Ban

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Feliz!

A Perereca , feliz da vida, que nem pinto no lixo, vai ajustando as chuteiras (que bom, que bom!...). E deixa aos leitores uma música de que gosta muito. Mas, por favor, leiam o post logo abaixo.





É Uma Partida De Futebol


Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer o gol
Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?

A bandeira no estádio é um estandarte
A flâmula pendurada na parede do quarto
O distintivo na camisa do uniforme
Que coisa linda é uma partida de futebol
(Vamos subir, rapaziada!)

Posso morrer pelo meu time
Se ele perder, que dor, imenso crime
Posso chorar, se ele não ganhar
Mas se ele ganha, não adianta
Não há garganta que não pare de berrar

A chuteira veste o pé descalço
O tapete da realeza é verde
Olhando para bola eu vejo o sol
Está rolando agora, é uma partida de futebol

(E o Meio)
O meio-campo é lugar dos craques
Que vão levando o time todo pro ataque
O centroavante, o mais importante
Que emocionante, é uma partida de futebol
(Olha a bola na rede!)

O meu goleiro é um homem de elástico
Os dois zagueiros têm a chave do cadeado
Os laterais fecham a defesa
Mas que beleza é uma partida de futebol

Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer o gol
Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?

(E o meio!)
O meio-campo é lugar dos craques
Que vão levando o time todo pro ataque
O centroavante, o mais importante,
Que emocionante uma partida de futebol !
(Subiu, rapaziada!)

(Quero ouvir vocês!)
Utêrêrêrê, utêrêrêrê, utêrêrêrê, utêrêrêrê

(Samuel Rosa / Nando Reis)

camelôs


Sobre os camelôs



Tenho procurado me manter afastada deste blog, quanto a assuntos sérios, uma vez que pretendo reformulá-lo, inclusive com a atualização do meu mailing, que está balado.


Mas, recebi um e-mail de um anônimo, abordando a questão dos camelôs; falando da violência e etc e tal da retirada deles da Presidente Vargas.


Já disse aqui que não gosto de Duciomar, não voto nele e, para mim, ele não passa de um chefe de quadrilha – da pior quadrilha que já passou pela PMB. Uma verdadeira nuvem de gafanhotos, de dimensões bíblicas, aliás...


Mas, sinceramente, não vejo como poderia defender os camelôs - eu, cidadã de Belém.


Eu, cidadã, que tantas vezes me vi tolhida no meu direito de caminhar pelas calçadas da minha cidade, por um punhado de cidadãos que se acredita proprietário do passeio público.


Para mim, a retirada dos camelôs já vem tarde – muitíssimo tarde.


E eu só fico é pensando que, só mesmo em Belém, para presenciarmos isto: uma cidade inteira, 1,5 milhão de pessoas, refém, por anos a fio, de uns cinco mil indivíduos.


Refém – é esse, sim, o termo, a palavra exata.


Porque, cada vez que alguém cobrava a retirada desses invasores dos espaços públicos, logo vinham eles dizendo: “Vocês preferem que a gente vá roubar?”.


E eu, cidadã, só ficava era pensando que faltava alguém com aquilo roxo, para responder: “É, maninho, vocês vão roubar, é? Então, roubem - que a gente coloca todos vocês na cadeia!...”.


São trabalhadores? São, sim senhor. São pais de família? São, sim senhor.


Mas, nós, também, somos trabalhadores e pais e mães de família. E temos tanto ou mais direito a esta cidade que esse punhado de camelôs.


É certo que o Pará e Belém padecem de gravíssimos problemas sociais: desemprego, baixa escolaridade, desqualificação da mão de obra; falta de saúde, de educação, de habitação, de lazer. Miséria, enfim, miséria...


Mas, daí a imaginar que é “socializando” o miserê – ou, pior ainda, emporcalhando o espaço em que vivemos – que isso vai ser resolvido, vai enorme distância...


Esse problema dos camelôs tem de ser enfrentado com coragem.


É chamar todos eles: “Vocês dizem que trabalham nas ruas porque não têm emprego. Tudo bem. A gente tá aqui com um programa especial de treinamento e inserção da mão de obra no mercado de trabalho” (E tenho certeza de que tudo que é empresário dessa cidade, e até cidadãos comuns, apoiaria algo assim...).


E se algum deles dissesse que não queria, porque o salário era baixo e etc e tal, era jogar duro com os recalcitrantes.


Porque não se estaria, simplesmente, “pedindo”: a “oferta” seria o ultimato de uma cidade, cuja legislação é suficiente, sim, para impedir a continuidade dessa bagunça.


Outra saída seria disciplinar o comércio ambulante. Chamar um arquiteto bacana (o João Castro, por exemplo), para projetar barraquinhas bacanas, com motivos amazônicos, ao longo das avenidas mais espaçosas de Belém e na “borda” de nossas praças. Com distância suficiente entre elas, para não incomodar ninguém.


E aí seriam colocados o vendedor de coco, de bijouteria e etc e tal. Mas, todos, pagando impostos. E com o compromisso – cujo descumprimento implicaria sanções coletivas – de ajuntarem o lixo que produzem e de não permitirem mais ninguém ali.


Venda de comida? Só em locais com estrutura e equipamentos adequados. E pagando água e luz. E sob a fiscalização acirrada da Secretaria de Saúde.


Nada desse “atacadão das bactérias” que temos hoje. Ou daquela coisa nojenta em que se transformou a Assis de Vasconcelos, no final do governo do Edmilson.


Até porque, maninhos, numa coisa assim seria preciso ver quem é quem: ajudar os miseráveis, de fato. Mas, afastar a pilantragem que, simplesmente, se beneficia do contrabando, do roubo, ou, simplesmente, de vender – para ele ou para outrem – sem arcar com os impostos que essa suadinha classe média tem de pagar...


Mas, é justo que se diga: não são, apenas, os camelôs que obstruem as nossas ruas.


E é aqui que também sempre nos faltou um prefeito (ou prefeita) com aquilo roxo.


Porque, nessa balbúrdia em que se transformou Belém, todo mundo se acha dono da calçada, do passeio público.


Todo mundo acha que pode expandir seu bar, lanchonete ou restaurante à custa da calçada.


Todo mundo acha, inclusive, que pode fazer a “sua” calçada como bem entende: de tudo que é altura e até com aquele “escorrega de pato” em que se transformam as lajotas, nos dias de chuva.


Já vi até calçada, nesta cidade, com lajotas desenhadas que causam confusão nos olhos. Quer dizer: se você não cair pelo escorregadio da lajota molhada, cai porque o desenho não lhe permitiu, sequer, olhar onde pisa...


E tem, também, as construtoras. Que, quando um prédio está em obras, enchem a calçada de tudo que é entulho. E quando ele está pronto, plantam árvores de tudo que é jeito, como se os vizinhos e pedestres tivessem vocação pra Tarzan...


Passei sete intermináveis meses numa cadeira de rodas, em 2003.


E nunca vou me esquecer da desumanidade que é se locomover em Belém.


Esta cidade, como já disse aqui, parece projetada para super-heróis, que não padecem, sequer, de unha encravada.


Porque, para um deficiente, uma gestante, um idoso, uma criança é simplesmente um tormento se deslocar de uma esquina a outra.


Aliás, devo dizer que, numa cadeira de rodas, não dá nem para se deslocar de uma esquina a outra. Tudo tem de ser feito de táxi e com acompanhante. E quem não tem dinheiro para pagar nem táxi, nem acompanhante?


Então, não são apenas os camelôs que precisam “respeitar” as nossas calçadas. Mas, os cidadãos como um todo, precisam se conscientizar de que as nossas ruas não são um bem particular - mas, coletivo.


E é para isso que existe – ou deveria existir – o Poder Público: para mostrar, provar, conscientizar. E exercer o seu poder coercitivo, quando necessário.


Infelizmente, os nossos prefeitos têm se preocupado, apenas, com politicagem – e, muitas vezes, em “encher a pança”.


Nenhum viu Belém como essa cidade bela, maravilhosa, única, o nosso lar...


E é por isso que nunca tiveram coragem de olhar nos olhos dos belemenses e dizer que esta cidade é responsabilidade, sim, de cada um de nós.


Que esta cidade será, sempre e tão somente, o que fizermos por ela.


E aquilo que permitirmos – ou não – que os outros façam dela, também.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Aos três

Aos Três



Essa é de enfiada pro post, abaixo.



Me joguem fumaça nos olhos, meninos!...


Mas, eu acho que vocês não vão querer jogar...

E nem eu quero me permitir isso, novamente... (por favor!... Se permitam, meninos, essa delicadeza em relação a mim!...)

Amei vocês...

E acho que vocês também me amaram...

Acho que os entendi como bem poucos (ou poucas) entenderiam...

E jogamos bacana.

Foi bem bacana, devo dizer!...

Acho que formamos um time, daqueles de final de campeonato...

Sei que comovo (hum... hum...) até quem não pode ou não deve se comover...

É o preço que pagamos por termos nos permitido chegar tão perto uns dos outros...

E eu disse isso a um de vocês: o erro é criar laços... Nessa coisa de política, não dá pra criar laços...

