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segunda-feira, 30 de julho de 2007

Exclusão

Peço desculpas aos leitores, mas tive de fazer uma coisa que, normalmente, não faço: excluí uma postagem. Até para os meus padrões, ela estava demasiado bêbada....

sábado, 28 de julho de 2007

Lauande II

Lauande II


O que mais dói nessa história toda é que todos nós sabemos que essa foi uma morte canibalesca, autofágica...

Os filhos da dona Maria e do seu José mataram sem querer – e foi sem querer! – alguém que os defendia.

Ficamos sem ele. E eles, muito mais do que nós...

Mas é a guerra. Assim, são todas as guerras...

Lauande

Lauande

Conheci Lauande, pessoalmente, há uns cinco ou seis meses. A simpatia foi mútua e imediata. Óbvio que a simpatia possível entre uma tucana e um ex-pecebão...

Já nos “víramos” antes, na blogosfera e nos e-mails que trocamos durante a campanha.

Não o conheci mais do que isso – umas duas ou três vezes cara a cara, alguns e-mails, alguns telefonemas e as visitas que fazíamos amiúde, um ao outro, em nossos blogs.

Mas, sinceramente, eu que aprecio, sobretudo, a alma, gostei, profundamente, da alma que vislumbrei...

Lauande era uma dessas pessoas que fazem uma baita diferença no mundo. Porque lutam, até o fim, por aquilo em que acreditam. Porque fazem da transformação da sociedade, a própria razão de viver. Porque olham as outras pessoas como pessoas, que têm direito líquido e certo a uma vida plena e feliz.

Era um sujeito cuja ternura estava expressa no sorriso largo, sincero, encantador. Um sujeito de bem com a vida, de bem consigo mesmo, que ria com a alma. Por isso, tenho certeza de que viveu, nesses efêmeros 41 anos, bem mais, muito mais, do que muitos de nós...

Estou imensamente triste e chocada...

Triste, chocada não apenas pelo Lauande e a família dele, mas, por todos nós.

Essa violência que esmurra as nossas portas tem de parar, precisa parar.

Não é justo que não tenhamos nem mais o direito de caminhar, calmamente, pelas ruas, na companhia das pessoas a quem amamos.

Não é justo que tenhamos de viver como prisioneiros, atrás de grades, trancas, cadeados que nos trazem uma ilusória “sensação de segurança”, que se desfaz na barbárie da primeira esquina.

E, por vezes, na barbárie que invade até mesmo os nossos lares, apesar de todas as trancas, grades e cadeados.

A violência que vitimou Lauande me trouxe de volta, hoje, a Belém da minha infância. Quando crianças podiam brincar nas ruas, sem medo. Quando, mesmo os adultos, podiam passear sem tanto medo. Sem ter de olhar pra trás, a todo momento, principalmente enquanto era dia. E quando famílias inteiras, mesmo à noitinha, podiam conversar, displicentemente, horas a fio, sentadas à porta de casa.

Essa Belém, de apenas quatro décadas atrás, simplesmente desapareceu.

Foi esmagada pela guerra civil que toma conta das ruas da nossa cidade, do nosso estado, do nosso país. A guerra que nasce dessa miséria brutal, vergonhosa em que vive a maioria do nosso povo. Uma opressão terrível e que, nessas horas de dor, a gente tem essa sensação horrível de que, por mais que façamos, nunca conseguiremos romper...

Neste país e nesta região historicamente escravocratas, os escravos já não “se contentam” em ser escravos: felizmente, sabem que são cidadãos; que têm direitos que vão além, muito além de um mero pedaço de pão.

Querem casa, saúde, educação. Querem lazer. Querem a esperança de que os filhos deles terão uma vida melhor. Querem ser olhados como seres humanos e, sobretudo, como cidadãos – o que não é favor algum.

É um direito que não nasce de algum “votinho” que se deposite nas urnas. Mas que pertence, de forma inalienável, a cada um de nós, seja na Terra Firme, seja em Batista Campos; seja em Nazaré, seja no Guamá.

E eu me pergunto quantos mais terão de morrer – em Batista Campos, no Guamá, na Terra Firme, em Nazaré, no Umarizal, em Icoaraci – até que as pessoas se dêem conta de que a miséria é um vírus que destrói até mesmo a possibilidade democrática.

Um vírus cujos efeitos devastadores não olham cor, instrução, religião, classe social. E que não poupam, nem mesmo, os mais pacíficos dentre nós...


Nós, a classe média, vivemos espremidos no meio dessa guerra, entre os que têm tudo e os que nada têm. Com a casinha e o carrinho que suamos pra pagar, somos um alvo fácil, porque não temos o dinheiro que os ricos possuem, para pagar pela segurança deles e dos filhos deles.

Mais que nós, porém, são alvos fáceis a dona Maria e o seu José. E os filhos deles que, todos os dias, nas ruas de Belém, do Pará, do Brasil, têm de morrer ou matar, para buscar direitos que o Estado deveria ter garantido, mesmo antes de nascerem.

Lembro daquela mãe agarrada ao filho morto, um assaltante, em algum beco miserável, desta miserável Cremação.

Lembro de Lauande, alvejado à porta de casa, quando ainda era dia.

E não posso deixar de pensar que Lauande e aquele assaltante são vítimas da mesma guerra e da mesma dor...


II


Não quero mais chorar. Agora, tô mais é a fim de gargalhar. Lauande gargalhava. E que coisa bacana é a capacidade de gargalhar...

A capacidade de levar a vida como se fora um mero aceno. Aquela coisa que está bem aqui e que logo ali não estará...

A consciência de que tudo é finito – e nós, muito, muito, muito mais... E que é preciso viver intensamente, cada lua, cada sol, cada estrela, cada mar...

Para Lauande, pensei em deixar uma oração. Mas, creio que ele não acreditava em Deus (embora eu tenha certeza de que Deus acreditava, profundamente, no Lauande...).

Aí lembrei de uma música pra cima, como ele era. E que é, também, o grito dessa revolta que, há séculos, anda presa na nossa garganta. Uma música pra cima e bem bacana, contra esse Estado perverso que ele tanto combateu:


Apesar de Você


Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal

(Chico Buarque)

Sem Palavras

Gênesis

“Quando ele nasceu foi no sufoco...
Tinha uma vaca, um burro e um louco
que recebeu o seu sete...
Quando ele nasceu foi de teimoso
Com a manha e a baba do tinhoso.
Chovia canivete...
Quando ele nasceu, nasceu de birra.
Barro ao invés de incenso e mirra,
cordão cortado com gilete...
Quando ele nasceu
sacaram o berro
meteram a faca, ergueram o ferro...
exu falou: ninguém se mete!
Quando ele nasceu tomaram cana,
Um partideiro puxou o samba...
Oxum falou: esse promete...”


O Ronco da Cuíca


Roncou, roncou,
roncou de raiva a cuíca,
roncou de fome ...
alguém mandou,
mandou parar.
- A cuíca é coisa dos home.
A raiva dá pra parar, pra interromper.
A fome não dá pra interromper.
A fome e a raiva é coisa dos home.
A fome tem que ter raiva pra interromper.
A raiva é a fome de interromper.
A fome e a raiva é coisa dos home,
é coisa dos home,
é coisa dos home,
a raiva e a fome
mexendo a cuíca
vai ter que roncar.


Tiro de Misericórdia


O menino cresceu entre a ronda e a cana
correndo nos becos que nem ratazana.
Entre a punga e o afano, entre a carta e a ficha
subindo em pedreira que nem lagartixa.
Borel, Juramento, Urubu, Catacumba,
nas rodas de samba, no eró da macumba.
Matriz, Querosene, Salgueiro, Turano,
Mangueira, São Carlos, menino mandando,
ídolo de poeira, marafo e farelo,
um deus de bermuda e pé-de-chinelo,
imperador dos morros, reizinho nagô,
o corpo fechado por babalaôs.

Baixou Oxolufã com as espadas de prata,
com sua coroa de escuro e de vício.
Baixou Cão-Xangô com o machado de asa,
com seu fogo brabo nas mãos de corisco.
Ogunhê se plantou pelas encruzilhadas
Com todos seus ferros, com lança e enxada.
E Oxossi com seu arco e flecha e seus galos
e suas abelhas na beira da mata.
E Oxum trouxe pedra e água da cachoeira
em seu coração de espinhos dourados.
Iemanjá, o alumínio, as sereias do mar
e um batalhão de mil afogados.

Iansã trouxe as almas e os vendavais,
adagas e ventos, trovões e punhais.
Oxum-Maré largou suas cobras no chão.
Soltou sua trança, quebrou o arco-íris.
Omulu trouxe o chumbo e o chocalho de guizos
lançando a doença pra seus inimigos.
E Nana-Buruquê trouxe a chuva e a vassoura
Pra terra dos corpos, pro sangue dos mortos.

Exus na capa da noite soltaram a gargalhada
e avisaram a cilada pros Orixás.
Exus, Orixás, menino, lutaram como puderam
mas era muita matraca pra pouco berro.
E lá no horto maldito, no chão do Pendura-Saia,
Zumbi menino Lumumba tomba da raia
mandando bala pra baixo contra as falanges do mal,
arcanjos velhos, coveiros do carnaval.

- Irmãos, irmãs, irmãozinhos,
por que me abandonaram?
Por que nos abandonamos
em cada cruz?

- Irmãos, irmãs, irmãozinhos,
nem tudo está consumado.
A minha morte é só uma:
Ganga, Lumumba, Lorca, Jesus...

Grampearam o menino do corpo fechado
e barbarizaram com mais de cem tiros.
Treze anos de vida sem misericórdia
e a misericórdia no último tiro.

Morreu como um cachorro e gritou feito um porco
depois de pular igual a macaco.
Vou jogar nesses três que nem ele morreu:
num jogo cercado pelos sete lados.


(João Bosco e Aldir Blanc)

quarta-feira, 25 de julho de 2007


Carta Aberta a Augusto Barata IV



Baratão:


Quero começar este post agradecendo, efusivamente, as idéias “brilhantes” que saem desse te cabeção.

