Ban

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

aborto

Sobre o aborto



Esse negócio de bebês abandonados de tudo que é jeito só vai acabar quando o Brasil deixar de ser hipócrita e legalizar o aborto.



Porque é muito fácil apontar o dedão acusador para essas mulheres, em geral paupérrimas, e não perceber que elas não têm, simplesmente, alternativa, a não ser abandonar essas crianças no primeiro lugar que apareça, talvez até rezando para que sejam resgatadas...



Essas mulheres não são “monstros”.



São vítimas, em verdade, dessa hipocrisia, dessa ignorância que, em pleno Século XXI, ainda pretende as mulheres como meros úteros, como meras reprodutoras; corpos que são espécie de pertença social.



Todo santo dia, dezenas, centenas, milhares de abortos são realizados, neste país, por quem pode pagar.



Eu mesma, filha da classe média, fiz vários abortos ao longo da vida. Tudo com anestesia e médico; tudo “bonitinho”...



Mas, as mulheres pobres não têm essa alternativa. Morrem que nem moscas, ao tentarem abortar uma criança indesejada.



E, se por medo ou por ignorância ou por falta de dinheiro não têm alternativa que não seja parir esses filhos indesejados, muitas vezes não podem fazer outra coisa que não seja abandoná-los do jeito que conseguem.



É muito fácil para nós, classe média e alta, criminalizarmos essas mulheres.



Afinal, temos dinheiro e acesso à informação. E, sobretudo, temos o embalo melodramático da Rede Globo...



E, no mais das vezes, temos alternativa econômica de sobrevivência sem um homem.



E, no mais das vezes, temos a possibilidade de superar o preconceito social.



E, no mais das vezes, também adoramos exaltar essa coisa de “Maria”, essa coisa da “Grande Mãe”, para à qual fomos perfeitamente “domesticadas” - como se amássemos, automaticamente, os filhos que parimos; como se não soubéssemos, todas nós!, que amor, em verdade, se constrói...



O que é preciso, portanto, é legalizar o aborto.



Nós, mulheres, não somos, simplesmente, um útero, um buraco, um espermódromo.



Uma simples VAGINA, para dizer a coisa com toda a clareza do mundo...



Temos de ter o direito, sim, de abortar.



E de ter acesso a métodos contraceptivos menos dolorosos...



Temos de ter o direito ao sexo, ao prazer, sem que isso signifique necessariamente, como acontecia na Idade Média, um mero exercício de reprodução.



O resto é hipocrisia, preconceito, coisa de troglodita.



Coisa de quem acabou de cair da árvore.



E, aliás, nem deveria ter caído...




FUUUIIIIII!!!!!!

FSM

Ao Hospício do Fórum Social Mundial



Ia escrever um post detonando com o Fórum Social Mundial.



Não que, afinal, um post meu ou este meu cafofo possuam tanta importância assim.



Mas, para marcar posição frente a essa festança enlouquecida – mais uma, né mermo? – das esquerdas de todo o mundo, que, mesmo depois de nove longos anos de “gastação” desbragada de cuspe, não conseguem parir uma alternativa que preste a esse sistema iníquo (e o bom e velho Marx deve de estar se revirando no túmulo...).



E pra mais, agora, quando o FSM tem de sobreviver de farto financiamento público.



O que não é “apenas” ruim por envolver dinheiro público de questionável destinação.



Mas, principalmente, porque atrela a sociedade, os movimentos, as organizações da sociedade a um determinado governo.



E isso é um verdadeiro veneno para o exercício da crítica – a que todo e qualquer governo tem, sim, de ser submetido.



Movimento social que é movimento social não pode ser sustentado por qualquer governo que seja. E ponto.



Mas, deixa pra lá!... Não vou questionar o fato de se gastarem R$ 100 milhões de dinheiro público nesse nosso lári-lári, nessa nossa “bacanal”, nessa nossa grande confraternização anárquica...



Vou me deixar “embalar” pelo clima, nem que seja para não ficar parecendo uma gralha...



E olhem que, se pudesse, até financiaria, do próprio bolso, iniciativas como o bloco “Doido é Doido”, por ser, afinal, militante juramentada...



Mas, com dinheiro público, companheiros?!!!...



Mas tudo bem, vou me calar! E até vou deixar uma singela homenagem a toda à fauna do Fórum Social Mundial – e, tenham certeza, só não estou aí porque, infelizmente, tenho de trabalhar...



A todos vocês um hino, diretamente da Terra da Cabanagem:






Aquarius


When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars

This is the dawning of the age of Aquarius
The age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!

Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golding living dreams of visions
Mystic crystal revelation
And the mind's true liberation
Aquarius!
Aquarius!

When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars

This is the dawning of the age of Aquarius
The age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!

Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golding living dreams of visions
Mystic crystal revelation
And the mind's true liberation
Aquarius!
Aquarius!



Hare Krishna


Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama Hare Hare

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama Hare Hare

Love love
Love love
Drop out
Drop out
Be in
Be in

Love love
Love love
Drop out
Drop out
Be in
Be in

Take trips get high
Laugh joke and good bye
Beat drum and old tin pot
I'm high on you know what

Take trips get high
Laugh joke and good bye
Beat drum and old tin pot
I'm high on you know what

Take trips get high
Laugh joke and good bye
Beat drum and old tin pot
I'm high on you know what

Marijuana marijuana
Juana juana mari mari
Marijuana marijuana
Juana juana mari mari

Beads, flowers, freedom, happiness
Beads, flowers, freedom, happiness
Beads, flowers, freedom, happiness
Beads, flowers, freedom, happiness

Beads, flowers, freedom, happiness
Beads, flowers, freedom, happiness
Beads, flowers, freedom, happiness
Beads, flowers, freedom, happiness


I Got Life!

I got life, mother
I got laughs, sister
I got freedom, brother
I got good times, man

I got crazy ways, daughter
I got million-dollar charm, cousin
I got headaches and toothaches
And bad times too
Like you

I got my hair
I got my head
I got my brains
I got my ears
I got my eyes
I got my nose
I got my mouth
I got my teeth

I got my tongue
I got my chin
I got my neck
I got my tits
I got my heart
I got my soul
I got my back
I got my ass

I got my arms
I got my hands
I got my fingers
Got my legs
I got my feet
I got my toes
I got my liver
Got my blood

Repete

I got my guts (I got my guts)
I got my muscles (muscles)
I got life (life)
Life (life)
Life (life)
LIFE!


Let The Sunshine In!


We starve-look at one another
Short of breath
Walking proudly in our winter coats
Wearing smells from laboratories
Facing a dying nation
Of moving paper fantasy
Listening for the new told lies
With supreme visions of lonely tunes

Somewhere
Inside something there is a rush of greatness
Who knows what stands in front of our lives
I fashion my future on films in space
Silence tells me secretly
Everything
Everything

Manchester England England
Manchester England England
Across the Atlantic Sea
And I'm a genius genius
I believe in God
And I believe that God believes in Claude
That's me, that's me, that's me
The rest is silence
The rest is silence
The rest is silence

We starve-look at one another
Short of breath
Walking proudly in our winter coats
Wearing smells from laboratories
Facing a dying nation
Of moving paper fantasy
Listening for the new told lies
With supreme visions of lonely tunes

Singing
Our space songs on a spider web sitar
Life is around you and in you
Answer for Timothy Leary, deary

Let the sunshine
Let the sunshine in
The sunshine in
Let the sunshine
Let the sunshine in
The sunshine in
Let the sunshine
Let the sunshine in
The sunshine in...


(trilha sonora do filme Hair)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Eu também quero montar uma OS.




I



Em 2007, conforme o balanço geral paraense, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) teve um orçamento superior a R$ 75 milhões.



Desse total, mais de R$ 34 milhões foram para o pagamento dos vencimentos e vantagens fixas de seus servidores e conselheiros.



Esses últimos, tão bem remunerados quanto os desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado. Embora que, muitas vezes, sem a mesma qualificação...



No entanto, ontem fui surpreendida por uma correspondência do TCE, na qual me comunicava não ter acatado o meu pedido de investigação do Hangar-Centro de Convenções, porque, na denúncia que formulei, a douta Corte de Contas não detectou nem provas, nem indícios de superfaturamentos de preços ou fraudes licitatórias, nas contratações entre o Governo do Estado e a Organização Social Via Amazônia.



Confesso que, ao ler tal comunicado, senti uma vergonha danada!...



Mas, não por mim.



E sim pelos doutos conselheiros e técnicos do TCE que foram capazes de cometer tamanha ignomínia contra nós, pobres e absolutamente desamparados, contribuintes.



Sinceramente, não sei como o cidadão Coutinho Jorge, pelo qual até aqui guardei um certo respeito, teve a indignidade de assinar algo assim...



Tenham certeza de que fiquei pasma, porque, infelizmente, tenho esse bom espírito que me leva a crer nas pessoas – e eu sempre tive o cidadão Coutinho Jorge na conta de uma pessoa honrada.



Mas Brutus, para lembrar aquele grandioso discurso de Marco Antonio diante do cadáver de César, também era “um homem honrado”, né mermo?...



Não conheço a analista de Controle Externo Elane Vieira S. Beltrão, responsável pela análise que embasou a decisão de Coutinho Jorge.



E desde já, não me interessa conhecer. Não me parece séria. Não me parece nem, pelo menos, competente naquilo que faz.



Elane e Coutinho me fizeram sentir menos brasileira, menos paraense, menos cidadã.



Fizeram-me sentir vergonha do meu Pará e do meu povo...



Fizeram-me sentir pequena – como se pequenos fôssemos nós, sociedade.



Como se o Estado e os agentes do Estado pudessem fazer o que bem lhes apetece sem terem de responder por isso.



Como se fosse de somenos importância clamar pelo respeito à democracia e à ética, no trato da res publica.



Daí o título deste artigo: a resposta do TCE me levou à conclusão, lógica, inapelável, de que tudo o que é preciso para enriquecer, nesta terra de barbárie, é montar uma Organização Social.



Uma OS sob a proteção de algum poderoso, de algum mandatário.



Uma entidade sob a proteção de alguma “amiguinha”, que, quem sabe, até nos chore nos ombros...





II



Tudo isso é muito engraçado, não deixa de ser engraçado...



Porque a indecência, a imoralidade, a falta de escrúpulos, têm, sim, um “quê” de comicidade.



É como se essas pessoas que se julgam tão maravilhosamente “intocáveis” não atentassem ao próprio lado burlesco.



Ora, a mim, cidadã, que cometo o “crime” de pensar, parece que a comunicação do TCE disse, por outras palavras: “façam o Carnaval! Se locupletem o mais possível! Roubem, afanem, metam a mão na “bufunfa desta terra sem Lei!”...



Porque a Justiça é cega neste País infeliz, imundo, dominado, há 500 anos, por essa corja de colarinho branco.



