Ban

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Pensando...

Na madrugada...

A Perereca adora ser estapeada por um lado, enquanto é, profusamente, cantada pelo outro...

Adora as promessas vãs, as suaves hipocrisias...Afinal, é gente, ora, pois, pois!...

E vai, devidamente acomodada num divã, apreciar as tais das uvas Moscatel. Enquanto analisa – ó, xentes! - as propostas recebidas...

Se forem realmente bacanas, por que não?...

Afinal, há que premiar o esforço daqueles que nunca desistem (pisc, pisc...)...

E que sabem, sobretudo, jogar!...

PMB

As eleições para a PMB

I

O DEM fez publicar pesquisa de intenção de voto às próximas eleições municipais.

A Perereca, como sempre atrasada, encharcada em álcool e novamente ao som do Skank, só agora vem comentar a tal da pesquisa.

Para dizer o óbvio, que todo mundo já deve ter dito.

Em primeiro lugar a amostragem, claro está, não é significativa; quer dizer, a resultante nem científica é.

Foram ouvidas 850 pessoas, num universo superior a 927 mil eleitores (sim, a Perereca, como sempre enjoada, foi buscar, no site do TRE, o quantitativo dos eleitores de Belém...)

Ou seja, a tal da amostragem não consultou nem 1%, quanto mais os 20% exigíveis do universo, numa pesquisa realmente bacana, digna de crédito.

Além do que não se tem idéia do intuito das perguntas, como foram elaboradas, pra modo de quê...

Isso sem falar no fato de o instituto que fez a tal da pesquisa ser ligado aos tucanos.

E de o “encomendante” ser quem (quem? Quem?) todos nós sabemos quem é...

Acho que essas são as principais considerações, acerca da tal pesquisa, para começar.

Em outras palavras, não vale um chavo. Até pela distância a que nos encontramos das próximas eleições.

Um dia, em uma eleição, como sabem bem todos os políticos, é um tempo demasiado longo. Quanto mais um ano...

Mesmo assim, a tal da pesquisa agitou, há algumas semanas, os meios políticos.

Pelo frisson que toma conta dos meios políticos, em relação às próximas eleições, simplesmente porque são as próximas eleições.

O próximo embate, a próxima guerra. E por aí vai.

Dito isso, tentemos ver o que quiseram dizer o DEM e os tucanos, realmente, com a tal pesquisa.

Tentemos ler o não-dito, para aclarar os eventuais cenários.

Mas, aperem lá, enquanto a Perereca vai buscar a próxima “celveja”....


II



Vamos começar pela insistência do DEM em relação ao Edmilson.

Porque o Edmilson é o paradigma do candidato que ninguém deveria ter como candidato e que qualquer oposição adoraria ter como candidato a enfrentar.

Em primeiro lugar, porque Edmilson é o nosso Ciro Gomes: incuravelmente destemperado. Incapaz de segurar a língua. O que o transforma em alvo fácil de qualquer provocação.

Isso significa que, num eventual debate com Valéria ( no caso de Edmilson ser o candidato da situação, com certeza, a candidata do DEM/PSDB) ela seria, sem muita dificuldade, vitimizada.

Afinal, como todos sabemos, há uma distância enorme entre o que, efetivamente é, e aquilo que “parece ser”, aos olhos das “pessoas”, do senso comum.

Valéria pode ser uma catitinha – e é! Bem espertinha, como toda mulher, afinal... Mas, ofendida por um homem, pra mais com a pinta de lady que cultiva, estaria em franca vantagem sobre ele, aos olhos de quem assiste o debate.

Afinal, é mulher, a parte “mais frágil”, aquela que não pode ser espancada nem com uma flor...

Valéria é excelente, em relação ao imaginário popular, se Edmilson for o adversário.

É o homem rude, arrogante – e que nem consegue explicar as próprias idéias, porque, como já disse em post anterior, Edmilson é um intelectual alucinado, que nem consegue se fazer entender – contra a mulher honesta, boa esposa, boa mãe e pra mais, ó xentes!, uma dama, pois, pois!

Isso sem falar na desenvoltura dela, em frente às câmeras de TV...É, em suma, o sonho sonhado de qualquer marqueteiro...Mais ainda quando esse marqueteiro se chama Orly Bezerra (que a oposição pode detestar admitir, mas que é o melhor que temos aqui... Eu, se tivesse poder, ao invés de hostilizá-lo, me dedicaria, todos os dias, aplicadamente, a seduzi-lo...).

Mais ainda quando Valéria disporá de farto tempo de Tv, contra a penúria do PSOL.

Moral da história. O score de eventual debate de Valéria sobre Edmilson será de 10 a 0. Ou, a bem dizer, no boliche, nada menos que um strike.

Em outras palavras, nem dá para falar em competição. Porque tudo o que ele disser, mesmo em relação ao Fernando Dourado, será usado contra ele...

Resumo da ópera: o DEM, espertamente – e é de tirar o chapéu à perspicaz da Valéria (não, não, definitivamente não é ao Vic...) - quer escolher, avaliem, o próprio adversário!...


III


Tudo o que foi dito acima pode ser observado, também, em relação a Mário Cardoso e ao Priante.

Mário é o meu candidato do coração, o sujeito em que, um dia, eu gostaria de votar para governador, ou até, para presidente da República.

É trabalhador, extremamente democrático e honesto. Um cidadão capaz de escutar, realmente, os outros cidadãos, mesmo que em posição socialmente inferior. Um político de esquerda que tem em mente os limites da ação política, para a conquista do poder.

Mário é o sujeito que respeita uma pessoa simplesmente pelo que é: uma outra pessoa. Com os direitos, os deveres, as falhas e as qualidades que tem toda e qualquer pessoa.

Mas, Mário tem um problema sério: na condição de candidato – não nas proporcionais, mas, nas majoritárias - é muito, muito ruim...

Teria de ser pacientemente trabalhado, “ensinado”, até quanto à maneira de se comportar – e de se vestir – diante das câmeras.

Teria de ser estimulado até em relação à maneira de falar – porque os professores das matemáticas, que nem ele, infelizmente, parecem desconhecer que a expressão em língua mátria também advém da lógica pura...

Quer dizer: Mário precisa de tempo para possibilitar o Mário prefeito, ou até quem sabe, o Mário governador...

Priante é ainda mais complexo. A não ser que tenha mudado muito, padece de uma ira quase incontrolável, semelhante a de Edmilson. E disso deu claras demonstrações naquele triste primeiro debate, com o “velhinho” Almir Gabriel...

Pra mais, Priante, ainda à semelhança de Edmilson carece de “consistência” partidária – e essa coisa dos “fazedores-de-opinião-ao-pé-do-ouvido”, é fundamental, decisiva, especialmente numa eleição municipal.

Não creio que Jader admita Priante no jogo, na condição de prefeito do maior colégio eleitoral do Pará. Nem, tampouco, Ana Júlia permitirá.

Priante, se não conseguir subir por si só, amparado no cacife que tem em mãos (e ele, pelo visto, ainda não se deu conta do potencial da estrutura que tem nas mãos...) continuará na condição de peão. Jamais será um cavalo, um bispo, uma torre, quanto mais um rei ou uma rainha...

Simplesmente, porque tem projetos próprios e que, por isso mesmo, são bem diferentes daqueles dos atuais “donos” do tabuleiro.


IV

Bom, já “ensaiei” demais e quero mais é tomar as minhas em paz.

Mas, deixo aqui uma consideração.

Se não fosse NC (Nada Consta), se mandasse nesse jogo, escolheria, liminarmente, uma mulher, como eventual adversária aos tucanos, à Prefeitura de Belém.

Não conheço bem, mas imagem por imagem, me ocorre a Vanessa Vasconcelos. Belíssima, educadíssima e com excelente domínio de câmera

No caso de a Valéria ser a candidata do DEM/PSDB, Vanessa é a candidata ideal do PMDB, em coligação com o PT.