Afinal, “revelaste” que nada mais faço, hoje, em jornal, além de dar redação final aos documentos entregues a mim, pelos diretores do Diário do Pará.

Quer dizer, transformaste os três – Jader, Francisco e Camilo, nessa ordem – em meus empregados!

E eu, da próxima vez em que encontrar qualquer deles, proporei que coloquemos em prática o “esquemão Baratão de produção”.

Que coisa maravilhosa! Serei a repórter mais feliz da imprensa mundial: vou virar a patroa dos patrões!

Os três – Jader, Francisco e Camilo, nessa ordem – vão suar no batente, descobrindo “furos” e arranjando documentos para minzinha, enquanto eu – ah, que delícia!... - ficarei pra lá e pra cá no meu redão!...

De onde só me alevantarei para uma redaçãozinha aqui e acolá. E, é claro, para receber o contrachecão!...

Égua! Nem Marx pensaria nisso! A grande solução do capitalismo é...explorarmos os patrões!!! Proletários do Jornalismo, uni-vos!

Sinceramente, Barata, só mermo uma cabeça de pica paraguaia como a tua, para pensar em algo assim...

Mas, por motivos óbvios, adorei a idéia! Amei!

Já até imagino a conversa que terei com os três diretores do Diário – Jader, Francisco e Camilo, nessa ordem...

“Senhores” – direi – “como é sobejamente conhecido de todos, o Senhor Augusto Barata é um jornalista de respeitabilidade extraordinária! Pessoa, mermo, de honradez e coragem exemplares!...Um estrondo!...E aquele blog dele é uma raridade histórica: faz a gente contemplar o jornalismo pelo ângulo dos australopithecus!...”

“Aliás, os senhores devem saber” – prosseguirei – “que os anjos, os santos e até Jesus Cristo afazem fila para beijar os pés dessa criatura honestíssima, um poço de inocência, que só as mentes deturpadas insistem em comparar às putas mais escrotas, dos puteiros mais escrotos da face da Terra”...

(Sim, porque, Baratão, terei de fazer uma defesa veemente de ti! Aliás, já penso até em pedir licença da OAB para me transformar em tua advogada...Égua da idéia, mano!...Pô!...Cara!...Só!...)

“E não é que essa alma alvíssima, várias vezes alvejada em soda cáustica, ateve uma idéia brilhante, para organizarmos essa nossa linha básica de produção?”.

“A partir de agora – direi – vamos revolucionar esse tal de capitalismo! Está claro que não tenho um tostão no bolso, mas os senhores é que vão me servir. E andarão nos trinques e nos conformes! Até porque – ora, ora, pois, pois! – por qualquer ângulo que se olhe, eu fui o modelo melhorado da Vênus de Milo!... Vamos lá, seus inúteis, me atragam umas uvas, umas maçãs e uma caixa bacana daquela cerveja Sol, e atratem, mais é, de embalar a minha redinha”...

“Senhores Jader, Francisco e Camilo, nessa ordem, acionem já, as suas fontes privilegiadas! E isso é pra ontem” – gritarei, distribuindo chibatadas nos lombos dos três – (Sim, porque, claro está, que, malévola do jeito que sou, transformarei os três, imediatamente, em meus escravos...)”

“E não se asqueçam” – agritarei – “de aprovidenciarem os documentos. E olha que aprestem, viram? Ai, ai, ai!...”

Égua, eu nasci pra isso!...Infelizmente, Baratão, tenho a leve impressão de que eles – Jader, Francisco e Camilo, nessa ordem – não nasceram... Chuif!... Snif!... Buáááááá!...

De qualquer forma, Baratão, obrigadão!...

II

A relação que tenho com os diretores do Diário, Barata, é de respeito mútuo – e até de amizade. Gosto deles e, creio, eles, também, gostam de mim.

Aprendemos a colaborar, a jogar em equipe. A sofrer e a comemorarmos juntos, sem essa merda toda de saber quem “armou” ou “finalizou” o gol. As conquistas e as derrotas pertencem a todos, ao time – e só!

Óbvio que, para cabecinhas retrógradas, misóginas, como a tua, Baratão, deve ser difícil compreender uma relação assim, não é mermo?

Afinal, pensas, como tantos outros, que basta cuspir pro lado e coçar o saco para se obter respeito, não é mermo?

Pensas, como tantas outras coisinhas imundas, que basta contar uma piadinha suja acerca de uma mulher, para se habilitar a alguma coisa, não é mermo?

E te esqueces que, ao contrário de ti, muitos homens tiveram mães, mulheres, irmãs, que aprenderam a respeitar...

Não compreendes – e os outros iguais a ti – que esse teu pensamento, do tempo das cavernas, não cabe nas sociedades ocidentais deste terceiro milênio.

O conselho que posso te dar, Barata, é que te mudes lá para a Ásia ou a África, para alguma das comunidades onde mulher é vista como o sub do sub do sub. Vai bater tambor, maninho! E fazer AA UU AA UU!

Eu, de minha parte, vou continuar te acertando bem no meio das pernas: te chamando de pica paraguaia, de pica de R$ 1,99, porque é só essa a linguagem que entendes, não é mermo?

Vou continuar descendo esse debate ao quinto dos infernos, porque, com merdas da tua marca, que se julgam homens, a vida me ensinou, exatamente, como lidar, não é mermo?

É no meio das pernas, maninho, sem dó nem piedade...

E antes que eu me esqueça: és, realmente, um hipócrita nojento, um verme.

Ficas, agora, falando, como se te doesse, neste um ano da morte do teu irmão.

Maninho, lava essa tua boca imunda antes de falares do Luiz Otávio Barata, que, este sim, era gente. E que cansou de recriminar essa coisa sórdida de ficares inventando coisas, inclusive de ordem pessoal, contra os inimigos que alguém paga para atacares.

Deixa de ser porco, cara. Respeita, ao menos, a memória do teu irmão, que não teve culpa de nascer teu irmão!...

Disseste, em mais um post imundo, que fui motivada a te responder pelo que disseste do Orly.

É verdade. Por mim, poderias me bater eternamente - que eu iria te ignorar, solenemente.

Mas, entrei matando por todas as calúnias que disseste de pessoas a quem amo – e tu não sabes o que é isso, pois não, Barata? Uma coisa como tu, um verme, não pode saber o que é gostar de alguém, não é mermo?...

Gosto do Orly e de tantas pessoas que ofendeste. Simplesmente, porque não passas de um medíocre, na ânsia de aparecer. Simplesmente, porque és uma puta rasca que se presta a qualquer “serviço”.

Não vou desprezar o Orly, simplesmente porque está por baixo. Não faço isso. Bati nele, o desestabilizei o que pude, emocionalmente, justamente porque sei o valor que ele possui. Que ele não pode jogar solto, porque vale por um, dois, dez, times inteiros. E bateria de novo – e ele sabe disso. E é por isso que nos respeitamos: porque ele sabe que fiz o que era preciso fazer.

Mas, não fiz isso com ódio – nem me utilizei dessa coisa porca que utilizas, de ficar revirando a vida pessoal de cada um. Me restringi aos limites do jogo democrático – da coisa pública. Porque, afinal, é por isso que todos temos de responder.

Não inventei, como fazes. Nem fiquei com essa coisa imunda de acusar sem provas ou de acusar sem citar nomes. Por isso, tenho o respeito dele e de tantos outros, bem ao contrário de ti.

Isso que estou te dizendo – a minha consideração, e até o meu amor, pelo Orly e por tantos outros tucanos – não é mistério para ninguém. Portanto, nem te dá ao trabalho de futricar...

Todo mundo sabe disso – os diretores do Diário e o pessoal do PMDB, o time no qual jogo, hoje. E no qual vou continuar a jogar, até que me mandem embora. Porque eu, de moto próprio, não vou embora. Gosto de lealdade. E o PMDB tem me dado isto: lealdade.

Ao contrário de ti, Barata, não vendo a minha consciência: sou o que sou. E quem quiser, que me aceite do jeito que sou.

Acho, sinceramente, que deverias repensar essa tua vidinha fuleira. Ao invés de tentares trazer para esse debate outras pessoas – como os diretores do Diário, o Guilherme e o Mauro.

Se ainda não percebeste, maninho, somos só tu e eu, cara a cara. Não adianta gritares por socorro. E se não te garantes, o que é que eu posso fazer, não é mermo?

Sinceramente, vou cessar essa discussão, porque já está ficando meio covarde - e eu, ao contrário de ti, detesto covardia. Se continuar assim, maninho, daqui a pouco vou ter de começar a te ajudar!...

Definitivamente, Barata, não tens cacife pra mim...

Ficas aí, nesse teu xingamento desértico, e não respondes nada do que relatei: que, conforme me disse “uma fonte em off”, quer dizer, “sob a condição do anonimato”, foste dedo-duro, delator, na época da ditadura militar; espancas mulher e ajudaste a forjar um documento, um telex, numa eleição do Sindicato dos Jornalistas.

Também nada disseste sobre o fato de teres me caluniado, de teres mentido deslavadamente, quando afirmaste, sem citar meu nome, que eu sou funcionária fantasma da Sead.

Provei que não sou funcionária fantasma de porra nenhuma, que não tenho sinecura porra nenhuma, e aí passaste a dizer – como foste flagrado na calúnia – que recebi sem trabalhar, nos dois meses em que passei na Sead.

Continuo à espera das provas, Barata. Continuo à espera de um único documento, acerca disso. E também já demonstrei o absurdo da tua “revelação”, acerca do meu trabalho, no Diário do Pará.

Que mais haverás de inventar, coisinha imunda, com a ajuda dessas tuas fontes fuleiras, não é mermo?

De tudo isso, espero, apenas, ter lavado a alma de alguns amigos, muito queridos, que andaste a ofender...

Em honra deles, é que também pergunto, seu canalha: agora, que não tens mais garantido o michezinho, do que é que vais sobreviver, afinal?

Mas, não te preocupa, Barata: por mim, podem uns e outros continuar a te pagar – ou até, te contratar.

