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quarta-feira, 19 de março de 2008

eleições 2008

Um alerta: as municipais





Caros leitores da Perereca:



Sigo a escrever. E espero concluir, nos próximos dias, o encruado X capítulo da Festa do Apê e o III capítulo do ET de Inhangapi. Na verdade, já estão praticamente prontos, há algum tempo. Mas, precisam de ajustes aqui e ali.

Não esperem deste blog, nos próximos meses, portanto, além dessa minha produção independente.

Só voltarei com informação no final do ano, quando tiver, novamente, alguma independência financeira.

Vou atualizá-lo, como prometi, mas, dessa forma.

Porque, na província do Grão Pará, mesmo para a ficção, a independência é problemática; mais ainda, em se tratando de informação...

Pensei, pensei e concluí que não seria justo, para com os leitores deste blog – e nem para com a autora - produzir informação que não seja, rigorosamente, independente.

Seria enganação. E isso não é bacana...

Sigo a serpentear entre os grupos políticos e os veículos de comunicação.
Como naquela música bacana, é viver e aprender a jogar...

Espero, sinceramente, que esta seja a minha última campanha.

Não quero voltar a trabalhar nisso, até porque já conheço a “receita” de cor e salteado...

Todas as campanhas exigem da gente um custo altíssimo, em termos ideológicos.

E eu, apesar de tudo, continuo com este meu projeto enlouquecido de servir à sociedade que me pariu.

Tomo um champanhe aqui e ali; gozo de uma fama aqui e acolá... Almoço com um, janto com outro...

Mas, permaneço com este desejo profundo de ser, apenas, um instrumento da História... E da História que se escreve na ótica do dominado – e não do dominador...

Como esta é a última vez em que falamos seriamente uns aos outros, até o final do ano, deixo a vocês algumas dicas importantes.

Tenham muito, muito cuidado com todas as reportagens, matérias regionalizadas. Porque todas estarão carregadas de intuito eleitoral.

Tenham em mente que o jogo objetiva 2010.

E que este jogo municipal de 2008 será muito mais cruel do que todos os anteriores, justamente pela aparente indefinição de 2010.

Ora, passados dois anos de administração, o PT, infelizmente, ainda não conseguiu dizer a que veio.

Não vou discutir o porquê disso, porque esse é um debate para noitadas e noitadas, que terá como cerne, certamente, a noção de democracia.

Seria como se dissesse, de um tucano para os petistas: o problema, talvez, seja a impossibilidade que tivemos de unir socialismo e democracia, em todas as experiências revolucionárias que engendramos, dada a resistência feroz do capitalismo, para a qual, aparentemente, não estávamos preparados...

Talvez que tenhamos pensado que tudo seria bem mais fácil, como foi a tomada da Bastilha. Talvez que NÂO tenhamos pensado que essa proposta, da igualdade, fere, muito mais profundamente, o animal humano. Mas, não vou discutir isso, como já disse...

Vou, apenas, relatar o fato da indefinição de 2010.

E a necessidade que todos os partidos sentem de clarificar esse quadro, em função de 2010.

Todas as lideranças regionais serão atingidas; especialmente, nas regiões de maior densidade eleitoral.

Pensem: de repente – e não mais que de repente – se “descobriram” os podres municipais...

Vimos isso em relação ao Luís Cunha – um parlamentar muito bacana, por sinal – e estamos a ver com a Simone Morgado, que só aparece nessa história pela relação que tem (ou teve) com o Barbalho-mor.

Não por acaso, em ambos os casos, há gravações.

Ora, num estado de analfabetos (mais de 70% do nosso eleitorado, em estrito ou largo senso!) a “fala” assumirá um papel preponderante.

Até porque o “desanalfabetismo” dos 30% restantes está concentrado, especialmente, nos maiores núcleos urbanos, onde a “modernidade”como que “dilui” a maioria das complexidades comportamentais...

Neste mesmo balaio de 2010 está a “crise” do PSB – pois, que o PT só pode crescer à esquerda...

E as pressões que sofrerão partidos como o PDT – pois, que o PMDB só pode crescer no centro-esquerda...

Mais não digo – o silêncio, nesta campanha, será pago a peso de ouro.

E eu, que sou apenas humana, preciso amealhar umas moedinhas...

Mas, não poderia deixar de alertar os leitores. Mesmo que isso signifique uns cobres a menos.

Vejam, leiam, mas, com dois pés atrás.

Esta será uma campanha irascível. Cruel. Simplesmente, cruel...

Tchau! FUUUIIIIII!!!!

sexta-feira, 7 de março de 2008

Algodoal

E antes que vocês, gentalha!, digam alguma coisa: sim, a maconha era da boa...

Mas, sinceramente, que já nem preciso de maconha: eu já vivo, permanentemente, num estado alterado de consciência...