O problema é que não podemos esquecer o jogo do Jatene, este sim um grande jogador. Da mesma forma que não podemos esquecer o Jader, outro grande jogador.

Essa escolha, do candidato ou candidata, será definida no último segundo do segundo tempo, com espiões de parte à parte, nas convenções, para evitar surpresas.

Sim, porque tanto Valéria quanto Vanessa, embora mexam com o imaginário popular, pela imagem que possuem, não são páreo para um candidato (a) tarimbado (a), com domínio sobre o imaginário popular e com cinco quilômetros a mais de vivência administrativa.

Dudu tem domínio à beça do imaginário popular e cinco quilômetros a mais de vivência administrativa, apesar de Brasília.

Não voto nele. Mas, será o Dudu?

ET I

Enquanto a Perereca acaba o capítulo X da Festa do Ap, vai um pouco adiante...Com vocês...


O ET de Inhangapi



_Só ‘mermo’ você, cumadizinha, só ‘mermo’ você pra me fazer acampar neste fim de mundo!...
_Ô comadre, arrelaxe, mais é!...Desde que a gente achegou que você num apara de arreclamá!...
_Mas, também!...Você já viu onde nós estamos, cumadizinha? É só mato pra tudo que é lado!...E é sapo, é osga, é grilo, é barata...E esse monte de carapanãs que ficam pensando que eu sou alguma filial do Hemopa...
_Ô comadre, você aprecisa é admirááá a natureza!...Assinta o cheiro do mato!...
_É só bosta de boi!...
_Aveja a água alímpida desse lago!...
_É só malária!
_Adiga: AUUUMMMM!... E adeixe a alma abailá no céu estrelado!...
_Égua da erva boooooa, né animal?...
_Ô comadre, você atá é muito ranzinza, mais é!...É um mau humô que ninguém agüenta! Égua da menopausa escrota, essa sua!...
_Agora, a culpa é da minha menopausa, né? Eu só queria era saber onde é que eu tava com a cabeça, quando aceitei acampar com você em Inhangapi!...Em INHANGAPI!!!... E ainda por cima pra fazer esse tal de “Turismo Ufológico”!...
_Mas, comadre, é a nova moda do Brejo, ué!... Tá todo mundo aquerendo apreciá o ET de Inhangapi!...
_Mas que ET que nada, cumadizinha! Isso deve ser igual aquele ET de Varginha: uma sugestão coletiva!...
_Que nada, comadre! Diz que o negócio aqui é assério!...Diz que o bicho inté assolta fogo pela venta!...
_Jura? Então, deve de ser o clone da mula-sem-cabeça, né mermo, cumadizinha!...
_Que nada, comadre! Diz que o bicho é feio..., feio..., feio... que nem o cão achupando manga!...Atem uns zolhões pretos... Uma careca horrível!...Um jeito, mermo...mermo...de bode véio...E ainda se abalança todo, comadre!... E aí ele assegura o sujeito com uns brações de ferro, apega numa seringa e tum!...atira o sangue do coitado que acruzô com ele!... E atem mais, comadre!...
_Égua, mais?!!!...
_Diz que quando o sujeito acorda, adescobre que afoi abduzido!...
_Égua, sério? E pra onde “alevam” o pobre? “Deve de ser” pra baixa da égua, né, cumadizinha?...
_Que nada, comadre! Diz que é pra adentro duma nave enooooorme! Tudo branca e cheia de luz!... E aí afazem um monte de experiência científica com o caboco! Amedem pressão, glicemia e inté aquele tal de triglicerídeos! Examinam fezes, urina, ascutam o peito e afazem o sujeito arrepeti: 33, 33, 33...
_Égua, então isso não é uma abdução!...É um check-up intergaláctico!...
_É que o seu ET, comadre, diz que atem mania de doença!... Diz que um sujeito que afoi abduzido adescobriu que atinha tuberculose, hanseníase, sarampo, catapora, pereba, malária, papeira, tosse gogada e inté bicho de pé!...
_Mas, cumadizinha, tá certo que você é bem informada!... Mas, eu não tô é entendendo como é que você sabe de tudo isso sobre o ET de Inhangapi!...
_Ué, comadre, mas se tá tudo aqui neste folheto da Ufoturismo Empreendimentos Inhangapienses, ó!...
_Égua, e tem essa empresa?
_Pois num atem, comadre? É inté do Barão com o seu Inri e o lorde Balloon...
_Égua, que eu devia ter desconfiado!...Égua, que eu sou é muito burra!...
_Ô comadre, mas do que é que você atá arreclamando? Esse pacotão de ufoturismo saiu inté barato, por causa da abaixa estação!...
_E quanto é que ficou a porcaria desse pacote, animal?
_Só dez mil bufunfas, ó xente!...
_Dez mil!!!...Mas você enlouqueceu, cumadizinha? De onde é que eu vou tirar tanta bufunfa?
_Dos anúncios do seu blog, ué!!!
_Mas, o meu blog não tem anúncio, animal!
_ Mas, então, afaça um rolê com a Gazeta de Arribação, ué!
_Égua, eu não acredito que você me fez gastar dez mil bufunfas com esse negócio de doido!...
_Mas, comadre, a gente inté aganhou um maravilhoso kit ufoturístico!...
_Quê?
_Pois, não é, comadre! Como eu apaguei à vista – é bem verdade que com acinco cheques pré-datados seus... – a gente inté aganhou esse lindo kit “O ET e Eu”. Apegue lá, comadre!...Atem essas duas varas de pescá... Esses dois violões – inté bacanas, né, comadre? – e esses negócio esquisito que eu num assei o que é...
_É um vibrador, sua anta!...
_Égua, assério, comadre? E pra que é que asserve?
_(...)
_Ah, e ainda atem essa pomadinha aqui, ó!...
_É KY, animal!...
_Égua, comadre, como você é instruída!...
_Boa noite, minhas senhorrras!
_Ô seu Inri, ainda bem que o sinhô achegou!...Eu inté atava amostrando pra comadre esse maravilhoso kit ufológico “O ET e Eu”!
_A senhorrra gostarrr, dona Perrrerrreca? Serrr idéia do querrrido lorrrde Balloon! Ele pensarrr numa coisa nova e extrrraorrrdinárrria parrra garrrantirrr satisfaçon da frrreguesia!...
_Mas eu não estou é entendendo, seu Inri, como é que funciona esse negócio de turismo ufológico...
_Ah, mas isso, como dirrria o nosso querrrido Barrron, é muito simples, minha senhorrra!...O que é que a senhorrra verrr aqui?
_Mato e bicho!...
_Orrra, vamos, dona Perrrerrreca, como dirrria o nosso querrrido Barrron, liberrrtarrr a imaginaçon! Inhangapi serrr um lugarrr fantástico! Aqui, tudo acontecerrr!...E foi aí que pensarrrmos nesse emprrreendimento novo e extrrraorrrdinário do ufoturrrismo!...
_Quer dizer, então, que não tem nenhum ET de Inhangapi?
_Mas é clarrro que terrr, minha senhorrra! A senhorrra acharrr que eu, o Barrron e o lorrrde Balloon serrrmos capazes de enganarrr as pessoas?
_Não, seu Inri!... É claro que eu jamais pensaria algo assim de uma “trinca” desse quilate, não é ‘mermo’?
_Então, rrrelaxarrr, dona Perrrerrreca, que logo, logo a senhorrra terrr a experrriência mais fantástica de çon vida!...

(De repente, acendem um holofote e aparece um grande disco voador, pouco acima do chão. Batuque ritmado de tambores. Surgem pessoas vestidas de branco gritando, freneticamente: Kong, Kong, Kong! A nave pousa. E dela desce...O ET de Inhangapi!)