Em política, sou pragmática. Não ajo com o fígado. Portanto, podes ter certeza de que eu jamais te negaria um copo d’água, não é mermo? Nem o michezinho ordinário que te habituaste a receber...

domingo, 22 de julho de 2007

Baratão III

Carta Aberta ao Augusto Barata III


Baratão:


Retornei de férias (égua, das férias curtas! Não, não é trabalho escravo. É coisa, mermo, de urubu do Ver-o-Peso...) e vejo que continuas a espernear...

Mas, estou de muitíssimo bom humor e já disse tudo o que queria a teu respeito. (E quem levará a sério, não é mermo?, uma pica paraguaia como a tua, uma pica de R$ 1,99, não é mermo?...).

Por isso, resolvi pegar leve. Até em respeito aos leitores deste blog.

Assim, vou dedicar uma música a ti e a essa corja que te sustenta. Uma música pra lá de bacana.

Afinal, me chamaste de mulher de vida sei-lá-o-quê. E isso, cara, vindo de ti, é um puta elogio... Cara!...Pô!...Só!...

Para ti, Baratão, e, principalmente, para aqueles que te pagam o michezinho de cada mês:



Reunião de Bacana


(Todo mundo cantando esse refrão!)


Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão
Se gritar pega ladrão, não, não fica um
Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão
Se gritar pega ladrão, não, não fica um


Você me chamou para esse pagode
E me avisou aqui não tem pobre
Até me pediu pra pisar de mansinho
Porque sou da cor, eu sou escurinho
Aqui realmente está toda a nata
Doutores, senhores, até magnata
Com a bebedeira e a discussão
Tirei a minha conclusão


Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão
Se gritar pega ladrão, não, não fica um
Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão
Se gritar pega ladrão, não, não fica um


Lugar, meu amigo, é minha baixada
Que ando tranqüilo e ninguém me diz nada
E lá camburão não vai com a justiça
Pois não há ladrão e é boa a polícia
Lá até parece a Suécia, bacana
Se leva o bagulho e se deixa a grana
Não é como esse ambiente pesado
Que você me trouxe para ser roubado.


Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão
Se gritar pega ladrão, não, não fica um
Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão
Se gritar pega ladrão, não, não fica um

(Originais do Samba)

terça-feira, 17 de julho de 2007

Férias!!!!!!!!!

Férias, agora sim!


Peço desculpas aos leitores deste blog, se andei baixando o nível.

Mas, às vezes, é preciso agir assim.

Há certas figuras às quais não podemos, simplesmente, tratar com o mesmo grau de civilidade com que nos habituamos a tratar toda gente.

Finalmente, vou de férias, com os telefones devidamente desligados e sem nem olhar para jornais ou computadores.

Vou dormir numa rede, embalada pelas ondas do mar... E o meu teto será... as estrelas do firmamento!...

Vou contar estrelas... A decifrar o mistério que nos une!...

A todos nós! E a essa coisa a que chamamos existência!...

Vou levar comigo um bocadinho de vocês.

Pois, como já me disse aqui, lindamente, um anônimo belíssimo, levamos conosco um pouquinho de todos aqueles que conhecemos. E deixamos, em todos, um bocadinho de nós...

Vou ouvir um carimbó danado de bom, um jazzão...

Sim, porque, claro está, levarei meu sonzinho. Afinal, quem consegue meditar ao som de um bregão?...

Se calhar, até comerei, devorarei (não em sentido antropofágico, mas, puramente libidinoso...) um pescador bem novinho e parrudão... Como diria uma amiga minha - uma extraordinária amiga! – à “bera dum garapé”, com um “celpão” quente, num copo de “prástico”...

Vou, enfim, me desgarrar de vocês pra fazer indecência... A deixar todos vocês com uma inveja danada, dessa coisa bacana que é a gente se desgarrar pra fazer indecência...E indecência daquelas bem indecentes, pois não?...

(E por favor, não me mandem, porque eu já vou, mesmo sem vocês mandarem!...)

Mas, como tomei umas carradas do “Pondera” do “cumprade” Juvêncio – lamentável!...rs... – “adeixo”, aqui, uma música bem bacana.

Para os meus amigos tucanos, tão de asas partidas!... E que eu adoro, porque são o meu ninho, o útero que me concebeu...O mar, para sempre, o mar!...O mar que, por vezes, lava todas as mágoas, não é mermo?

Para os meus amigos peemedebistas, que me acolheram quando eu mais precisei. E que têm sido de uma lealdade, de uma camaradagem e de uma honestidade sem par...E aos quais, por isso mesmo, de moto próprio eu jamais deixarei...

Para os meus amigos petistas, que, apesar de todas as cagadas, aprendi a respeitar. E que continuarei a respeitar, mesmo quando já não estivermos juntos...

Para os meus amigos pefelistas – por que não? – que me ensinaram a ver o outro lado das pessoas. Essa solidariedade que muitos sentem, mas que não conseguem compreender. E que leva a um assistencialismo desajeitado, porque decorrente dessa incompreensão histórica acerca da opressão...

E até porque foi entre os pefelistas que encontrei a minha mãezinha espiritual – e que pessoa magnífica que ela é!...

Para os meus amigos do PC do B e do PSOL. Com os quais não concordo, mas que respeito. Afinal, é preciso respeitar quem tem uma visão tão boa, acerca desse predador cruel que é o ser humano.

É preciso respeitar essa gente que dedica, por vezes, a vida inteira para tentar construir uma sociedade igualitária, que, infelizmente, jamais será possível... Há gente mais bela? Pois não...

A todos vocês, queridinhos, meus amores!, uma seleção arretada.

Gravada pela poderosa Fafá de Belém, nesse disco bacana que é “O Canto das Águas”:


Bom Dia, Belém!


Há muito que aqui no meu peito
Murmuram saudades azuis do teu céu
Respingos de orvalho me acordam
Luando telhados que a chuva cantou

O que é que tens feito que estás tão faceira?
Mais jovem que os jovens irmãos que deixei
Mais sábia que toda a ciência da terra
Mais terra, mais dona, do amor que te dei
Onde anda meu povo, meu rio, meu peixe
Meu sol, minha rede, meu tambatajá
A sesta, o sossego na tarde descalça
O sono suado do amor que se dá?
E o orvalho invisível na flor se espalhando
Cantando cantigas e o vento soprando
Um novo dia vai anunciando
Mandando e cantando cantigas de lá

Me abraça apertado que eu venho chegando
Sem sol e sem lua, sem rio e sem mar
Coberta de neve
Lavada no pranto dos rios que correm
Cantigas no ar
Onde anda meu barco de vela azulada
Que foi de panada sumindo sem dó?
Onde anda a saudade da infância na grama
Dos campos tranqüilos do meu Marajó?
Belém, minha terra, meu rio, meu chão
Meu sol de janeiro a janeiro, a suar
Me beija, me abraça
Que eu quero matar a imensa saudade
Que quer me acabar
Sem Círio da virgem, sem cheiro cheiroso
Sem a chuva das duas, que não pode faltar
Murmuro saudades de noite, abanando
Teu leque de estrelas
Belém do Pará.

(Edyr Proença/Adalcinda Camarão)



Siriá – Salve Mestre Cupijó



“(Vai, maestro Cupijó!)

Siriá, meu bem siriá,
Eu tava dormindo, vieram me acordá!

Se eu soubesse eu não vinha do mato
pra tirá sarará do buraco...

Siriá, siriá...
Eu tava dormindo,
Vieram me acordá!...

Namora pai, namora mãe, namora filha
Eu também sou da família,
Também quero namorá!...

Siriá, siriá...
Eu tava dormindo,
Vieram me acordá!...

Siriá, meu bem siriá
Tua mãe é traíra e teu pai, jacundá!

Maçariquinha, na beira da praia,
Diz como é que a mulhé arriba a saia?...

É assim, é assim, é assim
É assim que a mulhé arriba a saia!...

(RRapaz!...Isso, na zona do Sarrgado, vai sê sucesso! Hum!...Fumo!... Vamo pa Bagança!...)

Me leve, me leve, seu Rafael
Me leve, me leve, pra ser sua mulhé!...

Já te disse, Mariquinha,
Eu não posso te levá!...

Minha barca é pequenina,
Não agüenta balanço do má!...

Siriá, meu bem siriá,
Eu tava dormindo, vieram me acordá

(Intonce, caboco, tu vem de prua?)

(DP)



Este Rio é Minha Rua


Este rio é minha rua
Minha e tua, mururé
Piso no peito da lua
Deito no chão da maré

Pois é, pois é
Eu não sou de igarapé
Quem montou na cobra grande
Não se escancha em puraquê

Rio abaixo, rio acima
Minha sina cana é
Só de pensar na “mardita”
Me “alembrei” de Abaeté

Pois é, pois é...

Me “arresponde” boto preto
Quem te deu esse pixé
Foi limo de maresia
Ou inhaca de mulher?

Pois é, pois é...

(Paulo André/Rui Barata)

sábado, 14 de julho de 2007

Baratão II

Carta Aberta ao Augusto Barata II


Baratão:


És mesmo um frouxo, um covarde, uma pica paraguaia!


O que foi que te deu para assumires, finalmente, uma acusação contra alguém? Tiveste um arroubo de macheza, é?

Afinal, reconheceste que já não trabalho na Sead, não é, seu verme? Afinal, assumiste que és um mentiroso, um caluniador, um crápula.

Pra mais, és burro: afinal, deixaste o “mundo das sombras”, não é, coisinha imunda? E estás em campo aberto, exatamente onde eu queria que estivesses...

Ficas com essas tuas futriquinhas, inventando merdas acerca dos outros, mentindo deslavadamente, não é, seu capacho?

Destilas essa tua baba peçonhenta contra todo mundo. E quando a gente baixa o nível até o nível em que estás acostumado a chafurdar, ficas tentando vender a imagem de que és a “fina flor da inocência”, não é, seu canalha? Assério, mermo, que és uma "donzelinha ofendida", é?

Cara, mete uma coisa nesse teu cabeção imundo: ninguém tem inveja de ti! És um verme... Portanto, quem há de ter inveja dessa tua existência rastejante?

Não preciso te desqualificar: tu és, essencialmente, um desqualificado! É visceral em ti, faz parte da tua natureza, é característica definidora dos insetos da tua marca!...