Estou bem, ficarei bem, queridinhos!...

E espero que vocês fiquem bem...

Se isso consola, posso dizer que nunca mais jogarei tão bem, como quando joguei com vocês, meus amores...

Mas, não tenham pena de mim, meninos...

Porque, certamente, eu não terei piedade de vocês!

Isso é um jogo, meninos!...

E vamos lá, que a arquibancada precisa de nós, né mermo?...


(Para o João: ê, mano! Não tem nem velhos, nem novos amigos, nesse jogo!... A gente faz o que é preciso, né mermo?... Sempre!...)




Saideira


Tem um lugar diferente
Lá depois da saideira
Quem é de beijo, beija
Quem é de luta, capoeira...

Tem um lugar diferente
Lá depois da saideira
Tem homem que vira macaco
E mulher que vira freira...

(Chama o garçom!...)

Oh! Comandante, capitão
Tio, brother, camarada
Chefia, amigão
Desce mais uma rodada
Comandante, capitão
Tio, brother, camarada
Chefia, amigão
Desce mais uma rodada
Desce maaaais
Desce maaaais...

Tem um lugar diferente
Lá depois da saideira
Tem bandeira que recolhe
Tem bandeira que asteia...

Tem um lugar diferente
Lá depois da saideira
É tomando uma gelada
Que se cura... (todos os males dessa vida, ah!...)

Oh! Comandante, capitão
Tio, brother, camarada
Chefia, amigão
Desce mais uma rodada
Comandante, capitão
Tio, brother, camarada
Chefia, amigão
Desce mais uma rodada...

Tem um lugar diferente
Lá depois da saideira
Quem é de beijo, beija
Quem é de luta, capoeira...

Tem um lugar diferente
Lá depois da saideira
Tem homem que vira macaco
E mulher que vira freira...

Oh! Comandante, capitão
Tio, brother, camarada
Chefia, amigão
Desce mais uma rodada
Comandante, capitão
Tio, brother, camarada
Chefia, amigão
Desce mais uma rodada
Desce maaaais
Desce maaaais...

Oh! Comandante, capitão
Tio, brother, camarada
Chefia, amigão
Desce mais uma rodada
Comandante, capitão
Tio, brother, camarada
Chefia, amigão
Desce mais uma rodada...

(Skank)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

artistas

Os artistas



Estou a escrever três coisas ao mesmo tempo: uma crônica, muito, muito bacana; um poema, lindo, lindo; e o décimo capítulo da festa do apê, uma peça, que nunca mais que quer sair, mas, que tá ficando bem bacana...


Sou assim: não gosto de me fixar. Nem no que escrevo, nem no que leio – três, quatro, cinco, seis livros ao mesmo tempo.

É bacana. A gente viaja, rumina... A gente faz interagir.

A gente pega a imaginação e faz rodar no papel, como roda na nossa cabeça...

Às vezes, vou andando pela rua e me vem uma idéia. E eu pego e anoto.

Porque, se não o fizer, fico angustiada, porque é uma idéia que se perdeu...

Creio que, para todos os que “vivemos nas nuvens” , os dias e as noites são assim...

Os fantasmas não assombram: viram poema, canção.

E o sol nunca será, simplesmente, o sol. Nem a chuva. Nem o mundo.

Todos terão um “quê” de mistério, de além, de indecifrável.

Todos serão uma experiência, que não dá pra conter nessa coisa pobre que são as palavras, as imagens, as notas musicais.

Serão as musas?

Ou, tão somente, a criança que subsiste em nós?

A criança que não morre. Por mais que cresçamos. E que o mundo se transforme ao redor...

Mas, que diabo de experiência é essa?

De crescer, no sentido da sensibilidade?

E do não-crescer, no sentido de decifrar o mundo?

Como se, ao jogo da amarelinha, se associasse a lógica, pensadamente.

E o que é que fica em nós, para nós?...

Isso está a ficar muito divagativo... Vou terminar a crônica.

Queria precisar de álcool ou maconha, para imaginar.

Mas, eu só os utilizo quando quero paralisar essa minha imaginação alucinada.

E aí não penso mais, não vejo mais, não sinto mais.

O vento me leva. E só.




Na Carreira


Pintar, vestir
Virar uma aguardente
Para a próxima função
Rezar, cuspir
Surgir repentinamente
Na frente do telão
Mais um dia, mais uma cidade
Pra se apaixonar
Querer casar
Pedir a mão

Saltar, sair
Partir pé ante pé
Antes do povo despertar
Pular, zunir
Como um furtivo amante
Antes do dia clarear
Apagar as pistas de que um dia
Ali já foi feliz
Criar raiz
E se arrancar

Hora de ir embora
Quando o corpo quer ficar
Toda alma de artista quer partir
Arte de deixar algum lugar
Quando não se tem pra onde ir

Chegar, sorrir
Mentir feito um mascate
Quando desce na estação
Parar, ouvir
Sentir que tatibitati
Que bate o coração
Mais um dia, mais uma cidade
Para enlouquecer
O bem-querer
O turbilhão

Bocas, quantas bocas
A cidade vai abrir
Pruma alma de artista se entregar
Palmas pro artista confundir
Pernas pro artista tropeçar

Voar, fugir
Como o rei dos ciganos
Quando junta os cobres seus
Chorar, ganir
Como o mais pobre dos pobres
Dos pobres dos plebeus
Ir deixando a pele em cada palco
E não olhar pra trás
E nem jamais
Jamais dizer
Adeus

(Chico Buarque e Edu Lobo)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Ana

Para Ana



Gosto muito da minha xará.

De certa forma, me orgulho em tê-la no Governo do Estado.

Afinal, ela é mulher.

E que mulherão!...

Que se impôs, sozinha, neste jogo da política. No qual, principalmente em estados como o Pará, só jogam os homens...

Mas, tenho, de mim para mim, que não daríamos certo juntas.

Somos duas personalidades fortes, acostumadas, como direi, a comandar o galinheiro...

Acho que nos estressaríamos mais, uma com a outra, que com os ouvintes...

E creio que, em alguns momentos, iríamos até quase aos tapas...

Mulheres como nós, que abriram caminho sozinhas, não dão certo juntas...

Sei que, politicamente, seríamos um casamento perfeito.

Falaríamos a mesma língua. E quando uma emudecesse, a outra saberia, certamente, o que dizer.

Mas, nos habituamos a comandar o terreiro – e esse o ponto.

Nem ela pode se apagar diante de mim, nem eu diante dela...

Não sei até que ponto poderia ajudá-la mais do que já ajudei (uí!, minha xará!...Xeque!...).

Certamente, que seria bem bacana...

Mas, eu prefiro refluir para Marudá.

E esperar o tempo em que seja eu a governadora...

FUUUUUIIIIIII!

Lindo!

Nada Sei


Nada sei dessa vida
Vivo sem saber
Nunca soube, nada saberei
Sigo sem saber...

Que lugar me pertence
Que eu possa abandonar
Que lugar me contém
Que possa me parar...

Sou errada, sou errante
Sempre na estrada
Sempre distante
Vou errando
Enquanto tempo me deixar
Errando
Enquanto o tempo me deixar...

Nada sei desse mar
Nado sem saber
De seus peixes, suas perdas
De seu não respirar...

Nesse mar, os segundos
Insistem em naufragar
Esse mar me seduz
Mas é só prá me afogar...

Sou errada, sou errante
Sempre na estrada
Sempre distante
Vou errando
Enquanto o tempo me deixar
Errando
Enquanto o tempo me deixar...

Sou errada, sou errante
Sempre na estrada
Sempre distante
Sou errada, sou errante
Sempre na estrada
Sempre distante
Vou errando
Enquanto o tempo
Me deixar passar
Errando
Enquanto o tempo me deixar...


(Paula Toller/George Israel)

domingo, 20 de janeiro de 2008

Santarém



Sobre o Hospital de Santarém




Queridinhos:



Tá certo que ando meio balada, que tô me despedindo do Diário, enrolando a bandeira e coisa e tal.


E que até estou mandando uns sinais de fumaça pro lado daí, né mermo?


Mas, há certas coisas que não dá pra engolir.


Me desculpem, mas, não dá!...


Essa história da tal da procuradora da República, Carmen Sant’anna, querer dizer que irregularidades foram cometidas em Santarém devido à ruptura do contrato com a OS Maternidade do Povo, para a gestão do Hospital de Santarém, é o fim da picada!


Pô!... Pera lá!...


Com base em que a douta procuradora acredita na tal da experiência afirmada - no papel - pela tal da OS?


Como é que ela pode referendar a continuidade de um contrato que a própria Sespa, em alentado parecer, mostrou ser ilegal?


A douta procuradora fez, de fato, o dever de casa?


Leu o processo da Sespa, ou, simplesmente, quis fazer um “agá” com a língua mátria – mas, às custas dos lesos dos contribuintes?


Mas, que lári-lári é esse já?


Os procuradores da República já estão se prestando a isso, é?


Conheço a advogada que comandou a dispensa da OS Maternidade do Povo.


É séria, honesta, competente, “rata” em licitação.