(Continua)

Rappa

Minha Alma



A minha alma
Está armada e apontada
Para a cara do sossego
Pois paz sem voz
Paz sem voz
Não é paz, é medo

Às vezes eu falo com a vida
Às vezes é ela quem diz
Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz

As grades do condomínio
São pra trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que está nessa prisão

Me abrace e me dê um beijo
Faça um filho comigo
Mas não me deixe
Sentar na poltrona
No dia de domingo

Procurando novas drogas de aluguel,
Nesse vídeo coagido,
É pela paz que eu não quero seguir admitindo

(Marcelo Yuka)

domingo, 24 de junho de 2007

Desabafo

Um desabafo político


Depois de muito instigar o Tico e o Teco, cheguei a uma triste conclusão: perdi quase dez anos da minha vida, encantada com os tucanos paraenses. Em outras palavras, comprei gato por lebre.

Ao longo de todo aquele tempo, não percebi o que os tucanos são, de fato: a mesmíssima elite da Borracha, que acendia charutos com notas de sei-lá-quantos de réis. E que importava tecidos, mármores e óperas da Europa, enquanto a caboclada, o povinho do nariz furado, sobrevivia abaixo de cão.

É a mesma elite...A mesmíssima aristocracia do Baile da Ilha Fiscal e da Revolução Francesa, entretida com suas danças e brioches, enquanto nós, o povo, afiávamos a guilhotina, para nos livrarmos de uma dominação perversa.

Não há explicação possível para a megalomania dos tucanos, a não ser esta, que só agora compreendo: eles são os neobarões da borracha. Os sujeitos do “Bota-Abaixo” das favelas, os escravocratas dos seringais, que se imaginam sobre-humanos – e que, por isso, não podem ter os olhinhos emporcalhados pela miséria da plebe rude, que exploram à exaustão.

São os “Belos e Bons” da Grécia antiga. Mas que, no entanto, apesar da auto-imagem turbinada, cagam, peidam, arrotam e mijam como todo e qualquer ser humano.

Com seus talheres e porcelanas, as pratarias e faianças, imaginam esconder o prazer que sentem, como qualquer bicho, quando devoram um outro bicho, para saciar a fome.

Com suas roupas caras, boníssimas maneiras e gestos ensaiados, acreditam, piamente, que podem branquear este sangue índio, negro, caboclo que corre nas veias de todos nós.

Este rosto indisfarçavelmente miscigenado, no qual coabitam a pele clara, os olhos claros, o nariz de batata e o cabelo crespo.

Sinto nojo de gente assim. Dessa gentalha ignorante e pobre de espírito que imagina que só porque ouve ópera, ou porque contempla, displicentemente, as asas de uma borboleta é mais do que os outros.

Que tratam os outros como inferiores e não percebem que não passam de parasitas sociais, com capacidade de sobreviver no fundo da retrete, na qual a sociedade já cansou de dar a descarga.

A verdade é que, apesar de acreditar nos ideais tucanos, nunca me senti confortável entre os “maiorais” deles.

Nunca consegui linkar “saber” e superioridade, até pela consciência que sempre tive de que o “saber” é construção societária.

A essa gente falta a humildade de se “ver” diante da História e do Universo.

A capacidade de se descobrir comida pra verme, um mero ciclo. Ou um simples átimo, em toda a extensão da Temporalidade.

Quanto mais investigo os tucanos, mais indignada fico, porque mais lesada me sinto (e já começo até a imaginar se tal não passa de malinagem da ex-oposição...).

Há uns dez anos, se alguém me contasse as histórias do Centro de Convenções, do Projeto Alvorada, do Eduardo Salles, do Marcelo Gabriel e do Chico Ferreira, do Parque da Pirelli eu diria: é mentira, politicagem...

E, no entanto, como que por uma dessas ironias do destino, coube justamente a mim, uma tucana de coração mesmo, mesmo amarelinho, investigar ou divulgar boa parte de tudo isso...

Nunca consegui confiar no Jatene e sempre tive nojo desse tal de Paulo Chaves. E de toda essa tucanada de nariz empinado que desfilava pelos salões da corte. Uma gentalha pusilânime que maltratava quem estava embaixo, mas que rastejava, se comportava que nem verme, diante de quem estava em cima. A gentalha que adorava repetir aquela odiosa elegia ao servilismo: manda quem pode, obedece quem tem juízo...

Mas, admirava, sinceramente, Almir Gabriel. Nos discursos que ele fazia, eu como que identificava a minha própria voz... Afinal, as coisas que ele dizia, acerca da ética e da moralidade no trato da coisa pública e da necessidade de termos um Pará mais justo, é tudo em que eu sempre acreditei.

E quando eu trabalhava no governo dele e ouvia os discursos dele, sentia um baita orgulho de participar de um grande projeto de construção da Cidadania. Sentia-me sinceramente honrada em participar do governo daquele que eu julgava ser o maior governador da História do Pará...

A vida é estranhamente irônica... É estranhamente mordaz...

Hoje, vejo que não fui mais que uma ingênua a comprar banha de cobra, a panacéia comercializada por marqueteiros espertos.

Deixei-me levar pela emoção e fui enlaçada por meras palavras. E, apesar de tudo o que já li – e, sobretudo, vivi – esqueci que a prática é, de fato, o único e grandioso critério da verdade...

Nunca mais vou amar um partido, como amei o PSDB. Nunca mais vou acreditar em qualquer ideal, como acreditei naqueles ideais. Nunca mais vou admirar um político, como admirei Almir Gabriel.

Todos os políticos, para mim, de repente, viraram gente de carne e osso...

A porrada, por mais dolorosa que seja, tem sempre dois lados. A gente sofre. Mas, sobretudo, cresce.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Celpa

A merda da Celpa


Nós, os paraenses, feito pato em véspera de Círio, pagamos nada menos que R$ 450 milhões pela privatização da Celpa.

Sim, porque foi esse o dinheiro que desapareceu naquela “inusitada” operação. Aonde a bufunfa foi parar? Não sei. Quem dera saber. Só os trocados já me bastariam para resolver a vida. Assim como à maioria dos paraenses...

Mas, o fato é que pagamos tudo isso por um serviço que é uma belíssima de uma porcaria, uma imundície, uma merda.

Porque essa Celpa não passa de uma cloaca. Que só se estabelece num Estado atrasadíssimo como o Pará.

A Celpa é uma empresa de merda, do fundo do fundo de um quintal de favela. Uma coisiquinha que dá até nojo de chamar de empresa, porque isso ofende ao empresariado e ao próprio capitalismo.

Fosse num país sério, nem existiria. Porque não se sustenta, simplesmente.

Tem de apelar ao terrorismo, à extorsão, para continuar a existir, como faz, todo santo dia, entre os cidadãos mais pobres. E serviço que é bom, necas de pitibiriba.

Porque não é uma empresa. Como já disse antes – e sustento – não passa de uma cloaca.

Desde a sexta-feira, nós, moradores do Residencial Norte-Brasileiro, umas 800 a 1000 pessoas, somos obrigados a conviver com cortes abruptos de energia.

Só hoje, domingo, foram três vezes que a energia sumiu.

Enquanto nossos computadores, televisores, microondas ameaçam queimar – e todos aqueles equipamentos que a porcaria, a merda, a cloaca da Celpa não vai querer pagar, porque já paga caríssimos advogados, justamente para poder se livrar de nós, consumidores.

Justamente nós, cidadãos, que pagamos até o prato de comida que os diretores dessa excrescência consomem, porque é uma coisa parasitária que sobrevive de dinheiro público.

Tentei falar com essa merda, hoje. Não consegui. E desafio quem consiga. A gente liga e vem aquela vozinha enjoada dizendo que todos os atendentes estão ocupados. Depois, quando a gente insiste e insiste, acaba pendurado 25 minutos – contados de relógio – e a ligação é cortada.