Um país que, por isso mesmo, incensa toda sorte de patifaria com esse dinheirinho que é de todos nós!...



Leio em tal decisão, em suma, eu, cidadã; leio nessa infeliz comunicação do TCE, ao qual pagamos mais de R$ 75 milhões em 2007, que basta criar uma ONG para se dar bem...



Basta ser “criativo” ao burlar a Lei, porque a Lei existe é para ser burlada por esse punhado de marginais; por esses parasitas sociais, travestidos de revolucionários...



Que estranhos tempos, estes!...




Estranhos tempos, como já disse, em um post atrás...




Um tempo em que - quem diria! - nos igualamos, enfim, à bandidagem que dissemos que iríamos varrer da História do nosso estado e do nosso país...





III



Eu também quero montar uma Organização Social!...


Sim, eu, enfim, também quero uma OS!...


Eu, cidadã, contribuinte, também quero alugar uma saleta por R$ 35 mil por mês, ao Governo do Estado, exatamente como fez a Via Amazônia, sem que o TCE veja nisso qualquer “sintoma” de ilegalidade...


Eu também quero ser aquinhoada por milionárias dispensas de licitação tipo aquela da Seduc, de quase R$ 2 milhões, para um evento de dois ou três dias a um punhado de professores fumados, mal pagos, que não veriam esse dinheiro nem que trabalhassem uns 30 anos...


E sem que o TCE, o nosso douto TCE, e os nossos muito bem pagos técnicos e conselheiros do TCE, dêem um pio que seja em relação a tudo isso...


Pois, que não falte aos nossos doutos técnicos e conselheiros nem o salário, nem o cafezinho, né mermo?...


Eu, cidadã, contribuinte, também quero ter uma dispensa de licitação de quase meio milhão de reais, para a confecção de “impressos”...


E sem que o nosso TCE questione, ao menos, se essa entidade, como a OS Via Amazônia, está ou não habilitada, em seu objeto societário, a realizar esse tipo de serviço. Ou, ainda, se é possível dispensar licitação para esse tipo de serviço.


Eu, cidadã, contribuinte, também quero ser contraparente de algum governante, e abrir uma OS em endereço incerto e não sabido - montada nas coxas!...

E, mesmo assim, ganhar um contrato fabuloso, para administrar uma estrutura pública, na qual foram torrados milhões em dinheiro público...


Eu, cidadã, contribuinte, também quero participar dessa mamata, dessa lambança, dessa patifaria, dessa bandalheira...


Até porque sei que o nosso TCE não verá nisso nem sombra de irregularidade!...


E o nosso TCE deve estar certo, né mermo?...


Eis que o nosso TCE, como diria Marco Antonio, é um “organismo” honrado... Feito de homens e mulheres de conduta ilibada, cujo primeiro e único compromisso é com o trato do dinheiro público...


Nunca fui tão achincalhada, tão aviltada, como por essa comunicação do TCE.


Imagino que todos os órgãos públicos, sustentados com dinheiro público, aos quais denunciei o Caso Hangar, agirão, nas próximas semanas, do mesmíssimo jeito.


E eu, que mostrei essa bandalheira, essa patifaria, essa lambança passarei da condição de vítima a algoz.


Estranhos tempos estes!...


Que estanhos tempos!...


Mas, pensando bem, por que estranhar, né mermo?


Afinal, estes são os tempos do PT!...


FUUUUIIIIII!!!!!!!



Gracias a la vida



Gracias a la vida que me ha dado tanto,
Me dio dos luceros que cuando los abro,
Perfecto distingo lo negro del blanco,
Y en el alto cielo su fondo estrellado,
Y en la multitudes el hombre que yo amo.


Gracias a la vida que me ha dado tanto,
Me ha dado el oído que en todo su ancho,
Graba noche y día grillos y canarios,
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
Y la voz tan tierna de mi bien amado.


Gracias a la vida que me ha dado tanto,
Me ha dado el sonido y el abecedario,
Y con el las palabras que pienso y declaro,
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando,
La ruta del alma del que estoy amando.


Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano,
Cuando miro el bueno tan lejos del malo,
Cuando miro el fondo de tus ojos claros.


Gracias a la vida que me ha dado tanto,
Me ha dado la marcha de mis pies cansados,
Con ellos anduve ciudades y charcos,
Playas y desiertos, montañas y llanos,
Y la casa tuya, tu calle y tu patio.


Gracias a la vida que me ha dado tanto,
Me ha dado la risa, y me ha dado el llanto,
Así yo distingo dicha de quebranto,
Los dos materiales que forman mi canto,
Y el canto de ustedes que es el mismo canto.
Y el canto de todos que es mi propio canto.


!Gracias a la vida!
!Gracias a la vida!
!Gracias a la vida!
!Gracias a la vida!


(Violeta Parra)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

folha



Leia, mas não deixe de ver reportagem sobre o assunto, neste blog, alguns posts abaixo:








Deu na Folha de S.Paulo


Gasto do Pará com viagens sobe 30% e atinge R$ 95 mi





Os gastos do governo do Pará com viagens no ano passado foram os mais altos da década e superaram, em 2008, as despesas nesse mesmo quesito da maioria dos órgãos do governo federal e de Estados como Minas Gerais, que tem mais que o dobro de servidores.


Dados da Secretaria Estadual da Fazenda indicam que, até novembro de 2008, a administração paraense, que emprega 210 mil pessoas, gastou R$ 95,1 milhões com diárias de civis e militares, passagens e locomoção de seus funcionários que viajam a trabalho.


Para efeito de comparação, o governo mineiro, com cerca de 504 mil funcionários, gastou R$ 92,2 milhões no período.


São Paulo teve o triplo de despesas (R$ 306 milhões) com as mesmas rubricas. Mas, proporcionalmente, elas também são inferiores às do Pará, já que o governo paulista tem quase cinco vezes o número de funcionários do governo paraense.


Os gastos do ano passado representam um salto de 30% em relação a 2007. Naquele ano, o primeiro da administração de Ana Júlia Carepa (PT), as viagens custaram R$ 73 milhões. Antes, o recorde pertencia a 2005, penúltimo ano de Simão Jatene (PSDB) à frente do governo -R$ 82,4 milhões.


Se comparadas com os gastos em viagens do governo federal, as despesas do Pará só estão atrás de quatro pastas: Defesa, Educação, Justiça e Saúde. Assinante do jornal leia mais em: Gasto do Pará com viagens sobe 30% e atinge R$ 95 mi




Fonte: blog do Noblat

sábado, 17 de janeiro de 2009

La Bamba

Curta!...Mas não deixe de ler a postagem abaixo sobre os gastos com viagens do Governo do Estado



La Bamba!



Para bailar la bamba,
Para bailar la bamba,
Se necesita una poca de gracia.
Una poca de gracia por mí, por ti.
Ay arriba y arriba
Y arriba y arriba, por ti seré,
Por ti seré.
Por ti seré.

Yo no soy marinero.
Yo no soy marinero, soy capitan.
Soy capitan.
Soy capitan.

Bam-ba-bamba,
Bam-ba-bamba,
Bam-ba-bamba,
Ba...

Para bailar la bamba,
Para bailar la bamba,
Se necesita una poca de gracia.
Una poca de gracia por mí, por ti.
Ay arriba y arriba.

R-r-r-r-r, Ja! Ja!

Para bailar la bamba,
Para bailar la bamba,
Se necesita una poca de gracia.
Una poca de gracia por mí,por ti.
Ay arriba y arriba
Ay arriba y arriba, por ti seré,
Por ti seré.
Por ti seré.

Bam-ba-bamba.
Bam-ba-bamba.
Bam-ba-bamba.

( Folclore Mexicano/ Adap.Richie Valens)

Extra! Diárias

EXTRA! EXTRA!


Viagens:


Governo do Pará gasta mais
que a Presidência da República


*Diárias tiveram crescimento recorde em 2008.
*Valores equivalem a pacotes com avião e hotel de luxo aos principais destinos turísticos do planeta.
*Lista revela 82 pessoas com mais de R$ 20 mil em diárias em 2008.
*Autarquia paga valores fixos por mês.




É incrível, mas, verdadeiro: o Governo do Estado gastou com viagens, no ano passado, mais do que a Presidência da República, a maioria dos ministérios – incluindo o das Relações Exteriores – e até que a Câmara dos Deputados.


Aliás, o Governo do Pará gastou em viagens mais do que a Justiça Eleitoral, no ano eleitoral de 2008.


A informação, que parece inacreditável, pode ser facilmente verificada através do cruzamento de documentos públicos locais – balanços e balancetes do Estado – com um levantamento publicado, nesta semana, pelo site Congresso em Foco.


Lá, consta que as despesas de viagens da Presidência da República (diárias, passagens, locomoção e bilhetes) ficaram em pouco mais de R$ 56 milhões.


No entanto, os gastos do Governo do Pará, nesse mesmo item, superaram R$ 95 milhões, conforme o balancete de novembro último, que registra, apenas, o acumulado até então.


No mesmo período, a Câmara dos Deputados gastou R$ 80,3 milhões; o Ministério da Fazenda R$ 72 milhões; o Ministério da Agricultura R$ 69 milhões; o das Relações Exteriores R$ 66,2 milhões; o do Desenvolvimento Agrário R$ 62,9 milhões; o da Previdência Social R$ 58,6 milhões; o do Meio Ambiente R$ 37,3 milhões; a Justiça Eleitoral R$ 35 milhões – apenas para ficar nos exemplos mais significativos, abaixo dos gastos paraenses.


Até porque, entre todos os entes da União – do Executivo, do Legislativo e do Judiciário – só quatro gastaram mais que o Governo do Pará, em viagens, no decorrer de 2008: os ministérios da Defesa, da Educação, da Justiça e da Saúde.




Diárias dobraram em relação a 2006


A maior parte dessas despesas do Governo do Pará se deve ao extraordinário aumento das diárias de viagem.


Até novembro do ano passado, conforme o balancete estadual, o Governo paraense já havia consumido quase R$ 55,8 milhões em diárias - ou o dobro de 2006 e 40% a mais do que em 2007.


Pior: os gastos do Governo do Estado com diárias, até novembro, já eram os maiores da década.


Aliás, quando se examina a série histórica, constata-se, em 2007 e 2008, até um descompasso entre o crescimento das diárias e o decréscimo das despesas com locomoção.


Diárias, vale lembrar, cobrem, apenas, os custos da alimentação, hospedagem e transporte em uma determinada cidade.


Os meios para se chegar até lá (bilhetes de avião e fretamento de veículos, por exemplo) são contabilizados em outra rubrica orçamentária: “Passagens e Despesas com Locomoção”.


Veja a série histórica preparada pela Perereca da Vizinha, com os gastos de viagem do Governo do Estado, desde 2000*.