Além disso, entre todas as irregularidades do contrato com a OS Maternidade do Povo, pelo que me disse a Sespa, havia uma incontornável – porque, simplesmente, imoral!


Pelo que me disse a Sespa, o então presidente da OS, que assinou o contrato, era, também, assessor, DAS, da Secretaria.


Quer dizer: é só Mateus, aos meus, é? Mermo que com dinheiro público, é?


É o meu pirão primeiro, né mermo?, ainda que com dinheiro de imposto, com o dinheiro de cada um de nós...


Mas, para que é que existe a 8.666/93?


Essa lei e todas as demais não valem um chavo, até para o douto Ministério Público, o “fiscal da lei”, é?


Então, para que serve o Ministério Público?


Mas, para mim, esse caso é de facílima solução.


Se estivesse no lugar do secretário de Saúde, Halmélio Sobral, chamaria a douta procuradora, para uma reunião pública.


Com um montão de gente. E, se possível, acompanhada pelo Corregedor do órgão - se é que existe isso, porque isso já tá começando é a parecer com a casa da mãe joana, né mermo?...


E diria: Então, maninha, você tá dizendo que tá tudo certo nesse contrato, né mermo? Que fizemos mal em rompê-lo, né mermo?


Então, maninha, façamos o seguinte: Tá aqui um documento, retomando esse contrato, porque tava tudo bonitinho, né mermo?


Mas, vamos - eu e você - assinar isso daqui... Você, também, vai assinar dizendo que tava tudo bacana...


Você vai pegar essa sua mãozinha bem tratada, lindinha, com os não sei quantos mil que ganha, e assinar dizendo que isso daqui tava tudo “certinho”...


Aí, né mermo maninha?, você vai poder dizer que as dispensas de licitação que foram efetivadas, em função dessa ruptura contratual, não estavam corretas...


Quero é ver se a doutora Carmen Sant’anna assina!


Quero é ver!...

Tchau!


Uma longa pausa para o café




Peço perdão aos leitores, mas vou ter de dar um tempo neste blog.



Pretendo reformular este espaço, voltando a trazer notas, reportagens e artigos. Vou mexer até no visual.



Tudo isso, porém, levará algum tempo.



Porque, agora, preciso pensar.



Após quase três anos, deixei o Diário do Pará.



Foi uma experiência bacana e confesso que sentirei saudades...



Mas aprendi, com a vida, que não há coisa alguma, a não ser a morte, que um dia depois do outro não nos faça superar...



Tenho comigo - muito clara - a compreensão da finitude.



A poeira cósmica que somos. A chama que se acende ou apaga, nas mãos de Deus.



Daí que não vou perder a vida – essa coisa breve, infinitamente breve - em mesquinhas disputas de poder.



Não me chamo Barbalho. Por isso, com certeza, não vou levar um vintém de herança do Diário.



E, também por não me chamar Barbalho, todo e qualquer “poder” imaginado se resumirá, sempre, em merreca de poder.



Daí que disputar poder no Diário, além de insensatez, é perda de tempo.



E eu, sinceramente, tenho mais o que fazer.


Não preciso “ter poder”, “aparecer”, “sentir-me o máximo”: sei quem sou.



Nem mais, nem menos de quem sou para mim – e é isso o que importa, afinal...



Quem se assusta comigo, achando que sou uma “ameaça” ao lugar que detém, é burro e limitado.



Se tivesse um mínimo de psicologia, perceberia, de pronto, que não é assim.



Quando comecei em jornal, há quase três décadas, vários editores ficavam fazendo de tudo para me empurrar escada acima.



Tentaram – não só eles, mas, muitos outros – me tornar também “editora”, até vendo em mim, quem sabe, uma espécie de herdeira.



Mas, eu sempre me recusei a isso.



Gosto de ser repórter. Tenho orgulho em bater no peito e dizer: sou repórter.



Conheço edição, tenho experiência de edição e até utilizo isso, quando quero, nas reportagens que faço.



Mas, sinceramente, não vejo graça alguma em edição. Me lembra aquele verso do Sérgio Ricardo: “eu não sou passarinho pra viver na prisão”.



Ou: quem gosta de parede é osga. E diretor de penitenciária...



Gosto é de correr atrás da informação; de caçar a notícia.



De emparedar o entrevistado, para que ele me diga o que não quer dizer e o que não disse a ninguém mais.



De investigar, revirar papéis, cruzar informações.



De garimpar o melhor, para entregar ao leitor.



De “furar”, até numa coletiva ou num coquetel.



O dia em que não puder mais fazer isso, volto para assessoria de imprensa, que dá no mesmo que edição, com largas vantagens.



Ou, vou vender cachorro-quente (credo, manos, que isso já está a se transformar numa fixação freudiana!...).



Como sou uma fumada, preciso procurar um novo emprego (se calhar, até coloco um anúncio no Tem...).



E preciso, também, resolver a questão do meu registro profissional.



E, é claro, tratar do meu joelho bichado.



E continuar a dar uma guaribada básica na lataria (afinal, se não fizer isso, como é que eu vou comer meus menininhos de vinte aninhos, “na bera do garapé”, com aquele cerpão quente, num copo de “prástico”?...)



Daí a necessidade de dar uma pausa neste blog.



Agradeço a paciência de todos os que acompanharam até aqui, desde o início de 2006, quando, por brincadeira, coloquei no ar A Perereca da Vizinha.



Que, mesmo na brincadeira e com as minhas ausências e bebedeiras, já vai nos 50 mil acessos – os 45 mil que estão aí e os 5 mil que apaguei.



Deixo para toda essa “gentalha” querida – do coração! – mil beijinhos e um até breve já saudoso...



Queridinhos, foi pra lá de maravilhoso estar com cada um de vocês!



FUUUIIIIII!!!!!!




Vou-me Embora pra Pasárgada




Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mais triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

(Manuel Bandeira)




Cântico negro




"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

(José Régio)




O Que é, o Que é?



Viver e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar.. (E cantar e cantar...)
A beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei... (Eu sei...)
Que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita

Viver e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar.. (E cantar e cantar...)
A beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei... (Eu sei...)
Que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita

E a vida?
E a vida o que é, diga lá, meu irmão?
Ela é a batida de um coração?
Ela é uma doce ilusão?

Mas e a vida?
Ela é maravilha ou é sofrimento?
Ela é alegria ou lamento?
O que é, o que é, meu irmão?

Há quem fale que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo,

Há quem fale que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do Criador
Numa atitude repleta de amor

Você diz que é luta e prazer;
Ele diz que a vida é viver;
Ela diz que o melhor é morrer,
Pois amada não é
E o verbo é sofrer.

Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der ou puder ou quiser

Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte

E a pergunta roda
E a cabeça agita
Fico com a pureza da resposta das crianças
É a vida, é bonita e é bonita

Viver e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar.. (E cantar e cantar...)
A beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei... (Eu sei...)
Que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita

(Gonzaguinha)




Nação



Dorival Caymmi falou prá Oxum
Com Silas tô em boa companhia
O céu abraça a terra.
Deságua o rio na Bahia

(Brasil, ô,ô... Brasil, ô, ô...)

Jêje
Minha sede é dos rios
A minha cor é do arco-íris
Minha fome é tanta
Planta florirmã da bandeira
A minha sina é verdiamarela
Feito a bananeira

Ouro cobre o espelho esmeralda
No berço esplêndido
A floresta em calda
Manjedoura d'alma
Labarágua sete quedas em chama
Cobra de ferro Oxum-Maré:
Homem e mulher na cama

Jêje
Tuas asas de pomba
Presas nas costas
Com mel e dendê
Agüentam por um fio

Sofrem
O bafio da fera
O bombardeio de Caramuru
A sanha de Anhangüera

Jêje
Tua boca do lixo
Escarra o sangue
De outra hemoptise
No canal do mangue

O Uirapuru das cinzas chama:
Rebenta a louça Oxum-Maré
Dança em teu mar de lama.

(João Bosco/Aldir Blanc/ Paulo Emílio)




O Amanhã



A cigana leu o meu destino
Eu sonhei
Bola de cristal, jogo de búzios, cartomante
Eu sempre perguntei
O que será o amanhã?
Como vai ser o meu destino?
Já desfolhei o mal-me-quer
Primeiro amor de um menino
E vai chegando o amanhecer
Leio a mensagem zodiacal
E o realejo diz
Que eu serei feliz
Como será o amanhã
Responda quem puder
O que irá me acontecer
O meu destino será como Deus quiser

(União da Ilha, 1978)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Rêmora1

Rêmora I



Miguel Thadeu Rosário da Silva, Thaís Alessandra Nunes e Cláudia Cristina Alencar que depuseram, hoje, no processo decorrente da “operação Rêmora” não podem acusar ninguém.


Teriam dito que sofreram até “pressões psicológicas” da Polícia Federal.

Mas, se esqueceram de dizer que foram sócios, sim, de várias das empresas listadas no processo – e de outras tantas que ficaram de fora, sei lá por quê...

É fácil: basta pegar a constituição societária da Promev, Lê Chalé, Tática (as várias), Adlim e outras – várias outras...