Também não estou “tentando te intimidar”. Não te ameacei, que fique bem claro: te dei um AVISO, o que é bem diferente, não é mermo?

Estás acostumado a ofender todo mundo, com esse teu recurso covarde a essas tuas “fontes furadas”. Ou, simplesmente, a essa coisa porca de acusares sem citar nomes.

Mas, comigo, maninho, não fazes isso! Nem tu, nem ninguém!

Que fique claro, também, que não afirmei que és um espancador de mulheres, um dedo duro, um alcagüete tão safado que até delatavas pessoas aos torturadores da ditadura militar; um bandido que até ajudou a falsificar documento numa eleição do Sindicato dos Jornalistas. Apenas, relatei o que me disse “uma fonte em off”, quer dizer, “sob a condição do anonimato”...

E que negócio é esse de ficares dizendo que é impossível conciliar, por questão de horário, os expedientes de um jornal e de uma assessoria de imprensa? Estás afirmando, por acaso, que todos os jornalistas que fazem isso – e são muitos – têm, em verdade, sinecuras?

Estás pensando que todo mundo é da tua marca? Conheço muito bom jornalista que sua, no batente de um jornal e de uma assessoria de imprensa, em dez, doze horas seguidas de trabalho.


Mas, de trabalho honesto, honrado, tu não entendes, não é, Barata? Até porque, como me disse “uma fonte em off”, ou seja, “sob a condição do anonimato”, já foste até funcionário fantasma da Vice-Governadoria e do Iterpa...

E que “preocupações elevadas” são essas que tens, já, nessa pocilga a que chamas blog? Ao que todos sabemos, Barata, a única preocupação que te move é a do michezinho no final do mês...

Aliás, devo admitir que sinto muita, muita pena de ti... Deve ser, realmente, bem tristonha essa vida miserável que levas.

A vida de um cão lazarento que, para fazer jus a um osso ordinário, tem até de morder a mão de quem já o alimentou...

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Baratão I

Carta aberta a Augusto Barata



Baratão:


Não passas de um porco, um covarde, um canalhão.

Ficas com essa tua frescura, típica de boiola de gaveta, que acusa os outros sem citar nomes.

Deves imaginar, por certo, que todo mundo é frouxo que nem tu. Porque, em geral, quando atacas os outros com essa tua caganeira mental, todo mundo se esconde.

Mas, eu, Barata, não tenho medo de ti. Nem de nenhum merda da tua marca, na porcaria deste mundo. Nem de qualquer Força, na Terra, no Céu ou no Inferno. Pra bandido, maninho, bandido e “trozentas” dúzias de...

Por que não me citas de uma vez? Tens medo que eu te processe ou que te dê uma porrada na cara, seu frouxo imundo?

Quem tem sinecura, seu capacho de merda?

Todo mundo sabe que trabalhei uns dois meses na Sead – está lá, nas páginas do Diário Oficial do Estado – e que saí de lá porque EU quis.

Ao contrário de ti, tenho decência. Jamais ficaria em um lugar onde não pudesse realizar um bom trabalho. E, como já disse aqui, não conseguia conciliar a Sead com o Diário do Pará, até por questões éticas.

Aliás, todo mundo sabe que é do Diário que sobrevivo. Enquanto tu, um Silas Assis da blogosfera, uma puta carcomida, nem fonte de renda, que se saiba, tem.

Vives do michezinho barato que te pagam uns e outros, tão imundos quanto tu. Os urubus que te usam porque, feito tu, só têm caralho pra enfeite.

Te prestas ao trabalho porco de atacar pessoas, sem prova, sem nada. És tão covarde, tão cão lazarento, que nem citas os nomes de quem acusas, justamente para que possas continuar impune.

Prova, seu merda, prova!

Pelo menos uma vez na vida, honra as calças que deverias usar, frouxo de merda! Me ataca frente a frente, olho no olho, para ver o que te acontece...

Já te esqueceste que quase te dei uma cadeirada na redação de O Liberal, porque insistias em atacar um amigo meu, que nem presente estava? E que, naquela ocasião, te escondeste atrás dos outros, justamente porque és frouxo?

Vem, seu merda, canalha, covarde, impotente pra ver se não providencio, afinal, o corretivo que muito “macho” quer atacaste já devia ter providenciado, seu tosse de guariba de cu!

Pensas que vais fazer comigo como fizeste com tantos outros que atacaste nessa pocilga a que chamas de blog?

E quem está te pagando, acha, por acaso, que vai conseguir se esconder sem que eu descubra de quem se trata? Quem é o canalha da vez, de quem eu vou ter de descobrir até os arrotos que deu na infância? Quem é o merda que eu vou ter de odiar até mais do que a ti?

Se tens alguma coisa contra mim, eu te desafio, seu merda, seu verme, prova! Cadê um único documento, cadê?

Ou, ao menos, assume as tuas acusações, seu covarde, seu frouxo, seu pau de enfeite, para que, na Justiça, possas provar o que dizes. Cadê a papelada, seu mentiroso, sua comadrezinha, cadê?

É engraçado, coisinha imunda, medonha, biltre, urubu ... Ficas aí, figurinha triste e ridícula, feito puta da Riachuelo que insistisse em dar lição de moral...

Logo tu, não é Barata? Logo tu, não é, Silas Assis da blogosfera? Logo tu...

Se eu fosse da tua marca, se acusasse sem provas, diria aqui o que corre a teu respeito, não é mermo?

Escreveria que és um safado, um porco tão imundo que até espancas mulher...

Ou, ainda, que és um dedo duro tão nojento, que delatavas pessoas na época da ditadura militar – e eu teria um orgasmo quando tivesse certeza de quem é o cafetão que está te pagando, não é mermo?...

Ou diria, ainda, que recebias sem trabalhar, nas duas ou três assessorias que tiveste nos governos tucanos, antes de levares um pé na bunda, devido a tua rematada incompetência – incompetência até para puxar o saco, vejam só!...

Ou, ainda, que participaste da falsificação de um telex, de um documento, em uma das eleições do Sindicato dos Jornalistas.

Mas, é claro, que não escreverei isto: que és um safado, espancador de mulheres, um dedo duro, um pau mandado de torturador, um falsário, um escroque. Não escreverei isso porque não sou da tua marca, seu lambaio, seu covarde!

Quando acuso alguém, o faço com base em pilhas de documentos – e assino embaixo.

E veja só, Baratinha, eu até me arrecusei – mas não me arrecuso mais – a receber os documentos e depoimentos que comprovavam que foste um colaborador da ditadura... Veja só... Tão boazinha – e tão mazinha! – que eu sou, não é mermo? Tão má, tão má que não há demônio, satanás que se ameta na minha frente, não é mermo?

Aliás, ninguém jamais ousou nem tentar me contratar para o trabalho imundo que realizas. Simplesmente, porque não me presto a isso.

Aliás, Barata, Silas Assis da blogosfera, disso, realmente, te podes “gabar”: há, de fato, bem poucas pessoas tão covardes, tão porcas, tão canalhas que se prestem a uma tarefa tão nojenta quanto a tua...

Tinha prometido a mim mesma que nunca mais leria a cloaca, a pocilga que chamas de blog. Não tenho tempo para essas tuas fofoquinhas travestidas de “jornalismo”. Tenho mais o que fazer. Ao contrário de ti, que és uma putinha ridícula, não vivo de abrir o cu: tenho de trabalhar para sobreviver.

Feliz ou infelizmente, alguém me chamou a atenção para o que escreveste a meu respeito, sem citar meu nome. Como fazes em relação a muita gente, porque és um frouxo, um impotente, um pau mais mole que macarrão em água quente!...

O que precisas, na verdade, boiola desgostoso de ser boiola, é de um pau (duro) no teu cu.

Nessas horas, é que faz falta um cara bem escroto, que contratasse uns sujeitos bem dotados, para te dar uma curra.

O único risco, não é Barata, é que acabasses todo serelepe...

Depois de “trozentas” enrabadas, ficarias, afinal, não é Barata, feliz da vida, como te disse tantas vezes teu finado e bem resolvido irmão...

Detefon

O Baratão é um covardão!



O Baratão é um merda! Covarde! Brocha!

Encara, vamos lá, biltre, porcaria, cu do mundo!

Encara, frouxo de merda! Estou à espera. Vamos ver, covardão...

Essas bolas e esse pau que carregas são só enfeites, é? Enfeites bem miseráveis, diga-se de passagem...

Como é que é, estou à espera, seu frouxo! És um homem ou és um rato?

Vamos lá, cadê a tua misoginia?

É uma mulher que está te desafiando, covardão. E aí?

cara a cara I



Frente a frente com a bola



Sabe qual é o problema? É que vocês têm medo desse merda. E aí ficam torcendo para que apareça alguém que o conteste.

Caralho! Sujeito usa um tal de “propinoduto” e outros termos que desqualificam o que diz.

E eu, agora, Baratão, vou te dar uma lição “de grátis” de jornalismo.

Não adianta odiares o sujeito contra o qual escreves. Porque o leitor está se lixando para os teus sentimentos.

O leitor não quer saber se gostas ou desgostas, como repórter, de quem quer que seja,

Ele não quer saber do teu julgamento – quando muito, quer saber se sentiste dúvida, na hora de transmitir alguma coisa a ele. Aliás, o leitor, de forma saudável até desconfia de ti, sempre que afirmas, enfaticamente, alguma coisa.

O leitor está de saco cheio de certezas. Que essas ele já tem na hora em que vê as contas de água, luz e telefone.

Quer espaço para pensar. Para exercitar o que não lhe foi deixado, nem nas margens, por tudo o que já sabe exato.

Quer, em suma, participar.

Gostaria de escrever mais sobre isso, e se não fosse esse verme, até escreveria – o frente a frente de nós, repórteres, com o leitor.

Adoro isso. Porque penso nisso o tempo inteiro.

Não tenho qualquer outra pretensão em jornal.

Quero ser repórter – uma grande repórter. Essa, aliás, é a única função que me atrai no universo de um jornal.

O dia em que não puder ser repórter, vou me embora. Vou vender cachorro quente.

Chegou. Vou beber. FUUUUUIIIIIII

Vai tomar no cu, Barata-gay!