Porque essa merda que se diz empresa escarra, impunemente, nas caras dos cidadãos, dos consumidores.

O dono, que deve ser um bon vivant, anda por aí, talvez em Aruba, só exibindo o barrigaço superalimentado, os cabelos brancos e as rugas, com umas piranhas siliconadas que "acompra" com o nosso dinheiro...

E nós aqui, sem energia e com os equipamentos bugando e queimando. E ele, o brocha-mor, se achando o máximo, enquanto que nós, os patetas, se tivéssemos vergonha na cara, se tivéssemos respeito pelo nosso passado Cabano, incendiaríamos aquela porcaria...

Passei duas horas, na noite de hoje, tentando falar com essa cloaca e não consegui nada.

Cadê a merda da Arcon e das demais agências reguladoras? Cadê o Ministério Público? Cadê todas as porcarias dos Poderes que deveriam fazer aquela cloaca andar na linha? Cadê o Governo? Cadê?

Essas porcarias só se lembram da gente, dos palhaços da classe média, na hora de cobrar impostos. Na hora de garantir direitos, não estão nem aí.

Pelo que já vi, aqui na Cremação, esse vai ser um verão filho da puta, a todos os paraenses.

Porque a merda, a cloaca da Celpa vai dizer que não tem condições de atender à demanda.

Por que se meteu, então? Quanto pagou para oferecer esse serviço de merda ao povinho do nariz furado? À caboclada que se contenta com qualquer espelhinho?

Cadê os deputados? Cadê os vereadores? Cadê os cidadãos? Cadê?

Até quando vamos ter de agüentar esse serviço de merda? Até quando vamos ter de sustentar os brochas dessa empresinha?

Eu, cidadã, estou de saco cheio de agüentar essa porcaria. Nem imposto pago mais. E quero que a merda, a porcaria da Receita Federal venha me cobrar, porque vou querer saber quanto ela cobrou do ACM e do Maluf. E do Fernando Dourado. E do Eduardo Salles. E da Valéria, do Jatene e do Vic.

Vou querer saber o resultado da covardia, da pusilanimidade e da porcentagem...

Sim, porque só cobram de nós, classe média, enquanto que “os outros” flanam por aí, bacanas à beça...

Meu dinheiro, dou de bom grado a imposto, desde que seja revertido em escola, em hospital, em estrada.

Pago, beleza – nem precisa pedir! – desde que a minha empregada não tenha de perambular de posto em posto de saúde em busca de remédio para a mãe dela, como faz, hoje.

Dou até mais do que o pedido. Mas quero o recibo em forma de serviço ao público!

Não estou mais aqui para sustentar quem se apropria de dinheiro público. Eu, classe média, me recuso a isso. Que vão tirar do demônio, mas não de mim, que suo para pagar as minhas contas.

E que a cloaca da Celpa vá à merda. E que vão à merda todos os brochas que terceirizam serviço público neste grande puteiro chamado Brasil...

Vai Vadiar!




Eu quis te dar um grande amor
Mas você não...se acostumou
À vida de um lar
O que você quer é vadiar

Vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar (vai vadiar)
Vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar

Agora não precisa se preocupar
Se passares da hora
Eu não vou mais lhe buscar
Não vou mais pedir
Nem tão pouco implorar
Você tem a mania de ir pra orgia
Só quer vadiar
Você vai pra folia se entrar numa fria
Não vem me culpar, vai vadiar!

Vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar (vai vadiar)
Vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar

Quem gosta da orgia
Da noite pro dia não pode mudar
Vive outra fantasia
Não vai se acostumar
Eu errei quando tentei lhe dar um lar
Você gosta do sereno e meu mundo é pequeno
Pra lhe segurar
Vai procurar alegria
Fazer moradia na luz do luar, vai vadiar!

Vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar.


(Monarco e Ratinho)


Lembrando, lembrando...Naquele tempo, foi o interdito. Logo, logo, nunca mais será!...Sabes a minha determinação?...Sabes, sim!...


Seu Balancê


Quando o canto da sereia
Reluziu no seu olhar
Acertou na minha veia
Conseguiu me enfeitiçar
Tem veneno o seu perfume
Que me faz o seu refém
Seu sorriso tem um lume
Que nenhuma estrela tem
Tô com medo desse doce
Tô comendo em sua mão
Nunca imaginei que fosse
Mergulhar na tentação
Essa boca que me beija
Me enlouquece de paixão
Te entreguei numa bandeja
A chave do meu coração
Seu tempero me deixa bolado
É um mel misturado com dendê
No seu colo eu me embalo
Eu me embolo
Até numa casinha de sapê
Como é lindo o bailado
Debaixo dessa sua saia godê
Quando roda no bamba-querer,
Fazendo fuzuê
Minha deusa esse seu encanto
Parece que vem do Ilê
Ou será de um jogo de jongo
Que fica no Colubandê
Eu só sei que o som do batuque
É o truque do seu balancê
Preta cola comigo
Porque tô amando você
Lalaiá lalaiá lalaiá lalaiá lalaiá lala iá
Lalaiá lalaiá lalaiá lalaiá lalaiá lala iá
Lalaiá lalaiá lalaiá lalaiá lalaiá lala iá

(Paulinho Rezende e Toninho Gerais)



Lembrando, lembrando...



Feitio de Paixão


Queria o prazer do amor
Assim desejando estou
Só vou sossegar
Quando te conquistar
Botar todas cartas vou
Na mesa pra decidir
Quem sabe lutando vou conseguir
Sem conseguir, joguei búzios para tê-la sem favor
Sem conseguir, fiz feitiço para ganhar o teu amor
Sem conseguir, tomei banho de arruda pra fluir
Do corpo todo mal sem conseguir
Sem subornar teu coração, com feitio de paixão
Farei tudo pra ganhar tua confiança
Com a esperança de aprendiz
Juro que vou te fazer feliz

(Jorge Aragão)


Eu e Você Sempre


Logo, logo, assim que puder, vou telefonar
Por enquanto tá doendo
E quando a saudade, quiser me deixar cantar
Vão saber que andei sofrendo
E que agora longe de mim, você possa enfim
Ter felicidade
Nem que faça um tempo ruim, não se sinta assim
Só pela metade
Ontem demorei pra dormir, tava assim, sei lá,
Meio passional por dentro
Se eu tivesse o dom de fugir pra qualquer lugar,
Ia feito um pé de vento
Sem pensar no que aconteceu, nada, nada é meu,
Nem o pensamento
Por falar em nada que é meu,
Encontrei o anel que você esqueceu.

Aí foi que o barraco desabou,
Nessa que meu barco se perdeu,
Nele está gravado só você e eu.

(Flávio Cardoso/Jorge Aragão)

sábado, 16 de junho de 2007

Menstruação

A Perereca menstruada



Na próxima encarnação, quero voltar como Deus. Aí, a primeira coisa que vou fazer é abolir a menstruação. E, mais que ela, a menopausa. Porque nessa fase, maninho, a vida da gente se transforma num verdadeiro Mar Vermelho. Dá vontade de se associar à indústria de absorventes.

Coisa enjoada, essa. Nas religiões, diz-se que é espécie de maldição. Tanto assim, que, na Bíblia, mulher menstruada é “imunda” – avaliem, naqueles tempos, nem Deus conhecia os poderes miraculosos da água, de um bom sabonete e de um poderosíssimo OB...

Para a ciência, menstruação ajuda a limpar o organismo. Afinal, coloca pra fora o revestimento do útero, que se preparou para receber um óvulo fecundado (graças a Deus, Senhor!...Graças a Deus!...).

Mas, cá pra nós, entre Deus e a Ciência, continuo indignada com essa mensalidade lamentável.

Não pedi, não paguei por ela. Mas, todo santo mês, lá está ela a bater-me à porta, feito conta de telefonia celular. Um horror!

