Ban

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Prefeitura de Belém gastou mais de R$ 4,5 milhões da Saúde em propaganda. Dinheiro foi repassado à Griffo, empresa que pertence ao marqueteiro da campanha de reeleição do prefeito Zenaldo Coutinho. Irmã do marqueteiro era diretora do Devs, o departamento da Sesma que é responsável pelos serviços que foram alvo das campanhas da Griffo. Empenhos classificam verba da propaganda em Saúde, em vez de Comunicação. E alguns parecem ter sumido do portal da Transparência municipal.






É um caso que precisa ser investigado com muito carinho pelo Ministério Público Federal, já que envolve verbas oriundas da União, além de fatos que precisam ser mais bem explicados. 

Entre 2013 e abril deste ano, a Prefeitura de Belém gastou em propaganda pelo menos R$ 4,5 milhões do Fundo Municipal de Saúde (FMS), em valores atualizados pelo IPCA do mês passado. 

Quem recebeu o dinheiro foi a Griffo Comunicação, uma das quatro agências que detêm a conta de publicidade da prefeitura, e que pertence ao marqueteiro Orly Bezerra, coordenador de marketing da campanha de reeleição do prefeito Zenaldo Coutinho. 

Dos 32 empenhos que destinaram esses R$ 4,5 milhões à Griffo, 20 se referem a serviços publicitários da área de Vigilância em Saúde, realizados entre 2013 e junho de 2015, segundo o portal municipal da Transparência. 

Em 13 deles, emitidos pela própria Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), há referência a memorandos do Departamento de Vigilância em Saúde (Devs), daquela secretaria, sobre a confecção desses materiais publicitários. 

Entre janeiro de 2013 e setembro de 2015, quem comandava o Devs era a enfermeira Orliuda da Costa Bezerra, irmã de Orly, o dono da Griffo. 

Ela foi nomeada para o cargo no Diário Oficial do Município (DOM) de 15 de janeiro de 2013 (página 3) e de lá só saiu em 1 de setembro do ano passado (DOM de 16/09/2015, página 10). No mesmo dia, assumiu a direção do Pronto Socorro Municipal Humberto Maradei (DOM de 29/09/2015, página 3). 

Veja os diários oficiais com a nomeação e a exoneração de Orliuda, e nome dela no Demonstrativo de Remuneração da Prefeitura de Belém, em julho do ano passado. Clique em cima dos quadrinhos, para ampliar: 



 
  
Detalhes desaparecem do portal da Transparência... 


Memorandos são documentos internos  para informar eventos, projetos e solicitar  a aquisição de bens ou serviços. 

E a referência a tais documentos só aparece em um lote de 18 empenhos que foram emitidos pela própria Sesma, entre abril de 2013 e o início de  2014 (inclusive os 13 que citam memorandos do Devs). 

Dez deles são tão detalhados que chegam a listar os preços de produção e de veiculação dos materiais publicitários. 

Mas a partir de maio de 2014, quando passaram a ser emitidos pela Coordenadoria de Comunicação Social (Comus) da Prefeitura, os detalhes desapareceram. 

O último empenho da Sesma, o de número 5134/2014, de 16 de maio de 2014, repassou à Griffo mais de R$ 410 mil do FMS, com base no contrato de propaganda 005/2009, que era da gestão do ex-prefeito Duciomar Costa. 

O novo contrato de propaganda, da gestão de Zenaldo, havia sido publicado no Diário Oficial de 20 de janeiro de 2014. 

O pagamento desse empenho, por serviços publicitários também na área de Viglância em Saúde, foi realizado na rubrica “Despesas de Exercícios Anteriores”, e teve por base o parecer 728/2014, do NSAJ/Sesma, que vem a ser o Núcleo de Assuntos Jurídicos daquela secretaria. 

Veja o empenho 5134/2014: 




...E desaparecem também empenhos detalhados 


Esses empenhos detalhados são difíceis de localizar, demandam dias de busca e, em alguns casos, parecem ter sumido do portal da Transparência de Belém. 

É o caso do empenho 13965/2013, datado de 04/12/2013, que nem apelando a São Longuinho se consegue encontrar... 