Em 2000



Diárias servidores civis: R$ 8.695.924,19
Diárias servidores militares:R$ 3.346.431,05
Total diárias: R$ 12.042.355,24
Passagens e despesas de locomoção: R$ 14.293.177,33
Diárias mais passagens: R$ 26.335.532,57


Em 2001


Diárias civis: R$ 9.917.611,24
Diárias militares: R$ 2.877.044,31
Total diárias: R$ 12.794.655,55
Passagens e despesas de locomoção: R$ 18.100.189,02
Diárias mais passagens: R$ 30.894.844,57


Em 2002


Diárias civis: R$ 12.822.967,44
Diárias militares: R$ 3.133.369,72
Total diárias: R$ 15.956.337,16
Passagens e despesas de locomoção: R$ 25.903.332,20
Diárias mais passagens: R$ 41.859.669,36


Em 2003


Diárias civis: R$ 16.529.369,97
Diárias militares: R$ 5.945.207,10
Total diárias: R$ 22.474.577,07
Passagens e despesas de locomoção: R$ 31.933.869,08
Diárias mais passagens: R$ 54.408.446,15


Em 2004


Diárias civis: R$ 19.397.565,17
Diárias militares: R$ 5.170.269,86
Total diárias: R$ 24.567.835,03
Passagens e despesas de locomoção: R$ 39.980.463,36
Diárias mais passagens: R$ 64.548.298,39


Em 2005


Diárias civis: R$ 23.020.057,37
Diárias militares: R$ 8.544.344,41
Total diárias: R$ 31.564.401,78
Passagens e despesas de locomoção: R$ 50.925.850,56
Diárias mais passagens: R$ 82.490.252,34


Em 2006


Diárias civis: R$ 22.209.087,08
Diárias militares: R$ 6.712.393,00
Total diárias: R$ 28.921.480,08
Passagens e despesas de locomoção: R$ 39.027.295,01
Diárias mais passagens: R$ 67.948.775,09


Em 2007


Diárias civis: R$ 27.910.275,93
Diárias militares: R$ 12.111.143,49
Total diárias: R$ 40.021.419,42
Passagens e despesas de locomoção: R$ 33.059.920,27
Diárias mais passagens: R$ 73.081.339,69


Em 2008


Diárias civis:R$ 38.982.400,76
Diárias militares: R$ 16.814.037,26
Total diárias: R$ 55.796.438,02
Passagens e despesas de locomoção: R$ 39.351.568,98
Diárias mais passagens: R$ 95.148.007,00



*Os dados de 2000 a 2007 foram retirados dos balanços gerais do Estado. Já os números de 2008 são do balancete de novembro e dizem respeito, apenas, ao acumulado até aquele momento. Os documentos podem ser acessados no site da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefa).



Um ano de ICMS de Belém


Quando se somam as diárias e as despesas com locomoção destes dois anos, o que se verifica é que o Governo do Estado já consumiu mais de R$ 168,2 milhões em viagens, pelo Pará, pelo Brasil e até pelo exterior.

É dinheiro que não acaba mais.


Para se ter idéia, quase empata com os R$ 175,2 milhões que Belém recebeu, no ano passado, em repasses de ICMS do Governo Estadual, para administrar o cotidiano de 1,5 milhão de habitantes.


É claro que, na dinheirama consumida por essas viagens, estão incluídas despesas essenciais ao contribuinte, como o deslocamento de policiais, bombeiros e técnicos de Saúde, por exemplo.


Mesmo assim, fica difícil entender o porquê do espantoso crescimento desses gastos, num país cuja inflação não atinge nem dez por cento ao ano.


E mais ainda num estado como o Pará, onde a metade da população tem renda inferior a R$ 200,00 por mês – ou menos que a diária de um secretário estadual (R$ 270,00), quando viaja para outros estados do País.



Uma profusão de aumentos


Quando se fala em diárias de viagem, tudo subiu: desde os valores até a quantidade de contemplados.


Em 2006, apenas oito pessoas receberam mais de R$ 20.000,00 em diárias, no Governo do Estado.


Em 2007, esse número saltou para 35.


No ano eleitoral de 2008, simplesmente explodiu: foram nada menos que 82.


A quantidade de gente que viajou também cresceu: 10.166 funcionários, em 2006; 11.802, em 2007; 13.107, em 2008, conforme o site da Auditoria Geral do Estado (AGE), no link “Transparência Pará”.


E o Governo do Estado também dobrou o valor das diárias, em julho de 2007.


É certo que elas já estavam sem reajuste desde 2003. Mas, também é fato que subiram muito acima da inflação do período.


Com isso, as diárias para secretários de estado e equivalentes, nas cidades mais próximas da RMB (até Castanhal e Vigia, por exemplo) passaram de R$ 50,00 para R$ 120,00. Nos demais municípios saltaram de R$ 75,00 para R$ 157,00. Para outros estados passaram de R$ 150,00 para R$ 270,00.


Já os demais servidores recebem diárias de, no máximo, R$ 135,00, no interior do Pará; e de R$ 240,00, nas viagens interestaduais.


Para o exterior, as diárias variam de 300 a 400 dólares, conforme o destino e o cargo que se ocupa.


É verdade que as maiores diárias são dos desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado: eles ganham R$ 744,00, nos deslocamentos pelo Brasil; 496 dólares, na América Latina e 620 dólares, nos demais países.


Porém, quem mais gasta é mesmo o Executivo.


Dos R$ 27 milhões que o Governo do Estado consumiu em diárias, em 2007, apenas uns R$ 3,2 milhões foram gastos pelos demais Poderes.



Sem IR nem Responsabilidade Fiscal


De acordo com o Regime Jurídico Único (RJU), diárias têm caráter indenizatório: cobrem, apenas, como já se disse, despesas de hospedagem, alimentação e transporte no destino.


E como não constituem, em tese, um rendimento, não têm desconto de Imposto de Renda.


Também são contabilizadas, no balanço, como outras despesas de custeio – quer dizer, não entram na rubrica “gastos com pessoal”, sobre a qual há limites ferrenhamente impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).



Dinheiro para um “tour” no Tahiti


Entre os 13 mil contemplados, pelo Governo do Estado, há 82 pessoas que receberam mais de R$ 20 mil em diárias, no ano passado.


Desses 82, doze contabilizaram valores acima de R$ 30 mil.


Houve quem recebesse em diárias, num único mês, o equivalente a pacotes, com avião e hotel de luxo, para os principais destinos turísticos do mundo – Roma, Paris, Nova York – ou até para inesquecíveis 10 dias no paradisíaco Tahiti...


Exemplo: o servidor Cássio Alves Pereira, da Secretaria Estadual de Agricultura, que recebeu mais de R$ 26 mil.


Consta, no site da AGE, que ele só não viajou nos meses de janeiro e dezembro.


E, por vezes, recebeu verdadeiras boladas: quase R$ 6 mil em diárias em abril; mais de R$ 10 mil em novembro.


O mesmo vale para Edna Maria da Costa e Silva, da Secretaria de Meio Ambiente: foram cerca de R$ 5 mil em diárias em janeiro; cerca de R$ 6 mil em março; R$ 4,5 mil em dezembro - sem contar os demais meses.
Outro exemplo: Marcos Eduardo Sachi, da Paratur: R$ 9,7 mil em diárias em fevereiro; R$ 10,5 mil em junho; quase R$ 7 mil em setembro; mais de R$ 5 mil em outubro.


Mas, a campeã de diárias do Pará é Maria de Belém Nazareth Gomes, da Paratur, há pelo menos três anos na liderança do ranking.


Maria recebeu R$ 44.169,59, em 2006; R$ 54.003,30, em 2007; e R$ 60.703,90, em 2008.


Quer dizer: foram 50% a mais de diárias, em apenas dois anos.


Maria se defende apontando o lugar estratégico que ocupa - é gerente de Assuntos Internacionais da Paratur - e a cuidada qualificação: é administradora de empresas com MBA em gestão em Turismo, e especialização em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas. Além disso, domina três idiomas: inglês, francês e espanhol.


Também aponta o resultado da presença do Pará no exterior: o aumento do fluxo turístico para o estado.


Lista os importantes eventos em que representou o Pará. Chama a atenção para a relação custo/benefício do trabalho que realiza.


O problema é que não se questiona o trabalho da servidora - embora não pareça razoável acreditar no peso exclusivo das suas viagens para o aumento do fluxo turístico paraense...


Aliás, não se questiona nem a qualificação que possui, acima da média do mercado local.


O que se estranha é o valor que recebe em diárias - e não só ela, mas, um punhado de servidores.


Exemplo: os R$ 10 mil recebidos em diárias, num único mês, por Maria, Cássio e Marcos Sachi, dentre outros, para despesas de alimentação, hospedagem e transporte local.


É dinheiro suficiente para mais de dois meses no interior do Pará e para um mês de viagens nababescas pelo Brasil e por alguns dos principais paraísos turísticos do mundo.


Exemplo: os pacotes de grandes operadoras de Turismo, oferecidos na internet e em revistas especializadas.


São R$ 8,5 mil por 10 dias e 9 noites no paradisíaco Tahiti, com transporte aéreo, hospedagem e traslado inclusos; R$ 4 mil por oito dias em Aruba, saindo de São Paulo e com transporte e hospedagem inclusos; R$ 4.725,60 por sete noites, para compras, em Nova York (com passagem, hospedagem e visita aos principais pontos turísticos); R$ 3.250,00 por cinco noites em Lisboa ou por nove dias e seis noites em Paris; algo em torno de R$ 3.700,00 para até 9 dias em Roma, a Cidade Eterna.


Para o Brasil, então, nem se fala: R$ 10 mil dão para visitar a Serra Gaúcha, o Nordeste, as cidades históricas mineiras; dão para uns dois meses, em excelentes hotéis.


E note-se que os R$ 10 mil recebidos por esses servidores não incluem as passagens de avião.


Maria de Belém argumenta que a comparação não cabe, porque não há como atrelar as viagens que faz aos períodos impostos pelas operadoras turísticas, que possibilitam essa redução de preço.


Além do que, a compra das passagens é feita pela empresa que venceu o processo licitatório da Paratur.


Mesmo assim, é difícil aceitar que o dinheiro de impostos esteja desaparecendo em despesas de viagem.




As idas e vindas da campeã, Maria de Belém


A imbatível Maria de Belém de Nazareth Gomez, da Paratur, fez, pelo menos, oito viagens, no ano passado, com os mais de R$ 60 mil que recebeu em diárias.



1)De acordo com o Diário Oficial, entre 4 e 19 de março ela esteve na França, junto com outro funcionário da Paratur, para participar da "Feira de Bressuire e da Feira de Turismo Le Monde a Paris". Foram 16 diárias.



2)De 21 a 24 de março, ela foi para Guadalupe, no Caribe francês, novamente acompanhada de outra servidora da Paratur, para participar do evento internacional "La Fête du Crabes et de la Mangrove". Mais quatro diárias



3)De 16 a 21 de abril, incansável, Maria de Belém foi à Caiena, acompanhada de uma técnica, para participar do10° Salão de Turismo da Guiana Francesa. Mais seis diárias.



