contrário da senhora, creio, sim, no Poder da Sociedade. No imenso Poder do Cidadão, do Contribuinte.



Parte-me o coração, no entanto, constatar a que ponto desceu o PT, nessa coisa de abrigar “operadores” da sua laia.



Causou-me espanto, doutora Joana Pessoa, o fato de a senhora me processar – a mim, repórter - não pela matéria publicada neste blog, mas, pela matéria publicada em O Liberal.



Causou-me espanto, sobretudo, o fato de nesse mesmo processo covarde, hediondo, a senhora ainda tecer elogios a O Liberal, como se aquele jornal nada tivesse a ver com a divulgação do Caso Hangar.



Como se eu tivesse determinado a publicação desse triste episódio nas páginas de O Liberal. E – pasme-se - fosse responsável até pela manchete escolhida no referido jornal.



Como se eu, repórter, pudesse dizer: publiquem ou não publiquem isso e aquilo.



Como se eu, enfim, me chamasse Maiorana...



Mas, bem vistas as coisas, nem deveria me espantar: afinal, a senhora fez publicar uma página igualmente covarde, no referido jornal, logo após a publicação do Caso Hangar.



No entanto, doutora Joana, padeço de um mal incontornável: acredito nas pessoas. E, mesmo quando cometem canalhices, me disponho a crer que não poderão descer ainda mais.


Lamento, profundamente, que a senhora insista em retomar essa questão.


Lamento que a senhora me obrigue a ir fundo no Caso Hangar.



Quem acompanha este blog sabe que deixei isso de lado, não por acaso.


O fiz, em primeiro lugar, porque tenho plena consciência de até onde esse explosivo caso poderá levar – talvez, até ao impeachment da governadora.



Afinal, entre todos os escândalos desse governo, profícuo em escândalos, o Caso Hangar é aquele que tem a possibilidade de estabelecer a ligação mais concreta entre o crime, a improbidade, e a governadora do Pará.




Por isso, logo depois daquela matéria, fugi do Caso Hangar como o diabo foge da cruz – apesar de todas as “dicas” que recebi, vindas de empresários, promotores, jornalistas, anônimos.



E até – pasme-se – busquei convencer as oposições de que esse era o melhor caminho a trilhar, tamanhas, eu sei, são as conseqüências desse escândalo...




Pesou em tal decisão, é verdade, as minhas três décadas de militância política: o pudor que sinto, apesar de jornalista, de investigar profundamente a “metodologia” petista.



Pesou, também, a conversa que tive com um petista extraordinário, logo após a divulgação do Caso Hangar.




Pesaram, sobretudo, os amigos petistas que fiz ao longo da minha vida, e o sofrimento que eu sei que lhes causará a “evisceração” do Hangar – da mesma forma que sofreram os tucanos, quando eviscerei os escândalos da dupla Marcelo Gabriel/ Chico Ferreira...



Até me havia recolhido a uma espécie de auto-exílio; a uma fase contemplativa, digamos assim.




Havia como que me retirado da arena política, para pensar, para refletir acerca da minha vida...



No entanto, lá estava eu, entre incensos e mais incensos, entre mantras e mais mantras, quando a senhora, doutora Joana Pessoa, em sua arrogância patológica, resolveu como que “me chamar” de volta à arena...


E, o que é pior: através de um ataque covarde. De contra-ataque irrecusável, pois...


Lamento, não pela senhora, que, a meu ver, não passa de uma criminosa comum, que, simplesmente, se utiliza da política para se dar bem.




Lamento pelo PT. E até pela minha xará, que, sinceramente, creio que não merece – como já disse a tanta gente!... – um final tão melancólico...



E quando esse magnífico petista me procurou, para jogar água fria no Caso Hangar, ele até referiu gente que aí trabalha, cuja biografia não merece ser enlameada pela investigação dessa imensa lavanderia.




E eu aquiesci. Por tais pessoas. Pelas importantes lutas que travam e que já travaram. E até porque não desconheço os esquemas a que são obrigados a recorrer os partidos brasileiros, para angariar dinheiro para as eleições.




Aquiesci porque pesou o compromisso que tenho – ao contrário da senhora – com a transformação da sociedade brasileira.




Mas, infelizmente, a sua ação, o seu processo, doutora Joana, me obriga a ir até o fim...




Me obriga a tomar decisões que eu, neste meu auto-exílio, não queria tomar...




Me obriga a mexer pedras, nesse grande tabuleiro político, que eu hesitava em mover, à espera da definição de 2010...


Lamento, como já disse.





Mas, agora, vamos jogar o “foda-se”.




Um jogo que não conhece paralisação, doutora Joana.



Um jogo, como se diz em política, que “só termina quando acaba”.


Um jogo que vai até a última gota, sem qualquer comiseração em relação ao adversário...




Lamento que a senhora tenha tomado esse caminho.



E eu vou até lhe dizer como a senhora, na sua obtusidade, raciocinou.


A senhora pensou: “Bom, eu processo essa fodida, elogio o jornal em que ela trabalha e, assim, a isolo; deixo-a sem chance de defesa; deixo-a a minha mercê”...



“Assim, saio livre, leve e solta de todas as acusações”...




Não foi assim, doutora Joana Pessoa, que a senhora raciocinou?




Não lhe vou dizer que é um raciocínio de todo ruim.



Peca, no entanto, por dois “detalhes”.



O primeiro: a senhora, simplesmente, não “combinou comigo”, como se diz, essa sua “estratégia”: a senhora se esqueceu de me dizer que era para ficar quieta, caladinha, diante de um possível massacre...



Em segundo lugar, a senhora desconheceu o básico: em uma mesa de jogo, há, necessariamente, mais de um jogador.



E isso quer dizer que a gente pode até tentar adivinhar o jogo alheio. Mas, não há jogador, doutora, por melhor que seja, que possa prever, de fato, as cartadas alheias...



Creio, sinceramente, que a senhora deveria ter escolhido outro opositor.


Um que lhe desse, ao menos, possibilidade de defesa...



Que publicasse: “Acho que”; “Dizem que”...



Porque, doutora Joana, eu jamais “acho”: eu provo!...

E ainda que isso me custe dias e dias e noites e noites... E até um bocado de tintura nestes meus cabelos brancos...



Lamento que, entre tanta gente, a senhora tenha escolhido a mim...



Lamento que a senhora tenha me “acordado” do meu retiro espiritual...


Pois que, agora, nem pense em desistir do seu processo: para parar esse processo a senhora tem de me consultar.



E eu não vou aceitar paralisação, doutora Joana.



Agora, porque a senhora quis assim, nós vamos jogar o “foda-se” - até o fim...




E que Deus, doutora Joana, em sua infinita misericórdia, tenha Piedade de nós!




FUUUIIIIII!!!!!!!





(Ei, Joana, diz pros Weyl se acalmarem com o que o que vou tocar agora... Pra estes tempos tão bicudos do PT...)





Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores


Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão...
em, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...


Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não...

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...


(Geraldo Vandré)