Segundo esse documento, foram repassados à Griffo mais de R$ 45 mil, em recursos do FMS destinados à Média e Alta Complexidade (MAC), para encher a X Conferência Municipal de Saúde de banners, cartazes, faixas, crachás, folders, camisetas, livretos e painéis. 

Na época, os prontos socorros de Belém viviam, como ainda vivem, uma situação caótica, com a falta de remédios e equipamentos, e até de lençóis, para os pacientes. 

Veja o empenho 13965/2013: 



Outros empenhos que também parecem ter desaparecido são os de número 15481, 15062,15431 e 15440, todos emitidos pela Sesma, em 2013. 

Eles perfazem uns R$ 46 mil e não constam nem como pagos, nem como estornados – simplesmente, sumiram. 

Veja alguns dos empenhos desaparecidos, que detalham  preços de serviços.

15440/2013: 



15431/2013: 



15062/2013: 



15481/2013: 





Mais de R$ 2 milhões, em 8 empenhos sequenciais. 


O maior dos empenhos destinados à Griffo, com recursos do FMS, é o de número 155/2015, que envolve um pagamento superior a R$ 1,940 milhão, e cuja imagem abre esta reportagem. 

Ele faz parte de um lote de empenhos sequenciais, todos emitidos em 09 de junho de 2015, pela Comus: os de números 150, 151, 152, 153, 154, 155, 156, 157 e 158. 

Através dos demais empenhos desse lote, a Griffo recebeu mais R$ 128.214,28. 

O que, somado ao empenho 155/2015, resultou em um pagamento de R$ 2.068.297,54, em valores da época. 

E olhe que ainda ficaram faltando R$ 90 mil de dois empenhos, que não constam nem como pagos, nem como anulados (o 157 e o 158). 

A maior parte do dinheiro desse lote foi, novamente, para publicidade de projetos/ações da Vigilância em Saúde, embora a Comus tenha classificado o empenho 155/2015 na subfunção “Vigilância Sanitária”, que é outro departamento, e colocado como fonte de recursos um tal de “Programa Vigilância Epidemiológica da União”, que nem sequer existe no Ministério da Saúde (existem as verbas para isso, mas não um programa com esse nome). 

Também na Anvisa, que é a responsável pela Vigilância Sanitária, a informação é que não existe tal programa e nem mesmo recursos para a vigilância epidemiológica. 

Ainda mais esclarecedor, porém, é o que diz o portal do Fundo Nacional de Saúde (FNS). Veja aqui: http://www.fns.saude.gov.br/visao/consulta/simplificada/detalheEntidade.jsf 

Segundo o FNS, foram transferidos, em 2015, para o Fundo Municipal de Saúde de Belém, R$ 16.304.844,78 líquidos, no bloco Vigilância em Saúde. 

Desse total, apenas R$ 859.706,40 foram para a Vigilância Sanitária. Todo o restante (R$ 15.445.138,38) foi para a Vigilância em Saúde propriamente dita. 

E se o dinheiro do empenho 155/2015 saiu desses mais de R$ 15 milhões, como é quase certo, isso significa um gasto em propaganda superior a 10% dessa verba. 

Veja nos quadrinhos os repasses ao FMS por blocos, em 2015, e o que foi destinado à Vigilância Sanitária e à Vigilância em Saúde, dentro do bloco Vigilância em Saúde: 



 

Empenhos classificados em Saúde, e não em Comunicação Social 


Boa parte do dinheiro que saiu do FMS para propaganda é de origem federal: são recursos da vigilância epidemiológica, do programa nacional de combate à Aids e outras DSTs, da média e alta complexidade (MAC), da Atenção Básica (PAB Fixo e PMAQ-AB) e do SAMU 192. 

Um fato estranho é que todos esses 32 empenhos, mesmo quando emitidos pela Comus, estão classificados na Função “Saúde”, e não em “Comunicação Social”, na qual são contabilizados os gastos com propaganda. 

É certo que a Saúde trabalha com várias campanhas publicitárias de utilidade pública (o combate a doenças como a dengue, por exemplo). 

Mesmo assim, chama atenção o volume de dinheiro que saiu do FMS para a Griffo, entre 2013 e 2016: foram R$ 4.510.326,33 em valores atualizados, ou R$ 4.064.565,70 em valores históricos. 