Lembro que Miguel Thadeu era, apenas, nos idos dos anos 90, dono de uma firma individual, no Baixo-Amazonas, chamado “restaurante do Thadeu”. Ou alguma coisa assim.

Depois, milagrosamente, apareceu, se não estou enganada, como sócio da Tática.

Miguel não era apenas motorista: era segurança de Chico Ferreira. E, ao que consta, um elemento barra pesada.

E um elemento a quem, se eu fosse o MP, ofereceria o benefício da “delação premiada” – a ele, sim...

Thaís, que depois eu soube trabalhar na Service Brasil, aparece, também, em várias alterações societárias do grupo.

E Cláudia Cristina foi sócia de várias empresas, inclusive da enrolada Promev (aquela das cartilhas do “Novo Pará”, junto com José Clóvis Ferreira Bastos, irmão de Chico Ferreira).

Está tudo documentado; basta o MPF, o MPE e a PF quererem, de fato, pegar.

É começar pela Tática e pela Service Brasil, aparentemente, as empresas mais antigas do grupo.

Fazer uma tabelinha básica: Quem é quem, CPF, endereços (um item interessantíssimo...), empresas em que aparece, condição (função).

E rastrear, na Jucepa, no INSS e na Receita essas empresas, não apenas por “pessoa jurídica”, mas, também, por “pessoa física”.

Têm o MPF, o MPE e a PF bem mais condições que eu, humanas e materiais.

Se eu cheguei lá, eles podem chegar, também, se quiserem...

Só para lembrar: quando disse aos “coleguinhas” jornalistas do “interesse social”, é isso aí...

E eu só fico é pensando o porquê de ter sido afastada, “coincidentemente”, da cobertura da Rêmora...

Égua, mano, que isso tá começando a parecer é com “Os Intocáveis!”...

Só espero é não acabar que nem o Sean Connery...

FUUUUIIIIIIII!!!!!!!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Almir

Para Almir


Almir precisa se aposentar. Constatar que está velho; que ninguém controla a vida, o tempo...

Por mais que queiramos, o mundo vai além de nós.

Ficamos no que fizemos ou não fizemos. E ponto.

Não há, doutor, segundo tempo neste jogo...

Temos, infelizmente, de nos habituar à idéia da finitude...

Jatene, quer ou o senhor queira ou não, é o melhor dentre nós.

De raciocínio rápido – e isso é fundamental – inteligência e QUASE a sua compreensão do mundo.

É o seu herdeiro...

O senhor não gosta dele? Que pena!... Foi o senhor quem nos legou...

Ou o senhor, birrentamente, prefere o bicheiro?

O que o senhor esperava? Que ele vivesse eternamente a sua sombra e não buscasse o próprio espaço?

Que fizesse como todos fazem? Quer dizer, que, simplesmente, se abaixasse?

Mas, que diabo de legado o senhor pretendia deixar a nós?

Gostaria, um dia, de poder conversar com o senhor, do jeito que o senhor diz gostar: olho no olho...

Mas, o senhor foge, não é mermo? ...

Neste jogo, doutor, não dá para ficar ou deixar ficar em compasso de espera.

Como sabe o senhor, mais que ninguém, há que decidir...

E não dá para decidir em cima de considerações subjetivas; de eventuais raivinhas.

Há que fazer o que é preciso, sempre!...

Lhe admiro profundamente e morrerei lhe admirando.

O senhor é para mim, acima de tudo, uma inspiração.

Um ser que me guia. E que sempre me guiará, mesmo quando se for...

Mas, para além do senhor, existe a vida, a necessidade imediata.

A capacidade de ver o estágio em que o nosso povo se encontra.

Isso, doutor, não é nenhuma missão: é política.

É a capacidade de conversar com todo mundo.

A possibilidade de falar com todas as pessoas, sem essa coisa da pré-concepção.

O senhor, sem querer, sem pensar, nos ensinou isso.

Somos, todos, os seus herdeiros. Quer o senhor goste ou não...

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Divagando

Contemplação

A Perereca se encontra em estado contemplativo...

Aliás, devo dizer que poucas vezes me senti tão calma, ao longo da vida...

Escorpiana legítima, estudo o horizonte enquanto releio, placidamente, um livro extraordinário: A Arte da Guerra...

Por isso, este blog só será atualizado no próximo final de semana; como sempre, de domingo para segunda.

Aproveitem, portanto, para ler ou reler a matéria sobre as eleições municipais.

Que fica logo abaixo da musiquinha bacana que é “Bola de Meia, Bola de Gude”.

FUUUUUIIIIIII!!!!!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A fênix II


Nunca mais tinha ouvido. Ouvi hoje. Que bom!



Bola de Meia, Bola de Gude


Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que uma bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão


(Milton Nascimento)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

municipais 1

A maior eleição dos últimos tempos



Em 5 de outubro deste ano, o Pará viverá as maiores eleições municipais das últimas décadas, com números impressionantes.


Só o eleitorado, nas projeções do IBGE, será superior a 4,2 milhões de cidadãos, num incremento de 50% em relação a 1996.


Crescerá, também, o número de candidatos, a superar 14 mil, para as 1.500 vagas em disputa, a prefeito e a vereador.


Mais: é consenso entre os políticos e publicitários ouvidos pela Perereca que as campanhas eleitorais movimentarão, pelo menos R$ 100 milhões, nos 143 municípios paraenses.


Ou, mais provavelmente - como garante, na ponta do lápis, um tarimbado marqueteiro – cerca de meio bilhão de reais – o equivalente a cinco vezes o que foi consumido no Hangar – Centro de Convenções.


As próximas eleições serão, também, uma briga de foice, especialmente em 20 municípios, que concentram mais da metade do eleitorado paraense.


Deles, a maior fatia pertence a Belém, com 22,3% do universo apto a votar.


Mas, se a capital, pelo peso que detém, promete ser a disputa mais visível, há outros municípios tão ou mais complicados, em termos de alianças partidárias.

municipais 2

Onde o caldo pode entornar



O problema é que as municipais de 2008 serão, apenas, a preparação para as eleições de 2010, nas quais, aí sim, estarão em jogo as jóias da coroa: o Governo do Estado, as vagas para o Senado Federal, Câmara dos Deputados e Assembléia Legislativa e, é claro, a Presidência da República.

E é aí que a porca torce o rabo.

No caso da aliança que hoje comanda o Governo do Estado - e que é capitaneada pelo PT e PMDB – há pelo menos quatro pesos-pesados, onde devem sobrar bicudas entre as duas legendas: Santarém, Marabá, Altamira e Parauapebas.

Juntos, esses quatro municípios superam os 400 mil votos.

Mais que isso: têm a capacidade de influenciar, política e economicamente, as regiões às quais pertencem.

municipais 3

Um quadro complicado



Outra dor de cabeça, especificamente do PMDB, é Ananindeua.


O partido, com boa margem de certeza, deverá sagrar-se o campeão das próximas eleições, em número de prefeitos e vereadores.


Mas, se perder Ananindeua, terá de remoer a derrota do filho e herdeiro político de Jader Barbalho, o grande timoneiro peemedebista, que, com todas as qualidades e defeitos, ajudou o partido a chegar aonde chegou – até nacionalmente, diga-se de passagem.


E a situação de Helder Barbalho é complicadíssima.


Pesquisa realizada pelo PT, em setembro passado, diz-me uma fonte, mostrou Helder mais de 10 pontos à frente do tucano Manoel Pioneiro, que já governou Ananindeua e que hoje é deputado estadual.


Mas, o problema é que a pesquisa também detectou a irresistível ascensão de Pioneiro...

municipais 4

Em cima do muro



Fonte do Palácio dos Despachos, muito próxima da governadora Ana Júlia Carepa, garante que o governo não irá interferir nas disputas municipais que envolvam partidos da base aliada.

“É preciso respeitar os aliados. Isso é o mínimo que se espera de um governo” – diz a fonte – “E vamos trabalhar para compor com os aliados, onde for possível”.

E a fonte até especula um rolê básico: “Temos, por exemplo, Santarém, que já é do PT, e Ananindeua, que já é do PMDB. Então, não é absurdo imaginar uma aliança, um troca-troca”.

O problema é que há peemedebista com as barbas de molho, diante desse tratado de não-agressão.

“Isso depende muito da importância estratégica do município. Essa história de que o governo não vai se meter é muito em tese” – replica um parlamentar do PMDB.

E, bem-humorado, fulmina: “Se o município em disputa for Água Azul do Norte ou Curralinho, é claro que não valerá à pena deslocar um porta-aviões. Já se for Santarém, Parauapebas, Ananindeua, Marabá...É claro que vai pegar fogo! E não valerá à pena perder a vida por delicadeza...”

municipais 5

Fala o PMDB: Jader Barbalho



Em “vacances”, onde foi surpreendido pela Perereca, o escorregadio presidente regional do PMDB, Jader Barbalho, foi logo dizendo que o partido “não tem obrigação de apoiar ninguém”, na capital.