Baratão



Aviso aos Navegantes



Nem Justiça, nem nada. Vou é tomar a Lei nas próprias mãos.

Estou tão puta com um verme desses, que vou fazer o serviço que ninguém fez.

Podem me prender, me bater, me matar... Não estou nem aí!

Me condenem a pagar o que quer que seja à sociedade, que isso, todo santo dia, já faço...

Com prazer, de moto próprio... Aliás, bem menos burra eu seria se, como todo mundo faz, não o fizesse...

O que esse sujeito, o Baratão, está a dizer de mim, que tenho – e tenho! – honra é muito pior que um pivete de navalha a me ameaçar.

O pivete, eu até entendo – sempre me disporei a entender. Relevarei, como já fiz, aliás... (E esse merda nem imagina que até já corri atrás de pivete-com-navalha, pois não?).

Mas, a esse merda, não perdôo! Até porque esse nojo que sinto é bem antigo.

Aviso aos navegantes: vai dar merda. Eu me conheço... Por favor!...

Carta aberta a Augusto Barata



Baratão:


Não passas de um porco, um covarde, um canalhão.

Ficas com essa tua frescura, típica de boiola de gaveta, que acusa os outros sem citar nomes.

Deves imaginar, por certo, que todo mundo é frouxo que nem tu. Porque, em geral, quando atacas os outros com essas tua caganeira mental, todo mundo se esconde.

Mas, eu, Barata, não tenho medo de ti. Nem de nenhum merda da tua marca, na porcaria deste mundo. Nem de qualquer Força, na Terra, no Céu ou no Inferno. Pra bandido, maninho, bandido e “trozentas” dúzias de...

Por que não me citas de uma vez? Tens medo que eu te processe ou que te dê uma porrada na cara, seu frouxo imundo?

Quem tem sinecura, seu capacho de merda?

Todo mundo sabe que trabalhei uns dois meses na Sead – está lá, nas páginas do Diário Oficial do Estado – e que saí de lá porque EU quis.

Ao contrário de ti, tenho decência. Jamais ficaria em um lugar onde não pudesse realizar um bom trabalho. E, como já disse aqui, não conseguia conciliar a Sead com o Diário do Pará, até por questões éticas.

Aliás, todo mundo sabe que é do Diário que sobrevivo. Enquanto tu, um Silas Assis da blogosfera, uma puta carcomida, nem fonte de renda, que se saiba, tem.

Vives do michezinho barato que te pagam uns e outros, tão imundos quanto tu. Os urubus que te usam porque, feito tu, só têm caralho pra enfeite.

Te prestas ao trabalho porco de atacar pessoas, sem prova, sem nada. És tão covarde, tão cão lazarento, que nem citas os nomes de quem acusas, justamente para que possas continuar impune.

Prova, seu merda, prova!

Pelo menos uma vez na vida, honra as calças que deverias usar, frouxo de merda! Me ataca frente a frente, olho no olho, para ver o que te acontece...

Já te esqueceste que quase te dei uma cadeirada na redação de O Liberal, porque insistias em atacar um amigo meu, que nem presente estava? E que, naquela ocasião, te escondeste atrás dos outros, justamente porque és frouxo?

Vem, seu merda, canalha, covarde, impotente pra ver se não providencio, afinal, o corretivo que muito “macho” quer atacaste já devia ter providenciado, seu tosse de guariba de cu!

Pensas que vais fazer comigo como fizeste com tantos outros que atacaste nessa pocilga a que chamas de blog?

E quem está te pagando, acha, por acaso, que vai conseguir se esconder sem que eu descubra de quem se trata? Quem é o canalha da vez, de quem eu vou ter de descobrir até os arrotos que deu na infância? Quem é o merda que eu vou ter de odiar até mais do que a ti?

Se tens alguma coisa contra mim, eu te desafio, seu merda, seu verme, prova! Cadê um único documento, cadê?

Ou, ao menos, assume as tuas acusações, seu covarde, seu frouxo, seu pau de enfeite, para que, na Justiça, possas provar o que dizes. Cadê a papelada, seu mentiroso, sua comadrezinha, cadê?

É engraçado, coisinha imunda, medonha, biltre, urubu ... Ficas aí, figurinha triste e ridícula, feito puta da Riachuelo que insistisse em dar lição de moral...

Logo tu, não é Barata? Logo tu, não é, Silas Assis da blogosfera? Logo tu...

Se eu fosse da tua marca, se acusasse sem provas, diria aqui o que corre a teu respeito, não é mermo?

Escreveria que és um safado, um porco tão imundo que até espancas mulher...

Ou, ainda, que és um dedo duro tão nojento, que delatavas pessoas na época da ditadura militar – e eu teria um orgasmo quando tivesse certeza de quem é o cafetão que está te pagando, não é mermo?...

Ou diria, ainda, que recebias sem trabalhar, nas duas ou três assessorias que tiveste nos governos tucanos, antes de levares um pé na bunda, devido a tua rematada incompetência – incompetência até para puxar o saco, vejam só!...

Ou, ainda, que participaste da falsificação de um telex, de um documento, em uma das eleições do Sindicato dos Jornalistas.

Mas, é claro, que não escreverei isto: que és um safado, espancador de mulheres, um dedo duro, um pau mandado de torturador, um falsário, um escroque. Não escreverei isso porque não sou da tua marca, seu lambaio, seu covarde!

Quando acuso alguém, o faço com base em pilhas de documentos – e assino embaixo.

E veja só, Baratinha, eu até me arrecusei – mas não me arrecuso mais – a receber os documentos e depoimentos que comprovavam que foste um colaborador da ditadura... Veja só... Tão boazinha – e tão mazinha! – que eu sou, não é mermo? Tão má, tão má que não há demônio, satanás que se ameta na minha frente, não é mermo?

Aliás, ninguém jamais ousou nem tentar me contratar para o trabalho imundo que realizas. Simplesmente, porque não me presto a isso.

Aliás, Barata, Silas Assis da blogosfera, disso, realmente, te podes “gabar”: há, de fato, bem poucas pessoas tão covardes, tão porcas, tão canalhas que se prestem a uma tarefa tão nojenta quanto a tua...

Tinha prometido a mim mesma que nunca mais leria a cloaca, a pocilga que chamas de blog. Não tenho tempo para essas tuas fofoquinhas travestidas de “jornalismo”. Tenho mais o que fazer. Ao contrário de ti, que és uma putinha ridícula, não vivo de abrir o cu: tenho de trabalhar para sobreviver.

Feliz ou infelizmente, alguém me chamou a atenção para o que escreveste a meu respeito, sem citar meu nome. Como fazes em relação a muita gente, porque és um frouxo, um impotente, um pau mais mole que macarrão em água quente!...

O que precisas, na verdade, boiola desgostoso de ser boiola, é de um pau (duro) no teu cu.

Nessas horas, é que faz falta um cara bem escroto, que contratasse uns sujeitos bem dotados, para te dar uma curra.

O único risco, não é Barata, é que acabasses todo serelepe...

Depois de “trozentas” enrabadas, ficarias, afinal, não é Barata, feliz da vida, como te disse tantas vezes teu finado e bem resolvido irmão...

domingo, 8 de julho de 2007

Madrugada

Espinha de bacalhau


Eu também sei desconsolar num tom difícil de cantar
É meu talento além do som daquela onda eu fui dançar
Dancei tão bem adocicando o teu batom como um bombom
Te lambuzei com a minha frase mais redonda
Atriz atroz da insensatez, fui traduzindo em português
O amor que fez tua falsidade mais profunda
E corro atrás da vida fácil em que você quer me levar
Quero morar num bangalô, chorar na mesa nunca mais
Saxofone ou Satanás me intoxica com teu gás
O lado bom do coração que nos separa dos metais
Se a vida é cara, gigolô, só meu amor conhece a cor
Das harmonias da Orquestra Tabajara
Sei que é difícil respirar quando a paixão quer sufocar
Meu coração, por isso eu canso na garganta, ah meu amor
O nosso veneno é no caroço da canção
É como um vício e tem sabor que a fala presa não desfaz
Não sei quem pintou tua cor, tua tez, teu sabor
Com a mocidade onde eu pecava - minha emoção já não dava essa voz
Talvez sonhando dancei nu ao lado do abajourt, e devo ter te beijado com paixão
Foi quando um popular me despertou, me deu notícias
Que esse amor de gafieira não tem mais
Apresentei o meu sorriso e alguém de lá me perguntou
Onde é que eu estou que não agarro essa morena pra dançar
E eu lhe falei não é preciso padecer na solidão
Meu coração, a solidão não vale a pena
Sei que é difícil respirar quando a paixão quer sufocar
Meu coração, por isso eu canso na garganta, ah meu amor
O nosso veneno é no caroço da canção
É como um vício e tem sabor que a fala presa não desfaz

(Severino Araújo e Fausto Nilo)

Ouçam com Ney Matogrosso, Gal Costa e, é claro, a Orquestra Tabajara

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Férias!!!

Férias!!!



Estou saindo de férias, durante 15 dias, a partir desta sexta-feira, 6 de julho.

Preciso, sinceramente, descansar. Desaparecer do mapa, porque já estou naquela do devagar-quase-parando.

Já nem consigo raciocinar direito.

Uma grande informação, é certo, ainda me acende os olhos. Mas, a apatia é tão grande que já nem consigo aproveitá-la como deveria. Simplesmente, já nem consigo fazer as necessárias conexões.

Minha cabeça começou a desligar, apesar de mim (égua, que isso ta começando a parecer o Hall, do 2001!...)

Preciso ver o mar. Renascer das águas, que é o meu elemento primordial.

Estou, há dois anos ou três, sei lá, sem férias. E este último ano foi pesadíssimo. Todo mundo que trabalhou na campanha já parou, menos eu.

Vou parar, preciso parar.

Por favor, não incendeiem o circo sem mim.

Beijinhos a todos: peemedebistas, petistas, peesedebistas, pefelistas, psolistas e por aí vai.

Vemo-nos daqui a 15 dias! Abracinhos carinhosos... E chuac, chuac!


P.S. Se vocês, apesar de tanto carinho, “arresolverem atocá fogo no circo”, eu vou ficar muito puta...