4)De 16 a 24 de maio, voltou à Europa - às cidades de Nantes, Rennes e Lillee Strasbourg, para participar do "2º Roadshow do Brasil na França". Mais nove diárias.



5)De 30 de junho a 2 de julho voltou à Caiena, na Guiana Francesa, para participar da apresentação do "Programa Operacional Amazônia". Mais três diárias.



6)De 1 a 6 de outubro esteve em Paramaribo, no Suriname, novamente em companhia de um servidor da Paratur, para participar do "Suriname Tourism Fair". Mais seis diárias



7)De 21 a 28 de outubro, viajou para a belíssima Itália. Sempre acompanhada de outra funcionária pública, esteve na cidade de Rimini, para participar do evento "TTG Incontri". Mais oito diárias.



8)Finalmente, de 5 a 15 de novembro, acompanhou a governadora em suas andanças pela China. Mais 11 diárias.




Os 82 com mais de R$ 20 mil


Veja a lista dos 82 servidores que receberam mais de R$ 20 mil em diárias, no ano passado, conforme o site da AGE:


Maria de Belém de Nazareth Gomez – R$ 60.703,90
Luíza Antonia Rachid Miranda - R$47.790,00
Charles Campos e Campos – R$ 41.953,50
Rosely Souza Pereira – R$ 40.702,50
Ambrosio Lindoso da Silva Filho – R$ 39.825,00
Reginaldo Mauro Cunha Dorea – R$ 35.842,50
Vicente de Paulo Pureza – R$ 35.842,50
Fernando Josias da Costa Leal – R$ 35.775,00
Maurílio de Abreu Monteiro – R$ 34.796,00
Astrid Maria Fiel Cabral B. Soares – R$ 33.142,50
Marcos Eduardo Sacchi – R$ 32.423,71
Maria da Graça Carvalho de Albuquerque – R$ 30.645,00
Fernando José Monteiro Menezes – R$29.182,50
Antonio Santos – R$ 28.912,50
Guilherme Alves Mendes – R$ 28.147,50
Maria Ivonete Lira Farias – R$ 28.080,00
Olga Santos Torres de Assis – R$ 27.982,50
Janete Lima Paes – R$ 27.877,50
Suely de Jesus Ribeiro da Silva – R$ 27.877,50
Raimundo Laércio Araújo de Souza – R$ 27.405,00
Édson de Almeida Calcagno – R$ 27.216,00
Osmar Lima Sampaio Júnior – R$ 27.202,50
Juarez Araújo de Souza – R$ 26.730,00
Edna Maria da Costa e Silva – R$ 26.502,07
Cássio Alves Pereira – R$ 26.261,44
Wellington Prestes de Lima Nascimento – R$ 26.082,50
Ana Nery Monteiro Lisboa – R$ 25.852,50
Antonia do Socorro Pena da Gama – R$ 25.703,44
Marne Brasil Vieira – R$ 25.582,50
Sonia Suely dos Reis Pedroso – R$ 25.402,50
Paulo Roberto Reis de Almeida – R$ 25.157,50
Gilson da Luz Sousa – R$ 24.997,50
Mário Sérgio de Lima Sousa – R$ 24.975,00
José Cleison Cohen Pereira – R$ 24.907,50
Joelcio Junior da Costa Graça – R$ 24.415,00
Daniel José B. Sidonio – R$ 24.060,00
Diego Bruno Martins das Chagas – R$ 24.060,00
Daniel Luiz Monteiro Freire – R$ 23.760,00
José Hilton da Silva Cunha – R$ 23.692,50
Nazário Pereira – R$ 23.625,00
Diego Teixeira da Silva – R$ 23.505,00
Edilson Batista Dutra – R$ 23.490,00
Cleide Cilene Tavares Rodrigues – R$ 23.463,00
Mariza Campos de Melo Freitas – R$ 23.422,50
Andre Segantin Luiz – R$ 23.162,76
Valmir Gabriel Ortega – R$ 23.050,17
Mariceli Nascimento Moura – R$ 23.015,00
Alicio Brito Filho – R$ 22.800,50
Ann Clelia de Barros Pontes – R$ 22.698,70
Maria Sueli Damasceno do Nascimento – R$ 22.687,50
Huguaraci Araújo Dias – R$ 22.680,00
Raimundo Socorro Costa Almeida – R$ 22.545,00
Maria Eloisa dos Santos Leal – R$ 22.410,00
Marco Antonio Cunha Solimões – R$ 22.385,50
Cesar Murilo Campelo Jucá – R$ 22.012,50
Maria Claras das Neves – R$ 22.005,00
Mara Sílvia Galvão da Silva Carneiro – R$ 21.982,50
Paulo Joaquim Pina de Queiroz – R$ 21.900,00
Clodoaldo Ferreira dos Reis – R$ 21.802,50
José Eli da Costa – R$ 21.766,50
Luiz Otávio Maciel Miranda – R$ 21.538,12
Eric Bruno da Silva Batista – R$ 21.465,00
Eliomar Campos Faustino – R$ 21.445,00
José Maria de Oliveira Picanço – R$ 21.195,00
Afonso Luiz Marinho França – R$ 21.195,00
Heldecir Lima Conceição - R$ 21.195,00
Maria Raimunda Moraes Sidrim – R$ 21.195,00
Fernando Mesquita Ribeiro – R$ 21.102,50
David Teixeira Alves – R$ 21.034,67
Júlio César Meyer Junior – R$ 20.944,50
Ed Wilson Souza Nascimento – R$ 20.943,00
Miguel Jurandir Melo de Oliveira – R$ 20.857,50
Carlos Antonio Duarte Rodrigues – R$ 20.722,00
Geovani de Aviz Gentil – R$ 20.685,00
Ismênia Raimunda Rossi Gralato – R$ 20.587,50
Jaime Menescal de Souza – R$ 20.580,00
Jorge do Carmo dos Santos Farias – R$ 20.385,00
Maria de Nazaré de Andrade Moreira Porto – R$ 20.261,00
Rosania do Socorro Garcia Campestrini – R$ 20.257,50
José Fernandes Costa – R$ 20.182,50
Maria Cristina Marçal Cavalcante – R$20.115,00
José Maria Nascimento Gomes – R$ 20.035,00



Indícios de folha suplementar?


Dos 82 funcionários públicos que receberam acima de R$ 20 mil em diárias, no ano passado, nada menos que 34 - ou mais de 40% - são funcionários do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).


O restante trabalha em diversos órgãos, especialmente no Iterpa.


Mas, as diárias do Detran não chamam a atenção, apenas, pelo valor e pela quantidade de contemplados.


Há algo bem mais complicado: a repetição, todos os meses, dos mesmíssimos valores, no caixa desses funcionários. Uma coisa facílima de constatar, no site da AGE.


Veja-se o exemplo da servidora Luiza Antonia Rachid Miranda, a segunda colocada no ranking, beneficiada com R$ 47.790,00 em diárias, no ano passado.


Quando se verifica o detalhamento desse dinheiro - a partir das ordens bancárias (OBs) já lançadas no site - o que se percebe é uma improbabilidade tão grande quanto ganhar na mega-sena: Luíza teria recebido exatos R$ 3.982,50 em diárias, a cada mês do ano passado, à exceção, apenas, de junho.


Em compensação recebeu, em maio, duas Obs no valor de R$ 3.982,50 - exatamente como quem sai de férias...


"Isso é realmente muito estranho, porque os valores das diárias, geralmente, são variáveis" - comenta um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE).


E embora ele esteja habituado a analisar contas públicas, seu espanto deriva tão somente do bom senso: como diárias cobrem despesas de hospedagem, alimentação e transporte local e variam conforme a distância do lugar para onde se viaja, não há como imaginar que possam ter um valor fixo, todo santo mês.


Além disso, esses R$ 3.982,50, quando divididos por 30, resultam em R$ 132,75 por dia.


Quer dizer: para receber esses quase R$ 4 mil de diárias, Luíza teria de ter viajado, a trabalho, todos os 30 dias de cada mês do ano de 2008.


Isso porque o valor da diária mais alta, para dentro do estado, a todos os servidores que não são secretários de estado (ou equivalente), é de R$ 135,00.



Número Mágico


O problema é que isso não acontece, apenas, com Luíza - na verdade, esse valor em diárias, R$ 3.982,50, até parece um número mágico, tanto que se repete no Detran.


Exemplo: Rosely Souza Pereira, a terceira do ranking.


É certo que ela recebeu apenas R$ 877,50 em janeiro do ano passado.


Mas, de fevereiro a dezembro, caíram religiosamente no bolso de Rosely, a cada mês, R$ 3.982,50 em diárias.


A exceção foi março, quando nada recebeu.


Em compensação, em maio, foram duas ordens bancárias de R$ 3.982,50.


Mais um exemplo: Ambrósio Lindoso da Silva Filho, quinto do ranking.


Ambrósio recebeu R$ 3.982,50 em diárias nos meses de fevereiro, março, abril, maio, junho, agosto, setembro, outubro e dezembro, além de uma OB extra, de R$ 3.982,50, em outubro.


Mais ou menos o que aconteceu com o oitavo do ranking, Fernando Josias da Costa Leal, que recebeu R$ 3.915,00 em janeiro; e R$ 3.982,50 de fevereiro a setembro.


Ou com Vicente de Paulo Pureza (7 do ranking), com R$ 3.982,50 em diárias, nos meses de março, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro e dezembro - e uma OB extra em julho, de igual valor.


Ou com Reginaldo Mauro Cunha Dorea (6 do ranking): R$ 3.982,50 em diárias, de abril a novembro, e uma ordem bancária extra, em abril.



Situações curiosas


No Detran, os valores das diárias se repetem tanto que geram situações curiosas: quantitativos idênticos, nos mesmos meses, a funcionários diferentes.


Isso aconteceu, por exemplo, com os servidores Afonso Luiz Marinho França e Heldecir Lima Conceição, com idênticos R$ 21.195,00 em diárias, no ano passado.


Eles receberam R$ 3.982,50 em fevereiro, março, abril, maio e julho, sendo que, em fevereiro, ambos receberam Obs extras no valor de R$ 405,00; e em agosto tiveram diárias, também idênticas, de apenas R$ 877,50.


Pelo menos é isso o que já foi atualizado no site da AGE. Por isso, não se sabe se a improvável coincidência se repetiu até o final do ano.



Detran nega irregularidades


Um promotor de Justiça lembra que diárias de viagem não têm valor fixo, nem podem se estender por meses a fio.


"Se atentarmos para o princípio da razoabilidade, o tempo limite ao pagamento de diárias será de uns 30 dias", observa.