Maiandeua



I



Abro as janelas e dou de cara com o mar.
Não há mais belo que acordar em frente ao mar!...
A ver a poesia a conceber o infinito...
Como Deus a beijar a língua de Adão...
Fecho os olhos e me deixo levar por essas ondas...
A alma inteira embriagada de mar!...
É um bem-te-vi a cantar em minha janela.
O sol que se esparrama em minha cama.
A mesma cama em que as estrelas me embalaram até dormir.
E eu volto à infância, nuns olhos acesos de céu.
Com o mistério desses bichinhos que surgem da areia molhada, a cada passo que dou.
Magicamente, me deito nas águas, a ver passar as almas aprisionadas nas gentes...
Procissões e procissões à procura de um paraíso encantado.
Um lago encantado, por uma princesa encantada...

Algodoal é um delírio!...
O ventre místico do mundo...



II

O mar é um deus a conceber-se perpetuamente.
Sem dores, sem lágrimas, tão somente a se multiplicar.
É a criança que distribui, sem pecados, toda a existência.
E que nos convida a ser enquanto a vida
Canta e rodopia ao redor de nós...



III

A rede pra lá e pra cá, pra lá e pra cá...

O cigarro aceso, a cerveja gelada, um risco de nuvem no céu.

Passa o carroceiro. Homem e cavalo vergados pelo sol causticante.

_Ei, carroceiro! – penso em chamar, porque não sei o nome do combalido Quixote, em seu combalido Rocinante.

Queria visitar a Princesa. O mar da Princesa. O lago de onde emerge brilhante, toda vestida de sol, de lua, de estrelas, de mar...

Mas, o grito, deixei-o ficar na garganta.

Preferi meu cavalo de nuvens, que me transporta, em segundos, a lugares magicamente concebidos.

A lendas maiores que a Rainha Sereia, que se alevanta daquelas águas, impossivelmente escuras e transparentes...



IV

_Ei, jornalista! – e alguém me traz de volta a este mundo.
A falar-me dos pássaros e camaleões caçados à extinção, por gatos trazidos de Belém.
Da vegetação que não vinga, porque devorada, ainda em broto, pelas vacas.
_Vacas?!!! Mas, aqui, em Algodoal?!!!
_Pois, veja só, “dôtora”, aqui é uma APA que tem vaca, gato abandonado e até pesca de arrasto...
E o homem se põe a chorar pelas andorinhas que chegam, por vezes, sem uma das pernas, devido ao peso dos anéis de metal, colocados, no Canadá, por cientistas preservacionistas...
Outras gentes vão chegando ao lugar em que estive a escrever sozinha, a tentar, sozinha, decifrar esse mar.
_Ei, jornalista! – me disse o homem.
E eu atentei à identidade que me une aquele carroceiro e seu cavalo, neste sol causticante da existência...



V

Dormi e acordei com o murmúrio das ondas a bater-me à porta, docemente.
Não liguei o som que trouxe de Belém – e eu fico a pensar na inutilidade de tamanho peso...
Por todo canto, em minha casa, há móveis repletos de música.
Trouxe algumas.
Mas não encontrei maior que a melodia desse mar...
O cantar do bem-te-vi na minha janela...
A carícia dos ventos nas folhas dos coqueirais...



VI

Também não encontrei beleza que pudesse aprisionar em fotografia.
Pus-me a “canoar” entre os manguezais, os olhos emprenhados de raízes aéreas, passarinhos, caranguejos, aves pernaltas, tralhotinhos que nadavam ao alcance das minhas mãos.
Vamos eu, o canoeiro e o guia, que vai me contando as histórias de Algodoal. Os tesouros de Eldorado e dos conquistadores enlouquecidos...
Os “greis”, acinzentados, esqueléticos, de cabeças enormes e enormes olhos azuis, que perambulam pela floresta, depois que a espaçonave despencou...
E eu penso que os mistérios de Maiandeua comportam os sonhos e os pesadelos de todas as raças e de todo o universo...



VII

Ontem, à noitinha, espantei-me com o céu estrelado.
Eram tantas as estrelas, que mais pareciam corações apresados na escuridão.
Corações que convidassem a tocar com os olhos do coração...
Lembrei-me da “dança das estrelas”, nos céus de Algodoal.
Os Ufos que alevantam vôo, tão logo o dia se deita.
Raças e raças intergalácticas, no ventre místico do mundo.
Onde homens, extraterrestres, princesas, caranguejos, camaleões, andorinhas, coqueirais e raízes aéreas se assemelham a partículas desgarradas de um mesmo espírito...
Como vida que tateia a procura do Caos primordial...