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Fábio 2

Fábio Castro e a CCS (2)




Sei que, devido à virulência de meu último post, ainda vão dizer por aí que tenho, pelo menos, três inimigos no mundo: o Baratão, a Celpa e o Fábio Castro.

Detesto o Baratão, abomino o serviço imundo da Celpa, mas, contra Fábio, não tenho, rigorosamente, nada de pessoal. Aliás, até admirei o humonemata, hupomenata, ou sei lá que hupo que ele chamou o blog dele...

A minha preocupação é que, talvez, tenha pegado pesado demais. Afinal, como me disse, certa vez, um indignado amigo, as palavras, nas minhas mãos, são como facas. E eu, por vezes, nem percebo o estrago que provocam, apesar de todo santo dia, tentar controlar essa minha agressividade visceral.

Não quis ofender Fábio Castro, mas, se calhar – e é muito provável... – ofendi.

Neste blog, ao longo de todos estes meses em que está no ar, só subi nas tamancas umas poucas vezes.

Uma, que eu lembro bem, foi em relação às pessoas que se escondiam no anonimato, para me ofender, de maneira feroz e covarde.

A outra, foi quando, realmente, perdi a compostura em relação a Celpa. Mas, creio, não há paraense que não tenha perdido a compostura em relação a essa empresinha (e eu tenho de maneirar em relação a Celpa, porque até parou de faltar luz no Norte-Brasileiro...).

Fábio, no entanto, acabou pagando o pato por vários fatores: o cansaço, o stress e uma série de problemas que atravesso, inclusive profissionais.

Mas, o que pesou, principalmente, foi a co-responsabilidade que sinto em relação ao atual governo, que, de alguma forma, ajudei a construir. Como cidadã, como jornalista.

Preocupo-me, sinceramente, com o funcionamento de uma área estratégica como é a Comunicação.

Porque sei, até por experiência própria, como são importantes a agilidade de resposta e a capacidade de operacionalizar. No dia a dia, para contornar problemas e divulgar informações positivas. E, nos momentos de crise, para evitar que se transformem em tempestades colossais.

Por experiência própria, sei o quanto a ação decidida, resoluta, ou, ao contrário, o titubear de segundos, pode construir ou destruir uma imagem, irremediavelmente.

Continuo achando que Fábio não é a pessoa certa para a coordenação da CCS. Porque é um intelectual sem a vivência do cotidiano das redações e das assessorias de imprensa. Porque pensa e debate, mais do que operacionaliza ou faz operacionalizar. Porque não possui o instinto, o timing, a organização, o respeito, a capacidade de comando que esse lugar requer.

Mas, peço-lhe desculpas, de público, pela ferocidade da ironia.

Ninguém me pediu para fazer isso.

Mas, creio que ele merece esse pedido de desculpas.

Até para que possamos recolocar o debate no nível que tem de ser travado.

E até para que, um dia, eu ainda lhe possa pagar aquele “graldão” de “celveja”...

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Fábio

Sobre Fábio Castro e a CCS




Poucas vezes vi um assessor de imprensa tão ruim quanto o atual coordenador de Comunicação Social do Governo do Estado, Fábio Castro.

(E eu sei do poder que ele, o grupo dele, tem nas mãos: as milionárias verbas de publicidade. Mas, chega uma hora que alguém tem de ter coragem de colocar o guizo no pescoço do gato, não é ‘mermo’?)

Fábio Castro pode até ser bom como professor, “dotô”, ou sei mais o que, no círculo de iluminados da “univelcidade”.

Pode até ser bacana pra tomar uma cerveja e contar umas piadas. Ou, até, pra fumar um baseado, apreciando o rio Guamá (só!...).

Mas é ruim, ruim, ruim... de matar – impossivelmente ruim! - como executivo de Comunicação.

Pra começo de conversa, é mais fácil falar com alguns dos mais importantes secretários de Estado e até, quem sabe, com a própria governadora, do que com Fábio Castro.

Em primeiro lugar, ou porque ele nunca atende o celular, ou porque está em alguma das intermináveis reuniões do PT.

Em segundo lugar, porque, nas raras ocasiões em que retorna a ligação, o faz através de irritantes mensagens de texto, que levam a pensar que a CCS deve estar vivendo num miserê desgraçado...

Terceiro porque já me deu até informação incorreta: me mandou esperar o Putty, uma tarde, na AL, quando o secretário se encontrava, na realidade, no CIG (e quem me safou foi o deputado Bordalo, que me deu uma carona até lá).

E eu fico pensando se foi desinformação ou má fé de Fábio Castro. E me vejo embasbacada, diante da segunda hipótese. Afinal, se o Putty não queria falar, era só dizer, ao invés de ficar parecendo o Harrison Ford, naquele filme “O Fugitivo”... Mas, o pior é que, apesar do drible do coordenador, Putty falou, sim. E olha que a informação que eu queria não era minimamente embaraçosa para o governo – aliás, creio que era até do interesse da atual administração...

E eu fico pensando, cá com meus botões, pra que, diabos, serve um coordenador de Comunicação Social que não faz a ponte entre a imprensa e os secretários, justamente porque não se comunica com ninguém...

O problema do PT e dos “dotores” do PT é que têm de aprender que uma coisa é a teoria e, outra, a prática.

Sujeito pode ser muito bom a construir altíssimas abstrações. As tais das teorias ululantes, que nos deixam boquiabertos depois da segunda grade...

Pode até ter o dom de ensinar – o que é algo belíssimo, encantador, invejável, mas, entre as paredes da sala de aula, ou até numa palestra, ou até nas páginas de um livro...

Mas que é muito, muito diferente, eqüidistante do ato de executar.

Aliás, as pessoas deveriam ter a capacidade de reconhecer as próprias competências e incompetências. Isso, certamente, livraria muito boa gente de muito vexame...

Podem ter certeza de que não falo isso por “invejar o Fábio”. Se há uma coisa que possuo, graças a Deus, é a sabedoria acerca dos meus limites; das minhas competências e incompetências. E, num lugar como a CCS, sei que acabaria que nem Fábio Castro: punhetantemente dispersa e irritante...

O que estou escrevendo, apesar das ironias, é até em benefício dele e do próprio Governo e de todos os colegas que já cansaram de quebrar pedra, junto a CCS, em busca de informação.

Nessa crise da PM, por exemplo, eu me vi, por vezes, que nem cego em tiroteio – e, o que é pior, cheguei até a sentir saudades do Nélio Palheta - vejam só!...

É que a coisa na CCS anda tão ruim que a gente se vê até desesperada, em busca do menos pior...

No meio de uma guerra de informações, não é o repórter que tem de ficar arrancando os cabelos, em busca da informação decisiva – e que, aliás, beneficia o governo.

O coordenador da CCS tem de ter o timing, a capacidade, digamos assim, até inspiradora...

A sensibilidade de saber a hora de dizer: “apodem pararem”. “Apodem” ir pra casa que o show acabou...

Fábio Castro, apesar de tudo o que deve ter lido e de todas as teses que deve ter construído, infelizmente, não tem esse timing, essa sensibilidade.

No meio do tiroteio, parece o profeta que acha lindo caminhar, placidamente, sobre as águas...

Legal à beça em Jerusalém, ou no Tibete. Lamentável, na miserável e “carnalíssima” Belém do Pará.

Não conheço bem Fábio Castro, mas, nas poucas vezes em que nos vimos, até me pareceu um sujeito bacaninha, sem um mínimo de arrogância – e eu, um dia desses, vou até convidá-lo pra comer uma maniçoba ou um peixe frito. E até “apago” a “celveja”, pois, pois...

Mas, Fábio Castro, no comando da CCS, é um daqueles desastres verdadeiramente desastrosos...

Coisa pra deixar descrente até Nostradamus...

Nessa crise da PM, a CCS não foi capaz de emitir uma mísera nota oficial na segunda-feira – que era o momento certo de desfechar a paulada e acabar com o circo do PFL/DEM.

Ao invés de meditar sobre “Assim Falava Zaratustra”, Fábio Castro, se não quisesse ou não pudesse escrever uma nota (ou mandar escrevê-la) deveria, ao menos, ter “criado” ocasião para falar à imprensa. Ou seja, para desmentir, enfaticamente, o decreto e a iminência da revogação do adicional. E, assim, retirar o mote da oposição (vou cobrar dez “conto” por essa dica...).

Mas, ao não fazer isso, perdeu excelente ocasião até para mostrar a que veio – aliás, ainda não entendi o que passou na cabeça da minha xará, quando resolveu nomear Fábio Castro para a CCS. Afinal, “bacaninha” tem muito mais gente...

E, se ele não passou nem no teste da “crisezinha”, pior ainda será (uma tsunami!..), numa crise de fato.

Como diria aquele personagem dos desenhos animados: “Uma pena, foi mesmo uma pena!...”

Eu e o jornalismo



O jornalismo morreu. Pelo menos no Brasil, após a criação do curso de Comunicação Social.

Raros são os jornalistas diplomados em Comunicação que podem, na verdade, ser chamados de jornalistas. Ou, ao menos, os “profissionais” que BUSCAM que os chamemos assim...

Na maioria, os diplomados em Comunicação não passam de “fechadores de página”. O sujeito que, quando comecei no Jornalismo, há quase três décadas (tô velhinha, né?), todos desprezávamos, por jogar qualquer calhau na página, apenas para poder ir pra casa.

Não têm tesão pela notícia. Encaram isso como um trabalho qualquer. Como o sujeito que colocasse, mecanicamente, 300 esparadrapos em 300 doentes que acorressem ao PSM.

Não têm sequer idéia da importância do jornalismo, para a transformação da sociedade. Por isso, em geral, são até “apolíticos” – e eu gostaria é que me apresentassem um único animal humano que o fosse, de fato...

Ou, permitem que o tesão se perca entre os baixíssimos salários e as péssimas condições de trabalho das redações. Até porque são “apolíticos”, nem lhes passa pela cabeça se organizarem. Ou seja, sequer têm idéia da força que possuem, coletivamente.

Os “comunicólogos”, em geral, se perdem no jornalismo declarativo, o must de nove entre dez jornalistas – apesar do “logos” da definição...