E diz que, se comprovado o pagamento irregular, tanto quem recebeu, quanto quem o ordenou pode ter de devolver o dinheiro aos cofres públicos.


"O crime de improbidade prescreve em cinco anos, a partir do momento em que o gestor deixa o cargo. Mas, a devolução do dinheiro de um ato ilícito é imprescritível", assinala.


O Detran nega, porém, a existência de irregularidades.


Em nota, garante que "todas as diárias concedidas no exercício de 2008 foram feitas dentro das exigências legais, sem priorizar servidores ou como forma de pagamento de 'folha suplementar".


Ainda segundo a nota, o maior número de diárias em relação a 2007 se deve "a maior interiorização dos serviços da autarquia".


Acresce que as viagens objetivaram atividades "de suma importância", como a fiscalização do trânsito e ações educativas. E que a "a falta de agentes de trânsito lotados no interior e o pequeno efetivo que operou em 2008, somados à necessidade de intensificar as operações para diminuir o número de veículos irregulares trafegando e para a redução de acidentes, contribuiu para o elevado número de diárias no ano passado".


Mas, promete, a situação "muda" em 2009, com a colocação de agentes de trânsito concursados nas regionais da autarquia.


No entanto, apesar do que diz a nota, essa profusão de diárias do Detran não é nova: na verdade, quando se consulta o Balanço Geral do Estado percebe-se que ele foi o organismo estadual que mais gastou com diárias em 2007: foram mais de R$ 2,8 milhões.


Isso superou até gigantes como a Seduc, a Polícia Civil e a Sespa.


Aliás, o que o Detran torrou, em 2007, correspondeu a 10% da totalidade dos gastos com diárias (R$ 27,9 milhões) daquele ano.



Pará gasta mais que a Presidência da República


A lista dos gastos com viagens, no ano passado, do Governo Federal, foi publicada pelo site Congresso em Foco (http://congressoemfoco.ig.com.br/). Ou (http://congressoemfoco.ig.com.br/Ultimas.aspx?id=26100)


O levantamento foi realizado pela ONG Contas Abertas, a partir de dados do Siafi.


Transcrevo, como posso, a tabela. Se você não entender, dê um pulo no site.




DESPESAS COM DIÁRIAS, PASSAGENS, LOCOMOÇÃO E BILHETES


Dotação Atualizada/ Despesas Empenhadas/ Despesas Executadas/Valores Pagos/ RP PAGOS( Proc Não Proc)/TOTAL PAGO EM 2008/ TOTAL DE RP A PAGAR


MINISTERIO DA DEFESA 178.687.761,30/ 220.217.019,22/ 210.648.479,21/ 196.069.221,23/ 11.738.908,35/ 207.808.129,58/ 70.445,09


MINISTERIO DA EDUCACAO 203.754.568,30/ 199.852.251,00 170.616.872,77/ 166.321.988,14/ 9.309.563,29/ 175.631.551,43/ 4.815.607,23


MINISTERIO DA JUSTICA 153.807.540,75/ 147.267.477,79/ 136.971.867,48/ 136.779.185,11/ 2.364.515,79/ 139.143.700,90/ 598.085,53


MINISTERIO DA SAUDE 120.612.878,01/ 105.660.322,42/ 98.912.761,97/ 95.500.557,25/ 2.641.888,27/ 98.142.445,52/ 121.486,67


CAMARA DOS DEPUTADOS 80.905.000,00/ 80.602.889,70/ 66.276.646,75/ 66.192.364,72/ 13.996.327,12/ 80.188.691,84/ 126.683,64


MINISTERIO DA FAZENDA 79.099.637,89/ 73.302.010,65/ 71.186.267,55/ 71.126.398,10/ 473.656,15/ 71.600.054,25/ 542.253,46


MINIST. DA AGRICUL.,PECUARIA E ABASTECIMENTO 68.085.953,56/ 69.478.950,43/ 68.504.933,46/ 67.890.060,97/ 1.160.823,37/ 69.050.884,34/ 55.666,87


MINISTERIO DAS RELACOES EXTERIORES 66.116.165,90/ 69.181.860,43/ 66.048.669,71/ 66.044.115,22/ 156.985,44/ 66.201.100,66/ 2.030,60


MINISTERIO DO DESENVOLVIMENTO AGRARIO 76.818.681,91/ 66.596.745,26/ 60.873.569,91/ 60.785.650,52/ 1.696.095,44/ 62.481.745,96/ 441.241,18


MINISTERIO DA PREVIDENCIA SOCIAL 63.288.522,74/ 61.243.020,88/ 58.142.509,24/ 57.824.549,49/ 829.554,99/ 58.654.104,48/ 46.882,44


PRESIDENCIA DA REPUBLICA 72.831.114,19/ 62.242.185,87/ 54.597.947,58/ 54.243.637,66/ 1.520.018,88/ 55.763.656,54/ 383.284,08


MINISTERIO DO MEIO AMBIENTE 43.711.500,45/ 38.480.273,47/ 37.088.295,59/ 37.083.890,67/ 48.928,95/ 37.132.819,62/ 263.903,12


JUSTICA ELEITORAL 41.345.561,64/ 35.679.480,38/ 35.084.875,46/ 35.072.436,22/ 71.048,46/ 35.143.484,68/ 12.293,96


SENADO FEDERAL 27.648.505,75/ 27.616.237,25/ 26.423.330,15/ 26.423.330,15/ 1.588.506,50/ 28.011.836,65/ 2.708.673,19


JUSTICA DO TRABALHO 26.938.966,38/ 26.918.757,44 /26.259.733,90/ 25.979.808,30/ 253.023,85/ 26.232.832,15/ 68.674,37


MINISTERIO DA CIENCIA E TECNOLOGIA 31.992.487,51/ 27.768.940,39/ 25.650.705,12/ 25.568.641,52/ 640.378,69/ 26.209.020,21/ 206.865,88


MINISTERIO DO PLANEJAMENTO,ORCAMENTO E GESTAO 23.038.302,18/ 25.847.575,83/ 24.949.707,81/ 24.820.885,98/ 72.896,29/ 24.893.782,27/ 28.125,02


MINISTERIO DE MINAS E ENERGIA 23.248.251,33/ 23.349.098,51/ 21.318.544,64/ 21.237.868,11/ 429.667,62/ 21.667.535,73/ 1.559.813,30


MINISTERIO PUBLICO DA UNIAO 21.927.404,46/ 20.711.456,56/ 19.956.882,76/ 19.956.852,76/ 718.576,95/ 20.675.429,71/ 115.971,45


JUSTICA FEDERAL 21.724.672,95/ 20.911.515,00/ 20.363.989,81/ 20.363.641,45/ 169.792,49/ 20.533.433,94/ 63.629,68


MINISTERIO DO TRABALHO E EMPREGO 21.223.989,56/ 19.272.146,59/ 19.125.709,83/ 19.123.879,34/ 14.606,21/ 19.138.485,55/ 152,09


MINISTERIO DOS TRANSPORTES 34.089.926,08/ 22.433.519,27/ 17.488.251,18/ 17.485.664,75/ 597.991,91/ 18.083.656,66/ 421.890,58


MINISTERIO DO DESENV,IND. E COMERCIO EXTERIOR 16.722.284,04 /15.887.843,75/ 14.508.890,33/ 14.392.896,10/ 243.356,65 14.636.252,75/ 419.067,62


MINISTERIO DA INTEGRACAO NACIONAL 32.778.813,90/ 14.800.727,91/ 13.103.231,41/ 13.090.862,60/ 435.899,16/ 13.526.761,76/ 89.108,01


MINISTERIO DA CULTURA 13.559.330,41/ 12.920.981,41/ 11.271.054,27/ 11.251.206,77/ 654.773,23/ 11.905.980,00/ 128.805,40


MINISTERIO DAS COMUNICACOES 13.343.020,82/ 11.722.285,36/ 9.941.973,57/ 9.941.973,57/ 68.069,40/ 10.010.042,97/ 12.847,03


MINISTERIO DAS CIDADES 8.916.049,08/ 7.032.508,68/ 6.197.912,50/ 6.177.647,84/ 356.491,22/ 6.534.139,06 /77.598,14


TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIAO 6.399.581,76/ 6.397.399,99/ 6.099.170,67/ 6.099.170,67/ 168.352,47/ 6.267.523,14/ 146.851,64


MINISTERIO DO TURISMO 4.816.070,89/ 4.717.893,39/ 4.453.487,80/ 4.448.719,16/ 16.622,51/ 4.465.341,67/ 9.309,70


MINISTERIO DO DESENV. SOCIAL E COMBATE A FOME 6.871.845,84/ 4.032.683,30/ 3.784.926,69/ 3.782.791,93/ 27.962,03/ 3.810.753,96/ 376.223,06


SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 4.039.020,37/ 4.039.020,37/ 3.628.181,28/ 3.628.181,28/ 180.806,93/ 3.808.988,21/ 87.572,50


MINISTERIO DO ESPORTE 4.058.625,68/ 3.643.234,59/ 3.124.176,20/ 3.113.943,27/ 158.293,58/ 3.272.236,85/ 0,00


JUSTICA MILITAR 2.073.006,20/ 2.072.997,16/ 2.018.749,23/ 2.016.785,73/ 23.805,50/ 2.040.591,23/ 23.015,15


SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTICA 1.998.875,67/ 1.998.875,67/ 1.338.167,47/ 1.338.167,47/ 542.824,66/ 1.880.992,13/ 54.553,09


JUSTICA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITORIOS 352.790,16/ 352.790,16/ 336.884,78/ 334.660,16/ 6.148,09/ 340.808,25/ 0,00


TOTAL 1.596.826.707,66/ 1.534.252.976,08/ 1.416.297.358,08/ 1.391.511.634,21/ 53.377.160,44/ 1.444.888.794,65/ 14.078.610,77


Fonte: Siafi
*Até 31/12, com base em 03/01/09
OGU 2008*

Franssinete

Pobreza e pedofilia: até quando?



Recebi, nesta semana, do gabinete do deputado Bordalo, a matéria abaixo, de autoria da jornalista e blogueira Franssinete Florenzano.


Infelizmente, andei tão balada que nem consegui colocá-la no blog.


E ia fazê-lo – o que normalmente não faço – devido à qualidade da reportagem, que achei muito boa e muito importante para todos nós.


Hoje, estou atualizando o blog com a matéria sobre as viagens do Governo do Estado e já se passaram vários dias desde que recebi essa matéria.


Mas, quero muito que ela fique registrada na Perereca. Por todas as denúncias que contém.