E isso apesar dos mais de R$ 21,8 milhões que Zenaldo gastou em propaganda, só em 2015. 

Mais: na verba da propaganda já há dinheiro para publicidade de utilidade pública, que é como são classificadas as campanhas de combate a doenças. 

Então, fica a pergunta: se esses mais de R$ 21,8 milhões não serviram nem mesmo para cobrir campanhas da Saúde, serviram para que, afinal? 

Além disso, não há como afirmar que “só” esses R$ 4,5 milhões do FMS é que foram gastos em propaganda, já que esses 32 empenhos são apenas aqueles aos quais o Diário do Pará e a Perereca da Vizinha tiveram acesso. Ou seja, o “causo” pode, sim, ser maior. 

Veja no quadrinho quanto a Griffo recebeu ano a ano de recursos do FMS. Clique em cima dele, para ampliar: 




Propaganda não tem verba "carimbada".


Há mais, porém. No Portal da Saúde já há peças publicitárias padronizadas (banners, cartazes, jingles, spots para rádio), para campanhas nacionais do setor. 

E qualquer prefeitura pode fazer download gratuitamente desse material, o que barateia o custo para o município – disse um funcionário do Departamento de Publicidade da Assessoria de Comunicação do Ministério da Saúde, Marcos Silva. 

Mas no empenho 10919/2013, de 18/09/2013 (e no qual são mencionados seis memorandos do Devs), a informação é que foram repassados à Griffo mais de R$ 124 mil para a “produção, criação e honorários de material promocional” das campanhas nacionais contra influenza e poliomielite. 

Pagou-se, por exemplo, mais de R$ 16 mil pela criação, roteiro, produção, gravação e edição de VT e spot de 30 segundos, além de R$ 3 mil por 5 fotografias do banco de imagem da agência e mais de R$ 2.600,00 pela criação e arte final de um cartaz. 

Pela veiculação do VT e do Spot em sete emissoras de rádio e TV, o custo foi de quase R$ 78 mil. Desse total, mais de R$ 48 mil foram para a TV Liberal. 

E não imagine que essa verba era “carimbada”, ou seja, só poderia ser usada em propaganda. 

Segundo a Assessoria de Comunicação do Ministério da Saúde, quem gerencia o dinheiro transferido para estados e municípios são os próprios fundos estaduais e municipais de Saúde. E são os gestores locais a definir se usarão parte dessa verba para publicidade de interesse público. 

Veja o empenho 10919/2013: 





No Rio, juíza condenou secretário de Saúde por uso de verba em propaganda. 


Em 2013, o então secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Cortês, e o subsecretário de Comunicação Social, Ricardo Luiz Rocha Cota, foram condenados, em primeira instância, por desvio de verbas da Saúde para propaganda. 

Através de duas resoluções publicadas no Diário Oficial, eles transferiram mais de R$ 10 milhões do Fundo Estadual de Saúde (FES) para a Subsecretaria de Comunicação Social da Casa Civil. 

O presidente do Sindicato dos Médicos daquele estado, Jorge Darze, ajuizou  ação popular contra essa “descentralização da execução de créditos orçamentários”, por considerá-la lesiva à vida e à saúde dos cidadãos. 

Na sentença, a juíza da 8ª Vara de Fazenda Pública, Simone Lopes da Costa, anulou as resoluções e determinou a devolução do dinheiro. 

 “Inadmissível a utilização de verba claramente vinculada à saúde para propaganda institucional. Ainda que a verba não fosse vinculada, configuraria desvio de finalidade utilizar tal verba com publicidade em detrimento do serviço direto de saúde, diante do sem número de ações de improbidade questionando a ausência de leitos, tratamentos hospitalares, dentre outros, sem mencionar as ações distribuídas por particulares que visam a obtenção de medicamentos”, escreveu a magistrada. 

No processo, Sérgio Cortês alegou que o dinheiro transferido para a Comunicação se destinava à realização de eventos e à divulgação de temas relacionados à Saúde. 

Já o Governo do Estado disse que o repasse seria para a recuperação e manutenção dos hospitais e melhoria do atendimento aos pacientes, nos postos de saúde. 