Sujeito, banhudo, careca, ignorante, semi-analfabeto garante que foi à Lua, como astronauta contratado pela Nasa.

E os nossos “comunicólogos” escrevem isso mesmo: que tal criatura foi à Lua. Não se dão ao trabalho de telefonar à Nasa, para saber se ele foi mesmo, ou se foi, mas, no lugar da Chita.... O sujeito declarou. E tá declarado.

Em outras ocasiões, vejo que meus colegas – sim, porque são meus colegas, apesar do diploma que nos separa – sentem uma revolta genuína em relação a alguma coisa.

Mas, simplesmente, possuem vocabulário tão pobre e pensamento tão inextricável que não conseguem comunicar às massas essa revolta.

Não lhes foi dito, simplesmente, que o principal é ler e ler e ler. E aprender e aprender e aprender.

Neste ano, estarei fazendo vestibular, novamente, ao curso de Comunicação Social, após 27 de profissão.

Não apenas para pegar o canudo – que o direito ao exercício da profissão eu conseguiria na Justiça, creio.

Mas, porque cheguei à conclusão que esse é o caminho mais barato, para a reciclagem de que eu sinto necessitar.

Mas, sobretudo, porque não quero levar para o túmulo tudo o que aprendi, ao longo destes 27 anos de profissão.

Espero encontrar, em tal curso, gerações de jornalistas, nas quais eu possa semear tudo o que aprendi.

Sim, porque esse não é um ganho meu, mas da sociedade. E que a ela eu preciso devolver, antes que os cigarros e a bebida e a depressão me levem embora...

Pena que não tenha conseguido ser “fessora”... Mas, quem sabe, como aluna, possa transferir, até mais facilmente, uma parte daquilo que sei...

(Porra, que não acho amigo que me livre dessa obrigatoriedade... Por que será? Pensando bem, acho que tem é muito professor que vai pedir transferência pra Sibéria...)

terça-feira, 3 de julho de 2007

Crise II

A crise nos quartéis (2)

I

Há mais coisas entre o céu e a terra, do que supõe a nossa vã filosofia, na aposentadoria, a toque de caixa, de 12 coronéis da Polícia Militar do Estado.

Fonte petista garante que foi o próprio governo a criar o boato da iminência de um decreto, que revogaria o adicional de inatividade dos militares paraenses.

O problema é que o governo já não sabia o que fazer para se livrar desses oficiais, quase todos ligadíssimos aos tucanos e com uma mentalidade muito distante daquela que se pretende estimular na PM – a de uma polícia mais cidadã.

Além do que os coronéis teriam chiado ante a mera possibilidade de se mexer no adicional, o que ainda está em estudos e não será consumado antes do ano que vem – se for.

Daí a decisão do governo de criar o boato. “Foi uma estratégia arriscada. Só que os oficiais alinhados conosco, ajudaram a isolar os coronéis” – observa a fonte. “Eles (os coronéis) contavam fazer um movimento massivo, para levar o governo a recuar”.

E completa, ao lembrar os pedidos de aposentadoria, apresentados em bloco, na quinta-feira passada, por esses oficiais: “Eles deram uma cartada para pressionar, mas ficaram sós”.

Para a fonte, “são muito favoráveis os ventos de mudança na PM”, a partir da ascensão de oficiais mais jovens. “O que desejávamos era uma renovação. Precisamos criar uma nova geração na PM, para torná-la mais próxima da comunidade”.

Pouquíssimas pessoas do governo sabiam dessa estratégia, para conduzir os velhos coronéis em direção ao pijama. “Até porque” – observa a fonte – “o sucesso dela dependia do sigilo absoluto”.

Agora, acrescenta, o governo vai estudar, com toda a calma do mundo, se mexe ou não no adicional de inatividade. “Nem sabemos, ainda, se vamos retirar ou reduzir. Mas, o que quer que façamos, só valerá à pena se pudermos, de fato, reverter esses recursos em benefício dos militares que se encontram na ativa”.


II

A grande incógnita que permanece, em toda a história, é quanto à participação – ou não – do comandante-geral da PM, coronel Luiz Ruffeil, na tentativa de seus camaradas de pressionar a governadora.

Ninguém tem dúvidas – nem no governo, nem entre a jovem oficialidade – de que Ruffeil participou, de fato, da fatídica reunião da manhã da quinta-feira, na qual os coronéis teriam traçado as estratégias para pressionar Ana Júlia: além da ameaça de aposentadoria em bloco, a disseminação da boataria acerca de uma debandada maciça da tropa, que teria atingido, naquele mesmo dia, mais de mil homens.

Para integrantes do governo e alguns oficiais é possível que Ruffeil tenha sido, simplesmente, chamado a participar do encontro.

Até porque, apostam jovens oficiais, o verdadeiro sentimento do comandante, neste momento, apesar da solidariedade aos demais coronéis, deve ser de alívio.

Oficiais superiores relatam que os antigos coronéis vinham “peitando”, sistematicamente, o comandante-geral, por ser mais jovem e possuir menos tempo de patente.

Ruffeil, desde janeiro, estaria até conseguindo ensaiar um sapateado básico de catita. Mas as afrontas seriam tantas, que já teriam extrapolado as reuniões do alto comando, para se espalhar entre oficiais que nem participam delas.

“Eu acho até que o comandante estava esperando por isso (a aposentadoria desses coronéis). Os antigões estavam dando muito trabalho, contestando algumas coisas do governo. O comandante dava uma ordem e eles, por serem mais antigos, contestavam, apesar da hierarquia” – revela um oficial.

“Eles estavam peitando, não estavam querendo aceitar ordens dele (de Ruffeil). Apesar do comandante ser uma pessoa muito tranqüila, eles estavam até tentando boicotá-lo” – acrescenta outro militar.

Entre os oficiais superiores – da ativa e da reserva – ouvidos pela Perereca, não houve nenhum que se mostrasse descontente com a aposentadoria desses coronéis – muito pelo contrário.

Uns manifestavam euforia diante da agilidade da governadora, em fazer publicar os pedidos de baixa, para torná-los irreversíveis. “Foi The Flash” – disse, rindo, um deles.

Outro, que demonstra indisfarçável simpatia pelos governos tucanos, chama a atenção para o fato de esses coronéis insistirem em permanecer na ativa, apesar de ganharem mais, em tese, na inatividade. “Tem um deles que já estava há 38 anos na PM. O salário de coronel, que é de R$ 7 mil, aumenta, na reserva, em 50%. O que o levava a continuar?” – indaga.

Todos acharam muito boa a aposentadoria, que, ao desafogar o topo, permitirá tão sonhadas promoções, nos vários níveis da hierarquia.

E alguns, ao contrário dos velhos comandantes, já até suspeitavam que a boataria do decreto não passava de uma estratégia do governo, para obrigar os “antigões” a, finalmente, vestirem o pijama.


III

Um oficial da PM chama a atenção, também, para a impossibilidade temporal de algum desses coronéis ser ligado ao ex-governador Jader Barbalho – ou “jaderista”, como chegou a ser noticiado por um jornal local.

É que o tempo máximo de permanência, no posto de coronel, é de oito anos. E os mais antigos nessa patente emplacariam esse tempo, segundo um oficial, apenas em 25 de setembro de 2010. “Quer dizer, todos foram subindo e chegaram a coronel nos governos de Almir e Jatene” – observa.

Almiristas, jatenistas, jaderistas, petistas ou o que quer que valha, o fato é que os coronéis demonstraram uma incapacidade estratégica acachapante.

E sobre isso você pode ler no post abaixo.

domingo, 1 de julho de 2007

Sobre a PM

A crise nos quartéis



Antes de iniciar o post abaixo, quero prestar merecida homenagem ao major Walber Wolgrand, da Polícia Militar do Estado. E ele é a “cara” de um grupo expressivo de oficiais da corporação. O porta-voz.

Como todas as pessoas que defendem, intransigentemente, aquilo em que acreditam, Wolgrand tem sido vítima de toda sorte de pressões e perseguições.

Com menos de 40 anos, aliás, foi aposentado pela PM. Já teve até prisão decretada. Mas, felizmente, foi socorrido por promotores de Justiça, que se mobilizaram para defendê-lo.

Wolgrand me ajudou a abrir muitos caminhos dentro da PM. E foi fundamental para a descoberta da manobra dos coronéis, para desgastar a governadora Ana Júlia Carepa.

Franzino, de fala massa e com formação invejável para um oficial da PM – Direito e Filosofia – Wolgrand é inflexível, na defesa da tropa. E da moralidade, da ética, no trato da coisa pública.

Devido a essa intransigência, às vezes, acaba fazendo inimigos desnecessários. Falta-lhe, talvez, um pouco mais de jogo de cintura.

Mas é uma liderança profundamente respeitada na PM. Os praças o adoram, abrem o jogo. E muitos oficiais, também.

Divergimos em muita coisa. E eu – vejam só - até já o “aconselhei”, algumas vezes...

É que, apesar das divergências, tenho por ele um profundo respeito. É mais ou menos a mesma relação que tenho com Araceli Lemos e Sandra Batista.

Não concordo com elas, com a visão de mundo delas, a opção ideológica. Mas, respeito, profundamente, isto: a convicção, o compromisso social, a postura combativa.

E agradeço, muito, muito honrada o respeito que têm por mim...




I

A governadora Ana Júlia Carepa bateu na mesa e consumou a aposentadoria de 10 coronéis e 2 tenentes-coronéis que apresentaram pedidos de baixa, na última quinta-feira, 28 de junho.

Os pedidos de todos eles serão publicados, à toque de caixa, no Diário Oficial da próxima segunda-feira. Mas, já na manhã de sábado, a publicação estava disponível, via Internet.

Os coronéis jogaram muito mal. Fontes da oficialidade da PM garantem que foram os comandantes a disseminar a boataria que tomou conta das redações dos jornais, na quinta-feira.

As informações eram catastróficas: mais de mil militares (quase 10% do efetivo) teriam acorrido ao Comando Geral, para protocolar pedidos de aposentadoria, em função de um decreto que já teria sido assinado por Ana Júlia, revogando o adicional de 35% que todos eles recebem, quando passam à inatividade.