Aí rezei pela menopausa. O problema é que essa fase parece ainda pior.

Não, não tenho aquelas ondas de calor – aliás, se as tivesse, com certeza, as confundiria com tesão, e trataria de alugar um amante em cada esquina. Bem mais fácil, pois, pois!

Lubrificação? Ora, para que, afinal, inventaram o KY? E se não houver, que venha a manteiga. E, no desespero, o simples cuspe.

Cabelo e pele ressecadas? Unhas quebradiças? Tolice! Nada que um belo aumento da dose diária de colágeno e de gelatina de peixe não possam resolver.

Não, o problema é infinitamente pior. Trata-se desse sangramento horroroso, que vai e vem, várias vezes por mês, totalmente irregular. E aí, maninho, parece que não há absorvente noturno (com abas!), que “arresolva”.

É uma coisa problemática – e disso, de fato, só as mulheres entendemos.

Não bastasse a flutuação hormonal, ainda temos de amargar essa sensação de estarmos “sujas”. Não, apenas, porque sentimos a torrente. Mas, porque, muitas vezes, ela mancha a calcinha, a calça, a saia e até o lugar em que nos sentamos.

Até porque menstruação é espécie de tabu. Quando falamos nela, a sensação que fica é a de que somos a única mulher a menstruar.

As demais mulheres fecham a cara, como se alguém tivesse dito um palavrão. E os homens ficam sem jeito. Como se não tivessem nem mães, nem filhas, nem irmãs. Ou seja: nunca tiveram de acomprá um “modess”...

Será que isso advém da religião? Provavelmente, maninho. Como menstruação é própria da mulher, tem de ser mistério, maldição, diminuição, sei lá o quê. Fosse coisa de macho, já nem existiria. Ou, talvez, fosse uma festa. Com direito, quem sabe, a fogos de artifício. E à “manchidão” vermelha por tudo que é lado...

Mas, qualquer dessas considerações, mesmo que relativas à eventual conforto psicológico, não me resolvem o problema inicial: porra, esse treco é pra lá de enjoado!

Até evito sair de casa, quando me vejo nessa triste condição. Porque até já sei da profusão de absorventes que terei de carregar – para trocar, avaliem, sem uma bela de uma chuveirada, que me faça como que renascer...

Mas, como diria uma amiga, vamo que vamo.

É segurar a onda e esperar o Mar Vermelho passar. E essa flutuação hormonal que vem junto com ele. Ó Deus! E lá vou eu em mais uma crise existencial...

Na próxima encarnação, abro uma banca de OB. E outra de psicanálise...

Mas, retorno mulher. Sempre mulher!...

quarta-feira, 13 de junho de 2007

O jogo

O Jogo Democrático



Tenho verdadeira paixão pelo jogo democrático. É, para mim, um exercício fundamental de Cidadania. Não apenas me sinto partícipe da sociedade. Sinto que os outros, principalmente, também se sentem assim.

Democracia “sozinha” não é democracia. É discurso, narcisismo e outras paradas do gênero. Democracia, como o próprio nome indica, é mais que um. É coletivo, é debate, “gastação” de cuspe. É o contraditório, a relação de mão dupla com o diferente.

É a essência do Humano; o “dom” que nos permitiu descer da árvore e caminhar em direção às estrelas.

Porque foi a possibilidade de divergir – e não qualquer outra – que fez de nós aquilo que somos. Ontem, os uga-buga das cavernas. Hoje, os amantes dos blogs.

Por tanto amor à democracia, é que é raro, em mim, rodar a baiana. Aceito, com toda a atenção do mundo, as críticas. Penso, reflito acerca delas. E, sinceramente, agradeço a quem as faz.

Porque, para mim, crítica é, sobretudo, atenção, consideração, respeito. Afinal, a crítica trai a deferência que se tem pelo criticado, não é mesmo?

Só me enfureço diante do xingamento covarde. Da baixaria travestida de crítica. E essa eu rebato, impiedosamente, como já fiz tantas vezes.

Mas, me criticarem, mesmo que deformando fatos, puxando a sardinha para a brasa de quem critica, é para mim perfeitamente normal. Faz parte do jogo...

Não vou, portanto, responder às críticas que me fazem em outros blogs, principalmente em relação à queda de Guedes. Não porque não considere tais blogs – pelo contrário – ou aos seus comentadores.

O problema é que já ouvi, de há muito, o rufar dos tambores. Conheço, de longe, a preparação a qualquer guerra – afinal, como já disse aqui, o meu espírito bélico, me predispõe a todas elas...

Só espero que os meus críticos tenham em mente que o meu front não é aqui, não é neste blog.

Não padeço da visão ufanista de que os blogs, no Brasil, já fazem a diferença no jogo político. É provável que, daqui a 100 anos, seja assim. Mas, agora, certamente, não é.

Por uma razão matemática simplíssima: a maioria esmagadora da população brasileira mal tem dinheiro para comer, quanto mais para ter acesso à Internet.

E dentre os que acessam a Internet, a maioria esmagadora busca a rede por outros objetivos – principalmente, entretenimento ou a troca de “recados”, “cartas” eletrônicas.

Logo, a informação dos blogs atinge, se muito, 1% dos mais de 170 milhões (é isso?) de brasileiros. E no país inteiro...

Logo, o meu front jamais poderia ser aqui. Até porque sou, apenas, uma trabalhadora. Tenho de ter quem pague pela minha força de trabalho, até para ter um pedaço de pão para dar a minha filha – e, obviamente, continuar a ter acesso a Internet.

Assim, o tempo de que disponho para estar aqui é o tempo de que disporia qualquer trabalhador. Que tem de lutar, honestamente, pela própria sobrevivência...

Isso quer dizer que não posso estar aqui todos os dias. Em todas as horas que a informação acontece. Porque, para isso, teria de ter financiamento.

E financiamento, em geral, compromete a informação. Daí que prefiro este blog meio esculhambado, em termos de temporalidade de atualização. Porque isso significa que é um espaço verdadeiramente livre. Esculhambado, mas libre!

Por outro lado, me sinto até, como direi, orgulhosa, pelo fato de tentarem desfazer de meu trabalho por aquilo que não fiz – comentários e notas, por exemplo, que jamais produzi.

Porque isso significa que não há por onde se pegar a informação que divulgo, tão exata ela é.

Mas aí, eu somo dois mais dois – e me desculpem, queridos, mas, não está em mim, deixar de somar dois mais dois.

E eu me lembro que a Valéria ajuizou dois processos contra mim – vejam só, cobrando R$ 200 mil de indenização em cada um! Tadinha!...Vai me virar de cabeça pra baixo e não vão cair R$ 0,50...

Mas, se o juiz determinar prestação de serviços à comunidade, vou responder: perfeitamente, doutor! Se o senhor me permitir, vou continuar a fazer o que sei fazer melhor - vou investigar o bom uso do dinheiro público! O meritíssimo quer melhor prestação de serviços à comunidade do que isso?

O problema é que, para me descredibilizar, vão ter de descrebilizar o Diário Oficial do Estado, os contratos firmados pelo Estado, a Junta Comercial do Pará e tudo que é certidão cartorária que se possa considerar “certificada”...

Lá pelas tantas terão de descredibilizar até gravações ou, mesmo, o que está ali diante dos olhos de todos...

Porque não faço jornalismo do tipo: eu penso, eu creio, fulano acha, fulano diz...Para mim, um único documento é mais eloqüente que todos os “achismos” do mundo...

Quer dizer, doutora Valéria, se a senhora me permite: para se “descasar” do Dourado, há que intentar bem melhor que isso...

Assinado: Mera Cidadã

terça-feira, 12 de junho de 2007

A Queda II

A Queda de Carlos Guedes II


A exoneração de Carlos Guedes, confirmada pelo Governo do Estado na noite de ontem, é a primeira grande baixa no governo de Ana Júlia. E eu torço, sinceramente, para que não venha a se configurar em verdadeiro desastre, a médio prazo.