Assim, decidi publicá-la, apesar do atraso. Ei-la:




“O arquipélago do Marajó registra um índice de desenvolvimento humano (IDH) comparável ao dos países mais pobres da África. A população está mergulhada na pobreza, no desamparo, tráfico humano e de drogas, com milhares de casos de pedofilia, abuso e exploração sexual infanto-juvenil, grilagem de terras e desmatamento ilegal. Há grave violação dos direitos humanos envolvendo principalmente mulheres, adolescentes e crianças. A malária em Anajás é uma tragédia à parte no município com cerca de 25 mil habitantes. Para se ter idéia, em 2007 foram registrados 10 mil casos, 800 por cada mil habitantes - o tolerável são 50 casos para cada mil. Mais alarmante é que o poder público, mesmo ciente, não toma providências.



“A sociedade está doente, moribunda e a cidadania não existe”, denuncia Dom José Luiz Azcona Hermoso, bispo do Marajó, contando que chegam a divulgar o preço pela cabeça de quem se opõe às quadrilhas que infestam as ilhas. “Isso é uma apologia ao crime. É um grito à consciência dos senhores deputados e senadores”, disse, ao pedir que os parlamentares busquem solução para a violência no Pará.



O conteúdo estarrecedor do relato do bispo à CPI da Pedofilia no Pará nesta quarta-feira, 14, está registrado em documentos entregues oficialmente à Comissão. Um deles é o Relatório da Audiência Pública sobre a situação de exploração e abusos praticados contra crianças e adolescentes realizada no município de Portel, no dia 11 de maio de 2006, produzido pelo assessor Amarildo Geraldo Formentini (morto em um acidente de carro na rodovia Belém—Brasília, em dezembro de 2007, em circunstâncias até hoje não esclarecidas), designado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias para representá-la no acompanhamento da tomada de depoimentos, recolhimento de provas sobre trabalho escravo e exploração sexual infanto-juvenil na região do Marajó e adjacências, além de levantamentos referentes à situação das comunidades remanescentes de quilombos, envolvendo inclusive autoridades públicas, como é o caso dos vereadores Roberto Alan de Souza Costa, o "Bob Terra" (que estuprou uma criança de 13 anos de idade) e Adosn de Azevedo Mesquita (também acusado de estupro de menores).



No relatório, um dos depoimentos mais contundentes foi o da senhora C.M.F.C., que “reafirmou publicamente, perante todas as autoridades presentes, que sua filha, a adolescente J.C.A. fora vítima de estupro praticado pelo Vereador da Câmara Municipal de Portel, Roberto Alan de Souza Costa, no dia 05 de abril de 2006. A Sra. C. também denunciou a atitude do Promotor de Justiça da Comarca de Portel, Dr. Carlos Lamarck Magno Barbosa, com a adolescente J.. Acompanhado da aliciadora "Catuta" e de sua mãe (condenada por tráfico de drogas,) fez uma abordagem de forma abrupta e ameaçadora, na porta de sua residência, causando forte constrangimento à menor e a sua família. Esse fato levou a mãe da vítima a pedir o afastamento do referido Promotor do caso de estupro praticado pelo vereador "Bob Terra".”



“A CDHM testemunhou depoimentos de vítimas que afirmam que o Promotor de Justiça, se fazendo acompanhar da jovem conhecida por "Catuta" (Marlúcia Caldas de Almeida) e sua mãe Sra. Nazaré, foram nas casas das vítimas pedindo a essas que dissessem que o Sr. Amarildo Formentini teria dado dinheiro a elas (vítimas) para que falassem em seus depoimentos que tinham sido alvos de abusos sexuais. Registre-se ainda que esta CDHM obteve informações de que à noite, na mesma data da Audiência, o Promotor reuniu-se na Prefeitura da Cidade, com meninas que deram entrevistas à imprensa, o que nos causa estranheza e, no mínimo, precisa ser investigado. Como também precisa ser investigada a ausência do Promotor na Comarca de Portel, no período de 05 a 24 de abril deste, apenas retornando quando o assessor Amarildo Formentini noticiou o fato às autoridades competentes. Ressalte-se que o assessor da CDHM mostrou todo o documentário ao dito Promotor que se disse pasmo com o que viu nas filmagens.” (sic)



O chocante depoimento de Dom Azcona à CPI da Pedofilia não pode ficar sem eco. A exploração de crianças é uma vergonha, uma ferida profunda no Estado do Pará. No Marajó, extremamente pobre e esquecido, não há qualquer controle policial, acusa o bispo. Os rios são rotas para o tráfico de madeiras, drogas e pessoas, é um território de ninguém, situação perpetuada pelo descaso, conivência e corrupção. Meninas costumam vender o corpo nos barcos que passam, o que rendeu a elas o apelido de balseiras. Isso faz com que as famílias miseráveis se desintegrem moralmente, observa o sacerdote. O estado de necessidade de dinheiro faz com que as pessoas encarem qualquer coisa, achem natural e até bom o narcotráfico, porque os traficantes dão comida e remédios. Algumas meninas vendem o corpo por um pouco de óleo diesel com o consentimento da família.




A beleza do arquipélago do Marajó rivaliza com a miséria da região, cortada por imensos rios. Integrado por mais de 3 mil ilhas e ilhotas praticamente inacessíveis, o abandono pelo poder público é secular. Seus 16 municípios abrigam mais de 400 mil pessoas. A economia depende do corte de madeira, do trabalho em fazendas de criação de gado ou da coleta de frutos e sementes nativas. “Aqui a gente convive com a fome, fome brava mesmo”, testemunha a Irmã Rita Raboin, religiosa que mora no local há mais de três anos.



O caso do Tajapuru, onde crianças se prostituem por um quilo de carne e um litro de óleo, é emblemático. As “balseirinhas”, meninas na faixa de 12 anos, ficam à beira dos rios esperando clientes, não importa a hora do dia em que passam. O sexo é pago em litros de óleo diesel. “É uma situação vergonhosa, mas comum, rotineira!”, escandaliza-se Dom José Luiz Azcona, clamando por justiça e proteção a essas crianças e adolescentes, e também fazendo duras críticas às autoridades policiais, coniventes com a situação. “No Marajó foi descoberto um policial que fazia parte de uma quadrilha de tráfico humano, onde 178 mulheres, delas também menores, sendo 52 de Breves, foram enviadas para prostituição na Guiana Francesa”, apontou o bispo.



“E não é só aqui no Marajó. O mesmo está acontecendo em várias outras cidades. Em Santarém, Bragança, Abaetetuba, Cametá, Belém, Marajó, Altamira, Xingu… No Pará, esta problemática está se expandindo cada vez mais. Isso é um fato que se agrava”, indigna-se o religioso.



O abuso sexual intrafamiliar e interpessoal (incesto, pedofilia, estupro, pornografia) e a exploração sexual comercial e não comercial (exploração sexual na prostituição/prostituição infantil, exploração sexual no turismo, pornografia e pedofilia, tráfico para fins sexuais) impedem que as crianças e adolescentes pobres, presentes no contexto histórico como alvo de discriminação e maus-tratos, tenham acesso a uma vida digna.



Dom José Luiz Azcona Hermoso, há anos, tem bradado à exaustão sobre as condições miseráveis em que vive a população do Marajó, denunciando ainda a devastação ambiental, a pesca predatória de arrastão na desembocadura do Amazonas, o descarte criminoso de peixes que deixarão de alimentar a população pobre, apenas para recolher o rendoso camarão que vai para o prato dos ricos.



O bispo diz que a CNBB denuncia a barbárie contra a civilização, por isso atrai para seus membros a ira de criminosos poderosos. As ameaças e assassinatos de religiosos não são novas, condenados e executados pela justiça privada dos que se entendem acima da lei e da ordem. O assassinato da Irmã Dorothy Stang, em 2005, é marco indicativo dessa lógica perversa.



Uma notícia que dá algum alento é que, no último dia 25 de novembro, foi sancionada pelo presidente Lula a lei nº 11.829/2008, que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente e criminaliza condutas relacionadas a pedofilia. A nova legislação aumenta a pena do agente em 1/3, quando o criminoso tiver se valido das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade; ou de relações de parentesco consanguíneo ou afim até o terceiro grau, ou ainda quando comete o crime com filho adotado, com criança ou adolescente de quem seja preceptor, com o tutelado, curatelado, empregado, ou quando mantenha qualquer tipo de relação de autoridade com a vítima.



Com isso, o legislador passou a punir com maior gravidade o abuso sexual por pessoas que se valham de relações familiares, de confiança ou de autoridade para a prática do crime. Não raro, crianças e adolescentes são vítimas de pais, tios, patrões e outras pessoas em quem confiam ou a quem devem respeito, o que as deixam muito mais vulneráveis.



A lei torna claro que haverá crime de pedofilia mesmo quando a prática sexual ocorra com o consentimento da vítima.A relação sexual mantida com menor, mesmo com o seu consentimento, corresponde à figura do estupro presumido. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Segundo o ministro do STJ Vicente Leal, a circunstância de haver tido o consentimento da menor nas relações sexuais não desfigura o delito, persistindo a lesão ao bem jurídico tutelado, pois a criança permanece sofrendo a ação criminosa do réu, de modo continuado, sendo certo que atenta contra a natureza a prática de atividade sexual em idade infantil”.




Fonte: Franssinete Florenzano
Data da publicação: 15/1/2009

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

tacacá3

Uma pausa para o tacacá 3




Quero agradecer aos vários leitores que têm prestigiado este blog e até deixado comentários, que tenho procurado publicar com o máximo de “senso” democrático, mesmo que, às vezes, pra lá de desagradáveis em relação a mim.




Quero agradecer, também, aqueles que têm me enviado denúncias, por e-mail, sobre fatos complicados, digamos assim, que estão acontecendo no governo do Estado. E-mails que, por vezes, são quase que um pedido de socorro...




Agradeço, ainda, aos amigos jornalistas e a outros profissionais que me procuram ou telefonam, para repassar valiosas informações.




Quando escrevi sobre o Hangar, nunca imaginei tais desdobramentos. E nem pensei, sinceramente, que as coisas estivessem tão mal assim, em tantas e tão diversas áreas do Governo Estadual – que eu, aliás, ajudei a eleger...





Tudo isso pesa sobre meus ombros como uma enorme responsabilidade, dada a esperança que algumas pessoas externam, quanto à possibilidade de esses fatos se tornarem públicos e acabarem resolvidos – e até punidos, exemplarmente...





É mais ou menos como na época em que investigava os tucanos, quando me chegavam às mãos dossiês e mais dossiês, de gente que, por vezes, só queria fazer valer as regras do jogo democrático...





Não tenho fonte de renda que não seja o meu suor, o meu trabalho.





Não tenho, como já cansei de dizer aqui, nem palmo de terra no cemitério.





Sustento uma casa sozinha, com a mesmíssima dificuldade, o mesmíssimo sufoco de cada um de vocês...





Mas, a esperança, a fé, que vejo refletida nesses e-mails, nessas informações, têm me levado a pensar muito, muito mesmo, acerca daquilo que devo fazer.





Há quase 30 anos milito na política, desde os tempos da ditadura militar.





Participei de greves, de passeatas, de entidades, de tudo que é movimento.