Disse que a prioridade é a candidatura própria, onde for possível – aí incluída Belém: “Se tivermos condições, não devemos perder essa chance”.


Mas, meio cá, meio lá, observou que nada impede “conversações e coligações”.


Lembrou que o PMDB tem um pré-candidato, José Priante, que foi, inclusive, candidato ao Governo Estadual pela legenda.


E observou acerca da proposta de Mário Cardoso – virtual candidato do PT à Prefeitura de Belém - de ceder a vice ao PMDB:


_“Eu acho que ele, como candidato, é um gesto que tem obrigação de fazê-lo. Mas, cabe ao PMDB examinar a conveniência disso. Por que não o PMDB dar a cabeça da chapa?”


Jader acentuou que o processo “está apenas começando”. Daí que seja muito cedo para prognósticos.


Lembrou que o partido tem pré-candidaturas fortes, em vários municípios, como Marabá e Santarém. Mas, garantiu que não descarta “nenhuma possibilidade de conversar sobre composição”.


E disse que, se a prioridade são as candidaturas próprias, a legenda também respeitará as peculiaridades locais, para a costura das alianças.


“A minha visão é estadual. Mas, quando vou conversar com as lideranças municipais, tenho de levar em conta aquilo que pensam”, ponderou.


Ele não tem dúvidas da boa performance do PMDB, em todos os municípios paraenses:


_“Em 2004, nosso desempenho foi excelente. Abstraindo Belém, fomos o partido mais votado, com mais de 700 mil votos. Agora, mais bem estruturados, teremos um desempenho ainda melhor. Se não formos o maior, seremos um dos maiores e estaremos prontos para 2010”.


Jader lembrou isso mesmo: que a eleição deste ano é, tão somente, “uma preliminar” a 2010.


Mas não acredita que as disputas locais possam respingar na aliança estadual com o PT.


Há uma compreensão, imagina, tanto no PMDB, quanto no PT, de que haverá composições onde for possível. Mas que, onde não for possível, prevalecerá o interesse de cada legenda.


E sobre a possibilidade de recomposição da aliança com o PSDB, em 2010, o cacique peemedebista afiançou:


_Não tivemos uma aliança com o PSDB; aquilo foi circunstancial. Fizemos uma aliança desse tipo em 2002, mas, já em 2004, não foi uma aliança e muito menos em 2006. A nossa prioridade é a aliança com o PT.


Jader repisou que não terá uma postura “preconceituosa” em relação às composições destas municipais:


_Eu não trabalho com postura preconceituosa. Quem trabalha com postura preconceituosa é o PSDB. Não haverá restrições em buscar aliados, levando em conta a questão municipal.


Quer dizer: se pretende “estimular” a reprodução da aliança com o PT, o PMDB também comporá, em vários municípios, com os adversários da esfera estadual – o PSDB e o DEM.


Tranqüilo e bem-humorado, o cacique peemedebista só ativou a artilharia antiaérea em relação à Ananindeua.


A Perereca quis saber da possibilidade de aliança com os tucanos, naquele município, já que o embate entre Helder e Pioneiro poderá jogar uma pá de cal em eventual recomposição com o PSDB, em 2010.


Mas, Jader limitou-se a responder: “O candidato à reeleição deve ser o prefeito e ele é o nosso candidato”.


E, ao final da entrevista, pediu, apenas, que a repórter enfatizasse o seguinte: “Não trabalho com preconceito. A grande vítima do preconceito é o preconceituoso. Temos disso exemplos recentes no estado. E eu aprendo com os erros alheios. Até porque fica mais barato”.

municipais 6

Fala o Palácio dos Despachos


“A eleição municipal costuma deixar seqüelas, se não for administrada adequadamente. E o governo, em especial a governadora, evitará interferir nas disputas locais entre os aliados” – garante uma fonte muito bem situada no Palácio dos Despachos.

E acrescenta: “O governo tem uma lógica que não é coincidente com a do PT. A lógica do partido é a de crescer, ampliar a influência. Mas, a lógica do governo é a de respeitar os aliados”.

Acredita que “não é absurdo” imaginar uma aliança entre PT e PMDB em municípios como Santarém e Ananindeua, com base no troca-troca já mencionado.

E admite que a situação é mais complicada em outra cidades, como, por exemplo Marabá:

_“Lá, temos as pré-candidaturas da Bernadete Ten Caten, do PT, e do Asdrubal Bentes, do PMDB. E a tendência é de disputa, o que fragiliza a ambos e pode acabar favorecendo o candidato do Tião Miranda (o prefeito atual)”.

Já em Parauapebas, considera que há, sim, possibilidade de composição entre o prefeito petista Darci Lermen e a deputada federal peemedebista Bel Mesquita, ex-prefeita e novamente de olho na administração municipal.

Para a fonte “um bom patamar de discussão” é que PT e PMDB preservem as prefeituras que já possuem e negociem os municípios que nenhum deles administra. É o caso, por exemplo, de Altamira, comandado pelo PSDB, e de Marabá.

E repisou que o Governo até já conversou com o PT sobre isto: “Não vamos interferir nas disputas locais. Temos que respeitar os aliados; não podemos permitir que as eleições municipais produzam mágoas”.

Sobre Belém, a fonte garantiu que o Governo não pretende, nem nos bastidores, apoiar Duciomar Costa, o atual prefeito.

_“Não temos nenhum tipo de relação política com o Duciomar. Mas, ele é o prefeito da cidade. Por isso é que assinamos esse convênio de R$ 18 milhões, para a pavimentação de ruas. A Ana já enfatizou que acabou a época em que governador perseguia prefeito. E ela não está preocupada com essas interpretações de que está aliada ao Duciomar. O que vale é o povo perceber um novo paradigma nessa relação”.

Assegurou que o PT terá candidato próprio, sim, à Prefeitura de Belém.

E negou que exista qualquer orientação do presidente Luís Inácio Lula da Silva no sentido de o partido apoiar a reeleição de Duciomar Costa (o PTB integra a base nacional do lulismo).

Disse que muito dificilmente o governo ou o PT apoiará a eventual candidatura do ex-prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, hoje no PSOL:

_ “O PSOL é de oposição ao governo Lula. Nos movimentos sociais, há uma clara confrontação entre o PT e o PSOL, que tenta passar a idéia de que não somos mais o partido da classe trabalhadora e que ele (o PSOL) é o nosso herdeiro político”.

Mas, a DS e a antiga Força Socialista, da qual veio Edmilson, não têm a mesma matriz ideológica? - quis saber a Perereca.

“Têm sim, há identidade sim ” – respondeu a pragmática fonte palaciana – “Mas tem, também, a vida real!...”

Reconheceu que o cenário não é lá muito favorável ao PT na capital: “Vamos disputar com o que temos, mas, já enfrentamos situações piores. Governamos o Pará, temos uma governadora com apoio popular e tudo isso pesa no quadro”.

Lembrou que o PT não é “a parte aflita” na disputa por Belém: mais razões para se preocupar têm Duciomar Costa, Edmilson Rodrigues “sem fonte de financiamento” e o PSDB “que está rachado entre a Valéria e o Duciomar”.

Não descarta a possibilidade de uma aliança entre o PT e o PMDB também na capital.

E lembra, pra modo de quem não quer nada, que a deputada Elcione Barbalho aparece com bem mais votos que Priante, na pesquisa realizada pelo PT, em setembro: ela figura em segundo lugar, atrás de Edmilson.

Avalia que Duciomar, certamente, estará no segundo turno:

_É uma questão matemática. Ele tem um terço dos votos. E numa disputa com três ou quatro candidatos, quem tem 30% já está no segundo turno.

E, pragmático, lembra que, se a rejeição de Duciomar é altíssima, o fato é que ele é o candidato, que, no segundo turno, tem condições de catalisar os votos “dos extremos”:

_ “Se a Valéria for para o segundo turno, quem é anti-PSDB tende a descarregar votos no Duciomar. E se o Mário Cardoso for para o segundo turno, quem vai descarregar os votos no Duciomar é o PSDB. Ou seja, é o perfil do candidato que tende a arrebanhar o voto dos extremos”.

municipais 7

Fala o PSDB: Flexa Ribeiro



Apesar de afastados das máquinas federal e estadual, que ajudaram na conquista do maior número de prefeitos e de vereadores paraenses, nas eleições de 2004, os tucanos também estão animados com as municipais.

“O nosso objetivo é ampliar a nossa participação, em relação a 2004” – diz o presidente regional do PSDB, Fernando Flexa Ribeiro.

E acrescenta: “Essa participação foi reduzida com a migração de companheiros para outros partidos e a nossa expectativa, agora, é essa ampliação. É evidente que, se pudermos chegar ao que tínhamos antes, isso será excelente”.

O senador observou que, embora estas eleições sejam “o primeiro passo importante para 2010”, elas terão um caráter “indicativo”, mas não “determinante”: é que o eventual desgaste dos prefeitos, agora eleitos, poderá até reverter o quadro político.

Flexa disse que a idéia é intensificar a presença do PSDB no Pará, para que tenha possibilidade real de retornar ao comando do estado, em 2010.