Já comentei a crise que envolveu a permanência ou não do ex-secretário. E o desfecho de ontem não surpreendeu. Afinal, era quase certo que ele sairia. Até pelo enfraquecimento que sofreu, a partir do momento em que a queda de braço no interior da Democracia Socialista (DS) se tornou pública.

É certo, também, que a saída de Guedes não provocará convulsões políticas no governo. O poder continua repartido da mesmíssima forma entre as tendências petistas e os partidos que integram a administração estadual. E o ex-secretário não é liderança expressiva de qualquer dessas tendências ou partidos. É muito mais um técnico, com excelente trânsito político.

Logo, os problemas que podem ser gerados com a saída de Guedes são de outra ordem. Não conheço seu substituto, José Júlio. Sei que tem formação acadêmica invejável e alguma experiência de gestão pública, no âmbito municipal. Mas, temo que lhe falte tarimba, para atravessar o terreno pantanoso da máquina pública, num estado das dimensões do Pará, em termos de geografia e de mazelas sociais.

Livros são excelentes para moldar a ampliar a visão de mundo. E as discussões acadêmicas também são maravilhosas nesse sentido, até porque funcionam como espécie de bálsamo, diante dos obstáculos à transformação da sociedade.

Mas é preciso bem mais que isso para cruzar o oceano de mumunhas do Estado, onde um erro aparentemente insignificante porque gerar uma tsunami. Nunca é demais lembrar, aliás, o “escândalo da cabeleireira”, que poderia ter sido evitado com um simples contrato de prestação de serviços...

Deus queira que me engane, mas creio que a minha xará no governo cometeu uma grande burrada, daquelas que a gente só percebe tarde demais e quando os estragos são tantos que já nem vale a pena juntar os cacos.

Carlos Guedes era, certamente, o melhor quadro técnico do atual governo. Talvez o único em condições de enfrentar a oposição cerrada dos tucanos, numa área crucial para o equilíbrio financeiro. Possuía a necessária vivencia de 15 anos de serviço público, para saber, ao menos, para onde apontar a lupa, em vez de perder-se a procurar agulha num palheiro - ou numa profusão de divagações filosóficas.

Foi-se, porém, antes de completar seis meses – e antes que se saiba, com certeza, se os tucanos não deixaram pelo caminho, outras cascas de banana, além daquelas já descobertas e que poderiam ter provocado verdadeiros desastres, ainda no primeiro mês da nova administração.

Uma delas foi o não pagamento de serviços essenciais, como, por exemplo, o fornecimento de combustível. Outra, um déficit que comprometia até a possibilidade de novos financiamentos.

Guedes teve a agilidade, o conhecimento, a competência necessária para aparar todas essas bolas, ao mesmo tempo em que jogava de centro-avante em outro terreno escorregadio – o planejamento participativo.

E a dificuldade de articulação genuinamente popular nas políticas públicas foi um dos fatores que mais contribuiu para o desgaste do ex-prefeito Edmilson Rodrigues, junto aos formadores de opinião. Nunca é demais lembrar disso. O PT, aliás, deveria fazer disso um exercício cotidiano de memorização.

Por isso, não apenas alguns grupos da DS comemoram a saída de Guedes – mas, principalmente, os tucanos e pefelistas devem estar soltando um senhor foguetório. Afinal, a mexida pode provocar uma hecatombe numa área crucial, que abrange, ao mesmo tempo, o equilíbrio financeiro e a participação popular, no novo governo.

Torço para que este não seja mais um daqueles tiros no pé que o PT já se habituou a dar. Aliás, durante a campanha eleitoral, me disse, pasmo, um promotor de Justiça: os petistas nem precisam de inimigos. Basta que se coloquem, todos, num mesmo compartimento, para que se matem mutuamente...

É pena que ele, aparentemente, tivesse razão.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

A Queda

A Queda de Carlos Guedes I




O Governo do Estado divulgou nota, no início da noite, dando conta da saída de Carlos Guedes da Sepof. A Perereca publica, abaixo, a íntegra da nota. E retorna, logo mais, com alguns comentários sobre a questão:

“O governo do Pará informa que o secretário de Planejamento, Orçamento e Finanças, Carlos Mário Guedes de Guedes, a seu pedido, deixará de ocupar esse cargo a partir de amanhã (12), sendo substituído pelo atual secretário-adjunto de Governo, José Júlio Ferreira Lima.

O governo reconhece o importante trabalho realizado pelo economista Carlos Guedes, que ocupou o cargo durante cinco meses.

Desde o período da transição até seu último dia na Sepof, Carlos Guedes demonstrou competência, responsabilidade, transparência, honestidade e
espírito público.

Deu a toda a equipe um bom exemplo de organização e articulação popular quando tomou à frente de projetos como o Planejamento Territorial Participativo, o PTP, em todas as regiões do Estado.

Diante de seu desligamento do governo, motivado por questões profissionais, a governadora Ana Júlia Carepa agradeceu ao sr. Carlos Guedes pelo papel que desempenhou em favor do crescimento socioeconômico do Pará.

Na disposição de implantar um novo modelo de desenvolvimento no Estado, o governo continua desenvolvendo seus projetos à luz de uma política descentralizada, democrática e voltada para o bem de todos os paraenses”.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Lindo!

Há que perseguir o sonho!


A todos os que lutam por uma sociedade justa. Sem escravos, nem senhores. Sem explorados, nem exploradores. Uma sociedade que seja, um dia, um enorme coração!

A todos os que mantêm o sonho em carne viva. Aqueles que existem, para que todos sejam, enfim, cidadãos.

Como necessidade cotidiana, igualzinha ao ar que se respira.

Aos que amam o outro como a si mesmos.

Aos que nunca desesperam do horizonte, por mais escuro que pareça.

A todos os que sabem unir-se em uma só alma, com todos os outros, na procura do que seja a Humanidade.

A quem ama o amor mais profundo.

O amor por tudo o que é.



Vermelho



A cor do meu batuque tem o toque e tem o som da minha voz
Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão
O velho comunista se aliançou ao rubro do rubor do meu amor
O brilho do meu canto tem o tom e a expressão da minha cor

A cor do meu batuque tem o toque e tem o som da minha voz
Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão
O velho comunista se aliançou ao rubro do rubor do meu amor
O brilho do meu canto tem o tom e a expressão da minha cor

Meu coração
Meu coração é vermelho, hei, hei, hei
De vermelho vive o coração, ê, ô, ê, ô
Tudo é garantido após a rosa vermelhar
Tudo é garantido após o sol vermelhecer

Vermelhou no curral a ideologia do folclore avermelhou
Vermelhou a paixão, o fogo de artifício da vitória vermelhou
Vermelhou no curral a ideologia do folclore avermelhou
Vermelhou a paixão, o fogo de artifício da vitória vermelhou

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Lúcio libre!


Juíza rejeita ações dos Maiorana




A juíza da 7ª vara penal de Belém, Odete da Silva Carvalho, rejeitou todas as quatro queixas-crimes propostas nessa vara por Ronaldo e Romulo Maiorana Júnior, principais executivos do grupo Liberal, baseado em Belém do Pará, e por uma das empresas da corporação, a Delta Publicidade, que edita o jornal O Liberal, contra o jornalista Lúcio Flávio Pinto. As deliberações foram resenhadas na edição de hoje (4) do Diário da Justiça do Estado.


As ações tiveram como pretexto artigos publicados no Jornal Pessoal, quinzenário alternativo que Lúcio edita há quase 20 anos. Algumas das matérias noticiavam e analisavam a agressão sofrida pelo editor em 21 de janeiro de 2005, praticada por Ronaldo Maiorana, diretor-editor corporativo do grupo Liberal, cuja emissora de televisão é afiliada à Rede Globo.