E se há uma coisa de que muito me orgulho é de continuar a acreditar nos mesmos sonhos da minha juventude.





Talvez que não de forma tão ingênua como naquela época. Talvez que de forma mais compatível com a “essência” humana.





Mas, ainda assim, os mesmos sonhos de uma sociedade mais justa, mais ética, mais feliz – da Terra Firme a Batista Campos.





A vivência e amor pela política me fizeram bem mais militante do que jornalista.





E creio que os companheiros, tucanos e petistas, até devem é agradecer a Deus por isso.





Fosse o contrário, fosse eu mais jornalista do que militante, não hesitaria, como hesito, diante de determinadas matérias...





No entanto, o meu lado jornalístico (forte que só ele!...) e até mesmo o meu lado militante têm me perguntado o que é que, afinal, ando a fazer...





Compreendo como bem poucos jornalistas, até por conhecer por dentro, os desvãos da política.





Mas, companheiros – meus companheiros!...- é preciso um mínimo de democracia, um mínimo de liberdade, um mínimo de sensibilidade para se que possa perceber quando o que se está a fazer começa a descambar para a pura e simples criminalidade...





Não quero ser “santa”, não sou “santa” – longe disso!...





Da mesma forma que todos vocês já fiz coisas que se, há trinta anos, alguém ao menos insinuasse que eu faria, eu diria: você está é ficando doido!...





Mas a vida tem essa capacidade de nos desiludir quanto a nossa desejável face “angelical”.





Lá pelas tantas, compreendemos que temos de enfiar na lama, na sujeira, as nossas limpas e delicadas mãozinhas, se quisermos, de fato, construir um Brasil melhor.





Já vi tanta coisa... Já vivi tanta coisa, nestes trinta anos de militância, que já não me permito acreditar nem em anjos, nem em demônios...





E isso até me lembra uma situação engraçada.





Em 2006 ou 2007, na época em que investigava as mumunhas de meus companheiros tucanos, virei-me para dois técnicos do novo governo que me mostravam uma pilha de documentos “complexos” e disse: égua, que isso realmente revolta quem tenta ser razoavelmente honesto...





E as duas pessoas puseram uns olhões em cima de mim, como que a perguntar: que diabo é isso de tentar ser “razoavelmente honesto”?...





Na época, não disse, mas, agora digo: é a tentativa de manter o nariz um pouquinho acima de todo esse mar de lama...





É a tentativa desesperada de manter a imprescindível capacidade de se indignar.





É a impossibilidade de esquecer que, apesar de tudo, temos de continuar a lutar por alternativas “menos nebulosas” à conquista e manutenção do poder...





Sempre pensei, cá com meus botões, que lado, afinal, represento neste jogo. Mesmo quando fui convidada, sei lá por que, a jogar na mesa de todos os “bacanas” deste estado...





Mas, cá com os meus botões, eu bem sei: represento o lado da sociedade. Tão somente ele, sem tirar nem pôr.





Com todos os pecados, com todos os erros, com todos os descaminhos que já tive de percorrer!...





Com os silêncios que já tive de amargar, porque me impus tais silêncios...





Com todas as dificuldades, principalmente materiais, que esse tipo de postura nos leva a enfrentar.





Sei que tenho talento – e já disse isso aqui. Mas, também sei que esse talento não me pertence.





Porque não foi concebido ou construído simplesmente por mim; é fruto, antes, da coletividade; dos milênios de Cultura que acumulamos; do sangue e do suor de tantos antepassados.





Por isso, tal talento jamais poderá ser usado apenas em benefício próprio.





Tem de ser devolvido à Sociedade... Tem de servir para ajudar a melhorar as vidas das pessoas; para ajudar a construir uma sociedade melhor.





Talvez que isso, para alguns, seja “loucura”, “doidice”... Talvez que até se encare isso como “excentricidade” ou “romantismo”...






Para mim, não é nada nem maior, nem menor da Potência que existe dentro de cada um de nós, de cada um de vocês...





A Potência para repartir, para tentar fazer o melhor – não apenas em benefício próprio, mas, para o conjunto da sociedade em que vivemos.





Todos nós temos essa capacidade.





Todos temos a responsabilidade e a esperança para fazer “um mundo” por esse mar de gente que nos cerca!...





Mais que isso: todos temos o Dever de fazer o melhor por todos...





Preciso pensar... Preciso, realmente, pensar.





Pois, que a nenhum de nós é permitido silenciar diante do prejuízo de tantos.





Há coisas complicadas acontecendo, que prejudicam milhares de pessoas.





Coisas que arrebatam até a esperança de quem vive, fumado, lá na Terra Firme ou na Vila da Barca.





Para mim, melhor seria esquecer tudo isso – e talvez que até me tornasse magicamente “sã” aos olhos de todos...





No entanto, não consigo esquecer de quem sou e de quem me pariu: a sociedade em que vivo...





Vou pensar... Tenho de pensar...







FUUUUUUIIIIIIIII!!!!!!!!








Do extraordinário CD “Titãs, Acústico MTV”






Comida


Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?...
Você tem fome de que?...


A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...


A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...


Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?...
Você tem fome de que?...


A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...


A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...


Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?...
Você tem fome de que?...


A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...


A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...


A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...


A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...


Desejo, necessidade, vontade
Necessidade, desejo...
Necessidade, vontade...
Necessidade, desejo...
Necessidade, vontade...
Necessidade, desejo...
Necessidade, vontade...
Necessidade...

(Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Sérgio Britto)

Orgia I

Vou publicar. Se não estiver bacana, amanhã corrijo!







Orgia no Rangão I





(A Perereca chega esbaforida e descabelada ao Rangão. Entra por uma porta giratória no primeiro andar. Mas, o Rangão tem dois andares. À direita e à esquerda, grandes escadarias de mármore; a estrutura é em ferro; as paredes, envidraçadas. No alto, há grandes lustres de cristal, como aqueles dos palácios de antigamente. Mas o chão é de madeira e tem de parecer velho, sujo, podre. Todo o ambiente – nos quadros, mesas, plantas, enormes estátuas e até num chafariz, à direita, tem de ser uma mistura de vários estilos. E muita, muita ornamentação – um “cult” do exagero... Depois de a Perereca entrar e se dirigir ao centro do palco, para falar com a Correspondente, os personagens e figurantes que estavam no Ap também vão entrando no Rangão.)