Acentuou que o partido não pretende “o poder pelo poder”. Mas, a retomada de um projeto “já testado ao longo de doze anos e que é bem diferente dessa gestão desastrosa do PT, no Pará”.

Negou, porém, que exista uma torcida tucana pelo fracasso da aliança entre petistas e peemedebistas, para que o PSDB possa retomar, em 2010, a noiva que lhe foi arrebatada na eleição passada: o PMDB.

_Nós não trabalhamos com sentimento de torcer para que as alianças dos outros partidos sejam desfeitas. Trabalhamos é na expectativa de novos aliados. Ou de recuperar aliados, para fortalecer o nosso candidato – afiançou.

E acrescentou: “As alianças começam agora!”.

Flexa disse que o PSDB não tem a pretensão de assumir o comando de todos os municípios, mas estará presente em todos eles: disputará onde tiver condições de ganhar e comporá chapa, nos demais.

Daí que esteja aberto a alianças “com todos os partidos, menos com o PT”.

Reconhece que, até pela importância política na Região Metropolitana, é inevitável que PSDB e PMDB tenham candidaturas próprias em Ananindeua.

Mas, acentua, isso não inviabilizará “parcerias” em outras cidades:

_ “Ananindeua é importante, mas, em outros municípios também teremos esse problema. É o caso, por exemplo, de Marabá, Conceição do Araguaia e Redenção, onde PSDB e PMDB terão candidatos próprios. Mas, haverá municípios em que estaremos juntos. Evidente que Ananindeua vai ser objeto de conversações, para chegarmos a um consenso. Mas, é difícil, porque o Helder e o Pioneiro são candidaturas em movimento; é difícil frear. É preciso que algum deles desista, mas nenhum tem essa intenção”.

Flexa lembra que, em 2010, pesará, também, a eleição à Presidência da República, na qual o quadro é favorável aos tucanos.

“Somos o único partido com candidatura consolidada: o Serra e o Aécio”, gaba-se o senador, “E o PT sem o Lula não tem nome com consistência eleitoral”.

Flexa negou que o PSDB esteja rachado, com a disputa entre os ex-governadores Almir Gabriel e Simão Jatene:

_ “O PSDB não está fracionado; está unido. O que houve foi a saída (de cena), por vontade própria, do ex-governador Almir Gabriel. Mas isso não fraciona o partido. Ele não participará diretamente das eleições; vai se retirar dos embates eleitorais. Mas continuará usando a sua liderança para fortalecer o PSDB”.

A Perereca quis saber se os problemas entre Almir e Jatene são, apenas, de ordem pessoal, ou se há estremecimento entre os grupos que representam. Disse Flexa:

_ “Existe uma questão que o tempo vai corrigir, mas, pessoal. Politicamente, eles pensam da mesma forma.

Quanto à Belém, disse que, em princípio, o PSDB deverá ter candidato próprio, já que a orientação da Executiva Nacional é para candidaturas próprias, nas 250 maiores cidades brasileiras.

E, de acordo com Flexa, o candidato de consenso a prefeito de Belém é o ex-governador Simão Jatene, que, no entanto, “reage” à proposta: “Ele (Jatene) quer vir ao Governo do Estado, mas, nós queremos que ele comece pela PMB”.

Mas, se Jatene quer o governo, como é que fica a situação do senador Mário Couto, também de olho na mesma cadeira? – quis saber a Perereca.

Disse Flexa: “O Mário tem pretensão ao Governo do Estado, mas, só postulará a indicação, em função da situação eleitoral que tiver na ocasião. Mas ele não criará nenhum entrave ao Jatene”.

Além de Jatene, segundo Flexa, também são ventilados, para a PMB, os nomes de Paulo Chaves e Zenaldo Coutinho.

E sobre a possibilidade de apoio à candidatura de Valéria Pires Franco, do DEM, o tucano deixou a porta entreaberta:

_ “A nossa primeira possibilidade é a candidatura própria; a segunda, uma aliança. Podemos manter a aliança com Duciomar – já que a vice-prefeitura de Belém é do PSDB; o Pioneiro, apenas, deixou o cargo. Outra opção é a aliança com o DEM, que não está descartada. Mas, a nossa primeira opção é a candidatura própria. Tudo dependerá das pesquisas e do trabalho que será feito. O processo ainda está embrionário”.

municipais 8

Fala o DEM: Márcio Miranda



Mas, para o deputado estadual Márcio Miranda, dos Democratas (DEM), se o PSDB não apoiar, de fato, a pré-candidatura de Valéria Pires Franco, na capital, isso poderá criar até obstáculos para uma composição com os tucanos, em 2010.

“Temos que ser parceiros, para ajudar. Mas, quando estamos em melhores condições eles não têm que apoiar? A própria Valéria não terá condições de apoiar, lá na frente, um candidato que não a apoiou, quando teve condições de avançar. Deve, sim, ficar alguma seqüelazinha aí”, avisa.

Ele observa que, em todas as pesquisas, Valéria aparece muito bem posicionada, entre Edmilson e Duciomar.

E salienta que esse é um fenômeno espontâneo na sociedade belemense, já que ela ainda nem se lançou oficialmente à disputa.

Daí raciocinar:

_ “Eu não acredito que o PSDB ‘case’ conosco em Belém. Como vamos construir um projeto com o PSDB se eles não têm candidato no nível da Valéria, como apontam as pesquisas? Não é porque andamos a reboque deles que vamos continuar. No jogo democrático, quem tem mais força é que puxa”.

E prossegue:

_ “Se o PSDB continuar em outra direção e não apoiar a Valéria, sinto que isso criará dificuldades imensas até para qualquer caminhada conjunta. O Jatene tem força no interior e aparece bem, para governador e senador. Mas, nas pesquisas, o povo não o vê como prefeito de Belém. Então, como vamos ter um prefeito que o povo olha e não enxerga e continuar a sinalizar: é Edmilson, é Valéria, é Duciomar?”

Márcio Miranda também assegura que, se conquistar a Prefeitura, Valéria cumprirá, sim, todo o mandato – em vez de sair candidata ao Governo do Estado, em 2010, como se imagina nos bastidores políticos:

_ “Já conversei com ela e ela disse que vai cumprir todo o mandato, até porque o povo cobrará isso. Ela não vai dar outro vôo logo em seguida, usar a Prefeitura como trampolim. A PMB é o maior passo que o DEM pode dar agora. E, se conseguir, vai ter é de mostrar competência. Hoje, o que buscamos é o nosso espaço”.

E, de forma ainda mais surpreendente, acrescentou, mais adiante:

_ “Nós também não temos nada fechado para as eleições de 2010 e estaremos abertos para discutir composição com todo mundo. Vivemos numa democracia. 2008 é um marco, mas, depois é que vamos analisar e compor para 2010. E aí tudo dependerá dos municípios e da conjuntura. Em 2010, não descartamos nenhuma aliança – nem com o PMDB, nem com o PT”.

Na mesma linha de raciocínio, Márcio diz que o DEM, nestas municipais, terá candidatos próprios em várias cidades, mas que construirá, nas demais, um amplo leque de alianças:

_“Teremos candidatos próprios, por exemplo, em Cametá, Salvaterra, Irituia e Santa Izabel. Mas, também vamos compor em vários municípios. Teremos liberdade de movimentação em todos eles e não haverá restrição a nenhum partido. O que importa é a questão local. Não vamos boicotar ninguém”.

Assim, o DEM deverá coligar, em vários municípios, com o PR (em São Miguel do Guamá, Magalhães, Barata, Dom Elizeu, Terra Alta, Castanhal e Capanema, por exemplo).

Mas, também, estará junto com o PMDB (em Bujaru e Santa Maria do Pará, por exemplo) e, por incrível que pareça, até com o PT, em Mãe do Rio. “O candidato do PT pediu para trabalharmos uma coligação e nós liberamos o partido”, contou.

“Vamos com o PR, o PMDB, o PSDB, o PDT, o PTB”, disse Márcio Miranda, que, de tão empolgado, não descartou aliança nem com o PC do B: “Nosso partido está aberto ao diálogo, com as lideranças locais”.

municipais 9

Meio bilhão de reais I



Entre os políticos e marqueteiros ouvidos pela Perereca, ninguém acredita que as campanhas municipais deste ano movimentem menos que R$ 100 milhões.


Mas, um publicitário pra lá de tarimbado aposta, na ponta do lápis, que esses gastos podem até ultrapassar, na verdade, meio bilhão de reais.


A conta é simples. Mesmo considerando a média (por sinal, baixíssima) de R$ 300 mil para a campanha de cada um dos 500 candidatos a prefeito, nos 143 municípios, só aí a conta chega a espantosos R$ 150 milhões.


Mas, acrescente-se a isso, outra média até risível: R$ 30 mil para a campanha de cada um dos 13 mil candidatos a vereador. Resultado: inacreditáveis R$ 390 milhões.


Ou, uma dinheirama impensável para o comum dos mortais: R$ 540 milhões – por baixo, muito por baixo.


Isso acontece, observa, porque os recursos materiais e humanos mobilizados numa campanha eleitoral são amplos e caros.