O jornalista foi agredido quando almoçava com os amigos num restaurante que funciona num parque público, onde também a Secretaria Estadual de Cultura tem sua sede, diante de pelo menos 150 pessoas. O agressor teve a cobertura de dois suboficiais da Polícia Militar, que há vários anos atuam como seus seguranças particulares.


Os Maiorana requereram à justiça o enquadramento de Lúcio Flávio Pinto na Lei de Imprensa, pelos crimes de injúria, calúnia e difamação, que teria cometido nos artigos. Neles, além de se referir à agressão, o jornalista mostrava as origens do império de comunicação da família, o maior do Norte do país, seus procedimentos pouco éticos, e as mudanças na linha editorial conforme os interesses puramente comerciais, que levaram os veículos a criticar ou elogiar, dependendo do faturamento publicitário. A Companhia Vale do Rio Doce, o Banco da Amazônia e a Rede/Celpa foram apresentados como vítimas desse tipo de constrangimento.


Numa das ações, os autores se declararam ofendidos porque o jornalista se referiu à agressão que sofreu como espancamento. Não puderam negá-la, mesmo porque o fato foi reconhecido em outra ação pelo próprio Ronaldo,: ele aceitou pagar uma multa de 6,5 mil reais, estipulada pelo Ministério Público do Estado, em transação penal da qual foi o autor (na forma de cestas básicas destinadas a instituições de caridade), para se livrar do procedimento penal.

Mas os Maiorana disseram que houve “apenas” agressão e não espancamento. A diferença serviria de fundamento para o enquadramento legal e o ressarcimento pelo dano moral sofrido pelo agressor – e não espancador.


Mas a juíza Odete Carvalho entendeu, ao sentenciar uma das queixas-crime, que as afirmativas feitas por Lúcio Flávio Pinto em seu jornal “foram fundadas em fatos reais e amparadas pela tutela legal da Lei de Imprensa e da Constituição Federal, além de pautadas, exclusivamente, pelo interesse público”.

Em outras duas ações a magistrada não conseguiu identificar provas ou tipificação para punir o réu. E declarou perempta uma quarta ação porque o autor, Ronaldo Maiorana, mesmo intimado, não compareceu à audiência designada para ouvi-lo.


Essa foi a única vez em que um oficial de justiça conseguiu localizar um dos Maiorana: em todas as outras ocasiões, eles eram simplesmente barrados à frente da sede do jornal ou informados que os irmãos não estavam ou se encontravam viajando. Os Maiorana não compareceram a nenhuma das audiências de instrução dos processos, instaurados a seus pedidos.


As sentenças da juíza da 7ª vara penal contrastaram com as anteriormente lavradas e com decisões da juíza da 16ª vara penal em ações dos Maiorana – e de outros autores, contrariados por matérias do Jornal Pessoal – contra Lúcio Flávio Pinto.

A juíza Maria Edwiges de Miranda Lobato, titular da 16ª vara, que é a especializada nos crimes de imprensa na comarca de Belém, depois de se manifestar sistematicamente contra o jornalista, foi obrigada a reconhecer sua suspeição quando Lúcio Flávio argüiu sua tendenciosidade. Uma representação contra a magistrada ainda está sendo apreciada pela Corregedoria Metropolitana de Justiça.


As ações foram então redistribuídas. Além das que couberam à 7ª vara, há uma ação em tramitação perante a 3ª vara e outra na 10ª, ainda pendentes de decisão.

Os Maiorana também requereram indenização por danos morais e materiais, pelos mesmos motivos, em quatro ações protocoladas no fórum cível, duas das quais foram rejeitadas, por insubsistentes. Em todos os casos, cíveis e penais, eles têm recorrido à instância superior, do tribunal de justiça.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Festa IX


Festa no Meu Apê IX


(Abrem-se as cortinas. O salão está exatamente como antes: mesas, mulheres vestidas de dançarinas de can-can e homens vestidos de cowboys. No alto da escadaria, surgem a Barbie Princesa e as quatro indaietes, vestidas de prateado – maiôs, bordados com strass, lantejoulas e paetês; as “saias” são tirinhas brilhantes; nas cabeças, arranjos, também, com tirinhas brilhantes, que caem ao lado rosto. As indaietes entram primeiro, em ritmo de jazz. Depois é que avança a Barbie, que, já cantando, vai se colocar à frente, no palco. O salão tem de interagir com as meninas. Elas cantam e dançam Cabaret: “What good is sitting alone in your room?/Come here the music play/ Life is a cabaret, old Chum/Come to the cabaret/Put down the knitting, the book and the broom/Is time for a holiday/Life is a cabaret, old chum/Come to the cabaret/Come taste the wine/Come hear the band/Come blow a horn, start celebrating/Right this way, your table's waiting/No use permitting some prophet of doom/To wipe every smile away/Life is a cabaret, old chum/So come to the cabaret!/I used to have a girlfriend known as Elsie/With whom I shared four sordid rooms in Chelsea/She wasn't what you'd call a blushing flower.../As a matter of fact, she rented by the hour/The day she died, the neighbours came to snicker/"Well, that's what comes from too much pills and liquor"/But when I saw her laid out like a queen/She was the happiest...corpse...I'd ever seen/I think of Elsie to this very day /I remember how she'd turn to me and say:/What good is sitting alone in your room?/Come here the music play/Life is a cabaret, old chum/Come to the cabaret/ And as for me, and as for me/I made my mind up back in Chelsea/When I go, I'm going like Elsie/Start by admitting from cradle to tomb/Isn't that long a stay/Life is a cabaret, old chum/Is only a cabaret, old Chum/And I love a cabaret”)

(Aplausos)

(Foco numa grande mesa do lado direito do palco)