Outra alegação foi a de que o dinheiro seria necessário para cobrir os custos de campanhas de utilidade pública, como o combate à dengue. 

Mas a juíza entendeu que isso não foi comprovado, até porque o Governo Estadual possuía contratos milionários de propaganda. 

Para ela, o que ficou provado é que o dinheiro da Saúde foi usado em propaganda de interesse do Governo, e até no pagamento de assessoria de imprensa. 

Cortês e Ricardo recorreram da sentença e o processo poderá ser julgado, em segunda instância, ainda neste ano. 

Leia a matéria no site do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro: http://www.sinmedrj.org.br/informativos/index.php?id=1303 

E, também retirada de lá, a íntegra da sentença:



Diário do Pará publica denúncia 


No último domingo (18/09), o jornal Diário do Pará publicou reportagem, assinada por mim, sobre o uso de dinheiro do FMS em propaganda. Veja aqui: http://digital.diariodopara.com.br/pc/edicao/18092016/cidade 

Na sexta-feira, foram enviadas à Comus as seguintes perguntas, até o momento não respondidas:

1-Por que a Prefeitura de Belém usou dinheiro do Fundo Municipal de Saúde para propaganda, se os contratos da Prefeitura com quatro agências publicitárias (contratos que consumiram, só no ano passado, mais de R$ 21,8 milhões em valores históricos) já preveem a propaganda/publicidade de utilidade pública? Há ou havia algum impedimento para o uso dessa verba, já ordinariamente destinada à propaganda, em campanhas publicitárias da área de Saúde? Se sim, quais?

2-Qual a base legal para a utilização de recursos do FMS em propaganda? Os recursos do FMS não têm que ser usados, apenas, no atendimento direto à população? Há ou havia alguma verba federal recebida pelo FMS “carimbada”, específica, para propaganda/publicidade?

3-Onde e em que esse dinheiro do FMS repassado à Griffo foi aplicado? Em que campanhas, materiais e veículos de comunicação? É favor detalhar, em vez de generalizar.

4-Por que esses recursos do FMS repassados à Griffo estão classificados na Função Saúde, e não em Comunicação Social? Essa prática não infla, artificialmente, as aplicações em Saúde, enquanto reduz, também artificialmente, os gastos em propaganda? Qual a base normativa para a classificação desses recursos na Função Saúde?

5-Quais os critérios pelos quais a Griffo Comunicação, entre as quatro agências que detêm o contrato de propaganda da PMB, foi a escolhida para a execução dessas campanhas publicitárias, quase todas, de acordo com os empenhos, para projetos/atividades de “Desenvolvimento das ações de promoção e vigilância em Saúde”? É a Griffo a agência encarregada de atender as demandas da Sesma? Desde quando e por quê?

6-Quais departamentos da Sesma cujas solicitações embasam os processos de realização desses serviços pela Griffo, com dinheiro do FMS, e que foram empenhados pela Comus?

7-Qual o convênio, resolução, etc que permitiu à Comus empenhar esses recursos do FMS? Em que Diário Oficial ele foi publicado? 


E veja mais alguns dos empenhos que repassaram dinheiro da Saúde à Griffo Comunicação.

256/2014:



5186/2013:



6624/2013:



6625/2013:



6626/2013:




14552/2013:


1192/2014:



1193/2014:



1194/2014:



1195/2014:



111/2014:


sábado, 10 de setembro de 2016

Ideb: Pará é lanterna do ensino médio da Região Norte e o quarto pior do Brasil. É, também, um dos piores no ensino fundamental e perde até para o Piauí e o Maranhão. Estado não alcança a meta do Ideb para o ensino médio, cuja nota cresceu apenas 0,4 nos últimos 10 anos. Tanto no médio quanto nas séries finais do fundamental, é improvável que o Pará atinja as metas do Ideb também em 2017. Mesmo assim, Seduc comemora “resultados”.






O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio público do Pará é o pior da Região Norte e o quarto pior do Brasil.

Segundo o ranking nacional divulgado pelo jornal O Globo, no último dia 8, a nota do Pará no Ideb do ensino médio público foi de apenas 3,0, em 2015.

Atrás dele ficaram apenas Sergipe (com Ideb de 2,6), Alagoas e Rio de Grande do Norte (empatados com 2,8) e Bahia (2,9).