Estive no Comando da PM, na sexta-feira. A informação de um soldado foi de que umas 90 pessoas estiveram ali, no dia anterior, um pouco mais agitado que o normal. Mas, nada tão sensacional como o propalado. Até porque, os pedidos de baixa, efetivamente protocolados, não ultrapassaram a média semanal.

Mas, na quinta, quem desarmou a bomba, em relação ao Diário do Pará, foi a jovem oficialidade, que contra-atacou dando até detalhes de quando e onde a estratégia dos coronéis havia sido traçada.

O Liberal, infelizmente, mordeu a isca - e com voracidade. Chegou até mesmo a propagar que os coronéis insatisfeitos eram “jaderistas”- quem sabe o peixe que venderam ao jornal, para garantir amplo e descuidado espaço.

(Enquanto os meus companheiros do Diário me olhavam como que enviesado, porque a repórter especial e muito bem paga – devem de ter pensado – levara um furaço. E eu tentando, desesperadamente, não embarcar na canoa furada do jornalismo declarativo, apesar das tentativas, nesse sentido, de persas, atenienses e espartanos...)

Na verdade, boa parte dos que pediram baixa, ocuparam postos chaves nos governos tucanos. Alguns eram até tão próximos do ex-comandante João Paulo Vieira, que chegavam a ser acusados de participar das irregularidades que ele teria cometido.

Entre os 22 coronéis da PM, dizem as fontes da oficialidade, há, sim, gente ligada ao PMDB. Mas, a maioria é de oficiais que participaram, ativamente, dos governos tucanos.

Longe do que publicou O Liberal e do que afirmam as fontes da oficialidade, a verdade, porém, é outra: coronéis são coronéis.

Até por dever de ofício, ideologia ou para manter a paparicagem a que se habituaram, procuram servir, o melhor possível, o mandatário de plantão.

Nem poderia ser diferente, até pelos estragos que provocaria a insubordinação ou a simples deslealdade de um coronel, em relação ao “comandante em chefe”.

O problema é quando os planos do mandatário entram em choque com as regalias dos coronéis.

Aí, não existe PSBD, PMDB, PT, PFL ou legenda que valha: coronel é coronel...


II


A intenção da boataria que tomou conta das redações é claríssima: a criação de um factóide, de um clima de insegurança, de terror, em meio à tropa, para colocar a governadora contra a parede.

E esse foi o primeiro erro dos coronéis. Na época do governo de Jatene, se não estou enganada, ele também tentou revogar esse adicional de inatividade. Mas, como é um fraco, recuou diante das pressões desses oficiais.

Agora, com Ana Júlia, eles tentaram fazer o mesmo. Devem ter pensado que, por ser mulher – e isso, na caserna, é quase um pecado – a governadora recuaria, até com mais facilidade que Jatene. Ledo engano.

A postura de Jatene não é parâmetro, porque ele recua, sempre, ao primeiro berro. Já a governadora é uma mulher que abriu caminho, sozinha, num mundo de homens. Quer dizer, é tudo uma questão de psicologia básica...

Além do mais, Ana Júlia tem por trás um partido, que é, de fato, um partido. Por isso, compartilha decisões.

No PT, a cada passo, todo mundo mete a colher – e eu já cansei, aliás, de escrever sobre essa postura, com seus prós e contras.


III

Outro erro dos coronéis foi terem acreditado que, com a criação de factóides, seriam, automaticamente, seguidos pela tropa. Acabaram assim, na condição de um César Bórgia que, ao avançar sobre o inimigo, quando olhou pra trás, não viu ninguém.

“A tropa nem sabe o que se passa” – diz, desolado e pensativo, um oficial.

É verdade. Na condição miserável em que vive a maioria dos soldados, cabos e sargentos, que formam o grosso dos quase 12 mil homens da PM, é difícil acreditar que embarcariam em factóides criados pelos jornais.

Primeiro, porque não têm dinheiro nem para comer, quanto mais para comprar jornais.

Segundo, porque não têm tempo para ler, com as extenuantes jornadas de trabalho na polícia e os bicos que são obrigados a fazer, para complementar os ganhos.

Terceiro, porque, pela condição de semi-escravidão que experimentam, não estão nem aí para os coronéis.

Em geral, acreditam muito mais nos oficiais (tenentes, capitães, majores) que têm mais contato com eles. E esses oficiais, porque participam do cotidiano da tropa e vêem a situação miserável em que vive, de um modo geral, também não estão nem aí para os coronéis.

Quarto, por uma questão até filosófica: com tudo o que presenciam, no dia a dia das ruas, bem pouco, ainda, deve provocar frisson entre os soldados, cabos e sargentos...

Que, em geral, vêm das classes mais oprimidas, entre as quais bem pouco, também, já é capaz de provocar espanto...

E entre as quais, talvez até por isso mesmo, cultiva-se o hábito salutar de sempre desconfiar, à primeira vista, de quem está em cima.

Os políticos, aliás, sabem muito bem disso: para conquistar as massas, é preciso cultivar identidade com elas.


IV

Os coronéis, aparentemente, não viram nada disso: não viram o fosso que hoje os separa das tropas.

Ganham de dez a doze mil reais – contra os R$ 1.200,00 de um soldado novo.

Têm carro à disposição, celular, gabinete com ar refrigerado – contra o misto frio, a caixinha de suco e o copo de água que um praça recebe, por oito horas de serviço, em um estádio de futebol, em dia de jogo.

Não viram que os tempos mudaram, a sociedade é outra e que o Pará, aos trancos e barrancos, avança no caminho da democratização.

Não perceberam que, até para manter a disciplina que tanto prezam, e que é essencial entre os que detêm armas nas mãos, é preciso melhorar – e muito – os salários e as condições de trabalho dessa massa de soldados, cabos, sargentos, tenentes e capitães, que se arrisca, todo santo dia, no inferno das ruas.

César Bórgia se viu sozinho, porque foi traído, atraído para uma emboscada, apesar do comandante poderoso que era.

Os coronéis paraenses se viram sozinhos, por motivo oposto: isolados em confortáveis gabinetes, não viram – ou não quiseram ver – a miséria em que sobrevivem seus colegas de farda, seus companheiros, seus comandados, seus camaradas...

V

É claro que essa coisa da revogação do adicional de 35% de inatividade dá uma discussão e tanto.

Tudo bem que deve ser ilegal, inconstitucional, como me afirmaram no do Palácio dos Despachos.

Tudo bem que é meio esquisito alguém ganhar mais na aposentadoria, do que na atividade.

Mas, há uma questão complexa aí: se é ilegal, por que o Estado permitiu que tanta gente acalentasse esse sonho, durante 30 anos?

O Estado não é Jader, não é Carlos Santos, Gueiros, Almir, Jatene, Ana Júlia.

É, ou deveria ser, uma superestrutura impessoalíssima.

E, nesse ponto, os coronéis da PM estão cobertos de razão.

Não é justo que um cidadão trabalhe trinta anos a fio, com a perspectiva de um ganho lá na frente, e que, quase ao atingir a praia, chegue alguém e diga: companheiro, você nadou em vão!...

Infelizmente, o Estado brasileiro é useiro e vezeiro nessas coisas.

Age como se fosse um rosto, um partido, uma ideologia.

Mas, Estado que é Estado não tem rosto.

É um instrumento de organização, administração, mediação societária.

E, por mais que sejam os usos que dele se faça, jamais deixará de ser um instrumento público acreditado, porque com tais finalidades.

Logo, o Estado tem regras e maneiras de uso.

Se permitidas, nada há a discutir.

Mas, se foi utilizado de maneira não-permitida pelo contraparente do meu avô, há trezentos anos, posso até dizer: não, nós, os netos, entendemos que não pode ser assim; tá errado, não é justo...

Mas, isso só me dá o direito de transformar isso daqui para a frente.

Não posso, simplesmente, querer reformar toda uma anterioridade, porque isso é injusto e desleal. É como, mal dada a comparação, entrar num túnel do tempo e tentar impor, na Idade Média, o entendimento deste Terceiro Milênio...

Na aldeia, ao longo de todos estes quase trinta anos, ninguém reclamou. Ou, quem quis reclamar, fechou, complacentemente, o bico.

Com que direito, então, posso partir do suposto de que os beneficiados sabiam que era ilegal, se havia um silêncio coletivo?

Decisão, sentença não pode ser baseada em meras suposições.

Nem aquilo que decido pode se basear na minha visão, hoje, acerca de um mundo que ficou, ou vai ficando, para trás.

É claro que alguém pode argumentar: não há como alegar desconhecimento, porque havia uma Lei escrita.

Mas aí, eu também poderia rebater: ora, companheiro, a sua Lei, mesmo que você pensasse geral, não era aqui conhecida ou, mais ainda, consensual. Tanto que a aldeia inteira, pela sua Lei, agiu ilegalmente. E você mesmo diz que todos são iguais perante ela. Por que, então, você não pune a aldeia inteira? Ou, ao menos, todos os beneficiários? Por que só alguns?

VI

Em favor dos atuais coronéis da PM, gostaria, também, de dizer o seguinte: como já mencionei, eles fazem parte de um mundo que vai ficando para trás.

Todos prestaram grandes serviços à sociedade. Da maneira como a sociedade entendia que esses serviços deveriam ser prestados. Foram, em suma, agentes de uma determinada época, à serviço do tempo ao qual pertenceram.

Se tal sociedade era boa, má, certa, errada, melhor, pior, isso pouco importa. Eles caminharam pari passu com ela.

Erraram por supor um poder que já não possuem. Mas isso não desfaz o muito que fizeram em favor de todos nós.

A jovem oficialidade que assumirá no lugar deles terá conosco, é claro, maior identidade.

Mas, quem acredita, de fato, que tudo é um processo, não pode esquecer dos que vieram antes.

E eu só posso é desejar que os que venham saibam honrar o que esses coronéis fizeram.

Que descartem o ruim e aproveitem o bom.

Afinal, tudo é História!

Amanhã eu volto, para mais divagações.

Tchau! Vou encher a cara! FUUUUIIIIIII!