VIII

Deslizei para dentro do mar.
E como que revi toda a existência, desde o ventre de minha mãe.
Invoquei a Terra, o Fogo, a Água e o Ar.
E decifrei o mistério dessa noite que se esconde em tuas mãos.
Feito um manto mágico a ocultar o infinito.
O desejo que imprime vida ao que é, apenas, potência.
E eu me vi em teus braços como Adão nos braços de Deus...



IX

Deslizei para dentro do mar.
Para as conchas,
Os peixes,
Os átomos de tudo o que há.
Transcendi a forma; retornei à essência.
Fiz-me, de novo, um projeto...
Na prancheta do Criador...



X

Vejo o mar para além do mar.
A imensidão que vivi e que sonhei viver.
E todas as perguntas se me resumem
Nesses peixes, ridículos e transparentes,
Que fogem, em cardumes, quando aproximo meus pés...




XI

Vi as águas...
Vim, para ver as águas.
Para encarar o que não sei, mas, que é parte de mim.
Como quem retorna ao que foi sem ter sido.
O grito que conteve.
A frase que cessou.
As voltas das pernas, em volta das próprias pernas.
A supressão de um desejo que não se quer suprimir.
Vim para me perder em luzes dispersas, em luzes dispersas...
Vim, para me lançar de encontro à praia...
Como se me lançasse ao encontro de ti...




XII

Terei pensado em ti?
Sim, mas como o bicho que não soubesse decifrar...
A nave que despenca dos céus...
A busca de um eldorado não havido...
O pescador que tecesse, em princesas, um luar.
E eu te vi na Algodoal da juventude.
Inesquecível, porque pertence.
Envolto num riscado de nuvem,
Que concebi na limpidez do meu céu.
E eu te aprisionei em fotografia.
Chorei, beijei e fechei teu álbum.
E o mar imenso se abriu diante de mim...


Algodoal, julho de 2007
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quinta-feira, 6 de março de 2008

Um poema

Quando morre um amor



Quando morre um amor,
Morre um sorriso, morre uma flor.
Morre um desejo, gemendo de dor...
Morre a esperança, germina o rancor,
Quando morre um amor!...


Quando morre um amor,
Morre um pedaço de tudo o que há.
No horizonte a luz se recolhe
E na escuridão que ao peito envolve,
As estrelas são teus olhos a brilhar...


Quando morre um amor,
De amor também se morre
A cada gesto, a cada riso, a cada olhar...


É o teu cheiro que se perde na distância.
É a tua voz a sumir na imensidão.


Um passarinho a cantar, triste e sozinho,
Quando o amor parte as asas do coração...


Belém, 06 de março de 2008.

sábado, 1 de março de 2008

O retorno

A volta da Perereca



Agora que consegui resolver a questão do meu sustento, poderei voltar a atualizar este blog.



Como não tenho onde cair morta, minha prioridade tinha de ser a obtenção de trabalho, depois que deixei o Diário.



E, é claro, descansar um pouco, porque este ano, que é eleitoral, será de pau picado.



Quem trabalha com jornalismo e marketing político sabe que este é um ano em que dá para ajuntar algum dinheiro.



É cruel... E já até separei meu estoque de antiácido...



Porque, a cada centavo ajuntado, corresponde um desgaste físico tremendo.



Já coordenei campanha em um município médio. Perdi. Mas, foi como que uma “derrota vitoriosa”...



Porque perdi para a máquina e para uma das melhores cabeças do marketing político daqui.



E, apesar de perder, continuei a merecer o respeito tanto de quem perdeu, quanto de quem ganhou...



Mais um pouco e teria dado para ganhar, apesar de todos os prognósticos em contrário – que eram vastos e quase, quase que contraditados...



Mesmo assim, não pretendo voltar a coordenar campanhas eleitorais.



Essa, neste ano, seria a minha última opção – daquelas que a gente só abraça se não tiver pra onde correr.



Não tenho esse perfil. Talvez, se fosse candidata a alguma coisa, tivesse. Mas, sinceramente, que nem sei...



Quando a gente coordena campanha se torna alvo de todas as atenções.



A gente como que deixa os bastidores e fica sob os holofotes.



E isso é cruel, porque não dá nem pra comer um sanduíche em paz.



Porque sempre vai aparecer alguém querendo falar com você, a contar a vida ou a pedir opinião.



E eu, como disse várias vezes a um amigo, estou demasiado velha, neurótica e gorda para suportar isso.



Sei que tenho uma capacidade bacana de levantar situações, de investigar, e mais que isso, de analisar uma determinada conjuntura.



Para mim é fácil, numa vivência mínima de uma realidade, pensar o que está posto e o que se pode fazer para alterar isso.



Talvez, que seja um dom.



Mas, seja ou não, o fato é que consigo ir com o dedo na ferida... Quer dizer: ver o quadro e identificar os “ganchos” politicamente aproveitáveis.