Em Pernambuco e São Paulo, que ocupam o primeiro lugar do ranking, o Ideb ficou em 3,9. 

Veja o Ideb do ensino médio público na Região Norte: 
Amazonas – 3,5
Acre – 3,5
Roraima – 3,4
Rondônia – 3,3
Tocantins – 3,3
Amapá – 3,1
Pará – 3,0

E aqui, extraído do jornal O Globo, o ranking nacional: 




Entre os piores também nas séries iniciais e finais do fundamental 


Segundo a reportagem, apenas quatro estados alcançaram as metas do Ideb, em 2015, para o ensino médio: Amazonas, Pernambuco, Piauí e Goiás.

Todos os demais – incluindo, é claro, o Pará – foram reprovados.

Também nas séries iniciais (primeira à quinta) e finais (sexta à nona) do ensino público fundamental, o Ideb do Pará ficou entre os piores do Norte e do Brasil.

Nas séries iniciais, o Ideb do Pará (4,3) foi o segundo pior das 27 unidades federativas, empatado com Alagoas e Amapá, e à frente apenas de Sergipe (4,1).

O melhor do ranking é São Paulo, com Ideb de 6,2. 

Veja o ranking das séries iniciais do ensino fundamental, na Região Norte: 
Acre – 5,3
Rondônia – 5,3
Roraima – 5,1
Amazonas – 5,0
Tocantins – 5,0
Amapá – 4,3
Pará – 4,3 

E veja o ranking nacional das séries iniciais: 



Nas séries finais do ensino público fundamental, o Ideb do Pará (3,6) foi o quinto pior do Brasil, à frente apenas do Amapá e Paraíba (ambos com 3,5); Bahia e Rio Grande do Norte (3,4); Alagoas (3,2), e Sergipe (3,1). 

Veja o ranking das séries finais do ensino fundamental, na Região Norte: 
Acre – 4,4
Amazonas – 4,2
Rondônia – 4,1
Tocantins – 4,0
Roraima – 3,7
Pará – 3,6
Amapá – 3,5 

E veja o ranking nacional das séries finais:




Pior que o Maranhão e o Piauí 


Nos três rankings publicados pelo jornal O Globo, o Pará perde até para dois estados paupérrimos do Nordeste, que costumam disputar com ele as lanternas dos indicadores sociais brasileiros: Maranhão e Piauí.

No Maranhão, o Ideb ficou em 3,1 no ensino médio; 4,4 nas séries iniciais; e 3,7 nas séries finais do fundamental.

No Piauí, o Ideb foi de 3,2 no ensino médio; 4,6 nos anos iniciais; e 3,9 nos anos finais.

Na Região Norte, Acre e Amazonas tiveram o quinto melhor Ideb do ensino médio público do Brasil (3,5), empatados com Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

Nos anos iniciais do fundamental, Acre e Rondônia (empatados com o Mato Grosso do Sul) apresentaram o sexto melhor Ideb do país: 5,3

Nos anos finais, o Acre obteve a quinta melhor nota do Ideb (4,4).

O Ideb, que é o maior indicador da educação básica do País, considera, no cálculo, o rendimento escolar (aprovação, reprovação e abandono) e o desempenho dos alunos em testes de português e matemática – explica o jornal O Globo.

O ensino médio é de responsabilidade dos governos estaduais. Já o ensino fundamental é administrado pelas prefeituras. 


Abaixo da meta no ensino médio... 


Pesquisa da Perereca no site do Inep (Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), do Ministério da Educação, mostra que 2009 foi o único ano em que o Pará cumpriu (e até superou) a meta do Ideb para o ensino médio.

A meta, naquele ano, era de 2,7 – mas o Pará alcançou 3.0

Nos anos seguintes (2011 e 2013), as notas do Pará até caíram.

No ano passado, a nota subiu para 3,0 (ou seja, voltou ao mesmo nível de 2009, seis anos atrás).

No entanto, a meta estabelecida para 2015 era que essa nota ficasse em 3,5.

O resultado já indica que o Pará dificilmente conseguirá atingir também a meta para 2017, que é de 4,0. 