É verdade que as recentes alterações na legislação acabaram, formalmente, com os caríssimos showmícios e com materiais como camisetas e bonés.


Mas permanecem, como lembra o publicitário, os gastos com cartazes, comícios, caminhadas, cabos eleitorais, passagens (de ônibus, barcos, aviões), combustível, mobilização, anúncios na imprensa, carros-som – dentre uma infinidade de outros.


“Só as campanhas do Duciomar e do PT, em Belém, devem ficar entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões – cada uma”, prevê. “Já a campanha do Jordy deve sair por uns R$ 3 milhões. Mas, esse negócio que te disseram, de R$ 1 milhão, em Belém, é para quem não é candidato”.


E nos municípios maiores, como é o caso de Parauapebas, Redenção e Santarém, a carestia não é tão diferente, dados os custos dos programas de rádio e televisão.


Daí a previsão de que, em Ananindeua – onde só existe uma emissora de Tv e de qualidade sofrível – a campanha acabe ficando até mais barata do que, por exemplo, em Marabá.


“Nesses municípios que dispõem de rádios e TVs é preciso montar uma estrutura de produção de programas e isso sai caro. Só nos custos básicos de campanha, como os programas, comícios, estrutura, você acaba gastando uns R$ 2 milhões, numa campanha de um município maior”, explica.


Já para os vereadores, os custos são muito variáveis: “Em Belém, tem candidato que pode ser eleito com R$ 100 mil. Mas, também tem aquele que, mesmo com R$ 500 mil não se elege”.

municipais 10

Meio bilhão de reais II



Outro tarimbado marqueteiro vai pelo mesmo caminho. “As eleições movimentarão, com certeza, mais de R$ 100 milhões, mas ninguém vai assumir isso, porque ninguém quer que se venha mexer nisso”, comenta.


E acrescenta: “Todo mundo vai dizer que os custos diminuíram, porque não tem mais showmício e ninguém contrata uma banda de fora por menos de R$ 100 mil. É verdade que isso caiu, mas ficaram vários custos pesados. E você vai fazer campanha para um cargo majoritário, mas, quem é que vai segurar a onda dos proporcionais?”.


E vai desfiando as contas de campanha, que ninguém desfia a luz do dia, especialmente ao TRE:


_ “Para você ter uma idéia, R$ 1 milhão, em Belém, paga, quando muito, só a agência, a produtora (de rádio e TV) e as pesquisas. Um programa de TV custa uns R$ 1.200,00 por minuto, no mínimo. Mas, os grandes partidos têm mais de três minutos – e são necessários mais de 20 programas. E aí tem mais o rádio – e uma produtora vai cobrar uns R$ 150 mil, por baixo. E aí tem a agência, que cobra, por baixo, R$ 300 mil, R$ 400 mil. E aí tem mais uns R$ 100 mil em pesquisa. E aí vem a gráfica, outro custo pesado. E por aí vai”.


Ele acredita que, nos municípios menores, com 20 mil habitantes e três ou quatro candidatos, é quase impossível que uma campanha a prefeito saia por menos de R$ 150 mil.


“E há custos embutidos, que nem são computados, como veículos, prédios, combustíveis, convenção”, comenta. E arremata: “Agora, imagine os custos de uma campanha a prefeito em uma cidade do tamanho de Belém e onde já se tem pelo menos sete concorrentes...”

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Meio bilhão de reais III



Um experimentado deputado estadual também aposta que a movimentação financeira das eleições municipais ultrapassará os R$ 100 milhões. “Em Belém e Ananindeua você gasta, tranquilamente, uns R$ 20 milhões”, observa.

Isso porque, estima, mesmo a campanha mais barata a prefeito, na capital, não consumirá menos de R$ 3 milhões.

Já em municípios de médio porte, como Marituba, Cametá, Abaetetuba, as campanhas às prefeituras devem ficar em torno de R$ 1 milhão.

“Esses são municípios com grandes deslocamentos e o pessoal pede óculos, cesta básica. Não há como se colocar numa campanha e não ser vítima disso”, acrescenta.

No ano passado, um marqueteiro pesquisou os gastos com o pessoal necessário à área de marketing, para a campanha à Prefeitura de Santarém. E só aí – incluídas passagens aéreas – a conta ficou em quase R$ 200 mil.

“Só para o pagamento dos profissionais de marketing, que você tem de levar de Belém para os dois meses de campanha num município do interior, você vai gastar em torno de R$ 150 mil, com um mínimo de profissionais”, observa, “E veja que isso é só a mão de obra – não inclui os equipamentos”.

O custo da mão de obra é alto, observa, porque, nas municipais, há uma profusão de candidatos e carência de mão de obra nessa área – que é estratégica.

E lembra que, no caso de Belém e Ananindeua, é preciso considerar, ainda, os gastos do segundo turno – que encarece em 70% a campanha, até porque exige a produção de programas diários de rádio e televisão.

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Os números das eleições



Com base nos três últimos pleitos – 1996, 2000 e 2004 – é possível afirmar, com razoável grau de certeza, que os candidatos a prefeito e vereador, nas eleições deste ano, superarão a marca dos 14 mil. Veja os números do TSE:

1996


Candidatos a Prefeito: 442
Vagas: 123
Candidatos a Vereador: 9.123
Vagas: 1.348
Relação candidato/vaga
A prefeito: 3,593
A vereador: 6,768.



2000


Candidatos a Prefeito: 457
Vagas: 143
Candidatos a Vereador: 13.142
Vagas: 1.547
Relação candidato/vaga
A prefeito: 3,196
A vereador: 8,495



2004


Candidatos a Prefeito: 471
Vagas: 143
Candidatos a Vereador: 12.327
Vagas: 1.361
Relação candidato/vaga
A prefeito: 3,294
A vereador: 9,057.



Ainda de acordo com o TSE, o eleitorado paraense era de 2,832 milhões de cidadãos, em 1996.


Já pelas projeções do IBGE, de setembro do ano passado, deverá atingir mais de 4,223 milhões neste pleito.


Só em relação às municipais de 2004, isso representa uma evolução de 7,5% - uma das maiores do país.


Os eleitores são mais de 61% da população paraense.


E possuem baixíssimo grau de escolaridade: menos de 3% têm curso superior, completo ou incompleto; apenas uns 22% fizeram o segundo grau, completo ou incompleto.


A massa (75%) é de gente que possui, apenas, até o primeiro grau, completo ou incompleto. Sendo que, desses, menos de 6,5% completaram o primeiro grau.


Os números também apontam o crescimento da participação do eleitorado.


Em 1996, o índice de comparecimento dos eleitores foi de 70%, o mais baixo do País.


Já em 2000, isso saltou para 80% e, em 2004, fechou em 83%, acima de boa parte dos estados da Região Norte.


É mais até que o comparecimento registrado nas eleições do ano passado: 80%.


Belém, Ananindeua, Santarém, Marabá, Castanhal, Abaetetuba, Parauapebas, Bragança, Cametá, Tucuruí, Itaituba, Paragominas, Altamira, Marituba, Redenção, Barcarena, Breves, Capanema, Monte Alegre e Igarapé-Miri são os 20 municípios com maior quantidade de eleitores.


Juntos, concentram mais de 2,359 milhões dos aptos a votar – quer dizer, mais da metade do eleitorado.


Na outra ponta estão Cumaru do Norte, Faro, Santarém Novo, São João da Ponta, Sapucaia e Bannach, todos com menos de 5 mil eleitores.



No total, 28 partidos participarão das municipais.


Os que tiveram os melhores desempenhos, em 2004, foram:


PSDB: 47 prefeitos, 240 vereadores
PMDB: 23 prefeitos, 192 vereadores
PT: 18 prefeitos, 139 vereadores
PTB: 18 prefeitos, 133 vereadores
PL (hoje PR): 9 prefeitos, 102 vereadores
PFL (hoje DEM): 7 prefeitos, 99 vereadores
PP: 6 prefeitos, 120 vereadores
PDT: 5 prefeitos, 87 vereadores

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A maior corrida municipal




Para o cientista político Cláudio Lago os números do TSE demonstram que estas devem ser, de fato, as maiores eleições municipais dos últimos tempos.


“Uma das explicações para o baixo comparecimento que você tinha, anteriormente, além da baixa escolaridade,eram as dificuldades de acesso, especialmente na região do Marajó, Baixo Amazonas e Sudoeste do Pará”, observa.

Mas, além da melhoria da infra-estrutura e de novos locais de votação, o próprio crescimento populacional deve levar a que esta seja, de fato, a maior eleição que o Pará já viu até aqui.

Cláudio acredita, também, que o crescimento do número de candidatos, em relação a 1996, deva ser creditado ao aumento da quantidade de partidos existentes, ao incremento da militância política, nos partidos de esquerda, e até à destinação de cotas para as candidaturas femininas.

Diz que a tendência é de temperaturas muito elevadas, nas campanhas dos 20 municípios que concentram a maioria do eleitorado.

“Esses municípios são cabeças de região e têm uma larga área de influência. E, para o jogo de 2010, é fundamental que os partidos estejam estruturados neles”, comenta.