_Égua, que eu nem acredito que tive de me jogar pra esta lonjura do Rangão!... Ô cumadizinha!...Ô cumadizinha, cadê você?...
_Ô comadre, graças a Deus que você achegô!...
_Eu só espero, animal, é que você tenha uma boa razão pra me fazer vir, às três da matina, aqui pro Rangão!... E pra mais com esse bando de doidos que você convidou para aquela “festa no meu Ap”...
_Ô comadre, se acalme mais é!...Égua, que você só avive estressada!...Inté parece que anunca mais que deu uma!...
_O que é que foi que aconteceu agora?
_Ô comadre, você ajura que num abriga comigo?
_O QUE É QUE FOI?
_Ajura que num me ademite do asseu blog, ajura?
_Vamos lá, cumadizinha, fale logo, caramba!...
_Bom, comadre, você assabe que eu lhe idolatro, né mermo?... Tenho por você uma aconsideração aenooooorrrrmeee, né mermo? Por isso, me adesculpe... Mas a gente adecidimos atransferir a festança do seu Ap aqui pro Rangão...
_A “gente decidimos”?...
_É, comadre, é que a gente estamos atomando umas aulas de “garamáticas” com o asseu Tirésias!...Pra modo de encarar, assabe comadre, essa anova arreforma ortográfica...
_ Bem se vê!...E por que, já, transferir a festa do meu Ap aqui pro Rangão? Você não sabe, cumadizinha, que tudo aqui custa os olhos da cara?
_Pois, então, comadre!... Se afoi aporisso mermo que o asseu Tirésias assugeriu o Rangão, ué!...Ele adisse que aqui atem uns “osfitarmulugista” da marca dele!... - uns acumpinchas dos zômi, ó, ó!... - que afazem atodo mundo aficá que nem a dona Ajustiça!...Além do mais, o asseu Tirésias adisse que tudo aqui é “atrês chinqui”!... É tudo pra modo de “atrês chinqui”, comadre!...
_Como é que é?
_ “Atrês chinqui”... Aquele negócio abacana dos franceses, ué!...
_Ô cumadizinha!...Olhe que eu até que tento “aconjuminá” o Tico e o Teco, só pra lhe entender... Mas dessa vez – sinceramente! - você aloprou!... Quem é, me diga, cumadizinha!... Quem é que vai pagar por essa festança no Rangão?!!!...
_Mas se aé de graça, ué!...
_De graça?... Aqui no Rangão?!!!...
_Pois intoncis, comadre!...Como adiria o asseu Tirésias, a gente afizemos “uns tar de convenhos” com as diretorias do Brejo... E elas é que avão acaí com a bufunfa!...
_Ô cumadizinha, mas isso não é dinheiro público?
_Ô comadre, alá avem você com esse asseu apreciosismo!...Arrelaxe, mais é!... Acontemple esse ambiente agrandioso!...Tão avant-garde, tão art nouveau!...Um amonumento à Era do anosso inesquecível Barão de Inhangapi!... E que a Plebe Rude, comadre, está aconservando nos amínimos detalhes!... Na alegria... e na tristeza; na assaúde.... e na doença; na assoberba... e na assujidade!...
_Ô animal!... E como é que você fez, já, pra firmar um convênio com as diretorias do Brejo?
_Eu usei o asseu blog, ué!...
_Quê?!!!...
_É comadre!... Eu afalsifiquei a sua “sinatura” na Perereca, que agora atá adevidamente conveniada com atudo que é diretoria do Brejo!...
_Eu não acredito, cumadizinha, eu não acredito que você fez isso comigo!...
_Ô comadre, arrelaxe mais é, que você num aprecisa nem apegá na bufunfa!...
_Quê?!!!...
_É, comadre!...As diretorias do Brejo avão apassá a bufunfa alá pra sede do asseu blog, a Perereca Incorporation, alá nas ilhas Tanamão!... E assó adilá é que a bufunfa avorta, pra se escafeder no Rangão!...
_Pelo amor de Deus, cumadizinha!... Isso dá cadeia!!!...
_Mas aooooonnnnnde, comadre!... Mas se a moda, agora, é alavá a bufunfa, ué!... Tá todo mundo alavando, comadre!... É um esfrega, esfrega pra cá, um esfrega, esfrega pra lá!...O Brejo inteiro, comadre, atá que nem um agrande afestival de Q-Boa: inté a alma, comadre, adeve de aficá branquinha, branquinha...
_Pera lá!... E que negócio é esse, já, de Perereca Incorporation? E desde quando que o meu blog tem sede nas ilhas Tanamão?
_Ô comadre, a gente acriamos, ué!...
_Quê?!!!...
_É, comadre!...Como adiria o asseu Tirésias, a gente afalsifiquemus umas “sinatura” numas pilhas assim, ó,ó, de papel!... E aí amolhamos o pé da planta aqui, amolhamos o pé da planta acolá... E anasceu a Perereca Incorporation!... Num é alindo, comadre?...
_Égua, que eu, rrrealmente, cometi um grande pecado na outra encarnação!... Meu Deus do Céu, meu Jesus Cristo Crucificado!... O que foi que eu fiz pra merecer esse castigo?!!!...
_E tem mais, comadre!...Aprepare o asseu espírito!... (atá apreparado?): a gente adecidimos atransformá a sua festança!...
_Quê?!!!...
_É que a “Rausi” do Rangão, assabe, comadre?, adecidiu que esse negócio de festa é coisa de “probi”, comadre, é coisa de “probi”!...É coisa de agentalha de lá da vila da barca!... Aquinem arroz de galinha, copo de “prástico” e acamiseta do Guevarão!...Adaí que a gente adecidimos achamá a nossa festança de Orgia, comadre!...Pra adá um acerto... “tcharmme”!..., assabe comadre? Aquele estilo “crássico” que tudo que é rico do Brejo adora!...
_Égua, quer dizer que virou a “Orgia no Rangão”?...
_Tá avendo, comadre, que quando você aqué inté que aconsegue atê um ataque de inteligência?...
_(...)
_E atem mais, comadre.
_Mais?!!!...
_A gente adecidimos adispensá você?
_Quê?!!!...
_É comadre... Por adecisão da adona do Rangão você num apode aparticipá da anossa orgia!...
_E quem é essa dona, já?
_A senhora dona baronesa Juanita du Vatumanurroskofsky!...
_O quê?!!!
_A baronesa Juanita du Vatumanurroskofsky!... É o anome dela, comadre!...A senhora dona baronesa Juanita du Vatumanurroskofsky é a última adescendente das zelite dos apovos anômades agermânicos que acolonizaram as Zaméricas!...
_Como é que é?!!!
_Ô comadre, assabe qual que é o asseu “pobrema”? É que você num assiste o Adiscovery!...Mas, num se avexe, num se avexe, que eu avô é achamá os maiores especialistas em Vatumanurroskofsky!... Ô asseu Sudão, ô asseu Barão, se acheguem aqui!...
_Ô querida!...Há quanto tempo, não é isso?
_Pois é, né, asseu Sudão?...Adesde aquele adécimo capítulo da Afesta no Ap!...
_Caboca, dê cá um beijo, caboca!
_Ô, asseu Barão, o sinhô assempre com a sua viola, né mermo?
_É que agora eu vivo disso, caboca!...
_Num abrinque, asseu Barão!...
_É caboca, é que o mar não tá pra peixe!...Agora, eu dou uma canja aqui, uma canja acolá - e o Jujuba passa o pires!...
_Acredo, asseu Barão!...
_É caboca... Pra você ver como são as coisas: até dono de boteco eu já virei!...
_ E o sinhô, asseu Sudão, apor que é que atá aí avestido de amanobrista do Rangão?
_É o meu novo emprego, certo?
_Assério, asseu Sudão?...
_É querida... Hoje, eu arrumo um carro aqui, um carro acolá, pra ir ganhando a vida, não é isso?...Até a minha Sudolândia, quem diria, virou estação de férias pra pingüim!... Sinal dos tempos, não é isso, querida? Sinal dos tempos!... Como diria Napoleão, certo?: “A Fortuna é como a lágrima que o vento leva e cedo se esvai!...”
_Me desculpe, caboco, mas Napoleão nunca disse isso!...
_E desde quando, certo?, que você virou um especialista em Napoleão?
_Eu, pelo menos, caboco, não fico colocando besteira na boca dele...
_Besteira?!!!... O seu problema, meu caro Barão, é que lhe falta um mínimo de sensibilidade, não é isso?, até pra tocar que preste essa viola!...
_Apodem apararem! Apodem apararem, os dois!... Se acomporte, asseu Barão!...E o sinhô, asseu Sudão, acaladinho, visse?...Que isso daqui num aé aquele afurdunçu do ap da comadre!...Isso daqui aé um ambiente “atrês chinqui”!... “atrês chinqui”, visse?
_Ora, ora, ora... Quem diria, não é isso?, meu caro Barão, que até a nossa querida Correspondente acabaria, certo?, deslumbrada com o Rangão!...
_Confesso, caboco, que isso até que me deixa envaidecido!...
_Ah, é?...
_Mas é claro, caboco!... Você tem de perceber a nova e extraordinária cadeia contemplativa de tudo isso daqui!... As luzes, o brilho, os ferros, os vidros, toda a imponência desse lugar nos remetem à insignificância do ser humano perante a Natureza!... (a correspondente e o Sudão se entreolham; o Barão prossegue)... Toda essa imponência nos faz meditar acerca da pequenez de cada um de nós, individualmente, diante do coletivo!... Este lugar sagrado, cabocos, onde a bufunfa fica que nem uma água de tapioca!... Este lugar, cabocos, é o novo e extraordinário paradigma dessa nova e extraordinária Belle Époque que estamos vivendo!... (a Correspondente e o Sudão olham boquiabertos para o Barão...)... Juntos somos fortes, cabocos!... Juntos, conseguiremos transformar antigos sonhos em novíssima realidade: a Brejo’s Lave e Leve, cabocos!... A maior e mais democrática lavanderia da história do nosso Brejo... Pelo poder del pueblo!... Liberté!...Fraternité!...Egalité!...




(Estátua!... Jogo de luzes. Sobe a introdução da Marselhesa... Depois, o Barão, montado num cavalo imaginário e com um braço erguido, como se empunhasse uma espada, grita: “eia, eia, meu bucéfalo!”... E deixa o palco cantando “Gracias a La Vida”...)




_Assabe, asseu Sudão... Eu acho que o asseu Barão num atomô o arremédio dele...
_Não, querida!... O pior é que ele é assim, não é isso?...
_Égua, que se me afez inté alembrá da Aplebe Rude!...
_Sem tirar nem pôr, não é isso?... Sem tirar nem pôr!...
_Égua, que adeve de assê, então, alguma de assina do Brejo: assó dá doido, égua!...
_Um carma, querida!...Um triste e doloroso carma, não é isso?...
_E aparece inté que o sinhô atá assofrendo com isso, né mermo, asseu Sudão?...
_E eu sofro muitíssimo, querida!... Todo santo dia, certo?...
_Assério?...
_Sério, querida!...Você não imagina a dor que eu sinto, nas profundezas da minh’alma, não é isso?...
_Ué, e apor que, já?
_É que eu me sinto, como direi, uma verdadeira ilha de sanidade, certo?, neste mar de loucura em que se transformou o nosso Brejo!... Como diria Napoleão, certo?, é como se eu fosse uma mente lúcida e brilhante cercada por torrentes e torrentes de camisas- de- força!...




(Nisso, volta o Barão, em seu cavalo imaginário. Vem acompanhado de um exército de mendigos...)




_(O Barão, para a Correspondente e o Sudão): Cabocos, começou a Comuna de Paris!...
_(A Correspondente e o Sudão, em uníssono): O quê?...
_As ruas do Brejo estão cheias de barricadas, cabocos!...O Xerife Federal, o Zé da Pedreira e o Príncipe de Rangelim estão vindo prá cá, cabocos, pra derrubar esta Bastilha da razão humana!*...




(Som de canhões, tambores de guerra, trovões. Jogo de Luzes. Nos altos das escadarias surgem a Baronesa Juanita du Vatumanurroskofsky e o Conde de Bota Bem (um à direita, outro à esquerda. E o foco tem de coincidir com cada um dizendo: “Money”). Em cada lado das escadas, há garçons com champanhe e lagostas, nas bandejas. Juanita traja um vestido vermelho, curto, tomara que caia, todo cheio de lantejoulas, estrasses, paetês e folhos de renda, em camadas – tem de ser bem brega, bem exagerado... O complemento é espécie de peruca de enormes flores vermelhas e muito brilho – os sapatos, vermelhos e altíssimos, têm de acompanhar o estilo da peruca. Nos braços, luvas de renda, folhos e brilho. E uma espécie de echarpe de plumas, também vermelha, enrolada no pescoço - e que desce, de ambos os lados, até a altura das coxas, para o número de dança. Ela e o Bota-Bem (com roupa branca e prateada, cartola e bengala) cantam e dançam, cercados pelos garçons e mendigos, sob uma chuva de purpurina e notas de dinheiro (falso, é claro!). Os mendigos, sentados no chão em semicírculo, tentam ajuntar o dinheiro; os garcons atrás do casal. A música é “Money”, do filme Cabaret: “ (Money, Money)/Money makes the world go around/The world go around/The world go around/Money makes the world go around/It makes the world go 'round/A mark, a yen, a buck, or a pound/A buck or a Pound/A buck or a pound/Is all that makes the world go around/That clinking clanking sound/Can make the world go 'round/Money money money money money money/Money money money money money money/Money money money money money money/Money money/If you happen/To be rich/.......Ooooh/And you feel like a/Night's entertainment/...Money/You can pay for a/Gay escapade/Money money/Money money/Money money/Money money/If you happen to/To be rich/......Ooooh/And alone, and you/Need a companion/...Money/You can ring-ting-/A-ling for the maid/If you happen/To be rich/.....Ooooh/And you find you are/Left by your lover/...Money/Though you moan/And you groan/Quite a lot/Money money/Money money/Money money/Money money/You can take it/On the chin/.....Ooooh/Call a cab/And begin/...Money/To recover/On your fourteen-/Carat yacht/Money makes the world go around/The world go around/The world go around/Money makes the world go around/Of that we can be sure/(....) on being poor/Money money money/money money money/Money money money money money money/Money money money money money money/Money money money money money money/Money money money money money money/If you haven't any coal in the stove/And you freeze in the winter/And you curse on the wind/At your fate/When you haven't any shoes/On your feet/And your coat's thin as paper/And you look thirty pounds/Underweight/When you go to get a word of advice/From the fat little pastor/He will tell you to love evermore/But when hunger comes a rap/Rat-a-tat, rat-a-tat at the window.../At the window.../Who's there?/Hunger!/Ooh, hunger!/See how love flies out the door.../For/Money makes/The world.../...Go around/The world.../...Go around/The world.../...Go around/Money makes the/.... Go around/...Go around/That clinking/Clanking sound of/Money money money money money money/Money money money money money money/Get a little/Money money/Get a little/Money money/Money money/Money money/Money money/Money money/Mark, a yen, a buck/Get a little/Or a pound/Get a little/That clinking clanking/Get a little/Get a little/Clinking sound/Money money/Money money.../Is all that makes/The world go 'round/Money money/Money money/It makes the world go round!





*Com a permissão do genial Machado de Assis.