Veja o quadro: 




Em 2005, o Ideb estimado do Pará, no ensino médio, era de 2,6. Isso significa que, nos últimos dez anos, essa nota cresceu apenas 0,4.

É verdade que, nesse período, apenas dois estados (Amazonas e Pernambuco) cresceram mais de 1 ponto na nota do Ideb, enquanto outros (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe) até regrediram.

Mas também é verdade que outros dez estados, além de Amazonas e Pernambuco, cresceram acima do Pará: Piauí, Maranhão, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Goiás, Acre, Distrito Federal, Espírito Santo e Paraná.

Vale salientar, ainda, que Amazonas, Piauí e Maranhão, que possuíam as piores notas estimadas do Ideb e estavam atrás do Pará, obtiveram, no ano passado, uma nota superior a dele. 

Veja o quadro preparado pela Perereca: 

 
E aqui, a série histórica do Ideb do ensino médio, em todos os estados, extraída do Inep. Clique em cima para ampliar:





...e abaixo da meta também nas séries finais do fundamental 


Nas primeiras séries do ensino fundamental da rede pública, as metas têm sido até ultrapassadas, no Pará – tanto que a nota obtida no Ideb do ano passado (4,3) corresponde à meta fixada para 2017.

Em relação a 2005, quando o Ideb do Pará foi de 2,7, o crescimento ficou em 1,6. 

Veja o quadro específico do Pará: 



Veja a série histórica das séries iniciais do fundamental, em todos os estados: 



Já nas séries finais do fundamental, a meta do Ideb só foi alcançada em 2009.

No ano passado, a meta era de 4,4, mas a nota ficou em apenas 3,6.

Em 2005, a nota do Pará das séries finais era de 3,2.

O crescimento ínfimo do período já indica que, também aqui, o estado dificilmente conseguirá atingir a meta do Ideb para 2017, que é de 4,7. 

Veja o quadro específico do Pará:




Veja a série histórica das séries finais do fundamental:





SEDUC jura que melhorou e até comemora 



Apesar desse quadro desolador, a antecipar até fracassos futuros, a Agência Pará, a central de notícias do Governo do Estado, diz que o desempenho paraense no Ideb até melhorou.

“O Pará obteve o segundo maior crescimento da nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2015 e, com o resultado, subiu quatro posições no ranking nacional em comparação com os dados do levantamento de 2013”, diz o texto que está no site do Governo.

“Enquanto em 2013 o Pará ocupava a 26ª colocação no Ideb, em 2015 o Estado subiu para o 22º lugar, passando de 2,7 para 3,0 no ensino médio, à frente de Estados como Alagoas, Bahia, Rio Grande do Norte e Sergipe. Se considerada a evolução, isto é, a diferença entre a nota obtida em 2013 e 2015, o Pará, com acréscimo de 0,3 na nota, registrou resultado igual ou melhor que Unidades da Federação como Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins”, comete, ainda, o texto da Agência Pará.

Também segundo o texto, a secretária estadual de Educação, Ana Cláudia Hage, até comemorou o resultado.

“Estamos comemorando porque avançamos, o que é sinal de que estamos no caminho certo, pois fomos o segundo Estado que mais cresceu no ensino médio, apesar de 2015 ter sido um ano atípico na educação no Pará. Enfrentamos 73 dias de greve, mas tivemos uma nota maior em relação ao Ideb anterior. Isso se deve ao esforço coletivo de professores e técnicos e, especialmente, à dedicação dos nossos alunos, que abraçaram nossos projetos se preparando para a Prova Brasil. Esse resultado é uma grande vitória da sociedade paraense”, teria dito a secretária. 


Sem palavras frente à tamanha desgraceira e enrolação, a Perereca recomenda que você leia a postagem “O Rei da Urucubaca: Jatene quer desplanejar o Pará até 2030! Bollywood perdeu um grande canastrão”: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2016/07/o-rei-da-urucubaca-jatene-quer.html 


E confira o texto completo da Agência Pará, para você não achar que estou exagerando. Clique em cima dos quadrinhos para ampliar:

 




Para ler a reportagem completa do jornal O Globo sobre o ranking ( que foi checado pela Perereca): http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/apenas-4-estados-atingem-metas-do-ideb-para-ensino-medio-publico-20072233