E completa: “Mesmo na época do PSDB houve briga, confusão e o processo eleitoral deste ano não será diferente. É inevitável uma disputa eleitoral intensa em Santarém, Marabá e Ananindeua, por exemplo. Mas, se isso vai afastar o PMDB do bloco de sustentação do Governo do Estado, só o tempo dirá”.

E prossegue: “Quem vai dizer ao Lira Maia, que sempre foi historicamente ligado ao Jader e que só rompeu com ele por uma questão de sobrevivência política, que ele não vai ser candidato em Santarém, para disputar com a Maria, que é do PT? E quem segura a Bel, que é do PMDB e teve 26 mil votos para deputada federal, em Parauapebas, onde o prefeito é do PT? E Capanema, onde o prefeito, Buchacra, é do PT, o PMDB foi tirado do Eslon e dado para o Marcelo Pierre, mas o Eslon, deve ser candidato a prefeito pelo PR, que também integra a base de sustentação dos governos federal e estadual?”

Cláudio diz que as disputas municipais produzirão, sim, arranhões nas alianças políticas existentes, até porque os caciques partidários estão jogando para 2010. Mas pondera, também, que falar em ruptura da coligação que sustenta o governo estadual já é mais complicado.

Prevê que ou PT ou PMDB será o grande vitorioso destas eleições.
Chama a atenção para o desempenho que deverá ter o PR, considera o DEM uma incógnita e acredita que o PSDB, fracionado e sem máquina, tende a encolher: “È possível que os tucanos não consigam manter nem 80% do que tinham”, observa.



Editorial


Novamente, a Perereca produziu uma edição com muito carinho, especialmente para os seus fiéis leitores.

E espera que, esta sim, esteja à altura das edições passadas.

Pretende retornar, ao longo da semana, já que ainda possui muito material sobre as eleições municipais, que não usou nesta domingueira, que já está pra lá de longa.

O blog agradece a paciência dos leitores e dos entrevistados.

sábado, 5 de janeiro de 2008


Abrindo o Verbo


Acho que vou fazer Direito . Se é para fazer uma universidade, vou cursar Filosofia ou Direito – que aliás, era o que gostaria de ter feito em 1985, não fossem os patrulheiros sindicais.


Que, hoje, 22 anos depois, eu sei que são uns meros patrulhadores da própria incompetência.


Vou fazer Direito. Por que não? Passo, certamente – e com louvor – no exame da Ordem.


E deixo essa latrina chamada Jornalismo, pela qual só se interessa quem não tem capacidade nem de vender cachorro-quente.


Tô de saco cheio dos coleguinhas. Que vendem a todo mundo um interesse social que não possuem e que jamais possuirão.


Essa gentalha que só se interessa pelo próprio pão. E só!


Mas, que chega num sindicato, numa entidade e chora: “queremos, chuif!, regularizar a profissão”...


Papo furado!... Querem é resguardar mercado para um monte de incompetentes que saem desses cursos sem nem saber escrever o nome...


Enchi. E me causa estranheza é esse sindicato tucano, das ORM, que só persegue quem está no DIÁRIO, com a condescendência dos burrões que estão por aqui.


E o que me dói é a Carminha, que teria tudo para ser inteligente, mas que se deixa USAR por tantos tucanos.


Égua, mana, se eu tivesse andado pela Grécia e pela Turquia e por todas as Ásias, creio que seria mais sábia...


Por favor, querida, só publico respostas tuas, tà?.


Por isso, não manda a Simone responder, ok?


Bjs.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Sobre os desertos

A Perereca Machucada...



A Perereca repisa a música abaixo, enquanto prepara a edição do final de semana, a primeira de 2008.

Decidi que não temo os desertos, as tempestades: que venham os desertos, pois! E não será a primeira vez, não é mermo?...

Quem se atemoriza diante disso são os capachos. Os merdas. Os incompetentes que só sabem dizer, melosamente: “sim, senhor”.

Os que até abaixam a voz, e o rabo, diante do dono da voz.

Acho engraçadas as pessoas que se fazem passar por corajosas diante de quem está por baixo.

Mas, que se mostram tão covardes – e até falam fino – diante dos patrões.

E que, por isso mermo, não conseguem resolver uma demanda de R$ 300,00 numa redação.

Por mais dinheiro que entre.

Porque são merda boiando. E só!

Nunca tive esse perfil. E creio que, aos 47 anos, está bem difícil de ter.

O eventual poder que tive – e todos os que andamos na política sabemos da efemeridade disso – foi baseado, tão somente, na minha competência, no meu valor profissional.

Lembro de uma vez que disse isso a um motorista da Assembléia Legislativa. E ele, descrente, ficou meio que ofendido comigo...

Tenho minhas convicções ideológicas, das quais não abro mão. Mas, jamais me utilizei delas para obter trabalho.

Poderia tê-lo feito, inúmeras vezes. Não o fiz e nem me arrependo.

Não preciso me acachapar. E de todos os assessorados que tive, o único com quem não me entendo é o Jatene.

Todos os demais – Mário Cardoso, Ademir Andrade, Hildegardo, Humberto, Eslon, Romero, Valéria – me respeitam.

Daí ter concluído que o problema é do Jatene – não meu.

Com nenhum dos meus assessorados – e peço o testemunho deles – tive qualquer espécie de condescendência.

Pelo contrário: disse a eles o que ninguém mais tinha coragem de dizer.

Daí o respeito mútuo.

Em jornal, isso é mais complicado.

Em jornais, todo mundo, por mais acachapado que seja, se reúne no corporativismo.

Não tenho registro profissional. Sou jornalista das boas. Talvez a última representante, como me disse alguém, daqueles tempos em que fazia jornalismo quem tinha capacidade para isso.

Porque jornalismo é mais que um diploma: é inteligência, cultura ampla, sabedoria, capacidade de ir além do interesse e do dizer do entrevistado.

É a capacidade de embaralhar, educadamente, a mesa posta do banquete...

Nada tem a ver com as luzes pelas quais as pessoas procuram essa profissão.

Jornalista que é jornalista é uma sombra. Quem reluz é a informação.

Fiz por essa profissão mais que muitos diplomáticos de merda.

Os repórteres que se contentam com as respostas de merda. E os editores que consideram a notícia um apêndice da publicidade.

Fui jornalista até o tutano. Talvez, até faça o curso, para acabar com essa bagunça.

Talvez, tivesse de ter tido menos preocupações éticas: talvez, obtivesse o registro como diagramadora, fotógrafa, sei lá!...

Jamais me passou pela cabeça ficar na mão de alguém. Não quero dever favores a quem quer que seja.

Isso é o mínimo que se espera de um repórter.

Mas, que tudo isso dá uma tristeza danada, lá isso dá! ...

Graças à coragem do Lula de vetar aquele projeto indecente da Fenaj, até o final de semana!...

Com vocês, a musiquinha bacana que levo para o deserto que me espera...


A Voz do Dono e o Dono da Voz


Até quem sabe a voz do dono
Gostava do dono da voz
Casal igual a nós, de entrega e de abandono
De guerra e paz, contras e prós
Fizeram bodas de ace......tato de fato
Assim como os nossos avós
O dono prensa a voz, a voz resulta um prato
Que gira para todos nós
O dono andava com outras doses
A voz era de um dono só
Deus deu ao dono os dentes
Deus deu ao dono as nozes
Às vozes Deus só deu seu dó
Porém a voz ficou cansada após
Cem anos fazendo a santa
Sonhou se desatar de tantos nós
Nas cordas de outra garganta
A louca escorregava nos lençóis
Chegou a sonhar amantes
E, rouca, regalar os seus bemóis
Em troca de alguns brilhantes
Enfim a voz firmou contrato
E foi morar com novo algoz
Queria se prensar, queria ser um prato
Girar e se esquecer, veloz
Foi revelada na assembléia-atéia
Aquela situação atroz
A voz foi infiel, trocando de traquéia
E o dono foi perdendo a voz
E o dono foi perdendo a linha que tinha
E foi perdendo a luz e além
E disse: Minha voz, se vós não sereis minha
Vós não sereis de mais ninguém

(Chico Buarque)

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

2008

Feliz 2008!!!


Homenagem ao Mestre Verequete


Chama Verequete, ê, ê, ê, ê
Chama Verequete, ô,ô,ô,ô
Chama Verequete, ruuum
Chama Verequete, Oh! Verê
Oi chama Verequete, Oh! Verê


Ogum Balailê, pelejar, pelejar
Ogum, Ogum, tatára com Deus
Guerreiro Ogum tatára com Deus
Papai Ogum, tatára com Deus
Ogum, Ogum.


O peru ta pulando, xô peru
Ora pula peru, xô peru
O peru ta rodando, xô peru
Ora roda peru, xô peru
Tatá, tatá...


Eu sou a sereia do mar
Eu sou, eu sou
Tava deitada na areia
Tô ouvindo teu cantar
O carimbo é muito quente
Da cintura pra baixo eu sou peixe
Da cintura pra cima eu sou gente


(Seleção de músicas de Verequete,
CD O Canto das Águas, Fafá de Belém)