Só não gosto é da exposição pessoal. Aquela coisa de me reconhecerem num lugar como espécie de bam-bam-bam disso ou daquilo.



Ou, melhor dizendo, como pessoa com poderes decisórios ou de influenciar o que quer que seja.



Porque isso tem um preço demasiado grande, em termos pessoais.



Gosto de solidão. Não de hoje, mas, desde a mocidade.



Gosto de ter o poder – e esse é o poder que de fato quero – de escolher com quem vou sentar e conversar e dividir certezas ou preocupações.



Não tenho problemas em atender pessoas, em resolver questões individuais ou coletivas.



Já fiz isso. E essa, para mim, aliás, foi uma das experiências mais gratificantes que tive na vida.



Quando trabalhei com o Ademir Andrade, quando ele era senador, uma das coisas que fazia era atender posseiros, pequenos agricultores e pessoas pobres que precisam resolver problemas junto ao Estado.



E eu tinha uma paciência e uma dedicação tão grandes em relação a isso que, quando saí do gabinete do Ademir, várias dessas pessoas ligavam pra casa, pedindo que as ajudasse.



Eram lideranças, de uma das regiões eleitoralmente mais densas do estado, que é o Nordeste paraense.



Mas, para mim, criou-se um problema ético. Daí, que as ajudei. Mas, também, as encaminhei de volta ao gabinete do senador...



Essa coisa, para mim, era gratificante porque eu me sentia socialmente útil.



Era pegar todo o conhecimento que ajuntei – e que não me pertence, porque me foi socialmente dado – e usar em favor de pessoas, de cidadãos, a quem foi negada a possibilidade de acesso a esses mesmos conhecimentos.



Era como que reafirmar um compromisso coletivo.



Era como que pagar um pouquinho desse débito que a gente tem em relação a uma sociedade que nos deu tanto...



Servi e serviria, sempre, a essas pessoas.



E me sentia orgulhosa – pra lá de orgulhosa – pelas simples tangerinas que algumas delas insistiam, por vezes, em me oferecer.



E que eu aceitava para não ofender – e, é claro, também, pelo cheiro maravilhoso das tangerinas!...



Mas que me faziam feliz por me fazerem compreender o quanto eu tinha podido ajudá-las.



Para mim (podem rir!) isso provoca um orgulho muitíssimo maior que qualquer renome, mansão ou carro do ano.



O fato de ajudar realmente alguém que precisa, para mim, dá uma satisfação infinitamente maior que bilhões e bilhões de reais ou de dólares. Ou que qualquer status, poder, ou o quer que valha.



Até a minha filha já me disse que não sou mãe dela; que fomos trocadas na maternidade...



Mas, acho bem bacana o respeito que ela por mim; a imagem que tem de mim. E que, até a mim, parece algo romântica, idílica.



É claro que tenho um preço – todo mundo tem.



O problema é que nunca consegui estipulá-lo...



Acho que desenvolvi uma visão demasiado crítica em relação à sociedade.



Não vejo televisão – só por dever de ofício, quando não dá pra fugir.



Não consulto a lista dos livros mais vendidos – leio o que me atrai e que considero importante, mesmo que seja um livro perdido no fundo de algum baú medieval.



Ouço rádio o dia inteiro, mas só compro o que acho importante comprar – e tenho uma coleção musical da qual me orgulho...



Me visto do jeito que quero, uso o cabelo que quero, o perfume que o nariz quer cheirar, em algum momento.



Gosto de mim. E gosto de ajudar quem precisa.



Mas, não gosto de ser o centro das atenções, como acontece na coordenação de uma campanha política.



Esse, para mim, é o tipo de poder que não me faz falta alguma...




Ah, sim: a Perereca retorna atualizada na próxima terça ou quarta-feira, excepcionalmente.



A partir daí, volta às atualizações dominicais.



E agradeço a Deus e a quem, apesar de tudo, está a me permitir o retorno a este espaço de que gosto, porque dá pra fazer umas coisas bem bacanas.



Obrigada, mano! Obrigada!

Este Rio é Minha Rua



Este rio é minha rua
Minha e tua mururé
Piso no peito da lua
Deito no chão da maré



Pois é, pois é
Eu não sou de igarapé
Quem montou na cobra grande
Não se escancha em poraquê



Rio abaixo, rio acima
Minha sina cana é
Só de pensar na “mardita”
Me “alembrei” de Abaeté



Pois é, pois é...
Eu não sou de igarapé
Quem montou na cobra grande
Não se escancha em poraquê



Me “arresponde” boto preto
Quem te deu esse pixé
Foi limo de maresia
Ou inhaca de mulher?



Pois é, pois é...
Eu não sou de igarapé
Quem montou na cobra grande
Não se escancha em poraquê



( Paulo André e Ruy Barata)