_(a Beijoca): Olha o dadinho, olha o dadinho!...Vai rolar, vai rolar...Rolou!... Dois e dois...Dois e dois...
_Um, dois, três, quatro... Ora, vejam só: é a Gasgate Company, certo? Eu compro, certo?
_(Tirésias): Podem pararem, podem pararem que já é dos lorde Tirésias! E eu subi que tem pedágio, caboco...
_Mas eu tenho, certo?, títulos da Sudolândia, certo?
_(Tirésias): Mas esses título tão suspeito, caboco! O pessoal num querem! Enquanto que a minha Gasgate, ó..., ó..., tão fazendo um sucessório!... É gente assim atrás, ó, ó, caboco!...O pedágio são três mil bufunfa!...
_Três mil!!! Mas isso é um roubo, certo? Só um dos meus títulos da Sudolândia vale dez Gasgate, não é isso?
_Ô seu Sudão, mas o sinhô só acompra a Gasgate se o seu Tirésias quisé! E como a Gasgate é dele, o sinhô tem de pagá o pedágio que ele cobrá... O sinhô num assabe brincá, não?
_Confesso, certo?, querida correspondente, que já faz muito tempo, certo?, que não brinco de Banco Imobiliário. Aliás, pensei que fôssemos jogar pôquer, não é isso?
_Mas, seu Sudão, o sinhô num ouviu o que o Oráculo falô? Pra modo de acordá a comadre, a gente atem de brincá de Banco Imobiliário, né seu Tirésias?
_Erem, querida, erem!
_Mas por que, certo?, justamente de Banco Imobiliário, certo?, se o lorde Tirésias rapela todo mundo, não é isso?
_Num erem assim, caboco, num erem assim!... A gente não temos a culpa se os caboco tão tudo bronqueado! As culpa é dos caboco de não saberem fazerem as coisa!... A gente não podemos perderem a pespetiva do jogo. A gente temos de terem um zóio bem aqui, ó, ó, caboco!, e os zoutro zoio bem lá na frente, ó,ó...
_Ô caboco, você tem de entender o imponderável dessa situação – e eu não tenho nenhuma dúvida, caboco, de que isso é algo novo e extraordinário! Quem diria que, hoje, estaríamos aqui, neste grande congraçamento, tendo como guia o nosso douto e honrado lorde Tirésias!... Por sinal, um Oráculo fantástico, caboco!... Sem ele, estaríamos simplesmente perdidos, caboco!... Porque a dona Perereca – veja só – ainda se encontra bem ali, petrificada!...
_É verdade, seu Barão, é verdade!...Coitadinha da comadre!...Aliás, não sei quem foi o animal que ainda acolocou uma vassoura nas mãos dela! Agora mermo é que a pobrezinha ta aparecendo a minina de Santo Alexandre!...
_Mas eu não estou, certo?, é entendendo a lógica dessa situação, certo?... Como é que pode um Oráculo, não é isso?, legislar em causa própria?
_A gente num le...le...le...xis...xis... Como é que é mermo, caboco?
_Nós não legislamos!... Eu legislo, tu legislas, ele legisla; nós legislamos, vós legislais, eles legislam!...
_Pois é, caboco, a gente num fazemos isso daí... A gente só adeministremos..., né seu Barão?
_Com certeza, caboco: a gente só adeministremos! E com competência extraordinária!
_Pois é, a gente só prefeituremos Dengue’s City, que é, como tudo saberem, a capital do Brejo.
_Me desculpe, lorde Tirésias, certo? É que essa sua apetência, certo?, por Banco Imobiliário, me parece, como direi, algo exótica!
_Ezo....Ezo...
_Exótica! É...Diferente! É...com um “quê” de maravilhosa, não é isso? Extraordinária, como diria o Barão, não é isso?
_Ah!...
_O problema, certo?, é que o senhor rapela todo mundo. Porque, como é o dono do tabuleiro, certo?, é o dono de tudo o que interessa, não é isso?
_Mas vejamse só, caboco, vejamse só o que és as maldade das pessoa humana! A gente só aluguemos o tabualero pra dona Benjoca. Num és isso, caboca?
_(a Beijoca): Em primeiro lugar, eu gostaria de explicar, lorde Sudão, que esse jogo possui três diretrizes novas e extraordinárias – daí a necessidade de locação desse tabuleiro, pelo imponderável que simboliza. A primeira diretriz é a necessidade de um modelo sustentável de desenvolvimento para o Brejo. Coisa que só vamos conseguir através da formação de grandes cadeias produtivas, para o aproveitamento das nossas riquezas naturais!...
_(o Barão): Epa! Epa! Epa! Pera lá, caboca, que esse discurso é meu!
_( a Beijoca): E desde quando?
_Desde sempre, caboca! O Brejo inteiro sabe que fui eu o inventor das cadeias produtivas!
_Erem verdade, dona Benjoca, erem sim!... Os caboco até fizeram aqueles troço dos porco justicero!..
_(o Sudão): Como é que é? Ele fez o quê?
_Os porco justicero, caboco! Aqueles lugá de fazerem pipita, pulseira, cordão, anel, lá nas cadeiras do Brejo. Égua, os caboco nunca estiveram lá? E depois a gente pensemos que o lorde Sudão sabem tudo... Porque o lorde Sudão são isso, o lorde Sudão são aquilo... Pois, para os lorde Tirésias, os caboco ta aparecendo é uns ingnorante...
_O senhor está querendo dizer, certo?, Pólo Joalheiro, não é isso? Aquele pólo de produção de jóias, nas antigas cadeias do Brejo, não é isso?
_Pois intonci, os porco justicero...
_Pólo Joalheiro!
_Porco justicero!
_Meu caro Barão, será que você poderia me ajudar, certo?, com essa tarefa inglória...

_(o Barão, abraçando o Tirésias, para uma conversa particular): caboco, esse é um daqueles troço que a gente já conversemo...Zóio nos Zóio, caboco, zóio nos zóio!...
_Ah, zóio nos zóio!...
_Erem aqueles negócio que a gente expliquemos pras gente e as gente pros lorde Tirésias...
_Ah, as gente pros lorde Tirésias!...
_Erem aqueles troço dos porco justicero...
_Pois intonci, os porco justicero...
_Das cadeia, das cadeia, caboco!...Aqueles lugá onde os emi pi, caboco, os emi pi querem enfiarem todo mundo!...
_(Correndo e se escondendo debaixo de uma mesa) Os emi pi! Os emi pi!...
_(O Barão, indo em direção ao Tirésias): Sai daí, caboco, podem saírem que os emi pi não tão aqui!...(abraçando novamente o Tirésias): Intoncis! É tudo os extra dos ordinário!...Os extra, caboco!...Os extra!...
_Ah, os extra!...Os extra!...(indo em direção ao Sudão): A gente temos cabeça é pra pensarem, caboco, é pra pensarem!...A gente não semos como os caboco que não saberem nem jogarem. E depois a gente fiquemos dizendo: o lorde Sudão são isso, o lorde Sudão são aquilo...Mas a gente vamos si ispricá! Os caboco aqui (colocando a mão no ombro do Barão) colocou os porco justicero nas cadeia do Brejo pur causa dos extra dos ordinário. Mas os pobrema – e sempre tem os pobrema, caboco! – é que os emi pi querem as cadeia só pra eles!... E aí, caboco, não tem as condição!... Porque, se os egosistas dos emi pi ficarem com as cadeia, adonde é que a gente vamos enfiarmos os porco justicero? (para o Barão): não és isso, caboco?
_(o Barão): Erem, caboco, erem!...
_Confesso, certo?, meu caro Barão, que eu estou até admirado com esse seu, como direi, “extraordinário” talento lingüístico...Aliás, eu não sabia, certo?, que o senhor é até poliglota, não é isso?
_Esse, meu caro Sudão, é um talento que desenvolvi, metodicamente, na minha bucólica Inhangapi, quando passava horas e horas conversando com os peixes...Aliás, quero lhe dizer, caboco, que Inhangapi é um dos locais mais fantásticos do mundo!
_(o Sudão): Não me diga, “caboco”!...
_Não sei se você sabe, mas nós até inauguramos lá um empreendimento novo e extraordinário: o Carnaval da Semana Santa – idéia, por sinal, do meu dileto Duzinho. O lorde Balloon até criou um mote fantástico para esse novo e extraordinário empreendimento: “Na Semana Santa não se agonie: solte a franga em Inhangapi!”...

(Toca a campainha bem alto, tipo sirene da polícia. Entra o Jujuba, vestido de pai de Santo, com uma galinha preta viva na mão e várias galinhas pretas junto com ele).

_(o Jujuba): Com licença, pessoal!...Foi daqui que ligaram pro Disk-Despacho?

(O DJ ataca “Só o ôme, de Edenal Rodrigues. Todos dançam e cantam no Apê – menos a Perereca, é claro, que continua, ao fundo, petrificada: “Ah mô fio do jeito que suncê ta/Só o ôme é que pode ti ajudá/Ah mô fio do jeito que suncê ta/Só o ôme é que pode ti ajudá/Suncê compra um garrafa de marafo/
Marafo que eu vai dizê o nome/Meia noite suncê na incruziada/Distampa a garrafa e chama o ôme/O galo vai cantá suncê escuta/Rêia tudo no chão que tá na hora/E se guáda noturno vem chegando/Suncê óia pa ele que ele vai andando/Ah mô fio do jeito que suncê ta/Só o ôme é que pode ti ajudá/Ah mô fio do jeito que suncê ta/Só o ôme é que pode ti ajudá/Eu estou ensinando isso a suncê/Mas suncê num tem sido muito bão/Tem sido mau fio mau marido/ Inda puxa saco di patrão/Fez candonga di cumpanheiro seu/Ele botou feitiço em suncê/Agora só o ôme à meia noite/É que seu caso pode resolvê)


(Continua)